A ecologia como superação da fractura direita-esquerda (IV e última parte)
Agosto 9, 2007, 8:38 pm
Filed under: Em foco

Publicamos a parte final do artigo de Miguel Jardim sobre a ecologia e o seu papel decisivo na dicotomia existente entre a direita e a esquerda. Para melhor compreensão do presente texto aconselhamos a releitura das primeira, segunda e terceira partes.

Todo o espectro político confronta-se com os desafios impostos pela globalização, a que eu chamo de “globanalização”, e pelo mundialismo, identificando-se com propostas viciadas pelo erros do passado, não revelando soluções perante as exigências e interrogações do presente, entre estas salienta-se a questão ecológica.

Nos artigos precedentes foi patente a oportunista manipulação da ecologia por parte da esquerda convertida ao capitalismo global e mundialista, definido, nas palavras de J.Peyrelevade, como capitalismo total. Em simultâneo essa mesma esquerda imobilizou-se numa retórica aparentemente alternativa, caracterizada, como último recurso, pela apologia da multiculturalidade, na verdade multirracialidade, e pela árida invocação à solidariedade e justiça social. O cúmulo é que hoje se sabe que as disparidades sociais são maiores e que o “socialismo” como referência ideológica não passa de verbo-de-encher.

A direita, órfã de novidades no plano das ideias, busca com o mesmo linguarejar político e recorrendo à mesma simbólica de sedução, bem similar à da esquerda, com os mesmos chavões apelativos e com o mesmo cinismo.

A verdade é que o ponto de encontro localiza-se na sacralização do mercado, esquecido o social pelo caminho, na realidade de uma suposta “democracia”, expressão do jogo partidário, submetida às influências dos poderes financeiros e mediáticos. O mesmo desprezo pelas Identidades dos Povos, a mesma redução dos seres humanos à mera função de consumidores e objectos de consumo na pura lógica de mercantilização das vivências; o triunfo do “homus economicus” alienado da sua comunidade identitária!

O movimento ecologista, e refiro-me à ecologia política, não se libertou, também ele, deste engodo. A esmagadora maioria dos “verdes” são partidos esquerdistas, na prática e nos conteúdos. São defensores de sociedades multirraciais, negando a biodiversidade, revelam-se adeptos do mais abjecto mundialismo, disfarçam as suas reais intenções com alusões à defesa da natureza: é um puro fenómeno de travestismo político.

O mito do progresso infinito estimula e lidera as motivações económicas, não importando a posição de esquerda ou de direita, a ilusão de que a ciência e a técnica “per se” podem resolver todos os problemas, tudo isto concorre para a irresponsabilidade e devaneio na gestão e conservação dos recursos naturais. Nos fundamentos desta crença está uma filosofia de cunho materialista, uma concepção da vida com registo no culto do crescimento sem regras e na competição sem ética e sem preocupação social.

No século XIX, William Morris, autor de minha eleição, já denunciava os efeitos da revolução industrial: produção em massa e em série, ausência de urbanismo saudável e convivencial, a fealdade das cidades, a destruição da paisagem, as desigualdades sociais, o desrespeito pelas tradições locais e pela estética rural. Infelizmente o canto da sereia deste capitalismo ainda tritura as consciências e anestesia a possibilidade de uma verdadeira transformação social, os antigos e novos proletários anseiam ser novos-burgueses. Para esta situação contribui a intoxicação de muita produção televisiva, esta atracção fatal lega-nos um diminuto espaço de manobra, o inimigo é cada vez mais difuso e dispersa-se nos seus centros de decisão.

A atitude de revolta não me merece, à partida, muita simpatia. Por motivos de ordem ideológica e de estratégia creio na revolução das mentalidades, na pedagogia subversiva, na transformação persistente e progressiva das consciências. É mais sensato e mais eficaz.

A tarefa não será tanto abolir ou destruir o capitalismo, mas antes domá-lo e dominá-lo, manejando em nosso favor os seus instrumentos endógenos. Neste âmbito a ecologia representa um fim em si mesmo, não é apenas um meio para alcançar oportunisticamente objectivos políticos.

