O que deve a Europa ao islão?
Maio 2, 2007, 9:39 pm
Filed under: Em foco, Europa, Resistência & Reconquista

A ideia cada vez mais frequentemente admitida, e mesmo ensinada nas escolas, é que a Europa muito deve ao Islão no que concerne ao contributo deste nas ciências, nas artes e na cultura. A César o que é de César!  Vejamos algumas descobertas normalmente atribuídas ao Islão:
 

Matemáticos Árabes

As bases fundamentais das matemáticas modernas foram estabelecidas, não há centenas, mas milhares de anos antes do surgimento do Islão, pelos Assírios, Babilónios e Gregos que já conheciam o conceito de zero, o Teorema de Pitágoras, bem como numerosos outros desenvolvimentos nesta ciência. Por outra parte, a matemática indiana manifesta-se brilhantemente a partir do século V com Aryabhata, o primeiro grande matemático e astrónomo indiano e aparece independente da dos gregos. Outro matemático indiano, Brahmagupta, é sem dúvida o primeiro, em cálculos comerciais, a usar os números negativos. Emprega os números decimais (grafismo muito próximo dos nossos números actuais ditos “árabes”) e principalmente o zero, cujo aparecimento foi um passo gigante na álgebra.

A Índia sofrerá as invasões muçulmanas e os árabes adoptarão os trabalhos dos matemáticos indianos. Foi assim que os muçulmanos se apropriaram destes trabalhos indianos em matemática, sendo transmitidos pelos Árabes (Mouros) aquando das suas invasões na Península Ibérica.
Cientistas Árabes

Uma esmagadora maioria destes cientistas (99%) era Assíria que, a partir do século I, começaram a tradução dos conhecimentos Gregos. Interessaram-se pela ciência, pela filosofia e pela medicina. Sócrates, Platão, Aristóteles, e muitos outros foram traduzidos para Assírio, e deste idioma para o Árabe. Foram estas traduções que os Mouros trouxeram para a Península Ibérica e onde elas foram traduzidas para latim.  No domínio da filosofia, a Assíria Edessa desenvolveu uma teoria de física que rivalizou com a de Aristóteles. Um dos grandes feitos Assírios do século I foi a construção da primeira universidade do mundo, a escola de Nisibis, que se tornou um centro de desenvolvimento intelectual no Médio Oriente e serviu de modelo à primeira universidade italiana.

Quando os Árabes e o Islão invadiram o Médio Oriente em 630, encontraram 600 anos de civilização cristã Assiria, com uma herança rica, uma cultura fortemente desenvolvida, e estabelecimentos de ensino avançados. Foi esta civilização que se tornou a base da civilização Árabe
 

Astrónomos Árabes

Com efeito, estes astrónomos não eram Árabes mas Caldeus e Babilónios que, durante milénios, foram cientistas reputados. Estes povos foram arabizados e islamizados à força, de tal forma que, a partir do século V, haviam desaparecido completamente. 

Árabes, protectores do património  

Esta questão vai ao âmago do que representa a civilização árabo-islâmica. Uma investigação intitulada “Como a Ciência grega foi transmitida aos Árabes”, enumera os principais tradutores da ciência grega. Dos vinte e dois discípulos enumerados, vinte eram Assírios, um era Persa e um Árabe.
 

Islão, religião de tolerância …

Os Otomanos eram extremamente opressivos em relação aos não-Muçulmanos. Por exemplo, os rapazes cristãos eram retirados à força às suas famílias, habitualmente com a idade de 8-10 anos, sendo enviados para os Janizaros onde eram convertidos ao Islão e treinados para combater pelo Estado Otomano. A que contributos literários, artísticos ou científicos dos Otomanos podemos nós nos referir? Podemos, em contrapartida, pensar no genocídio de 750.000 Assírios, 1,500.000 de Arménios e de 400.000 Gregos, aquando da Primeira Guerra Mundial, pelo governo dos “Jovens Turcos” de Kemal. Esta é verdadeira face do Islão. 

Poetas Árabes

Há muito pouca literatura em língua árabe no que concerne ao período aqui abordado: o Corão é a única peça literária significativa, enquanto que a produção literária dos Assírios e dos judeus era muito importante: em proporção, a terceira produção de escritos cristãos, após o latim e o grego, foi produzida pelos Assírios em síriaco.
 

Dívida Europeia?

