Quando se escreve sobre o que se desconhece…
Outubro 12, 2007, 9:33 pm
Filed under: Em foco

Um tal F. Santos assina na publicação electrónica Alameda Digital um texto intitulado « A trági-comédia nacionalista », no qual o autor estabelece um paralelismo entre os identitários e uma eventual corrente que o mesmo define como nacional-comunista, ou vermelho-verde, e parece, ainda segundo este, ter defensores que lhe dão forma em Portugal.

Não conheço F. Santos, mas pelo que leio do seu escrito, e por via de um exercício de cogitação, afigura-se-me um personagem que já passou a casa dos trinta, padecendo de ligeira calvice, envergando uma engomada camisinha com os botões das mangas apertados, mesmo nos dias de mais tórrido calor, e que escapa à sua misantropia acentuada através da leitura compulsiva dos discursos de Oliveira Salazar ou nos bulhentos panfletos de António Sardinha.

Ora se a leitura é uma prática saudável e recomendável, também não deixa de ser verídico que, como em tudo, ler em demasia acaba invariavelmente por tolher o normal desenrolar do raciocínio, e no caso dos cérebros, digamos, mais frágeis provoca frequentemente a atarantação, sendo o sintoma mais perceptível a desarrumação de ideias e uma constante tendência para a menestra nos considerandos que se procura emanar.

Mais grave, ou no minímo, garantia da ausência de  seriedade, contudo, resulta a tentativa de colocar em prática a elaboração do perfil ideológico de algo ou de alguém que manifestamente não se conhece, mesmo que previamente, não vá o diabo tecê-las, se advirta não haver a pretensão em « estudar a fundo » aquilo que se aborda.

Escreve F. Santos, altaneiro na sua sapiência, que no chamado meio nacionalista existem diversas e distintas tendências que padecem de uma « auto-fágica » atomização, para a qual os identitários e os tais nacional-comunistas vêm, ainda que tardiamente, contribuir. Levanta-se pois a questão; acaso F. Santos redige tal artigo desde fora do supramencionado meio nacionalista? Não cremos que assim seja, a não ser que se dê a conhecer da parte de F. Santos uma tomada de posição pública, esclarecendo que nada tem ou teve que o ligue, mesmo que superficialmente, ao dito meio. Se, inversamente, F. Santos faz concludente e efectivamente parte do meio nacionalista, somos impelidos a rematar que F. Santos contribui indelevelmente para a mencionada atomização, na exacta medida em que, por certo, se revê e está adstrito a alguma tendência nacionalista que não os identitários e até aos prováveis nacional-comunistas.

Mais adiante F. Santos alude que os identitários portugueses são tributários da influência dos seus congéneres em França, « um país com várias identidades regionais muito variadas », com isto querendo insinuar que os portugueses importaram um modelo ideológico de todo aplicável no território nacional, não vão este incómodos identitários fazer despertar o papão do tão odiado regionalismo. Acresce, todavia, questionar F. Santos se nos pode conceder a graça de nos elucidar que nacionalismo, ao longo da história, não sofreu influências de outros nacionalismos, que nacionalistas não se inspiraram noutros nacionalistas. Avivemos a memória a F. Santos recordando que o Professor Salazar, além de ter como mestre doutrinário o francês Charles Maurras, também possuia na sua secretária uma fotografia do italiano Benito Mussolini. E por que não também citar que os Integralistas Lusitanos beberam directamente das lições e exemplos da Action Française…

(…) « tendência balcanizante » e « O seu ideal seria uma Europa de pequenos estados », assim traça o politólogo F. Santos o ideal identitário, reduzido a uma centelha pronta a despoletar o barril de pólvora que é o temível etnicismo regionalista e, consequentemente, fazer em pedaços o “velho continente” e todos os seus estados-nações paridos da famigerada oitecentista hidra da revolução. Nada mais distante da realidade e só por expressa insipiência ou ignomínia reles se pode veicular tamanha ideação. Preferimos pensar que se trata do primeiro caso.

Continuemos na nossa dissecação das palavras redigidas e aos identitários dirigidas por F. Santos, pois este deixou o “melhor” para fim, qual cereja em cima do bolo, ainda que de um bolo fora de prazo. Já lá vamos. Atentemos ainda na vã tentativa de F. Santos em colar os identitários ao estado de Israel, sugerindo que este é o « modelo a seguir » dos primeiros. Embrenhado no seu maniqueísmo F. Santos no escorrega a todo o campo na esparrela dos detractores dos identitários, que acusam estes de serem pró-sionistas apenas e somente porque os identitários não contemplam na sua agenda a denúncia permanente, entenda-se, paranóica e sobejamente gasta, do nacionalismo judaico, comummente designado por sionismo, denúncia, diga-se igualmente que serve para alguns escamotearem um irracional e frustrado ódio extensível a todos os judeus.

Outra frase que não podemos deixar de aqui sublinhar, sendo talvez aquela que melhor expõe o ideário de que F. Santos é apologista, é a seguinte; « “invasão” (se quisermos usar um termo muito usado pelos identitários para descrever a imigração ». A patente indignação do autor desta frase constitui indubitavelmente todo um programa por si só, já que revela bem como F. Santos encara a imigração. Quiçá estejamos perante um aspirante a Alto Comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural…

Por fim, conforme prometido, temos a tão almejada cereja, e à parte os considerandos entre um pretenso enfrentamento dos identitários com vermelho-verdes, os quais carecem de real fundamento por inexactidão, no sentido em que os identitários não reconhecem a existência formal ou material de tão coloridos inimigos, eis que F. Santos se deslumbra na sua tarefa de desluzimento dos identitários sem dar conta (outra coisa não seria de esperar!) do insanável paradoxo em que submerge ao asnear que « Estes nacionalistas, sempre prontos a abraçar modelos não-nacionais ». Desprovido de efectiva reflexão como foi apanágio ao longo de todo o arrazoado, F. Santos cai no desconchavo de acusar os identitários se serem nacionalistas que abraçaram um modelo não-nacional. Temos doutrina.
F. Santos determina que se pode ser nacionalista, isto é, de acordo com qualquer dicionário de língua portuguesa, aquele que concede preferência exclusiva por tudo o que é nacional, e concomitantemente defender modelos não-nacionais! Bom, estamos, por certo, perante alguém que conhece ferros de madeira.

F. Santos descreveu o seu texto como uma tragi-comédia, no entanto, e em analogia teatral, uma vez passada revista ao mesmo, concluimos que estamos perante uma peça digna de teatro de revista, não tanto pela comicidade de tal estilo, mas antes pela absoluta caducidade do mesmo e por representar um Portugal mesquinho e maledicente, felizmente cada vez mais restrito a um certo tipo de gente. Enfim, aquilo que de pior existe no nosso país.


57 comentários so far
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“no sentido em que os identitários não reconhecem a existência formal ou material de tão coloridos inimigos”

São os “Portugalis Comunistis Nacionalis”!
Dizem que aparecem sempre em reuniões do Bloco de Esquerda, depois da meia noite. No entanto, ninguém ainda os conseguiu fotografar devido á incrível concentração de fumo existente na sala, na altura em que estes aparecem.

Um muitíssimo bem desmascarado aqui pelo Arqueofuturista!

“estamos, por certo, perante alguém que conhece ferros de madeira.”
Como diz o povo: Que os há, há!
Foi assim que o Sócrates conseguiu a licenciatura.

Comentar por D. Sebastião II

Muito bem!Parabens!

Abraco

Miazuria Miguel Angelo Jardim

Comentar por Miazuria

Arkeo, o Gordo queixinhas foi logo a correr para o blog desse Santos chibar-se que tinhas respondido ao artigo dele. Mete- me dó esse badocha lambe-botas que viu ridicularizada pelo FSantos essa frikalhada nacional-comunista que anda para aí a defender e como não tem capacidades para responder á letra como fizeste aqui finge que não é nada com ele. É mesmo um triste caramba!

Comentar por Fatbasher

Ora ora, então é crime o direito de resposta?

Que os identitários ofendam anonimamente, já é coisa que vos reconheço desde sempre.

Ou então os identitários só criticam quando certos de que ninguém lhes responderá?

Eu, por mim, estou curioso acerca da resposta do Flávio Santos, se bem que ele deve ter coisas melhores que fazer além de apontar o óbvio.

Triste é ver que os amigos dos identitários ofendem gratuitamente e escudados pela anonimidade, que eu saiba dó o Arqueo e o Miazuria dão a cara, o resto são ratos?

Comentar por Flávio Gonçalves

Para ser conciso, o tom deste artigo representa efectivamente «um Portugal mesquinho e maledicente», em que se extrapola de um artigo de um indivíduo, toda a sua “Weltanshauung” e, espantoso, a idade, aspecto físico e indumentária.
Como não tenho paciência para esgrimir argumentos com quem recorre a métodos tão reles, exponho três anos de blogue ao autor, caso queira perder tempo a desconstruir as suas tão precipitadas conclusões.
http://santosdacasa.weblog.com.pt/
http://santoscasa.blogspot.com/
http://linha-horizonte.blogspot.com/

Comentar por FSantos

Na esteira do artigo que escreveu, o FSantos não poderia ser senão conciso, e para tal saca dos “galões” internéticos, velhinhos de três anos, como forma de adquirir assim alguma respeitabilidade.

Insurge-se, indignado, por que extrapolei, por via de um artigo, toda a sua “Weltanshauung” (curioso emprego de um estrangeirismo por quem acusa outrém de abraçar estrangeirismos!), como se ele não tivesse ousado inferir, pouco acertadamente, no que consistia a concepção-do-mundo dos identitários.

Respeitante à idade, aspecto físico e indumentária, está sentido o FSantos por, num acto de liberina idealização, ter-me deixado, confesso, influenciar pelos fantasiosos considerandos patentes no artigo de sua autoria, a começar pelo jocoso título. Acaso julgará que o direito à imaginação é-lhe exclusivo?

FSantos, as conclusões precipitadas e comprovadamente equivocadas foram as suas, mas faz bem em não esgrimir argumentos, pois também creio que não valherá a pena tal exercício, já que entre nós não existe qualquer afinidade.

Comentar por arqueofuturista

«Ora ora, então é crime o direito de resposta?»

Por não ser crime, por enquanto, é que optei por conceder esta resposta, pessoal, sublinho, ao FSantos, ao contrário do que tu, Flávio Gonçalves, fizeste, pois, ao que parece, preferiste ir a correr ao blog do autor do artigo alertar, entenda-se, alcovitar, para a minha resposta ao mesmo, em vez de, na condição de vermelho-verde, empregando aqui as palavras de FSantos, defenderes… enfim, essas cores.
Não te é de todo dignificante, assim como, também se comprova uma outra vez a tua doentia obsessão pelos identitários, que se resume nos insultos e ataques despudorados, aos quais, quando obténs resposta, ficas muindo indignado e sentido.

