Crime contra a liberdade de expressão
Novembro 8, 2007, 5:48 pm
Filed under: Em foco, Europa

Vincent Reynouard, jovem historiador gaulês, foi condenado por um tribunal da República Francesa a um ano de prisão efectiva por ter ousado colocar em causa, entenda-se, transmitir uma opinião distinta, a historiografia oficial sobre um episódio da II Guerra Mundial denominado Holocausto.

Acusado de ser o autor de um panfleto intitulado Holocauste ? Ce que l’on vous cache, Reynouard foi, contudo, considerado pela tirania do pensamento único como sendo moralmente responsável (!) pela difusão do referido texto.

Não interessando para o caso questionar a culpabilidade de Vincent Reynouard, ou a ausência da mesma, é a iniquidade de uma lei que permite sentenciar uma pessoa a quem se procura legalmente vedar a liberdade de se expressar livremente que me faz estas linhas redigir. Não consigo dissimular uma intensa perplexidade, mesclada com um angustiado sentimento de revolta, ao assistir a condenação após condenação de historiadores, ou não historiadores, apenas e somente porque cometeram a heresia de tocar num assunto tornado tabu, e judicialmente vigiado e protegido (como se a verdade necessitasse de ser protegida) nas sociedades europeias actuais, isto é, defender a não ocorrência de um determinado evento histórico conforme este é propalado por alguns, ou simplesmente por se procurar subtrair algarismos nos números de vítimas desse pretenso acontecimento, sobretudo quando se tem em mente que a adição de algarismos e a sua vulgar extrapolação mediática não são objecto de idêntica criminalização.

Uma França que se afirma democrática, que declara ser portadora dos altos valores culturais da Europa, deixou uma outra vez bem vincado que a liberdade de expressão é um conceito volúvel e juridicamente sujeito a distintas interpretações e que na República Francesa a sua existência e aplicação são uma realidade, ainda que exclusivamente para as opiniões permitidas. Uma prova de que aquilo que por vezes é legal não é legítimo e o que é legítimo por vezes não é legal.

Torna-se imperioso recordar que, paradoxalmente, foi na França, mais precisamente na cidade de Paris, que a 10 de Dezembro de 1948 foi adoptado pela Assembleia Geral da ONU a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo artigo 19 reza assim:

Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e também o direito de procurar, receber e distribuir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias, por qualquer meio de expressão.


6 comentários so far
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A França é um país decadente desde o Congresso de Vienna. A Alemanha desde 1945 um país impotente de se reconstruír por sí só.
Destes dois países não se pode esperar muito.
Fico revoltado é por aquilo que se passa no Reino Unido que deveria ser o baluarte da defesa da Civilização Europeia.

Comentar por D. Sebastião II

—> Os mais distraídos que abram os olhos:
-1- a Inquisição Mestiça não é histérica…
-2- a Inquisição Mestiça é altamente mafiosa: procura aumentar, cada vez mais, sua força repressiva…

Comentar por pvnam

Viva a democracia…..

Comentar por nuno neves

Normal, demasiado normal e vergonhoso já. Mas metendo a França ( e a Alemanha ), o holocausto e a judiaria…
A “coisa ” vai crescendo e alastrando.
Abraço,

Comentar por PR

A democracia…. A democracia

Comentar por nuno neves

Bueno, ya sabemos como las gasta la inquisicion politicamente correcta: Conoceis el caso Honsik e Irving, que por cierto, no pudiendo encarcelarse (según La Haya) a personas ancianas, estos dos señores, por delito de opinión, y con más de 70 años, están en la cárcel. (si hubieran matado a alguien o fuesen terroristas, estarían en la calle “por motivos humanitarios”)
Recientemente, en España, el delito de “negación del holocausto” (607.2) ha sido declarado inconstitucional gracias a la pertinaz lucha de una gente que no tuvo miedo al sistema.
Por cierto, que llama la atención que en nuestra desastrosa sociedad, puedas poner en tela de juicio TODO excepto, eso sí, un hecho supuestamente histórico, y aún peor, unas CIFRAS de un hecho.
Y todo el mundo traga.
Y me hace gracia cuando hablan de la libertad y derecho a la libre expresión de nuestros tiempos, en comparación con tiempos represivos y oscuros. (Oh!, que oscurantismo)
Por cierto, este historiador francés tiene algún trabajo colgado en internet?

Comentar por pepin




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