Dois pesos e duas medidas de Egídio Vaz
Abril 3, 2007, 12:05 pm
Filed under: Em foco

Recentemente o blogueiro moçambicano Egídio Vaz fez eco da histeria parola que grassou pelo nosso país devido ao cartaz do PNR, tendo referido num artigo do seu blog que o Arqueofuturismo Online era portador de uma “ideologia doentia e desesperada”. Observador atento de tudo o que pela antiga metrópole se vai passando, Egídio Vaz não se coíbe de opinar sobre a vida nacional, e até mesmo de comentar programas televisivos como os Grandes Portugueses, o qual a figura histórica Oliveira Salazar venceu com a esmagadora maioria dos votos.

Ora, se no artigo que Egídio Vaz dedica ao concurso televisivo e no qual patrioticamente assevera que frente ao colonialista Salazar se ergueu “a afirmação nacionalista do povo moçambicano”, não deixa de ser paradoxal lermos que o texto referente ao dito cartaz tem por título “Puritanismo Português ou Neofascismo?”! Coloca-se inevitavelmente a questão; será que a afirmação nacionalista dos povos é exclusiva dos povos africanos e excludente dos povos europeus? Em que medida é o nacionalismo moçambicano mais saudável que o nacionalismo dos portugueses, pelo Egídio Vaz apodado de doentio e desesperado?

Sendo certo que, através de um salutar debate mantido nas caixas de comentários deste mesmo blog, Egídio Vaz se mostrava preocupado com a imigração descontrolada que ameaçava a sua terra natal e até compreensivo pelas inquietações por mim expressas face a este programa político genocida comummente designado multiculturalismo, não deixa de ser bizarro o volte-face.

Contudo, para que Egídio Vaz perceba correctamente o que eu e tantos outros temos vindo a alertar, a combater sem quartel, e que alguns, fiéis cumpridores da sua vulgata ideológica, pretendem denunciar como sendo um ataque directo aos imigrantes, o que não é rigorosamente verdade, já que é bem patente neste blog e noutros sítios que o que está efectivamente em causa é a factual e agressiva invasão migratória e consequente colonização alógena de Portugal, e por extensão da Europa, e que implica o desaparecimento gradual, mas eterno, pois a extinção é para sempre, da nossa especificidade etnocultural, exactamente aquilo que os arautos do multiculturalismo evocam hipocritamente como sendo a maior riqueza do mundo…

Para que Egídio Vaz perceba exactamente as minhas palavras, a minha preocupação que é extensível a tantos outros portugueses que desejam orgulhosamente continuar a sê-lo, apresento-lhe este vídeo realizado por bandalhos que ninguém ousa identificar, deter, expulsar do território nacional, pois isso seria (já se ouve a berraria espasmódica do Rui-os-outros-primeiro-que-os-meus-Marques, do José-odeio-a-minha-raça-Falcão, do Daniel-venham-mais-imigrantes-Oliveira) um hediondo crime racista.


24 comentários so far
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Caro Arqueofuturista,
Lamento o vídeo. Lamento mesmo. principalmente quando se usa estes canais para se humilhar aos outros. Como patriota, tem toda a razão de se ralar com esses. E pode ser compreensível quando estende a sua ira ao resto dos imigrantes. A todos doi.
Todavia, gostaria de dar aclarar dois pontos.
Primeiro, gosto muito de ver este blog. Muito mesmo. E se você,. através do sitemeter verificar a proveniencia das visitas, verá que algumas da netcabo vêem de moçambique. E eu sou um dos mais frequentes visitantes. Não para irritâ-lo, como muitos dos “seus” fazem quando vêem no meu blog, mas para aprender de si. E tenho aprendido. Aprendi consigo, e numa frase célebre, de que pode não concordar comigo, mas está disposto a morrer para que eu, também fale.
Segundo, gostaria de aclarar, mais uma vez, o “erro” por mim cometido, quando inclui-o na lista de pessoas com ideias desesperadas e doentias. Na verdade, você tem ideias brilhantes, apesar de não concordar com elas, na sua maioria. Admiro a sua forma de argumentação. É um desafio enorme afrontá-lo. E isto estimula-me. Bastante.
Indo á questão, acho que a imigração descontrolada devia ser combatida sim. Ora, quem combaterá? Você contra o imigrante, ou seja, o povo Português contra toda a raça imigrante? O Estado contra os Estados? Aí, a questão é deveras preocupante e urge uma solução inteligente. O nacionalismo, na verdade, não é. principalmente quando se levantam questões de índole racista, e, acima de tudo, quando a mensagem é bem dirigida. Os imigrantes. Estes e outros asuntos estão bem colocados e debatidos com João Feijó e Stran, dois portugueses que se bateram contra a placa do PNR.
Um abraço fraterno. Pelo diálogo intercultural.
Egídio Vaz

Comentar por Egidio Vaz

O amigo Egídio esteve um pouco mau na crítica ao Arqueofuturismo, pois ele é boa pessoa, as palavras foram um pouco rigidas, mas penso que foi um desabafo e que não era propriamente aquilo que queria dizer.

