Identidade, uma clarificação
Março 23, 2008, 7:53 pm
Filed under: Em foco

Há alguns meses um blog alojado num servidor do estado espanhol, com a denominação Orientaciones, publicou um artigo intitulado “Qué «Identidad»?”, um requisitório redigido por Pepe López, no qual o autor condena as posições ideológicas identitárias, acusando estas de serem reduccionismos da própria identidade. O conhecido e veterano militante D. Ramón Bau assumiu a tarefa de responder ao detractor, respostas magistrais pelo seu carácter sintético e axiomático que tenho o prazer de aqui reproduzir em português.

Respostas de Ramón Bau

As seis inversões dos reducionismos da identidade ou quando se fala de algo sem saber do que se fala….

* 1ª inversão: a própria redução dos homens e dos povos à «escala» inferior do etnográfico e do naturalismo, um plano que não é menos estreito e material que o económico.

O plano étnico é Natural, não é artificial, não depende da divisão económica da sociedade, das trapaças ou roubos efectuados. É natural. Além disso, não há reducionismo. Os identitários não negam outras questões, apenas indicam que a etnia também é muito importante e que a etnia tem implicações culturais e vivenciais, mentais…
Isso de “escala inferior” é curioso… O cérebro e todo o homem reduzidos a uma escala inferior segundo parece… Será a alma a escala superior? Ou o Estado?

* 2ª inversão: a negação de compartir um estado com outros grupos, «tribos» ou «cantões», de participar com eles em qualquer projecto sugestivo de vida em comum.

Não há negação em compartir um Estado Federal que respeite as identidades num projecto comum. Todos os identitários são europeístas por exemplo. O que se nega é que por um Estado artificial se tenha de renegar ou ignorar ou perder a própria identidade.

* 3ª inversão: a erradicação de toda a riqueza étnica num território ou de uma população para forçar a sua uniformização. Ressaltam-se uns «caracteres primários» em detrimento de outros «caracteres primários» assentes no mesmo território.

Pelo contrário. Um identitário não quer que os demais povos copiem ou se desfaçam da sua identidade, que a percam. A globalização ou uniformidade é o contrário à identidade. Outra coisa é que estejamos de acordo em perder a nossa identidade ou etnia para assim sermos iguais aos outros… Ou seja, misturar ou ocultar a nossa identidade para não “ofender” os demais.

* 4ª inversão: a imputação como inimigos a todos os grupos e pessoas que mantêm com determinação justamente aquilo que esses «identitários» apresentam como o mais valioso: a própria identidade, uma vez que “retratam” as identidades como necessariamente antagónicas e prejudiciais entre si.

Isto é uma parvoíce. A xenofobia é anti-identitária. Um identitário ama as demais identidades. O que não aceita é que outros queiram destruir a sua!

* 5ª inversão: a ocultação das causas dos problemas reais que afligem os povos. Os identitários invertidos confundem as causas ao atribuírem a factores étnicos o que é imputável a factores económicos, sociológicos, políticos ou à inexistência de paradigma dominante.

O marxismo fez crer que tudo tem uma causa económica e social, e isso é falso. Os identitários não negam as causas económicas, mas não são marxistas… E sabemos que muitos temas têm causas étnicas e identitárias. Coisa que os anti-identitários não aceitam nem entendem..

* 6ª inversão: a aceitação de facto de um sistema que, ainda que se diga combater, se acaba por aceitar, porque o considera-se algo neutro ou acessório e não se assinalam nele as causas dos problemas.

Não existe nada mais contrário ao Sistema que ser etnicista, identitário e apoiar as raças… Isso é o pior crime para o sistema. E não conheço nenhum identitário que considere o Sistema como “neutro”?!


12 comentários so far
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Censura na Europa em nome do Islão?
http://nacionalistas.wordpress.com/

Comentar por nacionalistas

O grande Ramon Bau no seu melhor, curto e grosso!!!

Comentar por Rui Paulino

Lapidar. No ponto.
Abraço,

Comentar por PR

Muito bom!

Comentar por Miazuria

Vaya, vaya Ramón, no te habia leido yo en el “estado español” lo de “estado artificial”. He tenido que verlo en un foro del “estado portugués”, que no se si consideraras también un “estado artificial”.

Bueno es saber cosas.

Salud.

Antonio

Comentar por Antonio M.

