Identidade
Junho 21, 2007, 10:25 pm
Filed under: Europa, Raízes

Por Pierre Krebs

Do que se trata exactamente: de um mito, de um gosto, de uma fantasia? Esta palavra que reconcília os contrários (o idêntico e o distinto) designa na realidade um instinto. Foi sobretudo desde que a etologia moderna estabeleceu a disposição inata do homem em se identificar com os indivíduos que se lhe assemelham que melhor se compreendeu porque os povos provam essa necessidade instintiva de viverem ao seu próprio ritmo, no interior de uma herança cultural bem demarcada de todas as outras. 

Mas o que ciência compreendeu, a vulgata igualitária prefer ignorar ou negar. Enredada nos seus fantasmas, ela continua a pretender que a consciência identitária elaboraria muralhas insuperáveis entre povos apreendidos por uma angústia recíproca das suas diferenças. A realidade desmente estes inépcias. Com efeito, tal como o indivíduo personalizado que se demarca da massa circundante não se coloca, todavia, à parte da sociedade, antes enriquecendo-a com as suas diferenças, também um povo consciente da sua especificidade não se afasta do género humano, pelo contrário, aproxima-se cada vez que faz dom da sua singularidade e dos seus particularismos. 

Isto é algo natural: quanto mais um povo toma consciência da sua especificidade, mais refina as suas diferenças e maior for a sua abertura para o mundo também mais possibilidades de beneficiar o outro existem. Quanto mais um povo toma consciência da sua especificidade melhor se posiciona para se abrir ao mundo e assim fazer dom aos outros povos da sua singularidade e das suas diferenças. Quanto mais um povo é sensível à diversidade que o envolve, quanto mais se revela hábil a apreender e a apreciar nas suas mais pequenas matizes aquilo que lhe é estranho, aquilo que não lhe pertence. Quanto mais um povo se mostra interessado nas suas diferenças mais propenso ele está a tolerar as dos outros, na medida em que somente quando se está atento a si mesmo é que se está na disposição de  mostrar-se respeitoso dos outros.  

A riqueza do mundo deve-se à sua diversidade, à sua heterogeneidade. E esta diversidade, o mundo acima de tudo deve-a aos povos conscientes e orgulhosos da sua alteridade(1). Acrescente-se, além disso, que a percepção da diversidade de um conjunto é sempre proporcional à observação das suas diferentes partes. A heterogeneidade do mundo resulta também das interacções – em outros termos da comunicação – entre as identidades etno-culturais vivas que o animam: Com efeito, quanto mais as diferenças se  confrontam, quanto mais se comparam – ou em outros termos, quanto mais elas se aproximam – mais a diversidade se reforça. Quanto mais as diferenças se isolam, quanto mais se separam – ou por outras palavras, quanto mais elas se afastam – mais a diversidade se desfaz. Um povo que se encerra no seu falanstério etno-cultural não é mais um corajoso que um povo que se destaca das suas raizes e que se mestiça: no primeiro caso somos testemunhas de uma fuga através do encerramento de um povo impotente que bate em retirada porque não se sente suficientemente seguro da sua identidade para enfrentar o outro nas suas diferenças; no segundo caso assistimos à fuga para a frente na assimilação de um povo desarmado que capitula frente à diferença do outro por não ter mais consciência da sua. 

Conclusão: não é a consciência identitária que desperta o medo face ao estrangeiro mas o contrário; no primeiro caso, pela sua fraqueza e, no segundo, pela sua carência. A vulgata igualitária encontra-se, consequentemente, armadilhada: os povos dotados de uma consciência identitária forte são precisamente os que, na procura de movimento e de contactos, aumentam as diferenças, activam a diversidade e, ao fazerem-no, movem o mundo. São, inversamente, os povos com fraca consciência identitária que, batendo em retirada e optando pelo isolamento, fazem vegetar a história(2). 

(1) A riqueza de um povo mede-se pelo grau de personalização dos seus membros. E apercebe-se rapidamente que o perigo colectivista que coloca em perigo a diversidade das etnias junta-se aqui ao perigo individualista que o ameaça, a ele, de fazer desmornar o corpo social, expressões idênticas da mesma calamidade igualitária atomizadora que nivela os povos e que desagrega as pessoas.

(2) A regressão individualista, que provoca o mesmo reflexo de rejeição do outro, não conduz a um resultado diferente: isola igualmente o sujeito e deixa-o vegeter similarmente no seu ego.


9 comentários so far
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Uma optima reflexao Identitaria!

Abraco

Comentar por Miazuria

Bom texto. E tenho de arranjar o “La lucha por lo essencial” !

Comentar por Afonso Lima

Aconselho vivamente esse livro amigo Afonso Lima, pois é uma extraordinária obra de reflexão. Uma obra a ler, reler e meditar.

Comentar por arqueofuturista

excelente post, mas a foto é um bocado homoerotica.

Comentar por um teu amigo

“Amigo” (não sei quem é, daí as aspas), a imagem é obviamente inspirada no classicismo grego, mas cujo autor não me recordo (talvez se o Nonas por aqui passar nos avive a memória). Homoerotismo! Não creio honestamente. Vejo antes matizado na obra o sentido de irmandade.

Comentar por arqueofuturista

Estimado Arqueofuturista:
Te ruego me indiques donde lo has encontrado, porque busqué la referencia en internet, y parece ser fue presentado en Sevilla en la “casa del libro” (??) Mi mayor extrañeza pq es la típica librería politicamente correcta (incluso correctísima) donde no esperarías encontrar un libro así.Allí fui y efectivamente, no lo tenían, aunque buscando la referencia, vieron (para su extrañeza) que efectivamente había sido presentado en su cadena de tiendas.
Muchas gracias por adelantado.
Por cierto, no creo que sea homoerótica, y aún diría más,parece obra de Arno Breke.
Saludos

Comentar por Pepin

Prezado Pepin, eu tenho a vesão francesa do livro, contudo sei quea Tierra y Pueblo tem este livro anunciado no seu site, na secção livros. Acrescento uma vez mais que é uma obra excepcional.
A imagem ainda não descobri se é de Arno Breker ou de Josef Thorak, ou de outro qualquer grande artista do III Reich.

Comentar por arqueofuturista

A imagem é um bocado apaneleirada…

Comentar por Anónimo

Realmente, alguns espíritos enfermam de uma qualquer patologia sexual. Anónimo, nem tudo se resume ao sexo, as vivências humanas não giramsomente em torno disso, ao contrário do que parece ser a sua vidinha.

Comentar por arqueofuturista




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