Seja como for relativamente ao cartaz penso que era bem melhor, não dizer que “Portugal é dos Portugueses”, porque Portugal não tem propriamente um dono, Portugal também é, de todos aqueles que já morreram e que lutaram por este país, além disso dá a ideia que Portugal está contido no universo dos portugueses, enquanto o correcto é os Portugueses estarem contidos no universo Portugal , que é bem mais que o povo que cá vive.

Relativamente ao cartaz, que está bonito diga-se de passagem, (embora muito génerico) onde está escrito “BOA VIAGEM”, eu sugeria pôr lá “BOA VIAGEM E LEVEM-NOS COM VOCÊS”, ou seja, era o dois em um, iam os imigrantes e os “nacionalistas” do PNR, isso sim era a cereja em cima do bolo, mas pronto não se pode ter tudo, mas não faz mal sonhar.

Um abraço aos dois.

Comentar por pantera

Prezado Egídio vaz, quero desde já referir que enretanto li o seu mea culpa, pesente na caixa de comentários do seu blog, no que ao Arqueofuturismo Online concerne. Obviamente que aceito a justificação para essa precipitação, pois assumo que muito me espantou tal rótulo após a animada as respeitadora conversa que mantivemos neste e também no seu blog não há muito tempo.

Muito me apraz os elogios tecidos a este espaço internético, que se quer primordialmente como um local de reflexão, uma reflexão, diga-se, direccionada para a acção cívica.

No que à imigração respeita, este problema transversal a todos os povos em todos os continentes, tem obviamente de ser encarado de frente pelo poder político, o qual é neste momento o principal culpado da migração massiça de pessoas oriundas dos mais diversos continentes para a Europa, olhada como um novo El Dorado, pessoas estas que mais não são para estes políticos que meras mercadrias humanas, enfim, produtores/consumidores. O cerne da questão está no facto de que todas estas pessoas colocam não somente em risco a estabilidade financeira dos trabalhadores europeus (atenção que refiro-me aqui somente à Europa, se bem que ese fenómeno seja idêntico em qualquer outra parte do globo), que assistem impotentes à sua descapitalização, dado que os imigrantes exercem as mesmas funções por ordenados muito mais baixos. Mais acrescento, que a entrada desenfreada e alógenos num outro país (leia-se o artigo de Faye publicado neste blog antes deste que agora comentamos) conduz inevitavelmente a uma substituição gradual da população de determinado território (Kosovo), e com isso a perda de identidade e consequente obliteração etno-cultral de um povo.

A mensagem expressa no cartaz do PNR espelha as inquietações de uma parte da população portuguesa que não se revê na política de imigração do governo luso (ou na falta dela). A mensagem não ceio que tenha sido particularmente direccionada para os imigrantes, mas antes para a classe política portuguesa que compactua, e engorda, com a entrada e exploração dos imigrantes em Portugal.
Outros políticos portugueses, que não são nacionalistas, como Paulo Portas já referiu a necessidade de uma nova abordagem a este fenómeno migratório. Louçã do Bloco de Esquerda também mencionou que se por um lado apoia a entrada de imigrantes (nós sabemos que o apoio deste se deve a um mero cálculo eleitoralista!), mas que essa entrada deverá ser regulamentada. Ora, a verdade é que nada disso acontece. A criminalidade praticada por imigrante é galopante, há cerca de 30 mil imigrantes registados nos centros de emprego, as prisões portuguesas enchem-se de imigrantes, o nível de vida dos portugueses começa a decrescer de forma abismal, no entanto, quando alguém se insurge perante esta imigração não-controlada (não contra a pessoa imigrante), erguem-se logo as vozes da polícia do pensamento único para clamarem RACISMO!, quando na verdade os verdadeiros racistas são eles, aqueles que desprezam os traços identitários dos povos, sejam os autóctones sejam os alógenos, tudo porque o que realmente interessa a essa gente é o Deus $, ou melhor, no caso europeu, o Deus €.