1ª inversão: a própria redução dos homens e dos povos à «escala» inferior do etnográfico e do naturalismo, um plano que não é menos estreito e material que o económico.

Ignorância pura. É cientificamente sabido que a etnia é também uma questão de cultura, nunca algo de «meramente material». Mas há mais para dizer sobre o que está por detrás da crítica de Lopéz… Leia-se a seguir.

Isso de “escala inferior” é curioso… O cérebro e todo o homem reduzidos a uma escala inferior segundo parece… Será a alma a escala superior? Ou o Estado?

Não duvido muito que López o dissesse. Já conheço essa conversa desde há muito, é típica de certos marrecos de sacristia: tudo, mas absolutamente tudo – o indivíduo, a Família, a Nação – tem de estar ao serviço da «Santa» Madre Igreja. Porque tudo é inferior ao espírito como o Cristianismo o entende, ou seja, como não étnico e igual para todos.
Quando alguém fala em «inferior», é preciso perguntar-lhe o que entende por «superior»…

* 2ª inversão: a negação de compartir um estado com outros grupos, «tribos» ou «cantões», de participar com eles em qualquer projecto sugestivo de vida em comum.

À partida, toda a organização política se faz em torno duma nação. O Estado pluri-nacional vem sempre depois, quando uma nação domina outra(s).
Portanto – quem é que disse que é um dever «compartir um estado com outros grupos, «tribos» ou «cantões»»? Só os universalistas de várias tendências, desde imperialistas a internacionalistas.

* 3ª inversão: a erradicação de toda a riqueza étnica num território ou de uma população para forçar a sua uniformização. Ressaltam-se uns «caracteres primários» em detrimento de outros «caracteres primários» assentes no mesmo território.

Não há duas etnias estabelecidas no mesmo território com os mesmos direitos. Há sempre uma que chegou primeiro.

* 5ª inversão: a ocultação das causas dos problemas reais que afligem os povos. Os identitários invertidos confundem as causas ao atribuírem a factores étnicos o que é imputável a factores económicos, sociológicos, políticos ou à inexistência de paradigma dominante.

Demasiado generalista, não concretiza. Mas suspeita-se que o autor pense que a misturada étnica não dá problemas a ninguém…

* 6ª inversão: a aceitação de facto de um sistema que, ainda que se diga combater, se acaba por aceitar, porque o considera-se algo neutro ou acessório e não se assinalam nele as causas dos problemas.

Isto é simplesmente conversa de quem não aceita a Democracia.

Quanto ao resto, Ramón Bau disse tudo.

Comentar por Caturo

Uma clarificação:

Antonio M. agradeço que interprete correctamente a leitura dos artigos aqui publicados. Ramón Bau não escreveu em momento algum “estado Espanhol”, mas sim eu próprio. Quanto ao “estado artificial”, as palavras devem ser entendidas de acordo com o espírito do artigo.

E sim, Portugal também tem um estado e bem artificial, se é que me faço entender.

Comentar por arqueofuturista

Estado artificial ou não, pelo menos corresponde a uma só nação e isso é que interessa…

Comentar por Caturo

Amigo Caturo, é bem verdade, e é isso que custa ao António M. aceitar.

Aproveito para agradecer a tua intervenção no desmontar da fraseologia anti-identitária, em jeito de complemento ao trabalho de Ramon Bau. Estes novos antirras de último momento vivem num mar de confusão política que lhes tolda a reflexão intelectual.

Abraço.

Comentar por arqueofuturista

O artigo dos camaradas da AN(A) merece-me algumas reservas. Não creio que Gerrd Wilders esteja aa fazer populismo com este filme ou sequer a “meter todos os islâmicos no mesmo saco”. Wilders limita-se a pegar naquilo que o Islão tem dado a conhecer ao mundo nos últimos tempos, algo que está bem patente e a vermelho sangue. Mesmo que existam diferentes correntes islâmicas, isso pouco importa quando se trata da Europa, ponto de convergência do apetite expansionista islâmico e de apaziguamento de ódios internos entre muçulmanos.

A liberdade de expressão, outro ponto focado, foi bem defendido no dito artigo, e merece a minha absoluta adesão ao espírito que anima essa defesa de um princípio elementar desde sempre na cultura europeia.

Uma saudação aos camaradas da AN(A).

Comentar por arqueofuturista




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