A ecologia como superação da fractura direita-esquerda (parte III)
Julho 2, 2007, 10:24 am
Filed under: Em foco

por Miguel Ângelo Jardim  

Esses mesmos sectores esquerdistas apropriaram-se abusivamente da ecologia, remetendo-a para o foro da simples contestação social. A direita conservadora e liberal foi incapaz (ou não quis), de ler os sintomas de uma sociedade baseada no economicismo, no cego produtivismo e no culto do reino da quantidade. Quantas vezes não foi ela própria a causadora e responsável pelo crescimento desordenado do mais selvagem capitalismo. De outra parte, a esquerda mais tradicional e histórica, em particular a comunista, encontrou-se refém de um modelo de desenvolvimento concentrado na indústria pesada, no crescimento a todo o custo e sem respeito pela natureza.  

Não indiferente, mas à margem desta turbulência político-partidária, ecólogos, pensadores ecologistas e filósofos reflectiram sobre uma outra ideia da ecologia, essencialmente fundada numa nova relação entre o homem e a natureza. O idêntico diagnóstico como denominador comum: a terra encontra-se enferma e caminha para o desastre ecológico. Muitos deles partem de posturas ideológicas opostas, no entanto une-os a crítica ao actual modelo de sociedade.

Hans Jonas (The Imperative of Responsability), discipulo de Heidegger, Rudolph Bahro, controverso pelas suas posições políticas, (Die Alternative), Konrad Lorenz, etólogo (Os oito pecados mortais da civilização, On Agression), John Seymour (The New Complete Book of Self-Sufficiency e The New Complete Book of Self-Sufficiency), Edward Goldsmith ( editor e fundador da revista The Ecologist, autor de The Way: an ecological world view e The Case against global economy and for a turn towards local), E.F.Schumacher (Small is Beautiful), Ivan Ilitch (a Convivencialidade), Jacques Ellul (Le systeme technicien e L’empire du non-sens: l’art et la societe technicienne), Serge Moscovici (De la nature. Pour penser l’ecologie), Laurent Ozon, (próximo da Nouvelle Droite-Nova Direita, editor da revista Le Retour aux Forets, autor de L’erreur du liberalisme), Mike Davis (The Planet of Slums), Massimo Fini (fundador do Movimento Zero e autor de “Il denaro: sterco del demonio”), Roger Scruton (The Classical Vernacular: architectural principles in an age of nihilism).

Num planeta precocemente ferido de morte a “praxis”política, à direita e à esquerda, perdeu muito do seu significado. A teoria da convergência das catástrofes formulada em primeira instância por Guillaume Faye e confirmada por todos os indicadores demográficos e sócio-económicos, obriga-nos a uma reflexão sobre o sentido da política e da definição de prioridades.
 
Continua


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