Caro Egidio, como bem sabe, uma notícia tem sempre várias formas de ser interpretada, este cartaz também a isso está sujeito.

Receba um abraço amigo e subscrevo a ideia do diálogo intercultural, sinal de que as culturas estão vivas, e não perecem mergulhadas num caldo étnico que os promotores dos benefícios da sociedade multicultural desejam.

Comentar por arqueofuturista

Caro Pantera, agradeço que evites as provocações, sejam elas dirigidas a quem for, pois não desejo que este espaço se torne o “cabaret da coxa” e no qual tem prevalecido a boa educação e o repeito, independentemente de se discordar de outrém.

De resto, é verdade que a concepção de nação assenta como dizia Barrés no sangue, na terra e nos mortos. Eu acrescento os vindouros também.

Forte abraço.

Comentar por arqueofuturista

Tu és um mestre da retórica, mas pelo menos não demonstras ódio. No entanto a tua argumentação apresenta muitas fragilidades:

1- Nota-se que és uma pessoa inteligente ao perceberes que o discurso do Louçã é eleitoralista, mas ao não afirmares o mesmo em relação ao discurso do Paulo Portas demonstras uma simpatia por esse populismo. Achas que o PP anda à caça do quê?

2- Não achas que o discurso anti-imigração também constitui uma forma de desculpabilização dos nossos erros e da nossa incompetência? Não será também um argumento laxista? Sabes o que dizem os Ucranianos sobre a qualidade do nosso ensino? Não poderá a imigração constituir um estímulo para o profissionalismo? Claro que era muito mais agradável não termos ninguém com quem competir, mas também muito mais medíocre…

3- Não será o teu cepticismo em relação ao multi-culturalismo bastante reducionista? Não poderão haver casos de sucesso? Não poderão haver equipas de trabalho de sucesso? Não se poderão complementar se fizerem um esforço nesse sentido? Nunca conseguiste fazer bons amigos de outros continentes?

4- O que é a alternativa ao multi-culturalismo? O mono-culturalismo? E o que é isso? minhotos para um lado e algarvios para o outro? Sim, faria mais sentido juntar minhotos e galegos e algarvios com o pessoal da andaluzia. Só jovens e só velhos? Quem é que define quais são os critérios culturais? Os nossos bisavós? Ouvir Amália e fado? Comer sardinhas e ir a Fátima?

5- A cultura não é um conceito estático. É algo dinâmico que resulta da troca de contactos entre os povos, tão milenar como a origem do Homem. Negar a evolução da cultura é negar algo de inevitável.

6- Negar o multiculturalismo é viver “orgulhosamente só”, é ser claustrofóbico, desculpa o exagero mas é quase incestuoso, é não evoluir, é morrer lentamente.

Comentar por Paz

Cara(o) Paz, agradeço o título de mestre da retórica mas sou obrigado a rejeitá-lo, visto que, além de estar longe disso, apenas esgrimo argumentos razoáveis e ao alcançe de quem quer que seja que procure interpretar a conjuntura em que vivemos.

Com respeito aos pontos por si enunciados, ora vejamos:

1- Não demonstro simpatia pelo populismo de Paulo Portas ao acusar Louçã de eleitoralismo porque as afirmações de Portas são reveladoras de uma certa coragem política. Não divide que todos os políticos sem excepção pensam o mesmo e o comentam à boca pequena. Jornalistas e pessoas da cultura idem. Contudo, quem ousa nesses meios falar da imigração? É Ttabu. Isto porque ninguém quer ser acusado de racista e ver a sua carreira posta em causa. A subversão linguística é tal que quem abordar esta questão é acusado de racista e xenófobo, ao invés de ser considerado defensor dos interesses nacionais. Portanto, o discurso de Portas não pode ser eleitoralista.

2- Não, o discurso anti-imigração não serve para desculpabilizar a nossa incompetência. Ao contrário do que possa imaginar a imigração não cria competição mas antes pauperização. Em Portugal dá-se preferência à imigração luso-parlante, em detrimento da imigração europeia, muito mais qualificada (daí a crítica destes em relação ao ensino português e a sua debandada do nosso país). Como não existe uma efectiva política de imigração, realista, selectiva e discriminatória, continuaremos a permitir que os nossos postos de trabalho sejam ocupados por pessoas não-qualificadas e que se sujeitam a auferir de ordenados baixíssimos. Propala-se hipocritamente que os imigrantes fazem os trabalhos que os portugueses não querem fazer. Falso, porque vamos encontrar os portugueses a fazer esses mesmos trabalhos em Espanha, em França, na Inglaterra, etc, mas com uma diferença: nesses países são devidamente remunerados e são lhes garantidas dignas condições de trabalho. Portanto, não existe competição alguma nesta imigração que Portugal conhece, pelo contrário.

