Uma certa ideia de socialismo (II e última parte)
Setembro 28, 2007, 10:42 am
Filed under: Em foco

Por Miguel Angelo Jardim
 
Condição fundamental para o êxito do socialismo é a singularidade cultural e civilizacional dos povos onde aquele é vivido e aplicado. Não é certamente um acidente histórico o facto da ex-RDA (antiga República Democrática Alemã) ter sido o país mais desenvolvido e com melhor nível de vida, ainda que relativo, entre os antigos países “socialistas”.

O socialismo é uma atitude moral, uma postura ética, refere-se a valores e não se reduz ao árido economicismo, exige um outro olhar sobre a economia e as relações sociais. Nao se confunde com a fantasia igualitarista, embora consagrando e preconizando a igualdade no acesso à educação, saúde, habitação e emprego, sempre no âmbito de uma comunidade coesa e homogénea, falo da cultura e da etnia.
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Temas para debate: Paganismo (Remate final)
Setembro 26, 2007, 1:15 pm
Filed under: Em foco

Ao longo do debate acabou-se por não se perceber em que medida pode constituir o revivalismo Pagão um elemento positivo para a expansão, fortalecimento e solidificação da causa identitária europeia.

O Rodrigo parece-me ter demonstrado o exercício de uma análise mais maturada e detalhada ao asseverar que, a seu ver, o reconstrucionismo pagão não constitui uma real alternativa (porventura às religiões actuais, e mormente ao Cristianismo/Catolicismo), por padecer de um folclore despido de credibilidade, em larga medida produto da liberdade criativa dos seus agentes e também dum mimetismo pouco abonatório para este da abordagem ritualista cristã.

O Rodrigo contribui inclusive com algumas pistas para aquilo que designa como refundação pagã, a qual segundo ele, passa por «perceber que o paganismo não dá à religião o mesmo sentido que os monoteísmos semitas, a forma como vive a religião não é a mesma e não procura as mesmas coisas. Logo, é evidente que o caminho a percorrer pelo paganismo não é o de reconstruir panteões e ritos para poder fazer cerimónias desafiantes do cristianismo ( mas que não são mais que uma imitação barata do que pretendem negar, no sentido em que aceitam o mesmo entendimento da religião) mas sim o de recuperar uma ética, o de entender o significado valorativo da sua mitologia e o de compreender que sendo a história cíclica e sem fim predeterminado ( e aceitar isto é uma ruptura decisiva com a concepção do mundo cristã ) um novo ciclo necessita de novos mitos e é da criação desses novos mitos, respeitando uma ética autenticamente europeia e não semita, que poderá renascer a Europa. O que se deve procurar é portanto, em resumo, o novo mito fundacional e não a reconstrução de uma tradição morta. E perceber os valores que existiram é importante para que os mais válidos de entres esses, possam alimentar o novo mito, a nova era.»
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Temas para debate: Paganismo (conclusão(?))
Setembro 25, 2007, 8:31 pm
Filed under: Em foco

Após um intenso debate que parece estar longe de conhecer fim, e onde não poucas vezes se guinou para o campo dos gostos, das opiniões pouco fundamentadas, em detrimento de uma vontade em perceber em que medida o Paganismo pode reflectir uma mais-valia para a causa identitária nacional e europeia, ou se porventura constitui um entrave devido a uma exteriorização pública excessivamente folclórica e revivalista, ou até se a sua versão hiper-intelectualizada de alguns círculos também eles demasiado herméticos resulta absolutamente inócua.

Creio que se tornou perceptível para todos os que participaram no debate, bem como para aqueles que o acompanharam, que estamos perante uma matéria bastante sensível, pouco consensual mesmo. Ora, talvez no adjectivo consensual esteja paradoxalmente a solução para a problemática em causa, ou seja, e à guisa de derradeira questão que lanço sobre este tema, será possível existir uma posição, uma vontade, um móbil, das partes envolvidas, sejam pagãos, cristão ou agnósticos e ateus, que permita conduzir a uma sinergia de esforços através do razoável consenso que a exacerbação dos antagonismos entre as distintas confissões, assim como entre aqueles que delas se despiram, de nada serve senão como um “calcanhar de Aquiles” no seio da resistência identitária face ao rolo compressor que representa a globalização uniformizadora de povos e culturas?



Temas para debate: Paganismo
Setembro 20, 2007, 1:08 pm
Filed under: Em foco

«A riqueza do Paganismo, a qual nenhuma outra “religião” possui, é que nele encontramos uma extraordinária pluralidade de sensibilidades: do Paganismo dos bosques e do enraizamento, ao do desencadear da tecnociência; do Paganismo das brumas da planície ao das divindades do fogo solar. Do Paganismo das fontes e das ninfas ao do murmúrio surdo das batalhas, daquele do cântico das fadas ou da correria dos duendes escondidos na vegetação, ao do troar dos reactores, do dos grandes Deuses tutelares ao dos lares. Mas o génio do Paganismo está em reunir numa totalidade cósmica e orgânica o conjunto das paixões humanas, com as suas misérias e as suas grandezas. O Paganismo é efectivamente o espelho do mundo vivo.» 