A política, governo da cidade, cedeu à gestão economicista e tecnocrática das pessoas e das coisas. A ideia do bem comum foi abandonada em proveito dos interesses de ocasião e dos grupos de pressão. A sabedoria como prática política foi substituída pela esperteza saloia, o serviço e a causa pública pelo oportunismo e arrivismo, a seriedade pela demagogia e pela mentira. A fraseologia barata da politiquice não disfarça esta realidade.

Que fazer?

O retorno à matricidade do SER fundacional e condição para projectos futuros. Se bem que inscrita na história esta refundação não se circunscreve aos limites de uma certa conceptualidade temporal, por esta razão vai para além dos tradicionais conceitos da esquerda e da direita.

No quadro político vigente a reflexão do SER português e europeu impõe-se como um precedente a qualquer iniciativa política mais ambiciosa.

Os factores de dinamização e motivação recaem na sólida preparação ideológica, na preservação da memória histórica, no conhecimento e domínio da geopolítica, na adesão consciente e voluntarista às tradições culturais e religiosas da comunidade nacional. Do discurso enraizado na identidade etnocultural resulta a criação de redes alternativas nas áreas políticas, económicas e sociais, a estrutura interna devera ser cooperativa e comunitária, plural e não-dogmática, todavia fiel a princípios consensuais e unitários. Aqui a ecologia actua como um denominador comum aos que permanecem arraigados a convicções que lidam com a nossa sobrevivência cultural e biológica.

Entenda-se a ecologia no seu sentido mais profundo e verdadeiro, sendo que a ecologia humana vem a par da ecologia física, integrando ambas uma visão unitária e global do combate político.

A conservação da natureza, a gestão racional e cuidada dos recursos naturais, a economia de energia, o ordenamento do território, o controle da imigração de não-comunitários, contribuem para a salvaguarda dos interesses superiores da comunidade.

A correcta aproximação aos problemas ambientais e ecológicos é decisiva para a superação da fractura direita/esquerda, revelando-se um meio eficaz e convergente para aqueles que sabem e conhecem as prioridades da militância política.
 
Miguel Ângelo Jardim


23 comentários so far
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Excelente, por sinal.
Boas pistas.
Um abraço, bfsemana.

Comentar por PR

Artigo realmente interessante. Mas gostaria de tentar perceber melhor como se pode pôr em prática essa superação da fractura direita/esquerda que o Sr. Migul Jardim refere, se em Portugal essa fractura é está bem presente, mesmo se eu acho que a direita é quase inexistente?

Melhores cumprimentos.

Comentar por Jorge Santos

Caro sr.Jorge Santos, parte tudo da concepcao que temos de direita e esquerda.
Creio pessoalmente que hoje nao mais existe direita e esquerda em Portugal, dai a situacao ser mais complicada do que aquela abordada nos artigos.
A minha analise fundamentou-se na historia e nas categorias estabelecidas, falo do ponto de vista teorico, pela ciencia politica.
Actualmente, isto acontece em quase todos os paises, sobretudo nos mais desenvolvidos, a esquerda e a direita foram esvaziadas ideologicamente pelo poder do dinheiro e pela influencia que este exerce. Infelizmente!
A superacao, aparente, pois foi uma vitoria declarada do capitalismo- liberal, vamos ver ate quando, foi realizada pelo pior dos motivos…
A ecologia, na minha acepcao, e um dos caminhos possiveis para uma verdadeira superacao, na medida em que lida com questoes essenciais e vitais da nossa existencia: fisica, biologica e espiritual.
Poderia escrever um pouco mais, mas por agora fico-me por aqui.

Os meus melhores cumprimentos,

Miazuria (Miguel Angelo Jardim)

Comentar por Miazuria

Vós que falais tão mal do Capitalismo…

Ele é vosso amigo!

Comentar por Camões

Faça o favor de explicitar essa afirmação Camões.

Comentar por arqueofuturista

O Sr. Miguel Jardim aponta a ecologia como sendo uma possível superação da esquerda/direita, mas hoje qualquer pessoa associa a ecologia à esquerda, aos partidos e movimentos de esquerda. Não pode ser a ecologia mais um factor de confusão que de superação?