Aproveita o postal abaixo deste e escreve para uma dessas beldades islâmicas que tanto gostas, talvez assim te entretenhas um pouco mais e consigas passar um dia que seja sem pensar na próxima ofensa que vais disferir aos identitários.

Comentar por arqueofuturista

Não tenho preocupações de adquirir respeitabilidade, muito menos com alguém com quem, como diz, poucas afinidades tem. Se referi os meus três anos de blogosfera foi para lhe mostrar que o arquivo que daí resulta infere as suas precipitadas conclusões. Se não quiser ir muito atrás no tempo vá ao meu texto de terça-feira passada, sobre “islamofobia”.

Comentar por FSantos

Errata: “infirma” e não “infere”.

Comentar por FSantos

O FSantos deverá convir que três anos de actividade blogosférica somente lhe conferem uma mais ampla obrigação no esmero pela exactidão naquilo que pretende abordar e expor. Teria sido de longe preferível que apenas perfizesse três meses de actividade internética e apresentasse, todavia, um zelo maior na factualidade, ou pelo menos, um pouco de mais respeito pelos visados na peça que publicou no Alameda Digital, já que a acusação de “nacionalistas não-nacionais”, além de constituir uma contradição em si mesma, reveste-se de óbvia ignomínia.

Comentar por arqueofuturista

Caro Arqueofuturista, o F.Santos não vem cá a este blog, não fosse eu a dar-lhe a indicação o mesmo não teria conhecimento da tua crítica (que ao que parece, era o mesmo o que querias).

Já estamos um pouco velhos para estas acusações infantis de “queixinhas”, não?

E como queres que eu argumente com identitários quando praticamente de todas as vezes que discuti política com algum (creio que apenas tu e o Miazuria escaparam dessa tentação) me acusaram de ser gordo, como se isso fosse um argumento político.

Não vos respeito porque vocês não se dão ao respeito e gostam muito de falar pelas costas, eu pela minha parte critico-vos frontalmente e assinando o meu nome.

Comentar por Flávio Gonçalves

Caro Arqueofuturista, o F.Santos não vem cá a este blog, não fosse eu a dar-lhe a indicação o mesmo não teria conhecimento da tua crítica (que ao que parece, era o mesmo o que querias).

Não é essa a percepção que tenho, já que parece que o FSantos vem a este blog, assim como a outros, frequentement, mas prestando, contudo, mais atenção às caixas de comentários do que aos aspects ideológicos.
Além disso, não queria nem deixava de querer que o FSantos aqui viesse, apenas desejo deixar vincada uma posição de rechaço pelo que foi escrito no artigo do Alameda Digital assinado pelo FSantos.

E como queres que eu argumente com identitários quando praticamente de todas as vezes que discuti política com algum (creio que apenas tu e o Miazuria escaparam dessa tentação) me acusaram de ser gordo, como se isso fosse um argumento político.

Recordo-te que as hostilidades foram abertas pela tua pessoa, que sem mais começaste a tratar os identitários por idiotitários nos mais diversos locais da internet, e isso de todo me parece uma actuação condigna, mesma para com adversários ideológicos, já que no combate das ideias o que importa é desmontar e refutar os ideais defendidos pela outra parte e não limitar esse confronto a uma catadupa de chavões vários com os quais brindas os identitários. Isso não é crítica, é insulto pueril.

Comentar por arqueofuturista

Cuidado que esse Flávio Gonçalves é membro de um forum anti-fascista com o nick ‘Esquerda Nacional’!!!

Comentar por Observatório da antifaria

Retomando alguns tópicos da sua reacção ao meu despretencioso texto na Alameda, constatará que em lugar algum vos chamei “nacionalistas não-nacionais”. Na minha interpretação os identitários pegam numa teoria ou doutrina ou corrente e tentam-na aplicar num país muito diferente daquele de onde é originária. Podem estar imbuídos das melhores intenções a favor da Pátria mas a ideia que transmitem – e digo transmitem, não digo que é mesmo assim – é que a vossa preocupação primordial é com os povos europeus e só depois com a Nação portuguesa. Posso estar errado mas é a ideia que chega para fora do meio.
Vou passar por cima dos “mimos” como referências a cérebros frágeis, atarantados, etc. Será por esse facto que já em tempos (Janeiro deste ano) lhe enviei uns textos por e-mail?
Se faz tanto empenho em que eu tome «uma tomada de posição pública, esclarecendo que nada tem ou teve que o ligue, mesmo que superficialmente, ao dito meio» – o que me parece despropositado, mas enfim -, adianto-lhe que não me considero do “meio” porque não pertenço nem pertenci a nenhuma organização ou partido do dito “meio”. Tenho amigos no “meio” (até um na CI) mas não faço tenções de a ele pertencer. O anarquismo da minha dolescência deixou marcas a nível de não adesão a grupos, mesmo que eventualmente bem intencionados. Feitios.
(cont.)

Comentar por FSantos

É evidente que as doutrinas e o os pensadores políticos de relevo sofrem influências estrangeiras, basta ler por exemplo Sardinha para deparar a todo o instante com citações de autores franceses. A questão não é essa, a questão é se esses contributos nos ajudam a aprofundar o conhecimento da nossa própria essência pátria e portanto a contribuir para que a possamos servir melhor no futuro. É evidente que uma adopção acrítica de uma doutrina estrangeira não é a melhor abordagem. Mas como não conheço em profundidade os identitários portugueses (apesar de ter um link para a CI no meu blogue) deixo-lhe a si o ónus de me mostrar que não é isso que se passa por cá.
Também prefiro passar por cima das suas insinuações sobre a minha postura face à imigração. Ao remetê-lo para os meus blogues tive a intenção de o fazer compreender que não me agrada o rumo que a Europa está a tomar, nomeadamente a nível das portas escancaradas perante toda a miséria (real ou suposta) do mundo.
Não me respondeu à questão do sionismo, ocultando o tema com a máxima estafada do anti-semitismo. Já reparou que é a mesma táctica dos imigracionistas? Quem critica a imigração é racista – e quem critica Isarel é anti-semita?!
Posso não ter muitas afinidades consigo mas não quis deixar de responder com algum detalhe ao seu longo texto, permeado de equívocos e deduções nada correctas acerca da minha pessoa e das minhas ideias.

Comentar por FSantos

Só para desanuviar:

““nacionalistas não-nacionais””
Então, mas o Blackskin não é do PNR?

Tenham calma, é evidente que existem facções, pessoas que se não dão bem, guerras, fomes, armagedãos, etc…

Mas, porque raio é que vós, em vez de tentardes chegar a um consenso, chegar a algum lado positivo, que ofereça, nem que seja a mais precária “solidariedade” entre vós, partem para o insulto como uns meninos da primária?
Leiam os comentários de ambas as partes/facções e reflictam se realmente alguém disse algo ou avançou no sentido de uma maior união ou concordância entre as diferentes partes envolvidas.

Por favor, diferenciem-se da Esquerdalhada!

Comentar por D. Sebastião II

Uma vez estabelecido este diálogo pelo FSantos, o qual poderia ter tido lugar antes da publicação do seu artigo, e que por certo pouparia a toda esta celeuma, vejo-me compelido a contestar as seguintes observações, sendo que o faço, esclareço, a nível pessoal e não em representação da CI, associação da qual faço parte, e que possui os seus orgão próprios para o caso de desejar reagir publicamente ao seu escrito:

«Retomando alguns tópicos da sua reacção ao meu despretencioso texto na Alameda, constatará que em lugar algum vos chamei “nacionalistas não-nacionais”.»

Com efeito o FSantos não chamou “nacionalistas não-nacionais” aos identitários, essa foi a minha abreviação para resumir esta frase; « Estes nacionalistas, sempre prontos a abraçar modelos não-nacionais », a qual, em substância, conduz invariavelmente à conclusão de que os identitários constituiriam um conjunto de pessoas que amam a sua nação e por ela estão dispostas a (nacionalistas), mas que abraçaram um modelo ideológico não-nacional. Ora tal conclusão contém em si uma oposição entre duas proposições, excluindo-se mutuamente.

«Na minha interpretação os identitários pegam numa teoria ou doutrina ou corrente e tentam-na aplicar num país muito diferente daquele de onde é originária. Podem estar imbuídos das melhores intenções a favor da Pátria mas a ideia que transmitem – e digo transmitem, não digo que é mesmo assim – é que a vossa preocupação primordial é com os povos europeus e só depois com a Nação portuguesa. Posso estar errado mas é a ideia que chega para fora do meio.»

Conforme o FSantos poderá comprovar por via da consulta dos documentos ideológicos da Causa Identitária, o identitarismo, passo o neologismo, expressa plenamente o nosso nacionalismo, aqui etimologicamente entendido, ou por outras palavras, o identitarismo, talvez mais e melhor do que qualquer outra corrente na chamada área nacionalista, espelha uma perfeita compreensão do que consiste a comunidade nacional enquanto rede harmoniosa de laços hereditários radicados numa remota, mas visível, origem comum, portadora de uma singular especificidade etnocultural. Portugal está, por conseguinte e incontornavelmente, no topo das preocupações dos identitários portugueses, os quais, longe de estarem encerrados numa torre de marfim dogmática, são cientes de que, além da base etnocultural, Portugal também é europeu pela geografia e pela história, e atentos que estão à evolução da conjuntura da qual nós, portugueses, fazemos parte brota o espírito europeísta, resultante não somente da concordância de que partilhamos a mesma matriz étnica e cultural com os restantes povos do continente, como de igual forma pela percepção de que os anseios e inquietações são rigorosamente os mesmos. Acresce a isso a já bem perceptível marcha da humanidade para a constituição de blocos continentais, sendo que a não compreensão deste facto geopolítico ou a sua cismática negação acarreta um invariável ostracismo e consequente suícido político.

Já no que concerne ao país de origem do identitarismo, é consabido que foi o francês Pierre Vial quem adoptou o termo identitário para lhe conceder uma carga ideológica e em substituição do termo nacionalista. Contudo, se ambos concluimos, por virtude dos nossos conhecimentos históricos da evolução do nacionalismo em Portugal, e por extensão em qualquer nação do Mundo, que não existe um nacionalismo radicalmente exclusivo e liberto de influências exteriores, o que seria humanamente impossível acrescente-se, não se pode atribuir ao identitarismo qualquer menos-valia sob o risco de considerar que a religião da maioria da população portuguesa é anti-nacional porque tem a sua origem num ramo dissidente de uma conhecida tribo do Médio Oriente.

«Vou passar por cima dos “mimos” como referências a cérebros frágeis, atarantados, etc. Será por esse facto que já em tempos (Janeiro deste ano) lhe enviei uns textos por e-mail?»

