Uma certa ideia de socialismo (I parte)
Setembro 11, 2007, 12:47 pm
Filed under: Em foco

Por Miguel A. Jardim

A ideia remonta às entranhas da história, correspondendo aos anseios de muitos homens e mulheres, embora o vocábulo e o conceito sejam relativamente recentes. Na sua obra monumental, História Geral do Socialismo, com tradução em Português, publicada pela Editora Livros Horizonte, Jacques Droz dá-nos uma perspectiva histórica do socialismo desde a antiguidade até ao século XX. Ali podemos constatar a evolução ideológica do conceito, as suas diferentes versões, de acordo com a geografia e com os povos, a pluralidade de experiências, a especificidade de cada uma das correntes ideológicas.

O socialismo acompanhou-se sempre de qualificativos: utópico (Charles Fourier, Saint-Simon, Robert Owen, “cientifico” ou real (Karl Marx, Engels, Lenine, Estaline, Mao Zedong), municipalista, federalista e libertário (Proudhon, Gustav Landauer, William Morris), cooperativo ou cooperativista (Bernard Lavergne, Charles Gide, Arizmendiarrieta, António Sérgio), corporativista, “guild socialism” (Arthur J.Penty, Henri de Man, G.D.H.Cole), personalista (Emmanuel Mounier, Alexander Marc, Arnaud Dandieu), democrático (Eduard Bernstein, Karl Kautsky, Ferdinand Lassale), Nacional-Socialismo (irmãos Strasser, Gottfried Feder, Goebbels), prussiano (Oswald Spengler, Schumpeter), africano (Senghor, Julius Nyerere, Nkrumah), árabe (Nasser, Michel Aflak, Salah-Al Din-Al Bitar), Islâmico, ainda que herético para muitos, (Khadafi), nacional (Mussolini, Ugo Spirito, Nicola Bombacci, Berto Ricci, Sergio Pannunzi, Peron, Moeller Van den Bruck, Ernest Niekisch), sionista (Moses Hess, Nahum Syrkin, Berl Katznelson, Ber Borochov, Tabenkin, David Gordon), interessante a opinião de Zeev Sternhell que coloca o socialismo sionista na lista dos socialismos nacionais.

Um espaço autónomo, ainda que os seus ideólogos nunca se tenham reclamado como socialistas, é o distributivismo, ou distributismo (Hillaire Belloc e G. K. Chersteton).

No centro da sua formulação deparamo-nos com a ideia fulcral da construção de uma sociedade justa, solidária, onde não haja lugar para exploradores e explorados.

O socialismo dito “cientifico”, estatocrático, sustentado ideologicamente pelo marxismo-leninismo revelou-se ineficaz, levando o impasse económico-social a todas as nações onde foi aplicado. Aboliu as liberdades individuais e comunitárias, conservou desigualdades sociais e gerou castas privilegiadas.

Por outro lado, a experiência dos países nórdicos (Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia, Finlândia), na verdade uma boa gestão socialista do capitalismo, alcançou resultados exemplares, em grande parte devido a características muito particulares: homogeneidade etnocultural (o conceito de “folkhemet”, lar do povo) e níveis muito elevados de educação e literacia. A realidade escandinava informa-nos que o factor étnico e cultural é determinante no êxito de um modelo socialista exequível e coerente.

Outras experiências a mencionar: o movimento “kibbutznik” (Kibbutzim) em Israel, a rede cooperativa de Mondragon em Euskal Herria (País Basco), o movimento cooperativo no Japão, etc. Uma vez mais a contribuição etnocultural para o sucesso destas realidades comunitárias.

Fica a pergunta: até quando elas poderão resistir em sociedades multirraciais, conflituosas e antagónicas?


14 comentários so far
Deixe um comentário

Fica a pergunta: até quando elas poderão resistir em sociedades multirraciais, conflituosas e antagónicas?

—» Os Capitalistas Selvagens podem ser tudo… menos estúpidos!
—» Fica a pergunta: porque motivo a Ideologia Oficial dos Capitalistas Selvagens é o transformar cada país/cidade num mundo multicultural?

ANEXO:
—» Existem DOIS TIPOS de multiculturalismo:
-1-» O Multi-Culturalismo Local ( ao nível de cada cidade )… produz… um Mono-Culturalismo Global: TODAS as cidades irão ser dominadas demograficamente pelos Povos( Raças ) de maior rendimento demográfico.
-2-» Pelo contrário, o Mono-Culturalismo Local ( a existência de Reservas Naturais de Povos Nativos )… produz… um Multi-Culturalismo Global: TODOS os Povos Nativos ( inclusive os de menor rendimento demográfico… e… inclusive os economicamente menos rentáveis ) vão poder ter o SEU espaço no Planeta.

Comentar por pvnam

pvnam andas a estudar ó quê? Começo a gostar de ler os teus posts!