Obrigado pela atenção e melhores saudações.

Comentar por Jorge Santos

Deixei-te um post a comentar, sffavor.
Abraço,

Comentar por PR

Caro PR, não sei se essa indicação é para o Miazuria ou para mim, mas já passei pelo seu blog e deixei um breve comentário, discordante claro está.

Um abraço.

Comentar por arqueofuturista

Venho antes de tudo reforçar a ideia de Jorge Santos que a Ecologia, como movimento político, está intrínsecamente ligada á esquerda. E mais! É um factor de confusão mais que superação em toda a linha. Muito bem visto e assinalado Jorge Santos!
Quanto á minha frase do Capitalismo… eu penso que este blog é frequentado mais por pessoas da classe média que, por serem de classe média são mais beneficiadores do Capitalismo que vítimas do mesmo porque foi o Capitalismo que lhes premitiu dar o salto para sair da pobreza. Ao condenar-mos qualquer tipo de Capitalismo, estamos a descer ao nível dos Comunistas… O Capitalismo é que sustenta as classes médias da Europa, América, Japão e Coreia e será o mesmo que dentro de 10, 15 anos sustentará a nascente classe média Russa. Sem o Capitalismo seriamos todos pobrezinhos e não poderiamos ter acessos a “bons blogues” como este.
Nem os poderiamos manter pois estariamos preocupados em pôr algo nas nossas bocas para sobreviver. O Capitalismo, a meu ver, é a base do bem-estar Ocidental, não os Imigrantes como alguns nos querem fazer ver.
Claro o suficiente?

Comentar por Camões

Caro Camões, deixando que a devida resposta seja disferida pelo Miazuria, não posso deixar de dizer que devrá atentar melhor ao início deste artigo, isto é, às primeiras partes, podendo assim verificar que a ecologia não é de todo propriedade da esquerda. Pelo contrário, pessoas actualmente conetadas com a direita extrema foram os precursores do ecologismo. Não preciso ir mais longe se lhe recordar que Walter Darre, dirigente do partido nacional-socialista alemão foi autor de uma obra intitulaa sangue e solo, e onde se estabeleceram princípios básicos da ecologia. Existe inclusive um livrito em inglês escrito por autores adversos ao NS alemão que referem isso. Pode verificar isso neste link.

No que concerne ao capitalismo, não tenho dados que me possam garantir a veracidade da sua asserção sobre o estatuto social dos frequentadores deste blog. Contudo, se o capitalismo é nocivo por essência, não deixa de colateralmente emanar alguns aspectos positivos, como é o caso da competitividade, motor da evolução, a qual é absolutamente liquidada por exmplo pelo comunismo.

Portanto, não sendo eu favorável ao sistema capitalista, onde o padrão ouro reina sobre tudo o resto, compreendo e aceito como positivos alguns aspectos do mesmo.

Comentar por arqueofuturista

Capitalismo= Motor da evolução
Capitalismo talvez seja um mal necessário mas sem o capitalismo não viveriamos a este nível.
Era exactamente isso que eu queria dizer.

Quanto á Ecologia, caro Arqueofuturista, é esquerdista quando põe o ambiente á frente do povo.
Eu não consideraria essa tendência da (extrema) direita como Ecologia. É apenas um porlongamento natural(íssimo) do Nacionalismo, por exemplo Portugal não é Portugal sem o seu povo e o seu território físico e espiritual. Qualquer espécie animal ou vegetal, qualquer cidade ou floresta, museu ou monumento É PARTE INTEGRANTE DE PORTUGAL-PÁTRIA! É parte do território Português espiritual e físico, por isso tanto apoiamos (Nós Nacionalistas de coração) a igreja católica e os nossos (ex-)Deuses pagãos como nos opomos ao Islão; Por isso nos dói tanto e sentimos um avassalador sentimento de perda quando vemos um incêndio! Ou quando ouvimos que os Lobos e Linces Ibéricos estão a ser extintos.