Recordo-me do mail com efeito, e não desejo alongar mais a questão dos ditos “mimos”, ainda que realçando que na altura em que graciosamente me enviou os referido mails, não julgaria eu que me considerasse como parte de um elenco de uma tragi-comédia…

«a questão é se esses contributos nos ajudam a aprofundar o conhecimento da nossa própria essência pátria e portanto a contribuir para que a possamos servir melhor no futuro. É evidente que uma adopção acrítica de uma doutrina estrangeira não é a melhor abordagem. Mas como não conheço em profundidade os identitários portugueses (apesar de ter um link para a CI no meu blogue) deixo-lhe a si o ónus de me mostrar que não é isso que se passa por cá.»

A insinuação de que os identitários adoptaram acriticamente uma doutrina estrangeira é no minímo desacertada e injusta, ainda para mais quando complementada com o avocar de que não conhece em profundidade os identitários lusos. Uma revisão pouco apressada mas atenta pelos documentos e actividades da associação Causa Identitária garantidamente lhe proporcionarão uma ideia absolutamente distinta daquela que veiculou.

«Não me respondeu à questão do sionismo, ocultando o tema com a máxima estafada do anti-semitismo. Já reparou que é a mesma táctica dos imigracionistas? Quem critica a imigração é racista – e quem critica Isarel é anti-semita?!»

De todo foi minha intenção ocultar o tema ou sequer escapar a qualquer questão lançada, e à qual não posso senão redarguir da mesma forma que expus na minha réplica ao seu artigo. Os identitários são etnocentristas, e não por acaso é corrente o emprego da frase “Os nossos primeiro que os outros”. Aos identitários, portanto, importa antes e acima de tudo os seus, e ao contrário do que avançou o FSantos no seu escrito, em momento algum os identitários colocaram no âmago das suas preocupações a questão do Médio Oriente, muito pelo inverso, é o seu distanciamento desse problema que nada diz ao português que labuta uma vida inteira para obter uma reforma miserável, ao português que vive em clima de terror étnico na Linha de Sintra ou na Margem Sul, ao português que dedica a sua vida à lavoura e à pescaria e vê os subsídios que lhes deveriam ser destinados a serem canalizados para as chamadas minorias, ao português que estuda nas escolas públicas e é lobotomizado pela propaganda multiculturalista de que ele é responsável retrospectivamente pelos presumíveis erros dos seus antepassados, é, conforme dizia, este distanciamento que levou alguns a acusarem estupidamente os identitários de serem filo-sionistas, única e exclusivamente porque os identitários não apenas partem da compreensão de que não se pode imputar a um povo a exclusividade dos males nacionais e mundiais, como também porque os identitários não estão minimamente interessados nessa questíuncula, mormente utilizada de maneira oportunista por uns quantos auto-promovidos defensores da causa palestiniana, que assim procuram maquilhar o seu anti-semitismo da realidade actual desfasado.

«Posso não ter muitas afinidades consigo mas não quis deixar de responder com algum detalhe ao seu longo texto, permeado de equívocos e deduções nada correctas acerca da minha pessoa e das minhas ideias.»

Ainda que ciente de que o FSantos partiu de errados pressupostos, e mesmo preconceitos, os quais originaram esta algazarra, quando antecipadamente deveria ter tido o cuidado de fundamentar a sua análise, esclareço que, não partilhando algumas óbvias afinidades ideológicas, não lhe guardo qualquer rancor, até porque teve a hombridade de aqui vir esclarecer a sua posição, atitude nobre e que muito apreciei, sendo que o mesmo espero de si, já que para inimigo basta o sistema que destrói o nosso povo.

Comentar por arqueofuturista

O meio nacionalista carece, em geral, de sentido de humor. O Arquefuturista levou a mal um texto meu que não me parece ofensivo dos identitários (apenas caricatural, sem maldade), mas que admito perfeitamente que lhe não tenha agradado. Repare que o Flávio podia ter-se sentido ofendido pelo mesmo texto e, na verdade, até o recomendou no “Suck and Smile”.
Não cabe neste espaço expor as minhas divergências para com o movimento identitário, que conheço imperfeitamente, apesar de tanto os seus pacientes e amáveis esclarecimentos, como a entrevista ao responsável da CI recentemente publicada no site da dita, me não trazerem especiais novidades.
No meio de várias divergências há sempre elementos comuns a quase todos os nacionalistas: hostilidade à imigração em massa, defesa da vida, promoção da civilização europeia e da sua cultura. Continuo sem ter a certeza se esse “common ground” permite uma acção conjunta nacionalista, pois a tendência para se sobrelevarem as diferenças leva a cisões permanentes no movimento (andamos nisto há décadas).
O que tenho a certeza é que, quando há disposição para uma discussão ordeira e construtiva, como o dono deste blogue demonstrou, há algumas razões de esperança.

Comentar por FSantos

Facit indignatio versum, dizia Juvenal, e talvez eu me tenha excedido avassaladoramente na inspiração por via da minha reacção, rigoroso fui no velho ditado dos nossos ancestrais que reza que quem não se sente não é filho de boa gente.

Dando por findo este debate pela minha parte, irei num gesto sanativo agregar o seu blog nas ligações deste, à semelhança, tomei nota, do que fez com o meu.

Comentar por arqueofuturista

Quando o berço não dá…
Felizmente que aqui se provou que ambos tiverem bom berço.
Abraço a ambos

Legionário

Comentar por Anónimo

Parabens a ambos pela abertura ao debate.

Saudacoes Identitarias

Comentar por Miazuria

Ora, falando por mim próprio, e não em nome de qualquer movimento, tenho a dizer que o artigo de FSantos não só não me incomoda nada como até suscita um bom debate.

Comece-se pelo princípio da sua descrição dos identitários – a questão da origem francesa deste sub-movimento (dentro do Nacionalismo) e a ligação ao contexto francês da diversificação regional. Diz FSantos que, passo a citar,
«Os identitários, de forte influência francesa (um país com várias identidades regionais muito variadas), pretendem defender a etnia de cada povo europeu, ameaçada pela imigração (extra-europeia) galopante. A sua tendência balcanizante é notória pela defesa da auto-determinação de cada etnia. O seu ideal seria uma Europa de pequenos estados, preferencialmente homogéneos etnicamente, numa coincidência entre espaço territorial, espaço político e etnia.

Ora nem mais. É exactamente isto, sem tirar nem pôr, aquilo que defendo – mais digo: eu afirmei que não falo em nome de qualquer Movimento, mas, neste caso, não concebo que um nacionalista, identitário ou não, possa pensar de modo diferente deste. Não há, nunca houve, jamais poderá haver qualquer espécie de justificação, à luz da Ética nacionalista, para que uma nação seja ou permaneça submetida por outra.

Não sei se há na referência à «regionalidade» francesa alguma intenção sarcástica contra os identitários portugueses por seguirem tal ideologia, mas, havendo ou não, é indiferente: salta à vista que este modelo, de um Estado para cada nação, por mais pequena que esta seja, é o que mais convém a Portugal.

E porquê?

Porque Portugal, sendo um dos casos em que uma Nação tem um só Estado e um Estado tem uma só Nação, tem sofrido, nos últimos séculos, de um (ridículo) complexo de pequenês – e o chavão de sermos «pequeninos» tem justificado uma sensação, demasiadamente frequente, de subalternização relativamente a certos «gigantes» europeus.

Pois bem – com esta divisão dos grandes Estados, os tais gigantes perdiam boa parte do seu gigantismo:
– a actual França ficaria dividida em pelo menos quatro Estados soberanos (senão mais): a França propriamente dita (nação francesa), a Córsega, os territórios germânicos de leste (Alsácia e Lorena) e Breizh (Bretanha, nação céltica (que por sua vez poderia juntar-se em confederação céltica com a maior parte das nações britânicas, das quais se fala a seguir);
– o actual Reino Unido desmoronar-se-ia, visto que nunca foi uma nação e sim um império inglês em solo europeu e, assim, surgiriam novos países soberanos, a saber, Alba (Escócia), Cymru (Gales), Mannin (Man) e Kernow (Cornualha), enquanto a Irlanda do Norte se juntaria naturalmente à parte sul da ilha esmeralda, completando assim o Eire; a Inglaterra ficaria como nação à parte desta comunidade céltica; o Reino Unido tem hoje 244.820 km2, a Inglaterra tem apenas 130.395km2, muito menos distante dos 92.391 km2 de Portugal;
– quanto à Espanha, cereja no topo do bolo para os Portugueses: deixava de ser o «gigante vizinho ao lado», que tanto medo mete a certos portugueses, para desaparecer como Estado soberano, dando origem a vários Estados mais pequenos – logo à partida, a poderosa Espanha perderia os seus dois motores industriais, a saber, Euskadi (País Basco) e Catalunha; as Astúrias e a Galiza separar-se-iam igualmente de Castela; e, com alguma sorte, a Galiza juntava-se a Portugal, o que, a longo prazo, poderia fazer da Portugaliza a mais poderosa nação da Ibéria, controlando toda a faixa ocidental peninsular, enquanto a outrora dominadora Castela ficaria limitada ao seu quase desértico território da Espanha central, obtendo ligação ao mar apenas pelo sul mediterrânico (porque, provavelmente, também perderia a Cantábria, ficando assim completamente sem qualquer ligação ao Atlântico).

Visto isto, pode alguém argumentar, honestamente, que a «balcanização» étnica da Europa não interessaria a Portugal? Duvido.

Seguidamente, diz FSantos que:
Muitos não gostam de o admitir mas nesta tendência Israel surge como um exemplo a seguir, seja pela preocupação que manifesta de preservar a “etnia” judaica (conceito algo equívoco dadas as variadas origens dos actuais habitantes do estado hebraico), seja pela forma “determinada” (eufemismo) com que se “defendem dos árabes”

Correcto. Estando livre dessa autêntica atrasadice de espírito que é o anti-sionismo primário, não me sinto absolutamente nada incomodado em que o modelo que preconizo seja considerado igual ao israelita – pelo contrário.

E, já agora, atrevo-me a falar novamente em nome do Nacionalismo, desafiando, desde já, quem quer que pretenda demonstrar que há no que digo alguma falácia lógica.
Ora os Nacionalistas, incluindo eu próprio, passam a vida a dizer que «o Nacionalismo/Racialismo não é o ódio às outras Estirpes, mas sim a salvaguarda e exaltação da nossa. O nacionalista/racialista deseja até que todas as nações tenham o seu território e prosperem em tranquilidade e liberdade».

Muito bem. Muitíssimo bem, até.

Ora, posto isto, como pode um nacionalista repudiar o modelo israelita? «Ai, eu sou pelo Nacionalismo em todo o planeta, mas os Judeus não podem ter um Estado judaico porque são maus.» Basta desta atrasadice mental. Abrir excepção para os Judeus é,
ou ser um atadinho que aceita fazer o papel de mau na historieta engendrada pelos Judeus (a teoria do povo eleito confirma-se quando há inimigos dos Judeus apostados em destruí-los)
ou um prisioneiro da conversa cristã de que «os Judeus são os inimigos de Deus porque mataram Cristo».
Pura e simplesmente não há pachorra para tanto bolor.

