Identidade
Junho 21, 2007, 10:25 pm
Filed under: Europa, Raízes

Por Pierre Krebs

Do que se trata exactamente: de um mito, de um gosto, de uma fantasia? Esta palavra que reconcília os contrários (o idêntico e o distinto) designa na realidade um instinto. Foi sobretudo desde que a etologia moderna estabeleceu a disposição inata do homem em se identificar com os indivíduos que se lhe assemelham que melhor se compreendeu porque os povos provam essa necessidade instintiva de viverem ao seu próprio ritmo, no interior de uma herança cultural bem demarcada de todas as outras. 

Mas o que ciência compreendeu, a vulgata igualitária prefer ignorar ou negar. Enredada nos seus fantasmas, ela continua a pretender que a consciência identitária elaboraria muralhas insuperáveis entre povos apreendidos por uma angústia recíproca das suas diferenças. A realidade desmente estes inépcias. Com efeito, tal como o indivíduo personalizado que se demarca da massa circundante não se coloca, todavia, à parte da sociedade, antes enriquecendo-a com as suas diferenças, também um povo consciente da sua especificidade não se afasta do género humano, pelo contrário, aproxima-se cada vez que faz dom da sua singularidade e dos seus particularismos. 

Isto é algo natural: quanto mais um povo toma consciência da sua especificidade, mais refina as suas diferenças e maior for a sua abertura para o mundo também mais possibilidades de beneficiar o outro existem. Quanto mais um povo toma consciência da sua especificidade melhor se posiciona para se abrir ao mundo e assim fazer dom aos outros povos da sua singularidade e das suas diferenças. Quanto mais um povo é sensível à diversidade que o envolve, quanto mais se revela hábil a apreender e a apreciar nas suas mais pequenas matizes aquilo que lhe é estranho, aquilo que não lhe pertence. Quanto mais um povo se mostra interessado nas suas diferenças mais propenso ele está a tolerar as dos outros, na medida em que somente quando se está atento a si mesmo é que se está na disposição de  mostrar-se respeitoso dos outros.  Continuar a ler



Não te limites a ler a história…
Maio 22, 2007, 6:07 pm
Filed under: Raízes, Resistência & Reconquista

    



A Suástica e as suas variantes no Norte de Portugal, desde a Pré-História até à actualidade
Abril 16, 2007, 8:03 pm
Filed under: Raízes

Trabalho realizado por dois jovens arqueólogos para uma exposição organizada pela Sociedade Martins Sarmento no ano de 1997, e cujo espólio referido neste trabalho faz parte do rico património da mencionada instituição, a qual merece incondicional apoio e não menos merecida visita ao seu museu.

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De todos os símbolos que surgem em vestígios arqueológicos, a suástica é, sem dúvida, o que mais variantes apresenta, sendo, muito provavelmente, aquele cuja sobrevivência se tem mostrado mais persistente. Datando, pelo menos, desde os finais do VI milénio a.C., ainda hoje é utilizado com carácter simbólico-religioso no Oriente, estando também presente na etnografia ocidental, geralmente com valor decorativo, excepto alguns casos em que ainda revela um certo carácter de protecção.

Muitos autores do século passado apresentaram teorias quanto ao significado deste símbolo, havendo as mais diversas interpretações: imagem do deus supremo, símbolo solar, representação do raio/relâmpago, união do sexo masculino e feminino, símbolo do fogo, representação figurada da água, etc.

Com o advento de certas correntes filosofico-políticas que culminaram no nazismo, e a adopção da suástica pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, o interesse por este símbolo diminuiu, ficando praticamente limitado à esfera de influência alemã (salvo raras excepções). Depois da II Guerra Mundial, e em sequência das conotações políticas negativas que a suástica passou a ter, algumas publicações atribuem a denominação de “decorações” a suásticas presentes em vestígios arqueológicos, arredando- as do campo simbólico.

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Identidade
Março 11, 2007, 12:34 pm
Filed under: Raízes



A Viriato
Março 4, 2007, 4:01 pm
Filed under: Raízes

   

O tempo passa, d’ampulheta a areia
De quantas vidas a memoria apaga!…
Em quantos craneos aniquilla a ideia!…
Em quantos peitos o sentir esmaga!…
…..
Não morrem os heroes; não, que da morte
O gelo só destróe a vã materia.
Que importa ao bravo que o soprar do norte
Lhe varra as cinzas na mansão funeria?

Que a fama ao dar seus feitos á memoria
Dá-lhe tropheus de gloria immorredouros;
Grava seu nome nos annaes da historia
Cobre-lhe a campa de perennes louros.