Isto é mais ou menos assim: Há um grande incêndio que devasta uma floresta Portuguesa, ou ameaça uma cidade (como recentemente Coimbra), a reacção será:
Nacionalista: Ó Não!! Que dor! O meu Portugal está a ser dizimado, a nossa floresta está a ser dizimada, os nossos animais extintos, o nosso património está sériamente ameaçado! Estamos em guerra (é o que por vezes sinto em relação aos incêndios)!
Ecologista: Epá, ó Fánã! Olha só tantos gazes que estão a ir para a atmosfera! A camada de Ozono vai fazer um g’anda buraco na Antárctida, pá! Tansos pá! E as inundações no Bangladesh! Ui!

Isso não é ecologia, é parte intrínseca do SER-SE NACIONALISTA! NÃO É NACIONALISTA QUEM NÃO AMA O PATRIMÓNIO NATURAL DO SEU PAÍS!

Como vês pelo exemplo estapafúrdio, há uma grande diferença entre preocupação com a Nação (em todos os seus aspectos) e preocupação com a Natureza.

Quantos membros do PEV ou da Quercus não se importariam de tornar Lisboa ou Porto em grandes lixeiras a céu aberto, ou destruí-las por completo se isso fosse melhor para o ambiente ou reduzisse em meio grau o aquecimento global?

Por isso repito, a Ecologia é vector de confusão e é coisa de esquerdista e comuna e bloquista (desde que não lhe toquem na érva, pá!)!

PS- Só quero pedir para que visites o blog do Máquina Zero, e vejas a secção de “No principio, era o Negro” No mínimo, hilariante!

Comentar por Camões

“No capitalismo, o Ouro apenas reina sobre tudo o resto, se a população for vazia de princípios ou cheia de pobreza.”
Citação de:
Minha!

Pensa nisso!

Comentar por Camões

Pois,resta-me dizer o seguinte: por favor,leiam BEM e com ATENCAO o que escrevi!
Por exemplo:
“A tarefa não será tanto abolir ou destruir o capitalismo, mas antes domá-lo e dominá-lo, manejando em nosso favor os seus instrumentos endógenos. Neste âmbito a ecologia representa um fim em si mesmo, não é apenas um meio para alcançar oportunisticamente objectivos políticos.”

Parece-me suficientemente claro…..
Creio eu!

As minhas melhores saudacoes.

Miazuria (Miguel Angelo Jardim)

Comentar por Miazuria

Caro PR, desculpe-me, mas qual e o seu “Blog”?

As minhas melhores saudacoes,

Miazuria (Miguel Angelo Jardim)

Comentar por Miazuria

E resta-me dizer o seguinte: por favor,leiam BEM e com ATENCAO o que escrevi em todos os artigos.
Nao se formulem criticas a partir de posturas como o o capitalismo (qual capitalismo?) e que e bonzinho e os comunistas sao mauzinhos,ou que a ecologia e de esquerda (mas qual esquerda?),etc
A atitude de revolta não me merece, à partida, muita simpatia. Por motivos de ordem ideológica e de estratégia creio na revolução das mentalidades, na pedagogia subversiva, na transformação persistente e progressiva das consciências. É mais sensato e mais eficaz.

“A tarefa não será tanto abolir ou destruir o capitalismo, mas antes domá-lo e dominá-lo, manejando em nosso favor os seus instrumentos endógenos. Neste âmbito a ecologia representa um fim em si mesmo, não é apenas um meio para alcançar oportunisticamente objectivos políticos.”

“A correcta aproximação aos problemas ambientais e ecológicos é decisiva para a superação da fractura direita/esquerda, revelando-se um meio eficaz e convergente para aqueles que sabem e conhecem as prioridades da militância política.”

Onde esta a confusao?

E suficientemente claro,creio eu!

Os meus melhores cumprimentos,

Miazuria (Miguel Angelo Jardim)

Suficientemente claro,creio eu!

Comentar por Miazuria

O que eu vejo aqui é muita teoria (ainda mais que a habitual) e nenhuma prática (ainda menos que a habitual).

Acho que o Einstein disse que teóricamente era possível fazer uma máquina do tempo.
E ainda aqui estamos porque não se pode pôr isso em prática.
Assim não se vai a lugar algum…
Se os nossos antepassados fossem tão cultos, tão entendidos e tão teóricos, ainda hoje estavamos de cú virado para a América a gritar Ala Aqba submetidos aos poderes de Mafoma.