Comentar por D. Sebastião II

Nos tempos que vão correndo acho que as questões sociais são das mais importantes da nossa sociedade. A exclusão social, a pobreza, a crescente dependência e vulnerabilidade dos que menos têm, não podem continuar a deixar-nos indiferentes.
O crescente poder económico, o esboroamento dos direitos humanos, o ascendente oligárquico, a injustiça e a desigualdade têm de ser combatidos prioritariamente. E o facto é que os partidos tanto da direita como da esquerda, ainda não perceberam isto.
Ainda afirmam que é preciso primeiro criar riqueza antes de pensar em a distribuir, mas nunca dizem a partir de que nível de riqueza se deve começar a distribuir. E como parece nunca haver riqueza suficiente, nunca se começa a distribuir, deixando os pobres cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos.

Parece anedótico, mas os marxistas adoptaram a teoria jacobina, modificando-a.
Para eles, a ditadura e a coação servem não para estabelecer imediatamente a liberdade e a igualdade ao nível politico, mas para edificar um regime de produção socialista que possibilitará o desenvolvimento dessa liberdade e dessa igualdade politica.
dizem eles :) na prática já sabemos que não resulta, tal era o fosso entre a classe dirigente e os restantes cidadãos.
Talvez o único verdadeiro Estado Socialista, e que esteve mais próximo da utopia,tenha sido o da antiga Jugoslávia (País não-alinhado) do Marechal Tito

Comentar por joão aguiar/351

pvnam andas a estudar ó quê?

—» Só tenho a escolaridade mínima obrigatória… mas, de vez em quando, no pouco tempo disponível, vou estudando um bocadito…

Comentar por pvnam

“—» Só tenho a escolaridade mínima obrigatória… mas, de vez em quando, no pouco tempo disponível, vou estudando um bocadito…”

Isso não quer dizer nada, conheço gente sem a quarta classe inteligentissimos e burros de mestrado na mão!
O que eu queria dizer é que estás com um discurso mais evoluido. Assim talvez até toques as pessoas ou as faças pensar!
Os sinais tipo –» é que não ajudam á credibilidade.

Comentar por D. Sebastião II

“Talvez o único verdadeiro Estado Socialista, e que esteve mais próximo da utopia,tenha sido o da antiga Jugoslávia (País não-alinhado) do Marechal Tito”

Pois!!!
E ainda acabou melhor que a União Soviética!
Se bem que se os Croatas se tivessem portado melhor na 2ª guerra e se juntassem aos Sérvios para limpar os muçulmanos… Talvez tivesse futuro.
Mas olha no que deu os socialismos e os muçulmanismos…
Pensa mais um bocado para a próxima

Comentar por D. Sebastião II

Ó Pantera andas a assinar como D. Sebastião II para quê, já todos toparam que és tu seu parvo.

Comentar por Zás-Trás

D.Sebastião! Deixe-se de messianismos liberais, bacocos e bolorentos, em querer continuar aliar uma pretensa ideologia Nacional com os negócios de um grupelho elitista. Isso é Americanismo-Europeísmo de Bruxelas.

Um Partido Nacionalista, se quer ser Poder,se quer aparecer uma força alternativa,nunca poderá ser temático.

Quando um povo passa fome, está desempregado, espera meses por uma consulta nos hospitais,e a classe média já não o é.
Enfim! agora que os subsidios da U.E acabaram e somos outra vez obrigados a emigrar.
Esse mesmo povo (com extremas dificuldades) está-se borrifando para os genomas; fenótipos;genótipos;heterozigóticos; homozigóticos e outros palavrões
E nunca se esqueça da doutrina social da Igreja, que antes de falar em Deus, enche primeiro a barriga dos pobres.

Comentar por joão aguiar/351

Vou procurar.
Abraço.

Comentar por PR

Zás Trás, creio que estás equivocado. Podes chamar-me parvo a mim, se quiseres, mas gostaria que me explicasses porquê. É que acho desprezível baixarmos assim o nível excusadamente, chamando-nos “parvos” uns aos outros, sem que com isso façamos evoluir o nosso discurso/ideias.

João Aguiar:
Nem me vou dar ao trabalho de comentar o seu comentário. Se quiser fazer alguma acusação concreta áquilo que eu disse, faça-o. Senão não vale apenas estarmos a discutir o que o outro não disse.
Obrigado

Comentar por D. Sebastião II

João Aguiar, em parte tem razão. É certo que o povo não só nada sabe sobre fenótipos, genótipos, etc, como isso nada lhe diz quando está de barriga vazia. O problema é que também acontece o inverso, ou seja, quando está de barriga cheia o povo nada quer saber dos mesmos fenótipos, genótipos, nem mesmo da perda da nossa identidade, dos malefícios do multiculturalismo, ou sequer nutre qualquer sentimento pátrio. Ora, é evidente que estamos perante um problema. Como solucioná-lo?

Sinceramente creio que é importante executarmos um permanente aggionarmento ideológico, através de uma revisão das estratégias político-sociais, assente numa correcta leitura da conjuntura envolvente. Isto, claro está, sem abdicar dos príncipios essencias daquilo que preconizamos.

Comentar por arqueofuturista

D. Sebastião II se não és o Pantera armado em parvo quem és tu então? Deixa-te de parvoices meu.

Comentar por Zás-Trás

Que parvoíces, parvinho?

Comentar por D. Sebastião II

Zás-Trás, deixe o D. Sebastião em paz.

Comentar por arqueofuturista




Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s



%d bloggers like this: