Vicente Risco, o homem e a obra
Abril 1, 2008, 9:33 pm
Filed under: Em foco, Europa

Ser diferente é ser existente
Vicente Risco

Recentemente as Ediciones Ojeda publicaram um livro em castelhano sob a forma de compêndio dos escritos políticos e raciais de Vicente Risco, aquele que é considerado por muitos como sendo um dos pais do Galeguismo, ou para ser mais exacto, do nacionalismo galego, da ideia da identidade e singulariedade etnocultural do povo galego.

Vicente Risco, um identitário avant la lettre, merece que os seus escritos sejam lidos, sendo esta obra um extraordinário auxiliar para aqueles que pretendam conhecer a vida e obra deste homem.

Deixo aqui uma breve biografia deste teórico e idealista.

Vicente Martinez Risco nasceu no ano de 1884 em Ourense, professor de profissão, funda em 1917 a revista ‘La centuria’, próxima do Futurismo, com os seus textos ‘Nós, os inadaptados’, que já indicava a sua rebeldia intelectual. Influências de Marinetti e colaborações de personagens como Roso de Luna, esotérico muito famoso em Espanha, demonstram a sua tendência.
Contudo, o seu labor nacionalista começa realmente com a formação da organização «As Irmandades de Fala», apoiadas pela Lliga catalana de Cambó, apresentando-se às eleições de 1918. Tanto Cambó como Puig i Cadafalch foram à Galiza apoiar estas eleições. Recordemos que Cambó e a Lliga eram catalanistas mas em absoluto separatistas.

Em 1920 Risco funda a revista ‘Nós’ onde se publicaram vários textos fundamentais do nacionalismo galego, e que terminará a sua edição em 1936, con o triunfo do franquismo na Galiza. Castelão será director artístico de ‘Nós’ durante certo tempo.

Risco opor-se-á absolutamente à política da República, e especialmente à aliança do Partido Galeguista com a Frente Popular. Católico fervoroso e antidemocrata, Risco não se exilará com a chegada de Franco. Na ‘Nós’ publicará a sua obra mais conhecida “Mitteleuropa”.

Sem dúvida alguma a base da sua doutrina política está no seu ‘Teoria do nacionalismo Galego’ de 1920. Ali estabelece as bases de um nacionalismo popular:
– O nacionalismo popular é uma luta contra a nivelação cultural igualitária e a uniformidade que procura impor o estado jacobino.
– Contém uma influência romântica e é contrário ao racionalismo científico.
– Opõe-se à Espanha oficial, ou seja, ao Estado Unitário liberal e jacobino, mas não à Espanha vital, a uma Ibéria diversa e amistosamente unida.
– Reivindica a identidade galega, a sua raça, a sua cultura e língua como uma personalidade nacional. Mas sente-se irmanada com as demais nacionalidades ibéricas.
– Não se contenta com o regionalismo, ou seja, com a autonomia administrativa, exigindo antes o reconhecimento nacional de uma cultura autónoma, de um povo, não de um território ‘administrado’.
– Reclama o federalismo contra o centralismo, e denúncia como os povos de Espanha foram oprimidos por um poder central que não os soube unir num amor comum. Ainda que o centro do tema não seja uma questão federalista, mas soberanista, onde nações em pé de igualdade elegem um caminho comum, essa sim é a Hespanha de Risco, não outra.
A Galiza foi derrotada pelos Reis Católicos, Castela por Carlos I, Aragão por Felipe II, Catalunha por Felipe V, mas tudo isso não representou nada quando comparado com a destruição total exercida pelo liberalismo maçónico jacobino de 1800.

– Estabelece a base celta da população galega, bem como a existência de sangue suevo e de outros povos ibéricos, que ficou impregnado pela base celta.

Se para os anos 20 esta perspectiva era francamente coerente, hoje foi totalmente superada, já que não faz sentido falar de Espanhas, Hespanhas, nem de nada parecido, o objectivo é a Europa, a Europa das nações, das etnias.

Para Risco não há separatismo, inclusive diz textualmente ‘Nós queremos formar parte de Espanha e contribuir com o nosso génio nacional galego, para a vida hespanhola’. Porém, não haja dúvidas de que se opunha totalmente ao presente Estado uniformador, que nega o respeito e não reconhece o carácter nacional galego e o seu direito a auto dirigir a sua cultura, língua, mas sobretudo porque nega a concepção federalista e popular de Espanha face à sua concepção estatalista e legalista actual, fruto do jacobinismo e do sentido uniformador e globalizador do mundo de hoje, onde tudo é Mercado e não há lugar para a identidade e para a pertença étnica.


15 comentários so far
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Verdadeiramente interessante. Fiquei interessada e gostaria de saber se existem paralelos homólogos em Portugal. Obrigada.
Saudações

Comentar por Inês Mariz

Curioso. Um modelo que evocamos e que nos tem levado a contactar o PNG.
Cumprimentos.