Comentar por Camões

Camões, sem teoria, teoria bem fundamentada, não existe praxis que valha. Este artigo do meu amigo Miazuria é um tremendo contributo para o pensamento ecologista actual, com vista à sua libertação das grilhetas ideológicas que o amarram à esquerda. Como tal, merece atenta leitura e maior reflxão ainda de forma a que Camões, Miazuria, eu próprios e outros possamos pôr em prática um verdadeiro ecologismo despido de conotações esquerdistas ou mesmo direitistas.

Comentar por arqueofuturista

1.Nao creio que os nosso antepassados fossem incultos.Alias,nao percebo essa alergia a “cultura”!!!
O que eram os mosteiros?! A Universidade de Coimbra foi fundada no ano 1290,no seculo XIII,obra dos nossos antepassados. Ao que parece cultivavam a escolastica,algo muito teorico….
2.Nunca existiu,nem existe, pratica sem teoria,a nao ser que sejamos todos uns fervorosos “praticantes” de culturismo,ah,mas de outra “cultura”!!! A da muscultura,mas sem “miolos”.
3. E meu caro,Portugal nao existe em plutao,localiza-se num planeta chamado TERRA,num continente chamado Europa.
Se nao protegermos a terra no seu TODO, Portugal sofrera as devidas consequencias.
4. A ecologia nao e de esquerda,nem de direita,e uma CIENCIA que pode ser manipulada ideologicamente por todo o espectro politico.
5.E,finalmente,eu nao reduzo a minha gnoseologia (conhecimento) ao nacionalismo totalitario.

Os meus melhores cumprimentos,

Miazuria

Comentar por Miazuria

“Quanto á Ecologia, caro Arqueofuturista, é esquerdista quando põe o ambiente á frente do povo.” !!!!!!!!!!

Pois,o povo,(pessoas,seres vivos,terrestres,humanos) respira monoxido de carbono,ingere veneno em forma de alimento,bebe agua contaminada,e vive no lixo!
Ou seja,antes era o povo,so depois e que apareceram as condicoes que permitem e condicionam a existencia de vida….

Enfim…..
Muita paciencia! Na teoria e na pratica!

Miazuria

Comentar por Miazuria

Quero primeiro pedir desculpas por algumas declarações feitas no dia 13, que agora, depois de relidas, não me parecem nem claras nem correctas e por vezes nem cordiais de todo. O dia 13 foi um dia “festivo” pelo que tinha o pensamento um pouco “flutuante e distante”. No entanto, queria também dizer que a base das minhas ideias mantêm-se.

Quanto ao Capitalismo, o Maziura utiliza a frasa: “Creio pessoalmente que hoje nao mais existe direita e esquerda em Portugal. (…) Actualmente, isto acontece em quase todos os paises, sobretudo nos mais desenvolvidos, a esquerda e a direita foram esvaziadas ideologicamente pelo poder do dinheiro e pela influencia que este exerce. Infelizmente!
A superacao, (…) foi uma vitoria declarada do capitalismo- liberal (…)”
Assim, o Maziura diz que o capitalismo sai vencedor quando o dinheiro se sobrepõe aos valores. Eu não penso assim, no meio do Capitalismo (até do mais brutal) há sempre pessoas verticais e com valores. O Capitalismo não corrompe, as pessoas é que se deixam ser corrompidas. Assim, ao culpar o Capitalismo pela avareza humana estamos a personificar o Capitalismo. A meu ver o Capitalismo não é mau, a pessoa sim. Logo, á pessoa têm de ser incutidos valores, não é necessário domar o Capitalismo. Claro? Ou o Miazuria pensa que a pessoa não deve ter liberdade suficiente porque fará sempre a escolha errada e como tal o Capitalismo deve ser domado? Eu perfiro educar as pessoas.

“Nao se formulem criticas a partir de posturas como o o capitalismo (qual capitalismo?) e que e bonzinho e os comunistas sao mauzinhos,ou que a ecologia e de esquerda (mas qual esquerda?),etc”
Nunca dissse tal coisa. A Esquerda e o Capitalismo andam por aí e não sou eu o mais indicado ou em melhor posição para lhe explicar os ditos conceitos.