Bolor e pior – desvio relativamente ao que realmente interessa, que é o Nacionalismo.

Assim, se o Judeu faz a mesma coisa que eu, isso não é motivo para eu ficar com dúvidas sobre mim próprio, mas sim para reconhecer que o Judeu tem razão.
Pensar de modo contrário a isto é pôr o cerne, não em si próprio, mas no outro – e isto, em política, é pouco mais do que ridículo.
Porque a medida de todas as coisas em política não é o anti-sionismo, mas sim eu.

, como se a situação no Médio Oriente fosse equivalente à que vive a França actualmente; num caso foram os árabes as vítimas de uma “invasão” (se quisermos usar um termo muito usado pelos identitários para descrever a imigração), no outro foram os árabes os que imigraram.

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Quanto ao que se passa no Próximo Oriente, trata-se simplesmente de reconhecer que o seu a seu dono pertence: e a terra de Israel já era dos Judeus antes sequer de o Islão existir. Ora os Árabes só estão na Palestina por causa da expansão islamista.
Assim, não creio que um nacionalista possa ter dúvidas sobre o direito da posse do território actualmente israelita.

Sucede entretanto que Israel defronta-se com o mesmo perigo que a França e o resto da Europa: a alta taxa de natalidade por parte dos Africanos/muçulmanos.

Ou seja, até nisso o Nacionalismo europeu coincide com o Nacionalismo judaico, ou seja, o Sionismo.

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Comece-se pelo princípio da sua descrição dos identitários – a questão da origem francesa deste sub-movimento (dentro do Nacionalismo)

Caro Caturo, tenho de discordar em absoluto com a tua asseveração de que o identitarismo é um sub-movimento dentro do nacionalismo. Como sabes, este tema já foi por nós devidamente debatido no seio da CI, com o qual, estou ciente, discordaste, mas, diga-se, a maioria concordou, por concluir que o identitarismo está para além do nacionalismo, ou por outras palavras, se é verdade que os identitários, na sua maioria, derivam e tiveram como primordial regaço o meio nacionalista, chegou-se à realização de que o movimento identitário, por aquilo que propugna e representa, constitui uma natural evolução do nacionalismo culminada pela superação deste, o que coloca incontornavelmente o identitarismo fora da órbita nacionalista. Maurice Bardéche, não me canso de o citar, dizia que “a superação do nacionalismo, apenas os nacionalistas a podem fazer”, e essa superação foi concretizada pelos identitários actualmente, tal como foi outrora pelo Nacional-Socialismo e o Fascismo, apenas para citar dois exemplos sobejamente conhecidos. Persistir nesse equívoco é como que cair no reducionismo primário de afirmar que o Anarquismo é parte do movimento comunista.

Outro questão que importa aduzir é saber de que nacionalismo se trata esse que referes, já que é por demais consabido que as distintas e diferentes interpretações do nacionalismo, bem como as suas contraditórias correntes de opinião, tendências várias, concedem-lhe um carácter eminentemente ambíguo, unívoco.

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Visto isto, pode alguém argumentar, honestamente, que a «balcanização» étnica da Europa não interessaria a Portugal? Duvido.
Não partilho dessa opinião. O reconhecimento do direito dos povos à autodeterminação não implica um desejo de ver a Europa fraccionada em micro-estados, ainda para mais se mergulhados no nacionalismo estreito dos ódios intra-europeus, tipo “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”.

Não vejo por que motivo teria a França ( como refiro a França poderia referir Espanha ou Itália) de se dissolver em pequenos estados, se não existir uma vontade expressa dos povos que a compõem em constituirem-se como nações idependentes com estado própio, se porventura a situação francesa até se poderá resolver por base do estabelecimento de uma federação?

Comentar por arqueofuturista

A comparação do Anarquismo e do Comunismo com o Identitarismo e o Nacionalismo parece-me incorrecta, visto que o Anarquismo consiste num individualismo extremo ao passo que o Comunismo é, pelo contrário, colectivismo absoluto, enquanto a diferença entre Identitarismo e Nacionalismo ainda está por demonstrar.

Efectivamente, o Identitarismo consiste na lógica nacionalista tal como esta já era expressa antes de surgir o termo «Identitário» no seio das hostes nacionalistas – e tanto a Nova Direita como o Nacional-Socialismo concordaram com a ideia de que cada nação europeia deveria ter o seu Estado.

Assim, o Identitarismo, a sua antepassada Nova Direita, o Nacional-Socialismo, bem como o Nacional-Bolchevismo, e todo e qualquer separatismo nacional, fazem todos parte da grande família nacionalista, visto que consistem em versões diferentes de um só princípio: o Nacionalismo, isto é, a salvaguarda e exaltação da Estirpe como valor cardinal em política. O Fascismo está obviamente de fora, visto que foi sempre um imperialismo, não um nacionalismo, pois que, para o Fascista, é o Estado que cria a Nação e não a Nação que origina o Estado. Assim, os patriotismos e patrioteirismos universalistas, Salazarismo incluído, enquadram-se no mesmo campo que o Fascismo, não do Nacionalismo.

De resto, não tem sentido dizer-se que uma diferença de carácter económico (Socialismo, Capitalismo, Comunismo) servem para criar doutrinas diferentes como se estas deixassem de ser nacionalistas. O Nacional-Socialismo, por exemplo, é em primeiro lugar um nacionalismo, visto que o ideal máximo do NS nunca foi a igualdade social, mas sempre, inequivocamente, a exaltação do «Volk», e isto é inequivocamente nacionalismo.

Do mesmo modo, o Identitarismo visa enaltecer este mesmo princípio, o «Volk», a Estirpe – pode é ter métodos e sistemas diferentes, e objectivos políticos diferentes, e só por isso constitui uma versão diferente do Nacionalismo, mas nem na concepção do que é o Volk se diferencia (porque tanto o Identitarismo como o NS afirmam que o Volk é raça, é etnia e é nação).

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O reconhecimento do direito dos povos à autodeterminação não implica um desejo de ver a Europa fraccionada em micro-estados,

Micro-Estados correspondentes a nações: que mal há nisto?
Acaso é o Identitarismo contra a constituição de um Estado bretão, de um Estado valão, de um Estado flamengo?

ainda para mais se mergulhados no nacionalismo estreito dos ódios intra-europeus,

Ódios intra-europeus?… Então afinal os Nacionalismos europeus implicam a existência de ódios?… Querer por exemplo que a Escócia seja soberana é odiar a Inglaterra?

Não vejo por que motivo teria a França ( como refiro a França poderia referir Espanha ou Itália) de se dissolver em pequenos estados,

Porque é composta de diferentes nações.

se não existir uma vontade expressa dos povos que a compõem

Sim, tal como o Identitarismo só exerce o poder se houver uma vontade expressa dos Povos europeus em aceitar os seus princípios…

em constituirem-se como nações idependentes com estado própio, se porventura a situação francesa até se poderá resolver por base do estabelecimento de uma federação?

Mais me ajudas – aliás, isto até pode ser a deixa para que todas as nações europeias, constituídas em Estados mais pequenos, sintam mais necessidade de se unirem em confederação, o que fortaleceria a União Europeia.

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o Anarquismo consiste num individualismo extremo ao passo que o Comunismo é, pelo contrário, colectivismo absoluto

De todo, o Anarquismo não poderá em caso algum ser reduzido a um mero individualismo. Isso é não conhecer o Anarquismo, também ele multiforme nas suas várias correntes, as quais e de forma genérica englobamos na chamada extrema-esquerda, mas o que não permite congregar o anarquismo a movimento comunista, na mesma medida em que o identitarismo é comummente englobado na extrema-direita, mas não pode ser confundido com o nacionalismo, até porque tal designação tem sido empregue por um sem número de organizações, particularmente desde 1945, unicamente por motivos estratégicos como forma de contornar as draconianas leis que vigoram desde então na Europa.

Outro problema que se aflora de imediato é saber se tu, Caturo, enquanto nacionalista, te revês, por exemplo, no nacionalismo propalado pelos saudosistas do Estado Novo, ou, já agora, saber o que une estes nacionalistas saudosistas aos nacionalistas bascos da ETA e estes aos nacionalistas espanholistas?

Acresce a isso compreender a que nacionalismo te referes, se ao nacionalismo oitecentista do “Princípio das nacionalidades”, de corte liberal-jacobino, se ao Nacionalismo Integral defendido por Drumont, Barrés (este para se diferenciar do nacionalismo optou por autodesignar-se nacionalitarista) e Maurras, e em Portugal por António Sardinha, apenas para mencionar um nome ilustre, se ao nacionalismo de tintes patriota e chauvinista, enfim, que nacionalismo é esse que permite pessoas das mais díspares concepções ideológicas empregarem a mesma designação?

A tua expressão, «o Nacionalismo, isto é, a salvaguarda e exaltação da Estirpe como valor cardinal em política», exclui de imediato e incontornavelmente um amplo segmento daqueles que conformam actualmente as hostes nacionalistas em Portugal e não apenas.

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Micro-Estados correspondentes a nações: que mal há nisto?
Acaso é o Identitarismo contra a constituição de um Estado bretão, de um Estado valão, de um Estado flamengo?

Em absoluto, o identitarismo reconhece o direito desses e quaisquer outros povos à autodeterminação, conforme aludi inicialmente, sempre e desde que estejam reunidas as condições imprescindíveis, na óptica identitária, para tal, a saber; a existência de uma vontade popular arraigada numa comum identidade etnocultural, histórica, linguística e territorial.

ainda para mais se mergulhados no nacionalismo estreito dos ódios intra-europeus,

Ódios intra-europeus?… Então afinal os Nacionalismos europeus implicam a existência de ódios?… Querer por exemplo que a Escócia seja soberana é odiar a Inglaterra?

Não te faças de ingénuo, pois, como eu, sabes bem que muitos nacionalismos padecem de uma nocividade extrema já que conduzem a delírios nacional-supremacistas, alicerçados nos ódios de estimação que tanto sngue europeu fizeram verter ao longo da nossa milenar história comum. A tua alusão ao fraccionamento da Espanha, França e Inglaterra está inequivocamente imbuido de um sentimento pequno-nacionalista português. Ora, o Identitarismo, com a sua vincada componente europeísta, veio também aqui superar o nacionalismo.

todas as nações europeias, constituídas em Estados mais pequenos, sintam mais necessidade de se unirem em confederação, o que fortaleceria a União Europeia.