Comentar por nacionalistas

Estimado Arqueofuturista:
Conozco la obra de Risco, pues ya en la escuela teníamos alguna obra de Risco de lectura obligatoria (A esmorga) recomendable. El libro que citas recien publicado por Europa no lo conocía (pero ya lo he pedido, je,je), y parece muy interesante. Otro libro que lei de Risco,Mitteleuropa, hace ya bastantes años, es una crónica de viaje a centroeuropa en los años 30. Ya no me acuerdo del contenido detalladamente, pero si recuerdo que era agradable de leer. Risco fue un autor prolífico, junto a otros que surgieron en los años 20 en Orense.Por supuesto, me enteré de las tendencias ideológicas de rRisco muy tardíamente (hace 3 o 4 años) pero es lo de siempre, la ocultación de lo que no interesa al régimen (hay una reseña en el libro “la otra europa” que ya conoces). Cuando lo haya leído ya te comentaré, en caso de que no lo hayas leído tú antes.
Un cordial saludo
Pepin

Comentar por Anónimo

Vicente Risco é um teórico a ter em conta, bem como o seu contemporâneo Pádraic Pearse. Ambos identitários avant la lettre, sém dúvida.

Comentar por Paulo

Ya he leido una buena parte del libro, y creo que es muy recomendable; la lectura es sencilla, a veces divertida, y llama la atención la claridad de exposición de ideas, así como la erudición del autor; es de destacar que muchos temas que nos estamos ahora planteando ya apuntan en la obra de Risco. No dejeis de leerlo!!!
Pepin

Comentar por PEPIN

Muito obrigado Pepin pela tua sugestão e sucinta crítica a essa obra, a qual quero adquirir assim que possível.

Acaso poderás fazer uma recensão da obra para a revista portuguesa “Identitário”?

Comentar por arqueofuturista

volveré a leerlo entonces, no es largo pero como ya te dije, es denso. Dame unos días.

Comentar por pepin

Muito agradecido amigo Pepin. Não necessitas de fazer uma recensão muito extensa. Apenas interessa reter o essencial dessa obra.

Comentar por arqueofuturista

Estimado Arqueofuturista:
Tengo el libro delante, y te haré una pequeña introducción:
Comienza con una semblanza e Risco, posiblemente el más capaz de los intelectuales gallegos del s.XX, persona polifacética, (político, historiador, etnólogo, novelista, dibujante..) de gran inquietud cultural y honesta.
Ellibro está compuesto de diferentes capítulos, sin conexión entre sí, aparentemente, pero que hilvanan el pensamiento esencial de Risco en política, y creo que todo identitario se enriquecería con su lectura por la claridad de la exposición y lo ameno de la lectura.
Se echa en falta la referencia de donde se saca cada capítulo, pues sí aparece en algunos (pej. revista “A nosa terra”), en la mayoría falta. Algunos son extraídos de “Mitteleuropa”, pues lo hepodido cotejar con la reedición de Ed. Galaxia de 1980.
Sería prolijo entrar en detalle en cada capítulo,pero creo adecuado destacar capítulos dedicados al Marxismo, al Cosmopolitismo, al judaísmo, el capítulo “¿qué es una nación?, “pueblo y masa”… ( se nota que bebe en las fuentes de Spengler y Ortega). llamará la atención del lector lo actual del pensamiento de Risco, así como su frescura y su didactismo (no en vano era catedrático de historia).En fin,como ya he dicho, una lectura muy recomendable y amena.
Espero, si la leeis,comentarios y debate.
Saludos
Pepin

Comentar por pepin

Estimado Pepin, muito obrigado pela opinião tecida sobre a obra. Por certo me despertou ainda mais o interesse em adquirir a mesma.

Um grande abraço e melhores cumprimentos identitários.

Comentar por arqueofuturista

O unico partido que pode declararse herdeiro do pensamento politico de Risco de da Dareita Galeguista de 1936 é Identidade Galega.

O PNG non e mais que un apendice do BNG que de feito esta dirixido pola UPG que seguen a ser marxistas leninistas de sempre.

Comentar por idega

Durante el franquismo……¿El Sr. Risco más franquista que el General Franco?

Comentar por filomeno

Totalmente de acuerdo con Idega, deseo suerte a Identidade Galega, pues cada vez serán más necesarios los partidos identitarios, entre los cuales lamentaablemente no se encuentra el BNG, elcual sigue adoleciendo de los “tics” de la paleoprogresía (desde los posters del “Che” hasta la adoración de Castelao, que no erapara tanto como pensador-), el mito de la “loita obreira” (es decir, lalucha de clases y la aversión al desodorante) y lamentablemente, el mito deluniversalismo marxista, es decir, el “toospadentro”.
Espor esto que me sorprendió muy gratamente Risco, por lo claro,lo actual, la defensa de su pueblo sin pajillas políticas, y la falta de concesiones al “pensamiento correcto”
En resumen, hay muchos escritores muy buenos con tendencias identitarias que son “tapados” por que no interesa saber de ellos (a ese respecto, encomiable labor la de “libreria europa”), y que pudieran servir sus ideas de aglutinante para nosotros.
Y nuestra necesidad más acuciante comienza a ser aglutinarnos y coordinarnos, de todas las formas posibles.
Saludos
P.D: Amigo Arqueofuturista, no sé si la recensión que te envié fué muy breve para lo que tú esperabas
Un abrazo

Comentar por pepin

Camarada Pepin, claro que a tua recensão foi suficiente, nem que seja para me estimular a adquirir a obra.

Devo dizer que Idega merece toda a minha simpatia e que é considerado pelos identitários portugueses como uma organização aliada num mesmo combate.

Comentar por arqueofuturista

Estimado Filomeno (ou Ademaro), por lo que parece, a Franco no le agradaba mucho el punto de vista de Risco, que sin ser “autonomista” en el sentido de Castelao, era partidario de la auto-identificación de los pueblos de España dentro de una solidaridad común. El punto de vista del general Franco era el de una uniformización jacobina del estado.

Comentar por PEPIN




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