“Por motivos de ordem ideológica e de estratégia creio na revolução das mentalidades, na pedagogia subversiva, na transformação persistente e progressiva das consciências.”
Aí a Ecologia não é o teu melhor aliado, pois não?

“A correcta aproximação aos problemas ambientais e ecológicos é decisiva para a superação da fractura direita/esquerda (…)”
Miazuria, pareces um pouco confuso tão depressa dizes que não existe esquerda ou direita como apelas á “superação da fractura direita/esquerda (…)”
Depois, é impossivel superar essa fractura pois esquerda/direita são apenas termos para expressar ideias/ideologias opostas (ou diferentes) e como tal, a menos que se dê o (triste) Milagre do pensamento único (tipo USSR) haverá sempre nomes diferentes para ideias/ideologias opostas ou diferentes.

” (…) possamos pôr em prática um verdadeiro ecologismo despido de conotações esquerdistas ou mesmo direitistas.”
Isso é impossível porque o ecologismo tem de ser feito por Homens e os Homens têm sempre mais que uma maneira de fazer as coisas. É claro que há certas coisas com que todos concordamos como devem ser feitas mas… o consenso é quase inatíngivel em tudo.

No décimo sexto comentário, eu queria apenas dizer que não devemos ser como “os cromos lá da escola”, que tem de haver pensamento/teoria mas esse pensamento/teoria deve ser desenvolvido com a ambição de ser posto em prática. Queria dizer que temos de agir, não de pensar portanto devemos apenas pensar como agir e não por-mo-nos a discutir coisas inúteis. Não que eu seja contra a cultura… mas odeio filósofos! Apesar de adorar pensadores. (Espero que tenham compreendido o que quis dizer).

“E meu caro,Portugal nao existe em plutao,localiza-se num planeta chamado TERRA,num continente chamado Europa.
Se nao protegermos a terra no seu TODO, Portugal sofrera as devidas consequencias.”
A sério? Olha que não sabia pá!
E tu por acaso tens noção como o mundo está sobrepovoado? Tens noção de como a Humanidade é o maior inimigo deste planeta? E então? Vais suicidar-te por causa disso? Para ajudar o planeta? É melhor não irmos por caminhos tão ridículos…

“A ecologia nao e de esquerda,nem de direita,e uma CIENCIA que pode ser manipulada ideologicamente por todo o espectro politico.”
Nem mais, as palavras mais acertadas que li ao longo de todo o texto e respectivos comentários.

Quanto ao último comentário, só queria dizer que antes era o povo, só depois apareceu a necessidade de proteger o ambiente… muito depois.

Cumprimentos…

Comentar por Camões

Bem, vamos por partes:

1.Nao sei porque e que pedes desculpas, nao foste incorrecto com a minha pessoa. Estamos aqui para debater ideias.
2.Nao. O capitalismo e um sistema economico-social, multifacetado,capaz de recriar-se e de metamorfoses, o que lhe permitiu e permite sobreviver a crises ciclicas.
Quando se fazem analises de cariz social e economico trabalhamos com factos, numeros, realidades tangiveis e verificaveis.Nao abordamos e eticidade de comportamental do sujeito A ou B, tambem nas sociedades totalitarias, de esquerda ou de direita, existiram sempre pessoas nobres e honestas. Isto nao e um problema de pessoas a titulo individual, o que aqui se discute e a natureza dos sistemas que leva a resultados que podem ser negativos ou positivos consoante a nossa abordagem politico-filosofica.
Eu nao gosto do capitalismo, pelo menos DESTE, em que o dinheiro e o economicismo sao os graus de avaliacao do ser humano. Nao, obrigado!
3.Educar as pessoas para proteger o ambiente, respeitar os animais e fazer ecologia, logo esta e minha aliada na pedagogia das consciencias.
4.Odeias filosofos???!!!!!!!!!!!!!!!!!! E gostas de pensadores?!!!!!!!! Mas o que e isto?! Terei lido bem….
Olha, tenho pena,mas afinal nao foges a uma tradicao, ma tradicao,bem portuguesa,que vem de bem longe, de nao estudar, nem filosofar. Falo em termos gerais.
Devias mudar de opiniao. Mas o que e que tens contra os “cromos da escola”?! Porque sao bons alunos?! Enfim….
5.Parece que nao sabias, nao! Suicidar-me?! Olha que ja me veio a ideia, e precisamente porque cada vez e-me mais dificil conviver com a ignorancia, com a bestialidade e com a estupidez em que este mundo e fertil.
Sobre a terra superpovoada, existem muitas maneiras de contrariar essa nefasta situacao.
Concerteza ja ouviste falar, por exemplo, de contracepcao?! E de esterilizacao?!
6.Entao o povo apareceu antes do ambiente?!!!!!!!
Com ou sem proteccao?!
E esta, ei?! Esta nao sabia, pa?!
E eu que pensava que as pessoas so conseguiam viver em determinadas condicoes ambientais….
Mas estou sempre disponivel para (des)aprender!!
7.Alegro-me e felicito-me por estares de acordo com algo que escrevi.E sempre melhor pouco do que nada….

