Sem armas, sem ódio e sem violência
Agosto 23, 2008, 1:05 pm
Filed under: Europa

Num momento em que a criminalidade violenta e alógena prolifera neste meu querido rectângulo, decidi recordar um homem que se notabilizou por via de um acto legalmente punível. Contudo, como ilustra bem o título deste postal, Spaggiari era motivado por algo bem mais nobre que a calanzisse manhosa dos nossos actuais meliantes. Claro que já ouço o vociferar de anátemas dos “law-abiding citizens” da chamada extrema-direita, mas como outrora se dizia; não me importa!

Albert Spaggiari é praticamente desconhecido em Portugal, contudo este patriota entrou para a História por ser o cabecilha de um dos assaltos mais espectaculares e originais de sempre.Spaggiari teve desde cedo uma vida atribulada. Voluntário na Legião Estrangeira, pára-quedista na guerra da Indochina, combatente na Argélia, membro da OAS (Organização do exército Secreto, uma organização clandestina patriótica e anti-descolonizadora) e cuja pertença lhe valeu alguns anos na prisão.

Após a saída das masmorras gaullistas, Spaggiari abriu um estúdio fotográfico em Nice. Contudo, o seu carácter indómito e aventureiro depressa o levou a abandonar a vida cómoda e burguesa.

Em 1976, Albert Spaggiari começou a arquitectar um engenhoso plano para levar a cabo o assalto a uma dependência do banco Societè Generale, situada em Nice. Reunindo diversos homens de confiança, entre os quais Gaby Anglade, que havia tentado assassinar Charles De Gaulle, assim como outros ex-membros da OAS, Spaggiari decide que era chegado o momento de passar à acção.

Albert Spaggiari decide colocar em prática o seu plano. Durante nove semanas a equipa de Spaggiari foi cavando um túnel a partir dos esgotos. Sob o disfarce de trabalhadores de obras públicas, ninguém desconfiou dos verdadeiros intentos destes homens. Tomando todas as precauções, Spaggiari ordenou à equipa para se abster de beber alcóol e para trabalharem por turnos, sendo que cada homem deveria dormir pelo menos 10 horas.

No dia 16 de Julho, uma sexta-feira que conhecia a continuação da celebração da tomada da Bastilha (14 de Julho), o túnel, com 8 metros, fica concluído. Spaggiari e os seus homens entrarm na câmara, a qual tinha 30 cm de espessura e uma porta de 20 toneladas, o que levou o serviço de segurança a julgar ser impenetrável e que seria dispensável a existência de sistemas de segurança eléctrica. Os ratos do esgoto, como ficaram conhecidos Spaggiari e a sua equipa, abriram 4 mil cofres com jóias, dinheiro e títulos, sendo seleccionadas apenas as pessoas que possuíam mais dinheiro. No total o assalto rendeu 18 milhões de dólares.

A ousadia de Spaggiari não tinha limites. Antes de abandonarem o banco, este pediu a um dos seus homens para comprar comida e bebida. Durante o fim-de-semana, a equipa festejou o sucesso da operação no próprio local, colando nas paredes do banco fotografias comprometedoras de homens influentes de Marselha que haviam encontrado nos cofres.

No dia 20 de Julho, quando a polícia entrou na dependência bancária ficou desconcertada. Depararam-se com garrafas de vinho, restos de alimentos e a famosa frase na parede, “Sem armas, sem ódio e sem violência”.

A polícia iniciou uma mega-operação para capturar os culpados desta afronta. Uma antiga namorada de um dos assaltantes denunciou o grupo e todos os homens foram detidos, incluindo Spaggiari, que se preparava para partir no aeroporto.

No tribunal, Spaggiari decidiu apresentar um documento no qual referia estar esquematizado todo o plano do assalto. No momento imediato à entrega do documento ao juiz, Spaggiari aproxima-se da janela do tribunal e salta. Caindo em cima de um automóvel ali estacionado, monta uma motorizada que o aguardava e desaparece para espanto da polícia e de todos os presentes no tribunal.

Meses após esta sensacional fuga, o proprietário do veículo recebeu um postal com dinheiro para que dessa forma pudesse mandar arranjar a viatura.