3- No que ao multiculturalismo concerne não se pode confundir esse processo promovido por estados e instituições e que visa a aceitação do multiculturalismo forçado como algo inevitável, sendo que o futuro será a mestiçagem generalizada (curiosamente, ou talvez não, isso apenas se passa na Europa), com casos isolados de pessoas que se apaixonam e naturalmente decidem ter filhos.
porém, é pertinente aqui realçar que o multiclturalismo sempre existiu. Aliás, o mundo é multicultural, e as relações multiculturais sempre foram uma prática desde o primeiro dia em que dois Homens distintos se cruzaram. A gesta dos Descobrimentos levada a cabo pelos nossos antigos não foi isso um exercício de multiculturalidade? O que já não é aceitável é que, escudados sob a capa do multiculturalismo, se procure aproveitar economicamente e eleitoralmente a introdução massiça de pessoas oriundas de outros continentes no nosso país. O paradoxo da acção dos multiculturalistas está em que fomentando a vinda de outros povos para a Europa acabam inevitavelmente por conduzir à obliteração das especificidades identitárias dos povos que agora enaltecem, nomeadamente através da mestiçagem.
Esta minha relação, ainda que à distância, com Egídio Vaz não é ela um bom exemplo de multiculturalismo?

4- A alternativa ao multiculturalismo é simples; passa por abandonar toda a política que visa forçar e impor a mestiçagem. Repare que hoje está em voga a exaltação do mestiço. No entanto, se alguém exaltar o português de raíz, a europeidade, é-se imediatamente rotulado de racista, xenófobo, de supremacista. Não é a admiração pelo “outro” e o seu mimetismo um acto xenófilo?
Uma sociedade onde não impere o multiculturalismo como forma obrigatória de vida é uma sociedade mais livre e respeitadora das diferenças, sendo estas mais valorizadas ainda.

5- Claro que a cultura não é um conceito estático. Como bem diz passa também pela troca de contactos entre povos. Ora, pergunto eu, se nos afundarmos no multiclturalismo miscigenador, em que se perderão todas as características culturais dos povos, essa riqueza que torna o mundo tão belo, não corremos os risco de cair numa paralisia cultural, de ficarmos cristalizados e estaganados culturalmente?

6- Não, negar o multiculturalismo e combatê-lo é acima de tudo exaltar abertamente a vida e a diversidade, preservando-a e promovendo-a, ao contrário da prática multiculturalista, niveladora e, não por poucas vezes já referido, destruidora de todas as especificidades identitárias dos povos que compõem este nosso planeta fabuloso. Se o multiculturalismo tivesse sido uma prática desde os primórdios não teriamos hoje as pirâmides do Egipto, Angkor Vat no Cambodja, Machu Pichu no Peru, a acrópole na Grécia.

Melhores saudações identitárias e anti-multiculturalistas.

Comentar por arqueofuturista

Meu caro Arqueofuturista, obrigado pela dica sobre o vídeo dos brasileiros. Já lhe dei o destaque que considero devido…

Máquina Zero

Comentar por maquinazero

Viva.

Realmente também acho que és um mestre da retórica e que aqui e ali cais na contradição. Mas de facto, não demonstras ódio e aparentas ser uma pessoa informada, afável e simpática, ao contrário de outros que citas no teu blog. Só tenho três conjuntos de questões para reflectir:

1- O que é a identidade nacional? Onde está a raiz da identidade nacional? Na língua portuguesa? Mas achas que todos apropriamos a língua da mesma maneira? Achas que a língua que eu e tu falamos é igual à dos jovens, repletos de estrangeirismos (que eu também utilizo)? Está em Camões e em Fernando Pessoa (que escreveu em inglês), bastante diferentes entre eles? Está no português medieval ou no português contemporâneo? Quantos portugueses sabem quem era o Fernando Pessoa, ou melhor, quantos gostam de ler? Estará também no Manuel da Fonseca ou no José Saramago que certamente se desmarcariam dos teus ideias? Quantos portugueses lêem jornais? Quantos terão capacidade para compreender esta conversa? Repara que tens mais afinidade com o Egídio do que com muitos portugueses.

