Religião ou Raça?
Junho 1, 2008, 9:47 pm
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Artigo da autoria de Ramón Bau, o qual afigura-se muito oportuno, visto as recentes discussões que têm tido lugar nas caixas de comentários deste blog. Não constituindo este artigo um registo definitivo no que a matéria concerne, revela-se um contributo importante que lança novas pistas para uma reflexão mais profunda.

Religião ou Raça?

«E um ariano muçulmano? É mais importante a raça ou a religião?»

A pergunta que leio é interessante. Torna-se muito simples dizer que a raça é mais importante para uma visão identitária que a religião. A razão essencial assente no facto de que a raça herda-se, enquanto que a religião não, ou seja, em poucas gerações pode-se mudar de religião e depois voltar à anterior, mas não acontece o mesmo com a raça. Se não houver mistura essa manter-se-á, mas a acontecer a mestiçagem já não existe marcha atrás, ou seja, não existe a possibilidade de ‘conversão’ étnica. É um princípio elementar de genética natural; perdida a identidade étnica não se pode recuperar a anterior. Portanto, a perda racial é muitíssimo mais grave que uma conversão religiosa.

Contudo, sendo tudo isto certo é preciso entender o tema num aspecto mais genérico.

A identidade é um conjunto de factores que de uma forma sumatória e global (logo, não individual) identificam uma comunidade, factores culturais, étnicos, históricos, tradicionais, artísticos, vivenciais, etc….
Por conseguinte, para um etnicista alguns destes factores têm parte da sua base na psicologia genética transmitida pela etnia comunitária. Ainda que os factores educacionais e ambientais sejam muito importantes, os étnicos marcam margens e possibilidades, mas não um caminho determinado.

Por outro lado, há que recordar que ante a ditadura larga e completa dos anti-valores do dinheiro e do capitalismo materialista, os signos identitários e os seus valores estão decadentes e quase desaparecidos no Sistema, de tal forma que hoje a revolução socialista é a primeira base identitária necessária, antes que nada.

A religião tem dois factores, o teológico que é independente da identidade (por isso um cristão pode ser negro, branco ou chinês) e um factor de integração espiritual comunitária. Por exemplo, o Cristianismo arianizou-se de tal forma que hoje a cultura dos povos brancos está muito mediatizada pelos mitos, crenças, formas, artes, culturas e espiritualidade emanada do Cristianismo. Todavia isto não se passa num povoado cristão de origem chinesa.
No Japão, um cristão não tem nas tradições, arte e formas japonesas um referente identitário cristão.
Dessa forma o Islão não é apenas uma ‘teologia’ ou uma ‘religião espiritual ou mística’ que pode ser perfeitamente assumida por um branco. É acima de tudo um marco cultural, artístico, formal, que está completamente alheio das formas identitárias dos povos brancos e inversamente está muito relacionado com os povos árabe. A sua língua e as suas formas, os seus centros e culturas, as suas tradições e mitos são árabes.

Posto isto, uma massificação islâmica na Europa é um perigo anti-identitário, não pela ‘religião’ em si, mas pelas suas consequências artísticas, culturais, formais, históricas, míticas, que são absolutamente estranhas à nossa identidade, tradição histórica e inclusive ‘inclinação natural’ (por exemplo o sistema de matança prescrito, a poligamia, os mitos das huríes (virgens), as proibições de certas comidas, os festejos, etc…
Enquanto que o Cristianismo, pese as suas origens, alcançou uma total adaptação ao mundo europeu, inclusive ao paganismo inicial, o Islão não deu nem um passo nesse sentido e é ‘estranho’ à identidade europeia.

Ainda que este tema seja muito complexo para o expor em poucas linhas, espero ter sido suficientemente claro nas suas bases essenciais.