Malgrado as evidências históricas e arqueológicas, há uma forte tendência em sobrestimar a dívida da civilização europeia no que diz respeito ao Islão. Esta interpretação da história resulta das recomendações (1968) “pela Academia de Investigação Islâmica” que recomendou a publicação e o realce da civilização islâmica em relação à civilização europeia.  A primeira vaga de conquista islâmica absorveu as terras cristãs até ao Nordeste da Arménia, a África do Norte, a Península Ibérica, até Poitiers e a Itália, até aos Alpes. Ultrapassou a Pérsia e chegou à Índia. Assim, os muçulmanos estiveram contacto com as civilizações mais prestigiosas. Contudo, o sentimento de superioridade dos Beduínos conquistadores foi posto a dura prova quando as suas conquistas se depararam com civilizações brilhantes, o que conduziu a uma humilhação constante dos dhimmis.
 

Um dos princípios básicos do Islão está enraizado no dogma da perfeição da Oumma, perfeição que a vincula à obrigação consagrada de dirigir o mundo inteiro. Qualquer empréstimo a uma outra civilização é proibido, dado que a perfeição não pode contactar com a imperfeição sem se danificar a si própria. Os muçulmanos, por conseguinte, estão empenhados numa campanha de destruição e de apropriação das culturas e das comunidades, das identidades e das ideias (como demonstra o exemplo da destruição das estátuas budistas no Afeganistão, ou de as de Persépolis, pelo Ayatollah Khomeyni). É um modelo de comportamento que se reproduziu infatigavelmente, desde o nascimento do Islão, há 1400 anos, e que é descrito amplamente nas fontes históricas.
 

A civilização árabo-islâmica não é uma força progressiva, é uma força regressiva. A civilização islâmica cuja reputação, como já vimos, não se deve aos Árabes ou aos próprios muçulmanos, não é senão obra dos Assírios,  de que os Árabes se apropriaram e que, mais tarde perderam, quando esgotaram a fonte de vitalidade intelectual que os havia propulsado, pela conversão obrigatória dos Assírios ao Islão.
 

Quando esta comunidade diminuiu abaixo do limiar crítico, cessou a produção da força intelectual motriz da civilização islâmica. Foi assim que a pretendida “idade de ouro do Islão” terminou.
 

Desde há 1300 anos, e ainda actualmente, minorias e populações há que lutam pela sua sobrevivência no mundo muçulmano no Médio Oriente (Assírios, Arménios, Judeus, Cristãos), em África (Coptas, judeus, Sudaneses cristãos, Etíopes cristãos, Nigerianos cristãos…), na Ásia (Índia, Paquistão, China) e na Indonésia. Estas populações batem-se contra o imperialismo Árabe e o totalitarismo islâmico, que tentam eliminar todas as culturas, religiões e civilizações. Na frente da desinformação actual, importa que cada um faça o seu próprio trabalho de investigação e que mantenha o espírito crítico. 


18 comentários so far
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A única “cultura” que há para partilhar com esses fornicadores de carneiros é o frio da lâmina da minha falcata!!!

Comentar por Rui Paulino

Amigo Miguel Ângelo Jardim recebeu a minha mensagem electrónica ?
Afinal no essencial e naquilo que é mais importante para vocês de facto eles não pensam de modo igual. Fico feliz por isso, dá-me razão ao que disse anteriormente, e de facto as pessoas que pensam como vocês são e serão sempre poucas.
Se quiser responder caro amigo use o correio electrónico, para não estar a incentivar discussões inúteis.

Um forte abraço

Comentar por Pantera

Thank you! Although i don´t understand one word of yours, i see by the name that it´s a good one ;-) . I´ll put up a link to you.

Comentar por Aequitas et Libertas

Caro Pantera, o Miguel receberá esse mail hoje, porque não tive tempo ainda de lhe o enviar tal como me solicitaste.

Parece-me que estás envolvido em alguma cruzada contra tudo e todos, onde incluis os identitários, como se estes últimos, entre os quais me incluo, não têm, nem querem ter nada a ver, com o chamado movimento nacionalista, pois como já o deixei bem claro, os identitários estão para além desse último. Logo, não sei porque te inquietas tanto, não percebo o que te move contra os identitários? Uma coisa te garanto, o teu nacionalismo a mim nada me diz e é-me absolutamente indiferente. Mais acrescento, se com o nacionalismo que promoves julgas encontrar nos identitários acérrimos competidores, desengana-te, desilude-te. A competição apenas poderá ser exercida quando existe alguma afinidade ou igualdade, neste caso de ideias, o que não é de todo o caso.