Estará nos costumes? Repare-se que os cantares do Alentejo são bem distintos dos do Minho, assim como a arquitectura, as paisagens, a religiosidade, as orientações políticas, a densidade populacional ou a gastronomia. Em todos esses aspectos um minhoto é bem mais parecido com um galego do que com um alentejano. Um algarvio tem, geralmente, muito mais em comum com um andaluz do que com um minhoto. Estará na gastronomia portuguesa? Então mas se a batata, o feijão e o milho vieram da América e se o arroz e inúmeras especiarias vieram do oriente… será que grande parte dos nossos pratos tradicionais são produtos “poluídos”?

Qual será então a raiz? Estará na história? No sentimento de termos vivido um passado comum? Quantos portugueses sabem quem foi o Vasco da Gama? E quem conhece o D. João II? Quem sabe quem foi a Dona Inês de Castro? Se se fosse fazer um teste de conhecimentos de história à população universitária deste país, provavelmente mais de metade chumbava. Imagine-se então o resto da população (exceptuando, claro, as mulheres da bela e o mestre). Quem é que tem legitimidade para definir o que é puramente português e o que não é? Afinal, quando defendemos o que é português estamos afinal a defender o quê?

A identidade nacional é algo de bastante recente, e foi imaginada e difundida pelas elites políticas (as massas identificavam-se unicamente com a sua região) por intermédio do ensino das massas e dos mass media e de acordo com os interesses políticos das próprias elites. Posso contar uma história engraçada e ilustrativa: quando o rei D.Duarte em finais do século XIX navegava ao largo da Póvoa de Varzim perguntou a dois pescadores: “são portugueses?”. A resposta foi: “não. Somos da Póvoa”. Por causa dessas manipulações políticas e nacionalistas (todas as vezes contraditórias), por causa dessas concepções tribais de identidade, quem é que se lixou? Foram os políticos? Não. Foram as massas. Milhões de anónimos inocentes e ingénuos como tu e eu foram manietados e muito sangue correu. O que temos a aprender com isso?

2- Há que distinguir o nacionalismo saudável do não saudável.
a) Ainda que assente em muito folclore, em muitas contradições, o primeiro relaciona-se unicamente com o ter orgulho em valores locais. E é saudável porque constitui uma inocente manifestação de identidade e tem em consideração que a cultura é dinâmica e que ele é o resultado de trocas culturais. Também é saudável quando se mostra aberto à cultura dos outros e a interioriza se lhe apetecer e quando reconhece que esse processo de inter-influência é inerente às dinâmicas sociais. Não nega essa inter-influência e aceita-a de forma espontânea. Esse é o Homem do futuro: pós-nacionalista.

b) o segundo existe por negação do outro e revela ódio e rancor. Tipo “Eu sou português porque não sou espanhol”, “sou português porque não sou preto”. Enfim… Este tipo de nacionalismo é atávico e cria obstáculos ao relacionamento entre povos. Sou muito sincero, pelas mensagens de ódio que difundem, pelos discursos racistas que emitem tenho muito mais medo destes grupos nacionalistas do que dos imigrantes que vivem em Portugal. Não é por ser “politicamente incorrecto”, mas simplesmente porque atiça conflitos, ódio e violência e, esses sim, colocam em causa a segurança das pessoas.

3- Não vejo mal em se manifestar a cultura nacional (seja lá o que isso for). Repito, é saudável uma pessoa expressar aquilo com que se identifica. Mas sem se demonstrar curiosidade sobre a cultura dos outros torna-se claustrofóbico. Ninguém é obrigado a assimilar a cultura dos outros. Cada qual pode escolher livremente.
Uma identidade constitui uma página em branco, onde cada qual vai desenhando o seu próprio percurso. É isso que a torna dinâmica, complexa, única e inconfundível. A minha identidade é o que faz com que eu não seja idêntico a outra pessoa, seja ela portuguesa, espanhola, angolana ou do Burkina Faso. Como diz o Mia Couto, “cada homem é uma raça”.

Retribuo as saudações, mas sem qualquer tipo de rotulagem,

João

Comentar por João

Bravo, Arqueofuturista!

Comentar por Afonso Lima

1- O que é a identidade nacional?

É a natureza da Nação, assente na ancestralidade racial, étnica e histórica.

Onde está a raiz da identidade nacional? Na língua portuguesa?

