Considerações necessárias sobre o nacionalismo basco (euskaldun), 7ª parte
Abril 19, 2007, 9:53 pm
Filed under: Em foco, Europa

Conclusões 

Tão nocivo para a construção da unidade europeia é o micro-nacionalismo Basco como é o nacionalismo jacobino estatocrático e centralista, ambos enfermam da mesma tara exclusivista e xenófoba (anti-europeísta). No primeiro caso, o basco, não leva em consideração as transformações operadas na segunda metade do século XX: a vertiginosa ascensão do capitalismo global, a complexidade das redes de informação e comunicação, a geopolítica, a fragilidade das economias de pequena escala. No segundo caso, o nacionalismo de índole jacobina, a evidente extinção das soberanias perante o poder das empresas multinacionais e transnacionais, o desprezo e a ignorância pelas realidades nacionais e linguísticas das pátrias carnais (bascos, bretões, corsos, alsacianos, escoceses, catalães, galeses, galegos, etc.) alojadas no quadro dos estados históricos.

É bem claro que estes dois modelos não oferecem respostas aos desafios colocados pela globalização e pelo mundialismo. A única soberania possível só poderá ser exercida em grandes espaços geopolíticos, cullturais, económicos e civilizacionais, dotados de homogeneidade etno-civilizacional. A implosão de micro-nacionalismos de carácter territorial só contribui para a divisão  do conjunto Europeu, enfraquece e rompe as defesas do nosso continente perante a avalanche dos nossos adversários e inimigos.

 

O discurso e a prática do nacionalismo Basco contraria as novas realidades políticas e sócio-económicas, daí resulta o absurdo de se ser contra a migração castelhana ou andaluza, mas simultaneamente permanecer-se autista ante a invasão e colonização de alógenos vindos de África, Ásia e América do Sul. Uma contradição que, mais tarde ou mais cedo, virá a luz. E, por outro lado, o que vemos e ouvimos do nacionalismo espanhol, estatocrático e centralista, de matriz castelhana, e o elogio da “hispanidade”, a solidariedade com os ditos povos “hispânicos” onde se incluem os indígenas Quechuas e Aymaras do Peru, Bolivia e Equador: o pior do “nacionalismo”  baseado exclusivamente no idioma!

A mesma cegueira e a mesma tacanhez de duas visões opostas, mas unidas na indefinição de quem é amigo ou inimigo.

O nacionalismo basco nasce de uma deformada concepção “volkisch” (etnicista), acabando por integrar doutrinas (marxismo) que pouco tem a ver com o corpo doutrinário original, sendo que todos os nacionalismos exclusivistas aportaram instabilidade ao continente Europeu: causaram guerras civis, dizimaram inteiras populações, geraram ódios e conflitos entre os povos Europeus. Por esta e outras razões, as pátrias carnais deverão ser edificadas em três pilares: na subsidiariedade no que respeita a distribuição e atribuição de poderes, no federalismo e confederalismo e, por último, no socialismo identitário, afastado do marxismo, enraizado nas tradições Europeias do socialismo utópico e distributivista, sendo que o verdadeiro socialismo só poderá ser construído numa sociedade homogénea, com valores comuns.

Por outra parte, do nacionalismo Basco podemos aprender a sua capacidade de mobilização e organização, a originalidade da sua implantação no tecido social, a articulação com a comunidade (cooperativas e associações culturais. Os seus métodos são adaptáveis e pedagógicos, mas os objectivos, incongruentes e desfasados da realidade. O quadro jurídico-político do estado-nação está em permanente transformação e não corresponde , desde logo, ao que foi no passado.

Numa perspectiva ideológica o que hoje se confronta são duas concepções da identidade, a etnolinguística (Herder e François Fanton) e a voluntarista-contractual (Renan). A nossa concepção vai para a primeira, na medida em que protege e preserva a matriz do nosso ser.

A Europa do futuro, ainda a construir, respeitará todas as identidades nacionais. Os estados-nação históricos como são a Espanha, a França e o Reino Unido organizar-se-ão numa estrutura federal ou confederal, elevando ao estatuto de línguas oficiais as das pátrias carnais, consagrando constitucionalmente a autonomia e o auto-governo.

Ao mesmo tempo que se preserva a integridade territorial dos estados históricos, impede-se pela autonomia cultural, económica e politica, a tentação do micro-independentismo. O nosso combate emerge do localismo e do regionalismo, passa pela pátria carnal e termina na defesa do nosso espaço comum: a Europa.

O que hoje importa e vale é a clarividência, a lucidez na acção política, a capacidade de esboçar propostas e soluções aptas a unir todos os povos Europeus contra os seus verdadeiros inimigos.

Não confundamos as coisas, arriscamos a não usufruir de segundas oportunidades. 

Miguel A. Jardim


1 Comentário so far
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O nacionalismo basco é o fruto mais do que lógico e legítimo da integração forçada de um povo num mini-império centralista. Tem toda a legitimidade, pelo menos na sua génese, e se é nocivo para a unidade entre europeus a culpa é da tara imperialista castelhana, essa sim bastante nociva não só para a Europa como para uma maior unidade entre os povos da Ibéria.

Comentar por Paulo




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