Posto isto, tenta ser mais positivo, centra-te mais na afirmação do que realmente acreditas em vez da condenação do que outros professam, ser-te-à mais saudável com toda a certeza.

Comentar por arqueofuturista

Dear comrade from Aequitas et Libertas, thank you for the visit and for the link. I will do the same to your blog. Oh, by the way, dont worry for not understanding a word of portuguese, I can’t read swedish too ;) but our message is the same and that is what really matters.

Comentar por arqueofuturista

Deixa-me só rectificar uma coisa, a matemática foi inventada pelos Sumérios, muito antes do babilónios ou dos Assírios. Foram os Sumérios que descobriram , ou inventaram o sistema matemático baseasdo no 60, ainda hoje presente nos relógios, ou na medição do tempo. Foram eles também que mostraram a todo o mundo como era, e é, constituido o nosso sistema solar. Foram eles que fizeram grandes evoluções em termos arquitectónicos, agricultura, etc. Todo este conhecimento foi aprendido, descoberto, ou teria sido ensinado por outros seres muito mais inteligentes?
Fica a pergunta no ar, sabendo que em 6000 a.c. altura em que os Sumérios estavam no auge, sendo a única civilação conhecida até essa altura, muito antes dos Babilónios, Egipcios, ou até mesmo Aztecas. Como é que eles conseguiram ter essa evolução tão rápida em áreas que exigem tanto estudo.

um abraço

Comentar por fly

O Pantera andará a mando de quem ?

Querem lá ver que a formiga já tem catarro?

Hummm… isto cheira a Komplot com partes interessadas estranhas ao Nacionalismo…

Comentar por Inquisidor

Caro Fly, grato pelo contributo que vem reforçar a ideia de que o Islão nada trouxe de novidade ao mundo, limitando-se somente a explorar o já existente, como foi o caso da matemática.

Já no que à questão por si levantada, esclareço que não alinho em teses fantásticas e fantasistas que veiculam a ideia de umaajuda extraterresre seja à cultura Suméria, seja aos Egípcios na construção das pirâmides. Os conhecimentos dos Sumérios foram resultado de vários milhares de séculos de labor empírico e das condições regionais que permitiram esse mesmo labor.

Melhos saudações.

Comentar por arqueofuturista

Inquisidor, agradeço que guarde as suspeições para si, pois não estou interessado em alimentar neste espaço questões que fogem ao âmbito do mesmo.

Aviso já que qualquer comentário que se siga e que não tenha a ver com o artigo em causa não será publicado.

Comentar por arqueofuturista

Solo dos apuntes: Primero, el artículo me parece muy bien documentado y soberbiamente expuesto. Se atreve a decir algo que en “sotto voce” mucha gente comenta pero que pocos se atreven aponerlo por escrito (por cierto, recomiendo a este respecto a Serafin Fanjul) y es que en contra de la actual corriente buenista, que se derrite cuando habla de la “aportación de la cultura árabe en España” y de “el espacio de convivencia de culturas que era Al-Andalus”, la realidad era distinta, pues aquí encontraron una Hispania Romana con algunas gotas visigodas, mucho más evolucionada culturalmente que ellos, y la convivencia en Al-andalus distó de ser pacífica.
Si hay que agradecerles los naranjos (chinos) y algunas palabras como alfandega o alfombra (no así Alcampo).Y como apunta Huntington, toda civilización con la que limitan, anda a hostias con ellos… por algo será!

Comentar por Pepin

Ó J. acho que não percebeste a minha intenção, era apenas vos mostrar que vocês estavam errados naquilo que diziam do partido nada mais.

Parece-me que estás envolvido em alguma cruzada contra tudo e todos, onde incluis os identitários, como se estes últimos, entre os quais me incluo, não têm, nem querem ter nada a ver, com o chamado movimento nacionalista, pois como já o deixei bem claro, os identitários estão para além desse último. Logo, não sei porque te inquietas tanto, não percebo o que te move contra os identitários?
Como disse o meu objectivo não era promover nenhuma discussão, apenas demonstrar que aquilo que vocês diziam o sobre o tal partido não era correcto, só isso, não percebo as tuas acusações.

Um abraço

Comentar por Pantera

Estimado Pepin, absolutamente certo o que escreve. Já li um texto de Serafin Fanjul e é efectivamente um historiador(?) de grande coragem intelectual.

