Temas para debate: Paganismo
Setembro 20, 2007, 1:08 pm
Filed under: Em foco

«A riqueza do Paganismo, a qual nenhuma outra “religião” possui, é que nele encontramos uma extraordinária pluralidade de sensibilidades: do Paganismo dos bosques e do enraizamento, ao do desencadear da tecnociência; do Paganismo das brumas da planície ao das divindades do fogo solar. Do Paganismo das fontes e das ninfas ao do murmúrio surdo das batalhas, daquele do cântico das fadas ou da correria dos duendes escondidos na vegetação, ao do troar dos reactores, do dos grandes Deuses tutelares ao dos lares. Mas o génio do Paganismo está em reunir numa totalidade cósmica e orgânica o conjunto das paixões humanas, com as suas misérias e as suas grandezas. O Paganismo é efectivamente o espelho do mundo vivo.» 

Guillaume Faye  

Esta citação retirada de uma entrevista concedida por Faye a uma publicação europeia de orientação pagã (Antaios), é categórica no que concerne à identificação do conhecido pensador gaulês com o paganismo. Não sendo eu nem pouco mais ou menos pagão, enquanto identitário, não deixo de nutrir um sentimento de simpatia para com o paganismo em geral, particularmente devido a uma intensa curiosidade histórica em conhecer as crenças religiosas dos nossos antepassados e consequentemente em perceber o que os terá conduzido a abandonar os rituais dos seus avoengos para abraçarem religiões forâneas. 

O que me leva a abordar este tema são várias questões que se me afloram sobre o paganismo, ou seja, partindo da percepção de que o paganismo está a despertar gradualmente do seu estado letárgico, adquirindo inclusive um considerável número de adeptos entre as fileiras de resistentes europeus, em que medida, tendo em mente as conjunturas nacional, europeia e global, com todas os seus intrincados elementos, poderá o paganismo responder às inquietações actuais? Em pleno século XXI da era cristã não serão os vetustos preceitos e rituais pagãos anacrónicos? Num momento em que o Cristianismo parece titubear face a um Islamismo que se impõe, que papel de relevo poderá representar o paganismo na Europa? Não será ele um agente que enfraquece o Cristianismo mas, por seu turno, não oferece igualmente uma resposta adequada para a islamização do continente? Um indivíduo, comprometido com a luta política patriótica, ao assumir-se publicamente como pagão não incorre no descrédito e automaticamente não se encerra a si mesmo numa torre de marfim? Portugal tem uma longa história que se confunde com a religião cristã. É o despertar pagão um vector positivo para a recuperação da nossa identidade enquanto povo ou, pelo contrário, um motivo para a fragmentação nacional? 

Outras questões existem certamente e serão colocadas adiante, mas por agora deixo estas interrogações no ar. Caros amigos o blog é vosso.