Spaggiari permaneceu um fugitivo o resto da sua vida. Diz-se que terá ido viver para a Argentina, país a partir do qual manteria contacto com a polícia secreta do General Augusto Pinochet. Sujeito a uma operação plástica, Spaggiari terá regressado a França inúmeras vezes para visitar a sua esposa e a sua mãe. Quanto ao dinheiro, Spaggiari escreveu no livro “O grande roubo de Nice” que teria distribuído o mesmo entre os oprimidos da Jugoslávia, Itália e Portugal.

Em 10 de Junho de 1989, Spaggiari morreu ao que parece de cancro na garganta, quando se encontrava em Itália, sem que jamais as autoridades tenham conseguido recuperar qualquer parte do roubo, pois como escreveu Spaggiari, “eles prevêem o possível, não a astúcia”.


19 comentários so far
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14 de julho (tomada da bastilha)e não 16…o resto do post está magnifico(como spaggiari)

Comentar por fil

Caro Fil, grato pelo reparo, o qual já me fez emendar o texto, para ser mais fiel à verdade histórica.

Já agora, vive na zona de Sintra?

Comentar por arqueofuturista

O Fil parece que sim. Excelente, o post.
Passa aqui se puderes:
http://suckandsmile.wordpress.com/2008/08/24/va-para-fora-ca-dentro/
Abraço.

Comentar por PR

Eu sei o que tu queres, pá! Umas feriazitas pronlogadas e pagas pelo Zé em Vale de Judeus na companhia do teu amigo Tó ‘Meio Metro’.

Comentar por Agente Enrabador

Se a personagem fosse o meu estimado patricio, grande patriota, grande democrata e indomável lutador anti-fascista, Herminio da Palma Inácio era um bandido, ladrão, e tudo o mais que fosse adjectivo abaixo de cão, mas como é um patriota, colonialista e terrorista, já é um Robin dos Bosques.
Já agora sempre gostava de saber quem foram os oprimidos portugueses que foram contemplados pelo altruismo deste cavalheiro.

Comentar por Ninguém

Agente Enrabador ou lá o filho de puta que és, eu ia era para Tires, ter com a tua mãe.

Comentar por arqueofuturista

Meu amigo Zé, Tens de me dizer para onde foram os milhares decontos roubados pelo teu amigo Palma Inácio. Em tempos conheci, em condições muito peculiares, um ex-LUAR que me confessou que o dinheiro dos assaltos “revolucionários” serviu apenas para engordar os bandidos, que não aspiravam outra coisa senão a tornarem-se uns burgueses anafados.

Quanto aos oprimidos portugueses, não sei porque te espanta tanto, ou acaso olvidas aquels que encheram as celas de Caxias no pós-25 do A? Acaso olvidas aqueles que tiveram que fugir, juntamente com as famílias, para não serem assassinados pelos “democratas” que tanto desejavam meter os fachos no Campo Pequeno ou deixá-los afogar em pleno Atlântico?

Vá, vamos lá, não tenhas memória selectiva e não sejas mais um libertário que só concede a liberdade àqueles que pensam como tu.

Comentar por arqueofuturista

Ó pá o segundo paragrafo da tua resposta ao meu comentário é hilariante, ainda não parei de rir. Quanto aos que “encheram” Caxias só te posso dizer que a unica coisa lamentável nisso tudo foi que não houvesse coragem para os julgar pelos crimes que cometeram. Eu conheci pessoalmente alguns (um até era meu familiar) que bem mereciam ter apodrecido lá. Mas enfim, somos o tal país dos brandos costumes.

Mas qual memória selectiva? Há alguma comparação entre o antes e o depois do 25 de Abril? Quanto à liberdade posso garantir-te que sou dos a consideram um Valor quase absoluto, já o mesmo não posso dizer de outras gentes que a consideram unicamente como um instrumento para a imposição de regimes anti-Democráticos e totalitários. Como diria o outro, de boas teorias estão os Valhallas e Edens cheios e de práticas maléficas e assassinas estão os nossos infernos a abarrotar.

Comentar por Ninguém

Mas o C-4 faz uns buracos do caraças, bem medidos, lá isso faz!!
E na realidade há alguns que dá gosto vêlos trabalhar.

:-)

Comentar por Legionário

Caro Zé, lá está, nas tuas palavras está bem patente o conceito de liberdade que tens, em tudo idêntico ao dos ditos democratas juizes europeus, ou seja, liberdade de expressão sim, mas somente para as opiniões permitidas, pois não deve haver liberdade para os inimigos da liberdade, assim bem ao estilo do Orwelliano Big Brother que tudo controla.