Em Portugal também a ampla maioria dos historiadores alinham pela versão historicamente correcta ( ver Jean Sévillia aqui) de que os árabes eram representantes de uma cultura superior (curioso, aqui já não há problema em mesurar entre superior e inferior quando se trata de inferiorizar os europeus), de uma civilização tolerante e respeitadora, quando a história demonstra exactamente o inverso.

Comentar por arqueofuturista

Caro Pantera, aquilo que te enviaram em forma de resposta nada prova, pois não acredito que sejas ingénuo ao ponto de pensar que te iriam responder de outra forma…

De resto, não te acusei de nada, apenas referi algo que está bem patente pelos anteriores comentários que aqui deixaste e nos quais te referistes aos identitários em modos muito depreciativos.

Um abraço também para ti.

Comentar por arqueofuturista

Caro Pantera, conheco muito melhor do que tu imaginas o Vlaams Belang…..
E sao identitarios, so que tu nao percebeste, ou nao queres perceber, que o movimento Identitario e, em si mesmo, pluralista.

E ja agora, leste no programa que eles sao pela Uniao Confederal da Europa?!

Abraco,

Miguel

Comentar por Miazuria

Nunca disse o contrário caro Miguel, mas com a resposta dele fico com a ideia que aquela é a posição oficial do partido.

E ja agora, leste no programa que eles sao pela Uniao Confederal da Europa?!
Foi isso que lhe perguntei há uns tempos, infelizmente não consigo traduzir o site todo, pois gostava de ficar esclarecido nesse aspecto.

Cumprimentos.

Comentar por Pantera

Aqui um pequeno excerto sobre a conquista de Lisboa redigido por um cruzado cristão:

” Conta a lenda que, após muitas tentativas, uma das portas é arrombada e o português Martim Moniz consegue mantê-la aberta com o próprio corpo permitindo que os seus companheiros entrassem, ainda que morrendo esmagado por ela. Mais provavelmente com a ajuda das máquinas de sítio, as muralhas são ultrapassadas, em 23 de Outubro de 1147. Segundo Osbernus, depois de entrarem na cidade, os colonienses e os flamengos não respeitam o juramento nem palavra dada ao rei de Portugal e saqueiam a cidade, actuam sem respeito contra as donzelas e cortam o pescoço ao bispo da cidade. Depois da conquista da cidade, uma epidemia de peste dizima milhares de vidas entre os moçarabes e muçulmanos ” in Da Carta Do Crusado Sobre a Conquista De Lisboa

Afinal quem eram os verdadeiros patrocinadores do terror?
Quem eram os verdadeiros bárbaros?

Falaram algures sobre tolerância religiososa, pois caros bloguistas os mais intolerantes sempre forma os Cristãos, pois como explicam que o Islamismo praticamente não é praticado por terras portuguesas, quando cá permaneceram vários séculos. No entanto aquando da conquista mourisca os cristãos sempre poderam professar a sua própria religião, obviamente com o pagamento de um tributo ao regente da cidade. E não refiro aqui a intolerância demonstrada pelos Cristãos aos judeus, no território português.

E a propósito das ciências e das artes, é evidente que a poesia tem proveniências árabes, não vou aqui mencioná-las. Também sei que a numeração decimal que usamos nos dias de hoje tem origens na India ancestral, e erroneamente denominamos numeração árabe, mas também isso deve-se ao facto de os árabes ao longo da história sempre terem sido um povo de comerciantes que viajavam pelo mundo, naturalmente traziam ideias e saber de outras culturas e espalhavam-nas pelos territórios onde se estabeleciam. Aliás, até foi Fibonacci, um italiano o primeiro matemático a utilizar esta numeração trazida pelos árabes para a Europa.

Também estou em crer que não existe dívida ao Islão por parte da Europa, mas o que não compreendo é ver criticar o Islamismo por atitudes que os próprios cristãos tomaram de forma muito mais severa ao longo da história da Europa.

Terá sido o Cristianismo uma religião tolerante ao longo das épocas?
Certamente que na actualidade o Islamismo também não o é?

Mas já diz o velho ditado, quem tem telhados de vidro…

Comentar por João Filipe Ferreira

A Europa deve ao Islão umas boas porradas.

Comentar por Eldridge Cleaver

Caraa,
Muito interessante!!
=)

Comentar por Alynne




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