Sim – e no sangue dos Portugueses, evidentemente.

Mas achas que todos apropriamos a língua da mesma maneira?

Naturalmente que diferentes grupos etários, profissionais, culturais até, usam a língua de maneira diferente. Mas isso não faz com que haja diferentes línguas consoante a idade ou a profissão, como é absolutamente óbvio.

Está em Camões e em Fernando Pessoa (que escreveu em inglês), bastante diferentes entre eles?

Diferentes, mas não o suficiente para que se possa dizer que falavam dois idiomas diferentes…

Está no português medieval ou no português contemporâneo?

Em ambos, uma vez que se trata da mesma língua. A menos que agora se venha dizer que Portugal já teve várias línguas oficiais: o Português medieval, o Português renascentista, o Português contemporâneo…

Quantos portugueses sabem quem era o Fernando Pessoa, ou melhor, quantos gostam de ler?

O que tem isso a ver com o tema?

Repara que tens mais afinidade com o Egídio do que com muitos portugueses

Isso só seria verdade se o Arqueofuturista considerasse o nível de instrução mais importante do que os laços de sangue, coisa de que duvido seriamente… e que, bem vistas as coisas, seria verdadeiramente monstruoso. Significaria por exemplo que, se a mãe do Arqueofuturista fosse analfabeta, o dito teria mais afinidade com um africano que fala Português do que com a sua própria progenitora…
Pretender a aceitação de tal coisa só seria possível a quem quisesse fomentar um projecto da mais ousada engenharia antropológica, e «ousada» é eufemismo para dizer «aberrante».

Estará nos costumes? Repare-se que os cantares do Alentejo são bem distintos dos do Minho, assim como a arquitectura, as paisagens, a religiosidade,

Mas a população alentejana não difere da minhota nem em termos raciais, nem em termos de referências históricas, nem em língua, nem sequer em ancestralidade, no essencial. Claro que há diferenças entre Minho e Algarve, mas por alguma razão existem palavras diferentes para expressar circunscrições diferentes: «região» não é, nunca foi, o mesmo que «nação».

Em todos esses aspectos um minhoto é bem mais parecido com um galego

O que só significa que a Galiza seria facilmente integrável em Portugal.

Um algarvio tem, geralmente, muito mais em comum com um andaluz do que com um minhoto

Não no que ao essencial diz respeito.

Estará na gastronomia portuguesa? Então mas se a batata, o feijão e o milho vieram da América e se o arroz e inúmeras especiarias vieram do oriente… será que grande parte dos nossos pratos tradicionais são produtos “poluídos”?

E será que Portugal mudou ontologicamente pelo facto de passar a incluir a batata na sua alimentação?
E um sueco que comece a comer regularmente comida chinesa, é como se nascesse novamente? Deve mudar de nome? Deve, pelo menos, passar a considerar-se sino-sueco?

Qual será então a raiz?

Na ancestralidade.

Estará na história? No sentimento de termos vivido um passado comum? Quantos portugueses sabem quem foi o Vasco da Gama?

Um recém-nascido, filho de portugueses, é menos português só porque ainda não fala Português?…

Quem é que tem legitimidade para definir o que é puramente português e o que não é?

Há que ver, caso a caso, em que medida se aplica essa questão.

Afinal, quando defendemos o que é português estamos afinal a defender o quê?

A defender a língua portuguesa, o folclore nacional e os descendentes dos Portugueses.

A identidade nacional é algo de bastante recente,

Não, é algo de bastante antigo. Na verdade, o conceito de identidade nacional já existia na Grécia antiga.
Quanto à identidade portuguesa, a ignorância a respeito da sua existência não a torna menos real. E já se mostrava real antes até de Afonso Henriques, uma vez que a existência do idioma galaico-português precede em séculos a vinda do pai de Afonso Henriques para a Ibéria.

Por causa dessas manipulações políticas e nacionalistas (todas as vezes contraditórias), por causa dessas concepções tribais de identidade, quem é que se lixou?

Ninguém. Não são as concepções tribais que lixam seja quem for, mas sim as utilizações agressivas e imperiais que se fizeram de certos patriotismos.
Ainda assim, se se for condenar uma doutrina devido às suas consequências danosas, então o universalismo fraternalista está em primeiríssimo lugar na lista dos malditos (com uma vantagem superior à de Salazar sobre Cunhal, veja-se bem…): Cristianismo, Islão, Comunismo, diferentes versões do universalismo fraternalista, fizeram correr mais sangue do que toda e qualquer outra tendência doutrinal.