Os meus melhores cumprimentos,

Miazuria Miguel Angelo Jardim

Comentar por Miazuria

Nunca afirmei a inexistencia de direita e esquerda, pelo menos no quadro teorico e operativo da ciencia politica. O que escrevi e que essa dicotomia esta sendo superada e ultrapassada em virtude do poder do capitalismo-liberal e dos seus icones de dominacao.
Penso que a crise ecologica ira obrigar aos que ainda, poucos, acreditam na “direita” dos valores e na “esquerda” social a reflectir sobre a perenidade de conceitos e de lugares-comuns…
Esquerda e direita sao conceitos historicos, relativos, sujeitos ao crivo das transformacoes sociais.

Melhores cumprimentos

Comentar por Miazuria

“Eu nao gosto do capitalismo, pelo menos DESTE, em que o dinheiro e o economicismo sao os graus de avaliacao do ser humano. Nao, obrigado!”
Aí está! NESTE Capitalismo, o dinheiro e o economicismo não são os graus de avaliação do ser humano. São apenas um dos graus de avaliação. Exemplo: quando vês uma menina bonita na rua o teu primeiro pensamento não é se é rica ou pobre, ou quantos zeros a rapariga tem na conta bancária (pelo menos esse não é o meu primeiro pensamento).
As pessoas sempre foram julgadas pela sua riqueza, mas não só. O Comunismo tentou acabar com isso, negar que uns têm de ser mais ricos e outros mais pobres parece-me absurdo, portanto o problema está em ALGUMAS pessoas julgarem as outras apenaspelo que elas possuem.

Quanto ao teu 4º ponto queria dizer que há pessoas (filósofos) que no seu pensamento divagam de mais, discutem coisas inuteis, por exemplo não consigo apreciar o Jean Paul Satre nem o (sacrilégio!) Faye, no entanto ademiro aqueles que pensam e divagam para responder a perguntas profundas ou para ultrapassar problemas reais (pensadores). Eu sei que essa diferenciação não existe mas era só uma alusão para mostrar que não vale apena discutir-mos quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha.

Quanto ao teu quinto ponto, são a contracepção e outros afins a razão porque há cada vez menos Europeus e mais “mil milhões” É Chineses, Indianos, Muçulmanos e Pretos. Boa! Não são os Europeus que estão a sobrepovoar o mundo, no entanto falas de contracepções e afins (disponiveis e utilizados quase exclusivamente por Europeus) para pôr fim a um Mundo sobrepovoado. Boa! Suicidares-te não vai alterar nada no mundo, pessoas e individuos são, regra geral, pouco importantes para contrabalançar a sobrepovoação do planeta.

Queria só terminar dizendo…
“Entao o povo apareceu antes do ambiente?!!!!!!!”
… que nunca disse isso! Só disse que a necessidade de o Homem proteger o ambiente só surgiu muito depois do aparecimento do Homem, das Nações e dos Povos.
Cumprimentos

Comentar por Camões




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