Tal Viriato, o pastor humilde, obscuro,
A quem o amor da patria fez guerreiro,
Quebrando do sepulcro o gelo duro
E’hoje inda entre heroes, o heroe primeiro.
….
Depois erguendo o gigantesco braço,
Brandindo a larga folha do montante,
Com a vista d’aguia perscrutando o espaço
Saudou a guerra n’este brado: “Ávante!…”

E correu a salvar a patria escrava
Do jugo do romano que a opprimia;
E em face das victorias que ganhava
Mais o seu valor no peito reaccendia.
….
Mas a traição velava: a lei da sorte
Tinha marcado o termo ao seu destino:
E o bravo adormecendo achou a morte
No ferro mercenario do assassino.

Sucumbiu à traição; mas a memoria
Cobriu-lhe a campa de perenes louros;
E após annos sem fim a luza historia
Seu nome ensinará sempre aos vindouros.

Patria de Viriato, que tiveste
Seu culto e seus afectos mais latentes;
Vizeu; tu que na gloria adormeceste
Sobre os louros do heroe sempre virentes,

Foi-te bello o acordar! Que o monumento
Que te erige este livro, bello e ousado,
Tem por base o progresso e por cimento,
– As glorias dos heroes do teu passado –

D. Clorinda de Macedo
Porto, 20 de Julho de 1883



Hidromel, uma ancestral bebida europeia
Fevereiro 11, 2007, 6:12 pm
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O hidromel é uma bebida alcoólica fermentada à base de mel e água. Consumida desde a antiguidade, a sua fabricação é anterior à do vinho e seguramente à da cerveja.

Na Grécia clássica designava-se “melikraton” e pelos romanos era conhecida pelo nome “água mulsum”, ainda que esta possa ser uma variante feita com vinho de uva adocicado com mel. Plínio conta que foi Aristeu quem criou a primeira fórmula do hidromel.

Outras culturas antigas consumidoras desta bebida foram os celtas, saxões e vikings. Existia a tradição de que os casais recém casados deveriam consumir esta bebida durante o primeiro ciclo lunar após as bodas para nascer um filho varão. Daí surgiu a tradição actual da lua de mel.

Na Mitologia Nórdica, o hidromel aparecia como a bebida favorita dos deuses.



Filippo Sassetti, o pai dos estudos indo-europeus
Janeiro 30, 2007, 1:14 pm
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Georges Dumézil é indiscutivelmente a figura cimeira na disciplina de estudos indo-europeus, tendo magistralmente demonstrado, e comprovado, a existência de uma matriz etnocultural comum na maior parte dos povos da Europa. Porém, sabe-se agora que o pai dos estudos sobre os indo-europeus foi um mercador florentino de nome Filippo Sassetti, o qual, aquando de uma viagem à Índia, registou em 1585 as similitudes entre a arcaica língua indiana, o sânscrito, e o italiano, como por exemplo, deva/dio (deus), sarpa/serpe (serpente), sapta/sette (sete), ashta/otto (oito), nave/nove (nove).



Orgulho
Janeiro 21, 2007, 10:30 pm
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Mitologia Lusitana
Dezembro 19, 2006, 7:55 pm
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Atégina – Deusa Tripla: da Natureza, da Cura e Infernal. Identificada pelos romanos por Prosepina, daí ser considerada mais tarde, de Deusa Infernal, que desaparece no Submundo para depois renascer. Deusa de Turóbriga (Betúria Céltica), sede do seu culto, provém do céltico Ate- (irlandês antigo Aith) e gena, que significa Renascida , sendo uma Deusa da fertilidade e dos frutos da terra, que renascem todos os anos, portanto ligada à Terra e ao Renascimento. Era-lhe também prestado um culto devotio, que consistia em invocar, através de certas fórmulas, divindades para prejudicar alguém (da simples praga até à morte). Era, contudo, também Deusa Curadora, como comprovam muitas inscrições. Tal como Endovélico, poderá ter sido a divindade principal de uma Trindade, a sul do Tejo, juntamente com um Arenito (Deus da Força) e de Quangeio(?) (Deus da Fertilidade).  

Ares Lusitani – Deus adorado a Norte do Tejo. Os Lusitanos, segundo Tito Lívio e Estrabão, sacrificavam um bode e cavalos de guerra. É possível que exista uma estreita analogia entre a iniciação cavaleiresca e a simbólica do cavalo como veículo da demanda espiritual. Neste sentido, o cavalo era o símbolo do guerreiro, daquele que se eleva ao céu pelo seu triunfo ou pelo seu sacrifício.  Continuar a ler