Guillaume Faye  

Esta citação retirada de uma entrevista concedida por Faye a uma publicação europeia de orientação pagã (Antaios), é categórica no que concerne à identificação do conhecido pensador gaulês com o paganismo. Não sendo eu nem pouco mais ou menos pagão, enquanto identitário, não deixo de nutrir um sentimento de simpatia para com o paganismo em geral, particularmente devido a uma intensa curiosidade histórica em conhecer as crenças religiosas dos nossos antepassados e consequentemente em perceber o que os terá conduzido a abandonar os rituais dos seus avoengos para abraçarem religiões forâneas. 

O que me leva a abordar este tema são várias questões que se me afloram sobre o paganismo, ou seja, partindo da percepção de que o paganismo está a despertar gradualmente do seu estado letárgico, adquirindo inclusive um considerável número de adeptos entre as fileiras de resistentes europeus, em que medida, tendo em mente as conjunturas nacional, europeia e global, com todas os seus intrincados elementos, poderá o paganismo responder às inquietações actuais? Em pleno século XXI da era cristã não serão os vetustos preceitos e rituais pagãos anacrónicos? Num momento em que o Cristianismo parece titubear face a um Islamismo que se impõe, que papel de relevo poderá representar o paganismo na Europa? Não será ele um agente que enfraquece o Cristianismo mas, por seu turno, não oferece igualmente uma resposta adequada para a islamização do continente? Um indivíduo, comprometido com a luta política patriótica, ao assumir-se publicamente como pagão não incorre no descrédito e automaticamente não se encerra a si mesmo numa torre de marfim? Portugal tem uma longa história que se confunde com a religião cristã. É o despertar pagão um vector positivo para a recuperação da nossa identidade enquanto povo ou, pelo contrário, um motivo para a fragmentação nacional? 

Outras questões existem certamente e serão colocadas adiante, mas por agora deixo estas interrogações no ar. Caros amigos o blog é vosso.



Novas ligações na coluna da direita
Setembro 17, 2007, 3:15 pm
Filed under: Ligações Amigas

            

Há já algum tempo que não actualizava a coluna da direita e uma vez que alguns dos sítios ali presentes estão inactivos ou finaram irão ser substituídos por outros que vão surgindo e impondo-se.

Começo pelo Fórum Identitário, um local de troca de ideias e de informação, dedicado a identitários, mas também para todos aqueles que desejem perceber o que é efectivamente o identitarismo e/ou contribuir para a implementação desta nobre causa, por sinal questão cimeira deste nosso século. 

Já que de fóruns se fala, recomendo igualmente o Fórum Pátria, espaço de debate por excelência, no qual todas as tendências patrióticas convergem

Do outro lado da fronteira existe um demoníaco blog, cujo conteúdo identitário se mistura com o mais cáustico humor. Bitibajk, claro está

Por fim, aconselho vivamente a todos os franco-parlantes, ou que no mínimo consigam ler francês, a deterem-se neste extraordinário centro de reflexão identitário que dá pelo nome de Groupe Sparte.



Sucintos considerandos a retirar do 11 de Setembro Belga
Setembro 13, 2007, 10:18 pm
Filed under: Em foco, Europa

No passado dia 11 de Setembro teve lugar no coração da cidade Bruxelas, mais propriamente frente às instituições da União Europeia, uma concentração de alguns milhares de pessoas, organizada por distintas plataformas cívicas oriundas da Dinamarca, Alemanha e Holanda, baixo o lema “Parem a islamização da Europa!”, evento que havia sido antecipadamente proibido pelo burgomestre da referida cidade sob a alegação de que tal manifestação poderia hostilizar a comunidade islâmica de Bruxelas e conduzir a actos de violência. A concentração, que se queria pacífica, mal iniciou conheceu uma desproporcionada e musculada reacção policial, que agrediu e deteve mais de 150 pessoas.

Ora, afigura-se pertinente explorar algumas questões que eventualmente podem escapar despercebidas aos mais desatentos, ou mesmo a alguns, por certo poucos, indivíduos que aplaudiram a decisão camarária e a actuação das forças policiais. Continuar a ler



Uma certa ideia de socialismo (I parte)
Setembro 11, 2007, 12:47 pm
Filed under: Em foco

Por Miguel A. Jardim

A ideia remonta às entranhas da história, correspondendo aos anseios de muitos homens e mulheres, embora o vocábulo e o conceito sejam relativamente recentes. Na sua obra monumental, História Geral do Socialismo, com tradução em Português, publicada pela Editora Livros Horizonte, Jacques Droz dá-nos uma perspectiva histórica do socialismo desde a antiguidade até ao século XX. Ali podemos constatar a evolução ideológica do conceito, as suas diferentes versões, de acordo com a geografia e com os povos, a pluralidade de experiências, a especificidade de cada uma das correntes ideológicas.

O socialismo acompanhou-se sempre de qualificativos: utópico (Charles Fourier, Saint-Simon, Robert Owen, “cientifico” ou real (Karl Marx, Engels, Lenine, Estaline, Mao Zedong), municipalista, federalista e libertário (Proudhon, Gustav Landauer, William Morris), cooperativo ou cooperativista (Bernard Lavergne, Charles Gide, Arizmendiarrieta, António Sérgio) Continuar a ler