Não existe a necessidade de independência de todos essas pequenas nações se lhes for outorgada a devida autonomia e possibilidade de preservarem a sua identidade específica dentro dos marcos estatais em que se encontram actualmente inseridas. Com isto não quero dizer que nego o direito dos Bretões, Bascos ou Corsos a constituirem-se como estados-nações, mas somente e desde que tais estados se enquadrassem na referida confederação europeia, aliás como propõem os camaradas Bretões do Adsav, os Flamengos do Vlaams Belang, os Lombardos da Lega Nord ou os Alsacianos do Alsace d’Abord.

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De todo, o Anarquismo não poderá em caso algum ser reduzido a um mero individualismo

O Anarquismo promove a autonomia e igualdade de cada pessoa no sentido da oposição a qualquer poder externo ao indivíduo. Naturalmente que há diferentes modos e perspectivas sobre isto, mas é isto que define o Anarquismo, e o deixa bem distante do Comunismo.

Isso é não conhecer o Anarquismo, também ele multiforme nas suas várias correntes,

Tal como o Nacionalismo.

o identitarismo é comummente englobado na extrema-direita, mas não pode ser confundido com o nacionalismo,

Porque não? É isto que nunca obtem resposta.

até porque tal designação tem sido empregue por um sem número de organizações,

Também o termo «Comunismo» foi empregue por várias organizações, algumas delas severamente opostas – antes de surgir o PNR, não haveria em Portugal nenhum ódio político partidário tão intenso como aquele que opõe o PCTP/MRPP ao PCP.

particularmente desde 1945, unicamente por motivos estratégicos como forma de contornar as draconianas leis

Mais me ajudas – essa diferenciação onomástica obedece a motivações de carácter estratégico, não de carácter ideológico, e é de ideologia que falamos.

Caturo, enquanto nacionalista, te revês, por exemplo, no nacionalismo propalado pelos saudosistas do Estado Novo,

Já expliquei que não e porque não na mensagem anterior – o Estado Novo, sendo um patriotismo, enquadra-se no mesmo campo que o Fascismo, não no campo do Nacionalismo.

o que une estes nacionalistas saudosistas aos nacionalistas bascos da ETA e estes aos nacionalistas espanholistas?

Não é pelo facto de alguns usarem indevidamente o termo «nacionalista» que os seus legítimos utentes devem dele abdicar. É uma questão de lógica e também de ética.

Acresce a isso compreender a que nacionalismo te referes,

Não há maneira mais simples de explicar isto: Nacionalismo é exaltação da Nação acima de tudo.
Aquilo que se entende por Nação é que pode variar – mas a Nação sempre foi, desde tempos arcaicos, o Povo, a Estirpe, a Raça, a Etnia.

se ao nacionalismo oitecentista do “Princípio das nacionalidades”, de corte liberal-jacobino, se ao Nacionalismo Integral defendido por Drumont, Barrés (este para se diferenciar do nacionalismo optou por autodesignar-se nacionalitarista) e Maurras, e em Portugal por António Sardinha,

Então espera… se todos esses usaram o termo «nacionalista», e os separatistas bascos, bretões, escoceses, etc., fazem o mesmo… então afinal porque é que o termo Nacionalismo não pode ser aplicado a tudo isso?

apenas para mencionar um nome ilustre, se ao nacionalismo de tintes patriota e chauvinista, enfim, que nacionalismo é esse que permite pessoas das mais díspares concepções ideológicas empregarem a mesma designação?

Todo o indivíduo – socialista, comunista, liberal, ecologista, judeu, chinês, japonês, esquimó, coxo, cardíaco, com um sinal na face esquerda, social-democrata, separatista – que considere ser a Nação o valor cardinal em política.

Se, em vez disso, considerar que o valor cardinal é a colectividade económica, então é comunista (seja marxista, leninista, estalinista, maoísta, libertário – coisas diferentes, mas debaixo da mesma designação comunista).

Se, em vez disso, considerar que o valor cardinal é o capital, então é capitalista.

A tua expressão, «o Nacionalismo, isto é, a salvaguarda e exaltação da Estirpe como valor cardinal em política», exclui de imediato e incontornavelmente um amplo segmento daqueles que conformam actualmente as hostes nacionalistas em Portugla

Não sei ao que te referes, a menos que consideres que a Aliança Nacional é um «amplo segmento»…

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Em absoluto, o identitarismo reconhece o direito desses e quaisquer outros povos à autodeterminação, conforme aludi inicialmente, sempre e desde que estejam reunidas as condições imprescindíveis, na óptica identitária, para tal, a saber; a existência de uma vontade popular arraigada numa comum identidade etnocultural, histórica, linguística e territorial.

Bom. Em assim sendo, qual é o problema de esses povos alcançarem a auto-determinação?

Não te faças de ingénuo, pois, como eu, sabes bem que muitos nacionalismos padecem de uma nocividade extrema já que conduzem a delírios nacional-supremacistas,

Caso não tenhas notado, são precisamente esses delírios nacional-supremacistas que justificam a soberania inglesa sobre toda a Britânia e Irlanda do Norte, bem como a soberania francesa sobre a Bretanha e sobre a Córsega, além da soberania castelhana sobre quase toda a Ibéria (incluindo Portugal, se pudesse).
Não sei como é que por se querer a soberania basca, galesa ou bretã se está a falar em supremacismo. Isso parece conversa de anti-racista militante, que acha que glorificar a raça branca traz na manga a depreciação das outras raças.

A tua alusão ao fraccionamento da Espanha, França e Inglaterra está inequivocamente imbuido de um sentimento pequno-nacionalista português

É interpretação tua, e completamente errada. Não há nada de pequeno em querer que todas as nações europeias sejam soberanas (isto para quem entende a lógica nacionalista, claro está) – e o que fiz foi demonstrar que este modelo, longe de ser desadequado para Portugal, ser-lhe-ia pelo contrário muito útil, paralelamente ao que mais interessa, ou seja, a ser justo.

Ora, o Identitarismo, com a sua vincada componente europeísta, veio também aqui superar o nacionalismo

Continua a faltar a explicação de saber que superação é essa – implicaria por exemplo manter a unidade da França a todo o custo?…

todas as nações europeias, constituídas em Estados mais pequenos, sintam mais necessidade de se unirem em confederação, o que fortaleceria a União Europeia.

Não existe a necessidade de independência de todos essas pequenas nações se lhes for outorgada a devida autonomia

Os nacionalistas dessas nações pensam de modo diferente. Como tu pensam aqueles que aceitam os impérios, desde que tenham alguma autonomiazita. Há por exemplo, em Portugal, quem queira que o País fique debaixo da Espanha, com o mesmo estatuto autonómico que tem agora a Catalunha.
Por mim, não aceito isto. Prefiro um país pobre e livre do que domesticado e rico.

Com isto não quero dizer que nego o direito dos Bretões, Bascos ou Corsos a constituirem-se como estados-nações, mas somente e desde que tais estados se enquadrassem na referida confederação europeia, aliás como propõem os camaradas Bretões do Adsav, os Flamengos do Vlaams Belang, os Lombardos da Lega Nord ou os Alsacianos do Alsace d’Abord.

Portanto, deste-me razão, quando eu disse todas as nações europeias, constituídas em Estados mais pequenos, sintam mais necessidade de se unirem em confederação, o que fortaleceria a União Europeia.

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Meu caro, não poucas vezes te disse que és um artesão intelectual que tem prazer nos malabarismos verbosos, os quais requerem uma profunda paciência, a qual manifestamente possuis e eu não. Daí que irei limitar-me a contestar alguns pontos mais pertinentes e iniciando tal exercício remetendo-te para este artigo de Pierre Vial, cuja autoridade não é possível meter em causa por comprovadas décadas de militantismo activo, artigo que espero merecer leitura atenta da tua parte.

o identitarismo é comummente englobado na extrema-direita, mas não pode ser confundido com o nacionalismo,

Porque não? É isto que nunca obtem resposta.

Estranha questão vinda de quem, julgo, faz parte de uma associação identitária e onde tal discussão foi sobejamente explorada. Como tal, uma visita ao Fórum da CI tornar-se-se oportuna para que possas rever as explicações avançadas e conclusões obtidas.

particularmente desde 1945, unicamente por motivos estratégicos como forma de contornar as draconianas leis

Mais me ajudas – essa diferenciação onomástica obedece a motivações de carácter estratégico, não de carácter ideológico, e é de ideologia que falamos.

Em nada te ajudo, a não ser na minha tentativa, que espero não ser vã, para que percebas que o nacionalismo por si só é um conceito vago, indefinido, impreciso, ambíguo, unívoco e susceptível de ser frequentemente confundido, que já conheceu inúmeras formas ao longo da história e que não poucas foram as ideologias, que dele beberam, é verdade, se distanciaram do mesmo, como os já referidos NS alemão e Fascismo italiano. Escusado relembrar que o NS alemão concorria eleitoralmente com o DNVP de Hugenberg, aquele partido que poderiamos, dadas as suas características, designar como nacionalista. Dada toda a confusão ideológica existente no seio do nacionalismo, o identitarismo representa uma excisão do mesmo, tendo adquirido corpo e espírito próprios.

Já expliquei que não e porque não na mensagem anterior – o Estado Novo, sendo um patriotismo, enquadra-se no mesmo campo que o Fascismo, não no campo do Nacionalismo.

Essa é a tua interpretação, a qual não suplanta em nada a opinião daqueles que não menos legitimamente asseveram que o Estado Novo e/ou o Fascismo não eram senão a celebração do nacionalismo no seu estado mais puro.

Curiosamente excluis o Fascismo do concerto dos nacionalismos, quando os seus partidários advogam que o Fascismo foi a melhor expressão do nacionalismo, contudo, em relação aos identitários, que se desligaram voluntariamente do nacionalismo, por o considerarem superado, já não aceitas a sua decisão à força de os quereres ver como nacionalistas. Paradoxal no minímo.

Não é pelo facto de alguns usarem indevidamente o termo «nacionalista» que os seus legítimos utentes devem dele abdicar. É uma questão de lógica e também de ética.

Chamar-lhe-ia antes uma questão de definição e precisão ideológica.

Então espera… se todos esses usaram o termo «nacionalista», e os separatistas bascos, bretões, escoceses, etc., fazem o mesmo… então afinal porque é que o termo Nacionalismo não pode ser aplicado a tudo isso?

Porventura por caducidade, por anacronismo, por necessária adaptação ao espírito da época, por imperiosa precisão ideológica, por uma efectiva questão ética e finalmente pela compreensão de que as grandes questões da actualidade necessitam de uma resposta mais adequada e que o identitarismo é essa resposta, conforme bem explicita Vial no texto que recomendei inicalmente.

que nacionalismo é esse que permite pessoas das mais díspares concepções ideológicas empregarem a mesma designação?

Todo o indivíduo – socialista, comunista, liberal, ecologista, judeu, chinês, japonês, esquimó, coxo, cardíaco, com um sinal na face esquerda, social-democrata, separatista – que considere ser a Nação o valor cardinal em política.

Falso! Nunca um comunista irá considerar a nação o valor cardinal em política ou no quer que seja. O comunismo é intrinsecamente internacionalista, logo, por antinomia, não poderá ter a nação como valor cardinal.

A tua expressão, «o Nacionalismo, isto é, a salvaguarda e exaltação da Estirpe como valor cardinal em política», exclui de imediato e incontornavelmente um amplo segmento daqueles que conformam actualmente as hostes nacionalistas em Portugla

Não sei ao que te referes, a menos que consideres que a Aliança Nacional é um «amplo segmento»…

Meu caro, o autor do artigo que aqui contestei é tributário de um nacionalismo diametralmente oposto ao teu, e que se saiba não é membro da AN, assim como inúmeros membros do Fórum-Pátria, para citar um exemplo internético, bem como de outras formações políticas que se denominam nacionalistas, desde sectores monárquicos mais integristas a recém-formadas associações como o Movimento Nacionalista. Não quereres reconhecer isto por capricho revela uma concepção muito pessoal do que é o movimento nacionalista.

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Caso não tenhas notado, são precisamente esses delírios nacional-supremacistas que justificam a soberania inglesa sobre toda a Britânia e Irlanda do Norte, bem como a soberania francesa sobre a Bretanha e sobre a Córsega, além da soberania castelhana sobre quase toda a Ibéria (incluindo Portugal, se pudesse).
Não sei como é que por se querer a soberania basca, galesa ou bretã se está a falar em supremacismo.

Conforme Jean Thiriart bem explanou na sua magistral obra “Europa, um império de 400 milhões de homens” a unidade europeia, da qual ambos somos concordantes da sua necessidade imperiosa, somente poderá ser construida com base na abdicação voluntária do egoismo que reveste o nacionalismo pequeno-buerguês, o nacionalismo que todos, sem excepção, conhecem e que opõe romenos a húngaros, alemães a polacos, russos a finlandeses, portugueses a espanhóis, ingleses a franceses, e por aí adiante. Já Yann Fouéré, destacado independentista bretão, e que é legítimo afirmar como inspirador do identitarismo, veio complementar o pensamento Thiriartiano ao advogar que a Unidade europeia era uma necessidade, mas a qual deveria ser erigida sob os alicerces do respeito e reconhecimento das pátrias carnais (Saint Loup). Ora, o nacionalismo não poucas vezes, para não dizer, na maior parte dos casos, nasce de um sentimento negativo (o ódio ao outro, tipo “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento”), já Evola o havia referido, e de todo me parece que exacerbar esses ódios intra-europeus possa conduzir à tão necessária quanto almejada Unidade Europeia.

Isso parece conversa de anti-racista militante, que acha que glorificar a raça branca traz na manga a depreciação das outras raças.

Exemplo desconexo, além de infeliz e apatetado no que à minha pessoa concerne.

É interpretação tua, e completamente errada. Não há nada de pequeno em querer que todas as nações europeias sejam soberanas (isto para quem entende a lógica nacionalista, claro está) – e o que fiz foi demonstrar que este modelo, longe de ser desadequado para Portugal, ser-lhe-ia pelo contrário muito útil, paralelamente ao que mais interessa, ou seja, a ser justo.

Porque haverá de ser do interesse de Portugal o desmembramento dos grandes estados europeus? Isso revela um sentimento de pequenez que aguarda que os outros também se tornem pequenos.

Ora, o Identitarismo, com a sua vincada componente europeísta, veio também aqui superar o nacionalismo

Continua a faltar a explicação de saber que superação é essa – implicaria por exemplo manter a unidade da França a todo o custo?…

Já referi que não deixa de ser bizarro um associado da CI lançar tal questão, Por certo é uma desatenção no que aos postulados ideológicos da associação concerne. E não, não implica em manter a unidade da França a todo o custo, já que isso é primeiramente assunto dos povos da França.

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Meu caro, não poucas vezes te disse que és um artesão intelectual que tem prazer nos malabarismos verbosos, os quais requerem uma profunda paciência,

É curioso que confundas clareza, sinceridade e frontalidade com «malabarismo». Acertas contudo quando falas em «paciência». De facto…

o identitarismo é comummente englobado na extrema-direita, mas não pode ser confundido com o nacionalismo,

Porque não? É isto que nunca obtem resposta.

Estranha questão vinda de quem, julgo, faz parte de uma associação identitária e onde tal discussão foi sobejamente explorada. Como tal, uma visita ao Fórum da CI tornar-se-se oportuna

Sim, mas a discussão faz-se necessária aqui e agora – e, para questão que dizes ser tão evidente, a resposta deve ser clara e imediata, em vez de depender da consulta de uma longa cadeia de argumentos e contra-argumentos sita noutro ponto da vasta galáxia internétia.

Mais me ajudas – essa diferenciação onomástica obedece a motivações de carácter estratégico, não de carácter ideológico, e é de ideologia que falamos.

o nacionalismo por si só é um conceito vago, indefinido, impreciso, ambíguo, unívoco e susceptível de ser frequentemente confundido,

Já expliquei porque é que não penso assim – naturalmente que podem existir várias abordagens ao Nacionalismo, mas o que o Nacionalismo é, sempre, é exaltação da Nação/Estirpe acima de tudo o resto. Isto é Nacionalismo – tudo o que isto fizer é Nacionalismo; o que isto não fizer, não é Nacionalismo.

É simples e, até ver, inatacável, esta exposição. O que realmente não percebo é a necessidade de se complicar isto, ou de baralhar e voltar a dar.

Escusado relembrar que o NS alemão concorria eleitoralmente com o DNVP de Hugenberg, aquele partido que poderiamos, dadas as suas características, designar como nacionalista.

E entanto eram os dois nacionalistas, tal como o PCP e o PCTP/MRPP são ambos comunistas e inimigos de morte.

Essa é a tua interpretação, a qual não suplanta em nada a opinião daqueles que não menos legitimamente asseveram que o Estado Novo e/ou o Fascismo não eram senão a celebração do nacionalismo no seu estado mais puro.

Do mesmo modo, não é por reconheceres que os NS têm uma ideologia bem diferente da dos minho-timorenses que qualquer destes grupos deixa de assumir o rótulo nacionalista como seu.

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Curiosamente excluis o Fascismo do concerto dos nacionalismos, quando os seus partidários advogam que o Fascismo foi a melhor expressão do nacionalismo, contudo, em relação aos identitários, que se desligaram voluntariamente do nacionalismo, por o considerarem superado, já não aceitas a sua decisão à força de os quereres ver como nacionalistas. Paradoxal no minímo.

Chamar-lhe-ia antes uma questão de definição e precisão ideológica… se um irmão meu estiver amnésico e não se lembrar do seu nome, não é por isso que deixo de o considerar como parente; e se um estranho adoptar o meu apelido, não é por isso que o conto como familiar meu.
Ora, o que defendem os Identitários? Estirpe, Raça, Etnia, Nação. Logo, são nacionalistas, quer queiram quer não.
E os Fascistas? Estado, Império, por sobre as nações. Logo, não são nacionalistas.
Não é possível explicar isto de modo mais simples.

Porventura por caducidade,

Os nomes têm de mudar consoante as modas?… Nação também tem de deixar de se chamar Nação?
Não é bem melhor preservar um fio condutor, com mínima alteração de linguagem?

por anacronismo,

Nunca foi explicado em que é que o Nacionalismo é anacrónico.

Todo o indivíduo – socialista, comunista, liberal, ecologista, judeu, chinês, japonês, esquimó, coxo, cardíaco, com um sinal na face esquerda, social-democrata, separatista – que considere ser a Nação o valor cardinal em política.

Falso! Nunca um comunista irá considerar a nação o valor cardinal em política ou no quer que seja

Não é verdade. Os Nacional-comunistas da Rússia põem a Nação acima de qualquer conceito internacionalista.

Não sei ao que te referes, a menos que consideres que a Aliança Nacional é um «amplo segmento»…

Meu caro, o autor do artigo que aqui contestei é tributário de um nacionalismo diametralmente oposto ao teu, e que se saiba não é membro da AN,

E por onde anda essa gente?
Os Nacionalistas raciais têm o PNR; a CI defende igualmente a Nação e a Raça; a TIR faz mais ou menos o mesmo, embora com tiques terceiro-mundistas.

E os minho-timorenses, que fazem? Têm a A.N. e uma ou duas revistas online? Que peso tem essa gente?
Até o projecto político que mais deles se aproxima, o PND, (que não se declara nacionalista), está já atrás do PNR.

Claro que se quiserem dizer-se nacionalistas, façam-no – não interferem é com aquilo que o PNR diz de si mesmo.

Já agora… tendo em conta que o termo «Nacionalismo» está a teu ver «queimado»… e o Identitário está limpinho… se a hoste minho-timorense começar a dizer-se identitária, tu mudas a tua designação?

É que, bem vistas as coisas, o termo «identitário» assenta-lhes menos mal do que «Nacionalista» – porque eles, não elegendo realmente a Nação acima de tudo, pugnam todavia pela identidade, ou seja, pela sua ideia de identidade: Igreja, Pátria, Família, Fadinho, Golo À Eusébio, Matateu, Marcelino da Mata, Quinto Império, Portugalidade Universal («e faz parte da identidade portuguesa ser cristão, universalista e não racista!!!», não esquecer…).
Nessa eventualidade, que dirás tu? Mudas novamente de auto-identificação, adoptando desta vez uma designação secreta, escrita em runas ou oghams, para mais ninguém perceber e não poder assim usurpá-la?

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é legítimo afirmar como inspirador do identitarismo, veio complementar o pensamento Thiriartiano ao advogar que a Unidade europeia era uma necessidade, mas a qual deveria ser erigida sob os alicerces do respeito e reconhecimento das pátrias carnais (Saint Loup)

Certo. Esse reconhecimento passa pelo direito à soberania. Ou não?

Porque haverá de ser do interesse de Portugal o desmembramento dos grandes estados europeus?

Porque assim os «grandes» ficam menos poderosos, o que só convém aos países pequenos.

Isso revela um sentimento de pequenez

Errado. Revela é um sentimento da verdadeira dimensão que as coisas têm.

que aguarda que os outros também se tornem pequenos

Não, porquanto, como já foi explicado, a motivação original é a da justiça, não a da conveniência, muito menos a do ressentimento.
Tal consideração é pura e simplesmente idiota quando aplicado a mim, que sempre exaltei a ligação racial e étnica com outras nações europeias.

Já referi que não deixa de ser bizarro um associado da CI lançar tal questão, Por certo é uma desatenção no que aos postulados ideológicos da associação concerne

Fica pois por explicar.