2- Há que distinguir o nacionalismo saudável do não saudável.
a) Ainda que assente em muito folclore, em muitas contradições,

Resta saber que «contradições» são essas.

b) o segundo existe por negação do outro e revela ódio e rancor. Tipo “Eu sou português porque não sou espanhol”, “sou português porque não sou preto”. Enfim… Este tipo de nacionalismo é atávico e cria obstáculos

Este também é saudável – a noção da diferença entre «nós» e «eles» é inerente à condição humana e constitui um princípio fundamental de individuação. Querer aboli-la é querer o caos, literalmente falando, visto que «caos», em Grego, designa o estado de «abertura» no qual não existe ainda qualquer forma.

Não é por ser “politicamente incorrecto”, mas simplesmente porque atiça conflitos, ódio e violência e, esses sim, colocam em causa a segurança das pessoas.

Seguramente que as inúmeras gangues de imigrantes e filhos de imigrantes ameaçam muito mais a segurança e o bem-estar psicológico da população do que qualquer grupo nacionalista.

Mas sem se demonstrar curiosidade sobre a cultura dos outros torna-se claustrofóbico

Claustrofobia é medo de estar em espaços fechados. Assim, quem revela claustrofobia é afinal quem tem medo de estar num País com uma cultura definida e fronteiras bem definidas e estáveis. É aliás assim que se define boa parte do politicamente correcto: claustrofobia étnico-racial.

Enfim, quem não gosta de estar num país fechado, é livre de o abandonar, seja para entrar noutro país (se este o permitir, bem entendido), seja para singrar pelo vasto oceano, ou pelo deserto, enfim.

Uma identidade constitui uma página em branco,

Não, uma identidade não é, nunca foi, nunca será, jamais poderia ser, uma página em branco. Uma identidade é, pelo contrário, um fundamento de identificação que é definido à nascença, ou até antes do nascimento, visto que ninguém vem ao mundo sem pertencer a uma família, uma nação, uma etnia e uma raça (os diferentes graus da Estirpe).

onde cada qual vai desenhando o seu próprio percurso

Convém não confundir Identidade com Personalidade – esta é mutável e singular, aquela é tendencialmente imutável e trans-pessoal.

Comentar por Caturo

6- Negar o multiculturalismo é viver “orgulhosamente só”, é ser claustrofóbico, desculpa o exagero mas é quase incestuoso, é não evoluir, é morrer lentamente.

É precisamente o contrário – é manter nítida a diferença entre «nós» e «o outro», essencial para que possa haver verdadeira identidade: porque toda e qualquer identidade exige a existência de barreiras, isto é, de delimitações, de fronteiras.

Acresce que a evolução não obriga à diluição ou à mudança de natureza. Há uma diferença fundamental entre a alteração do rosto devido à idade (evolução) e a alteração do rosto devido a um acidente ou a uma cirurgia plástica.

Comentar por Caturo

Dou os meus parabens ao amigo Caturo pelas belas respostas.

Comentar por pantera

Nos dias de hoje, nas Ciências Sociais já ninguém tem dúvidas que não existem raças entre os homens. Trata-se de algo consensual, aceite inclusivamente pela ONU desde os anos 50. Aliás pode haver mais variabilidade genética entre dois portugueses do que entre um português e um africano. Os próprios estudos da genética vêm-no confirmar. O conceito de raça constitui uma construção social, algo que é imaginado por determinadas pessoas. Em relação ao sangue, nas áreas da antropologia biológica, da genética ou da medicina há muito que se distinguem apenas:

a) 4 grupos sanguíneos (A, B, AB e O)
b) factor Rhesus (Rh+ e Rh-).

Estes tipos de sangue estão presentes em todos os povos e não há qualquer diferença entre eles ao nível dessa distribuição. Portanto do ponto de vista científico, considerar que existe um sangue português não tem qualquer validade.

Por tudo isso, a utilização do conceito de “ancestralidade racial” na fundamentação de uma “identidade nacional” traduz uma grande confusão entre cultura (um conceito dinâmico e mutável) e raça (um conceito sem validade científica). Algumas teorias que são aqui defendidas não passam de um dogma, de uma crença, de uma fé, de algo que só pode ser imaginado e que está repleto de contradições. Parece-me que estão cheios de ideias e frases feitas e que querem acreditar nelas à força toda.