A identidade europeia
Dezembro 8, 2006, 6:18 pm
Filed under: Europa, Raízes

A identidade europeia não nasceu na Grécia. Não se pode entender por “identidade europeia” a fusão final de elementos diversos e heterogéneos que tomaram forma ao longo de todo o processo histórico. A identidade europeia não é a soma do passado greco-latino, por um lado, e o passado celto-germânico, por outro, ao qual ter-se-ia acrescentado o cristianismo da Europa medieval, que poderiamos chamar “euro-católico”… A identidade europeia é bem mais antiga, ela é pré-existente a todas as realidades que acabamos de enumerar. Ela é que deu forma sucessivamente ao mundo greco-latino, ao passado celta, germânico e eslavo, sendo que todos estes são simples adaptações históricas do espírito europeu sobre um espaço geográfico concreto e em condições determinadas. Ela é também a força que transformou o judeo-cristianismo numa forma religiosa mais elevada: o cristianismo medieval, mistura de elementos cristãos e pagãos que, durante numerosos séculos, foi a referência espiritual dos Europeus. Hoje, infelizmente, devemos constatar que as instituições das diferentes confissões cristãs na Europa têm a firme intenção de eliminar os elementos correctamente europeus desta síntese e de transformar o cristianismo numa religião igualitária e universalista, conservando fidelidade únicamente à mentalidade religiosa dos povos do deserto, do qual o cristianismo é procedente.

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Viriato – Grande Chefe dos Lusitanos
Dezembro 5, 2006, 7:23 pm
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“…Sucedeu o pastor Viriato, natural de Lobriga, hoje a vila de Loriga, no cimo da Serra da Estrela, Bispado de Coimbra, …” 

Hermínius, actual Serra da Estrela. Os Hermínius foram a maior fortaleza, e o coração da Lusitânia.Todos os grandes historiadores antigos, começando pelos Romanos, elogiam as grandes qualidades de Viriato. Nelas se destacam, a inteligência, o humanismo, a capacidade de liderança, e a sua grande visão de estratega militar e político.A este grande homem, que liderou os Lusitanos, antepassados dos Portugueses, os Romanos só conseguiram vencer recorrendo à vergonhosa traição cobarde.Este homem, tal como outras grandes figuras que ficaram na história, tinha origens humildes, provando-se na época, tal como hoje, que as capacidades individuais não dependem do estrato social, nem das habilitações académicas.Viriato era apenas um pastor, habituado desde criança a percorrer as altas montanhas dos Hermínius (actual Serra da Estrela), onde nasceu, e que conhecia como a palma das suas mãos.Foi naquelas montanhas que os que os Romanos tiveram mais dificuldades na sua luta para subjugar os Lusitanos. À terra natal de Viriato, a localidade mais próxima do ponto mais alto, os Romanos puseram o nome de Lorica, nome de antiga couraça guerreira.Viriato é a primeira figura da nacionalidade lusa, seguida pela figura de D. Afonso Henriques. 

Citações de alguns dos principais historiadores romanos antigos: 

“… Viriato, um Lusitano de nascimento, sendo pastor desde criança nas altas montanhas da Lusitânia, foi para todos os Romanos, motivo do maior terror. A princípio armando emboscadas, depois devastando províncias, por último vencendo, pondo em fuga, subjugando exércitos de Pretores e Cônsules romanos. …” Orósio 

“… Viriato, nascido e criado nas mais altas montanhas da Lusitânia, onde foi pastor desde criança, conseguiu reunir o apoio de todo o seu povo, para sacudir o jugo romano, e fundar uma grande nação livre na Hispânia. …”  Floro 

“… Este Viriato era originário dos Lusitanos… Sendo pastor desde criança, estava habituado uma vida dura nas altas montanhas… Famoso entre as populações ,foi por eles escolhido como chefe…” Diodoro Sículo



Artes marciais de raíz europeia
Novembro 21, 2006, 10:50 pm
Filed under: Raízes

Deixo aqui um conjunto de sites sobre artes marciais europeias para que se possa conhecer melhor o espírito combativo europeu: 

Pankration (Grécia)

Savate (França)

Systema (Rússia)

Sambo (Rússia)

Nova Scrimia (Itália)

Jogo do Pau, é uma arte marcial genuinamente portuguesa e, de acordo com alguns, a melhor técnica de combate com arma de todo o mundo.
 
Quanto à sua origem, há várias teorias, desde a da raiz céltica até a uma suposta influência vinda da Índia (da arte marcial indiana Escrima Kali, a qual teria vindo para Trás-os-Montes na época dos Descobrimentos). Outra genealogia, mais prudente, considera que tal especialidade bélica deriva directamente do manuseio da espada de duas mãos da época medieval. Com o advento das armas de fogo, as espadas foram desaparecendo dos campos de batalha, mas as técnicas foram preservadas no seio do povo dos campos que as usava para se defender de malfeitores.
Para quem preferir abordar o tema de uma maneira menos física e mais literária, recomendo a leitura do magnífico «O Malhadinhas», de Aquilino Ribeiro, no qual se descrevem pormenorizadamente combates de Jogo do Pau (e até se fala num episódio de uma demonstração de lealdade entre dois nortenhos que lutaram juntos contra um grupo de ciganos). 

PS/ Agradeço ao Caturo pela explicação sobre o Jogo do Pau.