E não, não implica em manter a unidade da França a todo o custo, já que isso é primeiramente assunto dos povos da França.

Primeiramente e ultimamente. Mas não é disso que se trata e sim do ideal de fazer corresponder a cada Nação um Estado. E não vejo motivo para não apoiar os Corsos, os Bretões, os Escoceses, os Galegos, etc., nas suas lutas independentistas, tal como também nós gostaríamos de ser apoiados por qualquer deles se porventura estivessemos debaixo de algum poder estrangeiro.

Comentar por Caturo

Meu caro, não sou de “virar a cara a um debate”, sempre que percebo que existem probabilidades de alcançar uma meta e obter conclusões. Não sendo o caso, já que o mesmo até ao momento não permite aferir qual o interesse do assunto, não irei prolongar o debate, o qual foi mais que discutido no seio da CI. Tu deliras com este tipo de discussões, estilo rodízio de circo, eu não! Denota-se que tens paciência e prazer, eu, pela minha parte, não tenho a menor paciência para quem perpetuamente anda em círculos em torno do mesmo! Insistes numa interpretação própria do nacionalismo que não é mais legítima do que aquela de um Salazarista, pelo menos para este último. Optas pela confusão ideológica, a amálgama, por uma visão redutora, eu opto pela definção de conceitos e áreas.

Não deixo de notar, contudo, que para associado de uma organização identitária pouca interesse merece da tua parte o ideário da mesma, pelo patente desconhecimento do referido ideário, o que não se deve por falta de documentação obviamente.

Como sabes írá ter lugar em breve uma Assembleia da CI, e aí, no caso de compareceres, poderás levantar estas questões que aqui colocas. Até lá.

Comentar por arqueofuturista

Realmente é preciso muita paciência para este Caturo…
Uma sugestão ao Caturo, lê o livro O Nacionalismo na Europa, 1789-1945, de Timothy Baycroft, da Temas & Debates. Esse livro explica muito bem como nasceu o nacionalismo e que na sua origem não havia nenhum conceito de estirpe ou raça como dizes. O nacionalismo francês é republicano e não tem nada de racial. O nacionalismo suiço é geográfico e político. O nacionalismo etnicista é muito posterior e só aparece no século XX após a I guerra mundial e dizer que o fascismo não é nacionalista é uma perfeita anormalidade só porque o fascismo era imperialista. O os outros nacionalismo não são? O que é a Grande Sérvia, a Grande Alemanha, a Grande Albania? Não é isso nacionalismo imperialista com base na etnia?
Entre os vários nacionalismos existentes não parece existir um único de caracteristicas democráticas como tu tanto gostas de referir. Dizias isso a um ideólogo nacionalista como Sardinha, Pimenta, Monsaraz, Pequito Rebelo, só para ficar pelos portugueses e de certeza que todos se iria rir de ti e considerar-te louco.

Comentar por Lourenço

Meu caro, não sou de “virar a cara a um debate”, sempre que percebo que existem probabilidades de alcançar uma meta e obter conclusões. Não sendo o caso,

Não é o caso, caro camarada, porque quando se te colocam questões pertinentes, tu pura e simplesmente, ou remetes para outras fontes, ou despejas longo discurso para contornar as respostas que por algum motivo não dás. É por isso completamente inútil estares a remeter-me para outros locais, outras conversas, quando nessas conversas também nada (de bom) mais se apurou do que aquilo que aqui foi agora dito; e recomendar textos ou livros de «mestres», ou programas ideológicos, também não é absolutamente nada adequado a um debate de ideias, que requer «esgrima» actual e não evocação de «lâminas» que nem sequer estão presentes.

Comentar por Caturo

Uma sugestão ao Caturo, lê o livro

Não, jovem, vai tu ler esse e outros livros, incluindo os de Anthony Smith, para ao menos conseguires apresentar argumentos e não bibliografias.

O Nacionalismo na Europa, 1789-1945, de Timothy Baycroft, da Temas & Debates. Esse livro explica muito bem como nasceu o nacionalismo e que na sua origem não havia nenhum conceito de estirpe ou raça como dizes. O nacionalismo francês é republicano e não tem nada de racial. O nacionalismo suiço é geográfico e político. O nacionalismo etnicista é muito posterior e só aparece no século XX

Até nisso estás enganado – começa, para já, por te informares a respeito de Johann Gottfried von Herder e de Johann Gottlieb Fichte.

Ficas também a saber, de borla, que já na Antiguidade os Gregos tinham um sentido etnicista de nação, nomeadamente os Espartanos e os Atenienses. Mas enfim, quem desconhece por completo as raízes da Europa depois acaba por não perceber corno da sua História. Compreendo que o estudo da Antiguidade não faça parte dos compêndios de História das mentes pequeninas para as quais a História começa na Idade Média, senão mesmo na Idade Moderna.

após a I guerra mundial e dizer que o fascismo não é nacionalista é uma perfeita anormalidade só porque o fascismo era imperialista. O os outros nacionalismo não são? O que é a Grande Sérvia, a Grande Alemanha, a Grande Albania?

Só por completa anormalidade é que se pode confundir a ideia de unir todas as população de uma etnia (respectivamente, de acordo com o teu exemplo, os Sérvios, os Alemães, os Albaneses) com a ideia fascista italiana de conquistar o norte de África, para edificar um novo império romano. Claro que, se não concordares com o que digo, é porque não percebeste ainda bem que os Etíopes não são exactamente, exactamente italianos…

Entre os vários nacionalismos existentes não parece existir um único de caracteristicas democráticas como tu tanto gostas de referir. Dizias isso a um ideólogo nacionalista como Sardinha, Pimenta, Monsaraz, Pequito Rebelo, só para ficar pelos portugueses e de certeza que todos se iria rir de ti e considerar-te louco

E eu estou completa e integralmente a borrifar-me para qualquer autor moderno que despreze a Democracia, especialmente para Alfredo Pimenta. Nenhum deles é meu dono, ao contrário do que contigo sucede. Não lhes reconheço assim qualquer sombra de autoridade moral sobre o Nacionalismo; muito menos passaria pela cabeça, minha ou de qualquer pessoa sensata de espinha direita, considerá-los como proprietários do Nacionalismo.

Se até ao momento não há pois nenhum Nacionalismo democrático, isso só quer dizer o seguinte: nenhum modelo nacionalista deve ser seguido, antes pelo contrário, deve criar-se um novo, desta vez democrático, a menos que tu ou qualquer outro consigam demonstrar que há uma incompatibilidade lógica entre Nacionalismo e Democracia.

Quero por isso larga distância dessa gente que citaste, especialmente o tal Pimenta. E, se porventura me apetecer ler algum autor português do século XX cujos textos me interessem realmente, opto por J. Andrade Saraiva. Podes ler um deles aqui:
http://gladio.blogspot.com/2004/08/caractersticas-psicolgicas-raciais-iv_20.html

Comentar por Caturo

Quanto a isto,

Queremos, certamente, sempre abatê-lo. Mas o tratamento mudou. A palavra “nacionalistas”, além da fixação sentimental que nós lhe damos, é-lhe objectivamente ligada ao fim de um mundo – o dos Estados-nações, herdados do século XIX. Certos nostálgicos, de uma forma frequentemente simpática, tentam ainda manter a ilusão e fazem semblante de crer que as nações têm um futuro.

Brincando de resto sobre uma confusão entre povos e nações.

é realmente muito pouco apropriado a quem diz defender Portugal e as outras nações europeias. Os Franceses poderão ter problemas com o seu Estado, que engloba várias nações; os Portugueses não, visto que no Estado Português há hoje uma só Nação, e é assim que deve ser.

Comentar por Caturo

Caturo, ao que tu chamas pertinente chamo eu um carrocel verbal; andas em círculos, seleccionando aquilo que te interessa e omitindo o que não encontras resposta, para acabares sempre no mesmo sítio, e isso de todo me parece intelectualmente estimulante nem proveitoso sob que prisma for. Relembro alguns debates como a questão do termo Ocidente e Europa, o filme Apocalypto, etc, que a nada conduziram, senão à constatação de que és casmurro e eu também e que nenhum de nós conseguirá demover o outro nas suas convicções. A uma concepção política que premeia a identidade etnocultural tu optas por apelidar de Nacionalismo, eu designo-a por Identitarismo, outros porventura dirão que aquilo que defendes é etnicismo, ou racialismo, mas de todo nacionalismo, enfim, não se afigura em nada pertinente tal debate, já que pela minha parte abraceio o identitarismo, enquanto corrente ideológica de vanguarda e de novo tipo, sem outra herança que não a dos nossos antepassados, sem rótulos ou colagens políticas ao passado remoto ou recente, se é que me faço entender.

Por fim, o trecho que retiraste do texto de Vial não choca em nada com a postura ideológica dos identitários, se quisermos ser devidamente razoáveis para perceber que muitos nacionalistas confundem, intencional ou inadvertidamente, nação com estado, aliás como tu próprio o fazes nesta tua última observação. Qualquer mente medianamente esclarecida sobre os ventos que sopram no mundo percepciona que se caminha inevitavelmente para a construção de blocos continentais em que o estado-nação perde a importância que lhe era garantida até há pouco (sim, porque actualmente os estados mais não são que súbditos do grande capital e reféns do OMC, FMI, etc.), e para entender isto não é necessário ser estudante de ciências políticas.

Portanto, Pierre Vial, no seu habitua estilo sagaz, nada mais fez que clarificar uma tomada de posição em que aquilo que conta realmente é a identidade bio-cultural dos povos e não a sua forma estatal, porque, e não acredito que aqui discordes, o essencial reside na perpetuação da estirpe e não a existência de estados-nações cujo o conteúdo (povo) se transformou numa massa mestiça indistinta.

Comentar por arqueofuturista

O nacional-socialismo e o racismo não são nacionalismo. O nacionalismo tem a ver com um dado povo e é exclusivo desse povo, não pode ser partilhado. Mesmo não concordando com o ideal do Arqueofuturista, tenho de concordar com ele que o identitarismo não é de todo nacionalismo.

Comentar por Cavaleiro

Deste teu texto gostei bastante.

Comentar por Sonia Ribeiro

Caturo, ao que tu chamas pertinente chamo eu um carrocel verbal; andas em círculos, seleccionando aquilo que te interessa e omitindo o que não encontras resposta,

Há aqui qualquer falha de comunicação, ou talvez não estejamos sempre na mesma internet, porque isso que agora dizes que faço é exactamente, sem tirar nem pôr, aquilo que fazes:
– eu vou a direito, com toda a franqueza possível, tu tentas contornar e tergiversar;
– eu faço perguntas directas, tu nunca respondes quando a questão não te convém (e posso enumerar já uma série destes casos, só nesta caixa de comentários), remetes para livros e/ou outros debates, debates esses nos quais procedeste aliás do mesmo modo;
– eu abordo todos os aspectos do problema, tu omites o que não te convém.

para acabares sempre no mesmo sítio,

Isso de «acabar sempre no mesmo sítio» significa o seguinte, neste contexto: eu fico na mesma, porque faço perguntas directas e tu tergiversas, enuncias, evocas, e, quando esgotas o arsenal de escapadelas, dizes que «não gostas de piruetas intelectuais».
E eu fico quase na mesma, mas cada vez mais convicto de que nada justifica a separação entre Identitarismo e Nacionalismo…

Relembro alguns debates como a questão do termo Ocidente e Europa, o filme Apocalypto, etc, que a nada conduziram,

Conduziram a pelo menos uma coisa – a que se conhecessem argumentos e posicionamentos, bem como gostos por certas modas.