Numa coisa tens de convir, em caso algum na história recente um regime ditatorial de direita se afirmou democrata, defensor das liberdades, pelo contrário afirmaram-se autoritários e mesmo totalitários, já na margem esquerda, meu caro, nem um só regime foi honesto, nem um só se assumiu como ditatorial, como totalitário, pelo inverso, diziam-se (e dizem-se) democratas, populares, amantes da liberdade. Enfim, muito isto diz sobre a esquerda e todos os seus derivados esquerdistas.

Comentar por arqueofuturista

Caro Arqueo, estás muito enganado a meu respeito, faz-me o favor de não tirares conclusões que não deves a respeito dos meus conceitos. Ao contrário do que afirmas, eu penso que a liberdade de expressão deve ser para todos, inclusive para os inimigos da liberdade. Agora, se eles tentarem impor-me, pela força, os seus valores e os seu conceitos, eu tenho o direito de me defender, ou não?

E escusas de vir com a cantilena da esquerda e do esquerdismo que apregoam aos quatro ventos a democracia e a liberdade mas que são tão ditatoriais e totalitários como os outros. Pode servir para outros mas, essa lengalenga, comigo não pega. Para mim, a merda é toda a mesma, pode ter cor diferente mas o cheiro é o mesmo, e tresanda.

Comentar por Ninguem

incrivel, parece um filme de hollywood, entao aquela da fuga pela mota!!
Interessante tambem o facto de ter dado dinheiro aos oprimidos de Portugal.
Passados tantos anos e ainda ha muita pobreza em Portugal

Comentar por Kim

“Agente Enrabador ou lá o filho de puta que és, eu ia era para Tires, ter com a tua mãe.”

Para isso era preciso largares os filmes dos maricas das termoPILAS e começares a apreciar gajas.

Comentar por Agente Empalador

Oh meu menino, já tou a ver o teu perfil, tu és daqueles cromos muito machões, a bombar no ginásio para ver se és alguém, maluquinho babado por gajas, mas como és estúpido, feio e ignorante nenhuma mulher olha para ti e, por isso, dedicas-te ao onanismo, além de e destilares ódio pelos outros homens que vivem bem com a sua sexualidade. Em suma és um grunho e um mentecapto e ainda por cima frustrado. Pôe-te a andar daqui!

Comentar por arqueofuturista

Estimado Zé, eu não estou a tirar conclusões antecipadas a teu respeito. As tuas palavras é que estão pejadas de preconceito e atribuem intenções a terceiros.
Repara que até um grunho ignorante como o imbecil ressentido, que acima deixou o seu pestilento testemunho, tem tido voz neste blog. Eu não cerceio a liberdade a ninguém, tal como não aceito que me a cerceiem a mim. Contudo, considero que aqueles que se dizem peremptoriamente contrários à democracia, ou mesmo em relação ao estado de direito, são mil vezes mais honestos e preferíveis àqueles que andam camuflados pela retórica libertária e humanista e que na verdade por baixo desse manto escondem o tiro na nuca de todos aqueles que possuem visões do mundo distintas. Trata-se de uma questão de transparência e sinceridade.

Eu não procuro impor nada a ninguém e para terminar apenas quero recordar umas palavras certissimas de J.A. Primo de Rivera: «SE AS NOSSAS IDEIAS FOSSEM MÁS PARA O POVO, NADA NOS IRIA DEBILITAR TANTO COMO SE AS MESMAS FOSSEM CONHECIDAS», ou seja, se as minhas ideias são realmente tão nefastas, porque razão procuram os patrulheiros do regime zelosamente impedir que as mesmas não sejam do conhecimento do meu povo?

Comentar por arqueofuturista

eu,cheguei a conviver varias festas de natal com um destes astutos homens.com orgulho posso dizer que ele era portugues.

Comentar por luis simoes

Para o montedemerdazinha do Agente, só tenho a dizer-te, acabou o recreio, aqui não escreves mais porque não há espaço para dejectos humanos como tu. Mas claro, continua a ler-me e a visitar o blog, sempre vais engrossando o score nas visitas, otário.

Comentar por arqueofuturista

EHEHEH és tramado Arqueofuturista. Há quem não aceite bem a rejeição, o desprezo e depois dá naquilo. Ressentimento.

Comentar por Raven

A minha veia da ironia e do humor colapsou, por isso não te respondo.

Comentar por Ninguém




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