A uma concepção política que premeia a identidade etnocultural tu optas por apelidar de Nacionalismo,

Não sou eu que «opto». Aliás, até há bem pouco tempo toda a gente no meio concordava em que «Nacionalismo» dizia respeito à Nação, isto é, à identidade etno-cultural; mas agora o termo «identitário» é um novo brinquedo tão excitante que ao pé dele o «Nacionalismo» parece estragado e velho.

De resto, a definição de Nacionalismo como dizendo respeito directamente à etnicidade e à identidade de um Povo não foi inventada por mim:
Nationalism is a term that refers to a doctrine[1] or political movement[2] that holds that a nation—usually defined in terms of ethnicity or culture(…)—has the right to constitute an independent or autonomous political community based on a shared history and common destiny.[3] Most nationalists believe the borders of the state should be congruent with the borders of the nation.[4] Extreme forms of nationalism, such as those propagated by fascist movements in the twentieth century, hold that nationality is the most important aspect of one’s identity and attempt to define the nation in terms of race or genetics.

Ou ainda,
El nacionalismo es la doctrina o filosofía política que propugna como valores fundamentales el bienestar, la preservación de los rasgos identitarios, la independencia en todos los órdenes y la gloria y lealtad a la nación propia.

El nacionalismo parte de dos principios básicos con respecto a la relación entre la nación y el estado.

El principio de la soberanía nacional: que mantendría que la nación es la única base legítima para el estado.
El principio de nacionalidad: que mantendría que cada nación debe formar su propio estado, y que las fronteras del estado deberían coincidir con las de la nación.

Ambos os textos são da Wikipédia, e nenhum deles foi por mim redigido.

eu designo-a por Identitarismo, outros porventura dirão que aquilo que defendes é etnicismo, ou racialismo,

Também é. Tal como aquilo que defendes também é etnicismo e racialismo.

sem rótulos ou colagens políticas ao passado remoto ou recente,

Repito – se entretanto o termo «identitário» começar a ser usado por outros grupos ideológicos, também deixas de lado essa designação?

Por fim, o trecho que retiraste do texto de Vial não choca em nada com a postura ideológica dos identitários,

Nem eu disse que chocava, o que disse é que choca com aquilo que até agora se tem proclamado nas fileiras da CI, porque nunca se deixou aí de exaltar a Nação.

se quisermos ser devidamente razoáveis para perceber que muitos nacionalistas confundem, intencional ou inadvertidamente, nação com estado, aliás como tu próprio o fazes nesta tua última observação

Não, não faço qualquer confusão – pura e simplesmente afirmo que o Estado deriva da Nação, como os Nacionalistas sempre afirmaram, e que não há mal nenhum em que cada Nação tenha o seu Estado, como também foi sempre afirmado pelos Nacionalistas. O facto de me atribuires uma confusão só demonstra a pressa atabalhoada com que queres deixar para trás esta questão.

Qualquer mente medianamente esclarecida sobre os ventos que sopram no mundo percepciona que se caminha inevitavelmente para a construção de blocos continentais em que o estado-nação perde a importância que lhe era garantida até há pouco

Não há contradição em que se preservem os Estados-Nação europeus no seio de um grande bloco continental árico.

Portanto, Pierre Vial, no seu habitua estilo sagaz, nada mais fez que clarificar uma tomada de posição em que aquilo que conta realmente é a identidade bio-cultural dos povos e não a sua forma estatal,

Pierre Vial não se referiu apenas à forma estatal, mas também à Nação, a menos que agora consideres que estatal=nacional.

porque, e não acredito que aqui discordes, o essencial reside na perpetuação da estirpe e não a existência de estados-nações cujo o conteúdo (povo) se transformou numa massa mestiça indistinta.

Essa mestiçagem ainda não está constituída na Europa, visto que as Nações Europeias são ainda essencial e maioritariamente caucasóides e indo-europeias. E não há nada no conceito de Estado-Nação que implique o fomento da mestiçagem.

Comentar por Caturo

O nacional-socialismo e o racismo não são nacionalismo.

O Nacional-socialismo é inequivocamente um Nacionalismo.

O nacionalismo tem a ver com um dado povo e é exclusivo desse povo, não pode ser partilhado

Errado. O Nacionalismo em si é uma abstracção – tanto se adequa aos Japoneses como aos Zulus como aos Suecos.
De resto, isso que dizes foi também afirmado a respeito do Nacional-socialismo. E pode perfeitamente aplicar-se ao Racismo: «O racismo tem a ver com uma dada raça e é exclusivo dessa raça, não pode ser partilhado». Mutatis mutandis, é o mesmo.

Comentar por Caturo

“O Nacionalismo em si é uma abstracção”

Por ser uma abstracção é que o identitarismo, o nacional-socialismo, o Fascismo, não são nacionalistas, e até o rebegam se for necessário.

Parece que o caturo e o Arqueofuturista acima de tudo discordam na semântica e nada mais.

Comentar por Lourenço

Queria escrever renegam e não rebegam. Fica o reparo.

Comentar por Lourenço

O identitarismo é europeísta. O nacionalismo, seja ele qual for, não pode ser europeísta nem meter os europeus ao mesmo nivel de importancia que os portugueses.

Comentar por Cavaleiro

Por ser uma abstracção é que o identitarismo, o nacional-socialismo, o Fascismo, não são nacionalistas,

O Identitarismo, o Nacional-Socialismo e o Fascismo são igualmente abstractos… e o último deles, o Fascismo, não é nacionalista.

e até o rebegam se for necessário.

Isso é que eu queria ver…

Comentar por Caturo

O nacionalismo, seja ele qual for, não pode ser europeísta nem meter os europeus ao mesmo nivel de importancia que os portugueses.

O Nacionalismo Português autêntico é europeísta por uma questão de lógica de Estirpe – porque se trata de uma questão de solidariedade com as nações da mesma origem étnica.
Naturalmente que o Nacionalismo não põe os outros Europeus ao mesmo nível de importância que os Portugueses – mas também não creio que os identitários portugueses ponham as outras nações europeias ao mesmo nível que a Portuguesa. Reconhecer a igualdade, sim – mas dando sempre prioridade à sua Nação.

Comentar por Caturo

Não Caturo, o identitarismo, o nacional-socialismo e o fascismo não são conceitos abstractos. Estas ideologias representam corpos ideológicos concretos e definidos. Não existem sub-tendências dentro do fascismo, o nacional-socialismo e, penso eu, do identitarismo. O nacionalismo por ser abstracto abarca muitas correntes que vão desde o nacionalismo estatalista ao nacionalismo liberal.
O Cavaleiro tem razão em afirmar que o nacionalismo não pode ser europeísta. Uma ideologia não pode ser ao mesmo tempo exclusivista e universalista.

Comentar por Lourenço

Não Caturo, o identitarismo, o nacional-socialismo e o fascismo não são conceitos abstractos

Primeiro, tudo o que é conceito geral aplicado a coisas não concretas, é abstracto. «A Nação» é abstracto – «Portugal», «Suécia», «China», são coisas concretas.
Assim, o Identitarismo, o Nacional-Socialismo, o Fascismo, podendo aplicar-se em qualquer nação do planeta, são doutrinas abstractas.

O Cavaleiro tem razão em afirmar que o nacionalismo não pode ser europeísta. Uma ideologia não pode ser ao mesmo tempo exclusivista e universalista.

Ser europeísta não é, em momento algum, ser universalista, mas sim exclusivista, tal como o entende o Nacionalismo (e, no seu seio, o Identitarismo).

Comentar por Caturo

Decidi-me: escreverei um artigo sobre este tema…..

Caturo,o fascismo nao e “nacionalista”porque tem uma vertente expansionista e imperial?!
Mas o Nacional-socialismo ja e “nacionalista”?!
Gostaria de saber o que e que os alemaes foram fazer a Polonia, Republica Checa, Russia, Ukrania,Hungria, Romenia,etc
Sei isto nao e expansionismo imperial….
Creio que sabes e conheces bem o conceito de REICH!
Turismo? Nao acredito….
E o fascismo,e,sem duvida alguma, uma forma de nacionalismo, estatocratico e autoritario.

Saudacoes Identitarias

Comentar por Miazuria

Caturo,o fascismo nao e “nacionalista”porque tem uma vertente expansionista e imperial?!

Não só – é porque afirma que é o Estado que dá origem à Nação, pelo que para o Fascismo o valor máximo é o Estado (a Pátria), enquanto a Nação é um produto que deve servir a Nação.
Ora isto não é Nacionalismo.
A vertente expansionista é simplesmente uma consequência deste posicionamento.

Mas o Nacional-socialismo ja e “nacionalista”?!

Sim, porque para o Nacional-Socialismo, o valor máximo é o Volk, ou seja, a Nação – e o Estado só existe para servir a Nação.

Gostaria de saber o que e que os alemaes foram fazer a Polonia, Republica Checa, Russia, Ukrania,Hungria, Romenia,etc
Sei isto nao e expansionismo imperial….

Pode haver várias explicações, que não se excluem umas às outras:
– desvio doutrinal;
– questão de estratégia militar;
– intenção de alargar o «espaço vital» para a Nação Alemã se reproduzir, não para incluir povos considerados inferiores na Nação.

E o fascismo,e,sem duvida alguma, uma forma de nacionalismo,

Não vejo como.

Saudações Nacionais

Comentar por Caturo

O fascismo “afirma que é o Estado que dá origem à Nação, pelo que para o Fascismo o valor máximo é o Estado (a Pátria), enquanto a Nação é um produto que deve servir a Nação.
Ora isto não é Nacionalismo.”

Como te enganas caturo, o fascismo é nacionalista porque entende o nacionalismo commo a vontade organizada da comunidade através do estado. O estado não é a pátria porque a pátria é um sentimento e o estado tem um corpo material ue ordena a nação.

“A vertente expansionista é simplesmente uma consequência deste posicionamento.”

Sim, é uma consequência do posicionamento de muitos nacionalismos territoriais.

Comentar por Lourenço

Estás a dizer que me engano porque achas que a minha definição não está correcta?

Comentar por Caturo




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