Sugiro o filme América Proibida (que naturalmente já devem conhecer) e o livro Identidades Assassinas de Amin Malouf. E revejam os conceitos de cultura, de raça, de identidade e de nação. Mas procurem pessoas com provas dadas nessas matérias, pessoas credíveis das áreas da sociologia ou da antropologia, não um racista fanático qualquer. Assim de cor sugiro o sociólogo inglês Anthony Smith (“Identidade Nacional”, publicado na Gradiva) ou os n.º 3 e 4 da revista “Ethnologia” da Universidade Nova de Lisboa.

Comentar por Paz

João, com todo o respeito que me merecem as suas questões, a verdade é que o meu amigo Caturo se adiantou, permitindo-me eu considerar que ele respondeu por mim.

Paz, sinceramente não percebo onde quer chegar com as palavras que escreve. Refere as Ciências Sociais, a Antropologia, a Sociologia (disciplinas que podem ser traduzidas para simplificar por Marxismo Aplicado, ou pelo menos da forma como são hodiernamente lecionadas), para nos dizer que as Raças não existem, e acrescenta mesmo que a ONU corrobora tal opinião. Fez-me lembrar uma notável passagem que li num boletim da UNESCO que dizia algo como isto; “mesmo que se as diferenças raciais fossem comprovadas não iriamos alterar em nada o nosso posicionamento”. Sintomático de quem prefre a cegueira dogmática a enfrentar a realidade.

Outro pensamento que me ocorre é o facto de que se tais organismos e ciências asseveram perempetoriamente que as Raças não existem, porque será que as legislaçõesdos estados europeus sancionam judicialmente pessoas acusadas do crime de racismo? O que quero dizer é que se as raças não existem, então, não me parece lógico que alguém seja punido por cometer um crime de índole racial.

Mais, não existindo Raças, as identidades sendo uma confusão com a cultura, que por sua vez é um conceito mutável, afinal, questiono-me, onde reside o contributo magnífico do multiculturalismo, os benefícios da troca cultural entre os povos, as vantagens da mestiçagem, em suma, tudo aquilo que os promotores da religião multiculturalista defendem quando dizem que a vinda de mais imigrantes será uma vantagem para Portugal?

Eu que me defino como etnocentrista, etno-diferencialista, não posso deixar de esboçar um sorriso irónico quando leio tais palavras, bem memorizadas do decálogo da ideologia universalista dos diereitos humanos diga-se em reconhecimento da verdade, pois aqueles que dizem combater o racismo, a xenofobia, que negam a existência das Raças, jamais (felizmente) conseguirão transmitir tamanha aberração aos povos enraizados, isto é, aos povos que por este mundo fora não se deixaram infiltrar pela peçonhenta verborreia do “todos diferentes, todos iguais”, pois eles bem sabem quão falso tal postulado é. Oh Paz, tente transmitir essa patranha propalada por alguns universitários encostados à esquerda política ocidental aos aborígenes da Papua Nova Guiné, aos índios yanomani da Amazónia!

Comentar por arqueofuturista

Caro futurista (gosto desse conceito),

Com esta resposta, cada vez mais me convenço que, repito, “algumas teorias que são aqui defendidas não passam de um dogma, de uma crença, de uma fé, de algo que só pode ser imaginado e que está repleto de contradições. Parece-me que estão cheios de ideias e frases feitas e que querem acreditar nelas à força toda”.

Passo a explicar:

1- Quando os argumentos não lhe convêm utiliza o manobra de diversão do “marxismo aplicado” (se for ler o Anthony Smith vai reparar que ele é bastante crítico em relação aos nacionalismos de carácter marxista) ou então dando exemplos infelizes de quem não se soube explicar (como foi o caso do indivíduo da UNESCO, aparentemente alguém que também quis “defender os seus argumentos à força toda”). Acha mesmo que há diferenças entre os Humanos, da mesma forma que existe entre um caniche e um pastor alemão? O pessoal da biologia moderna e da genética também são todos marxistas? Ao nível de capacidades cognitivas e motoras somos todos assim tão diferentes? Ou as diferenças assentam ao nível das diferentes oportunidades que cada um teve para desenvolver as suas competências? Como explica que ajam europeus, africanos ou asiáticos doutorados, honestos, pacíficos e activos e outros, também europeus, africanos ou asiáticos que são bastante ignorantes, corruptos, conflituosos e altamente preguiçosos?

2- Apesar de ser mais do que consensual que as raças não existem, um facto é que o ser humano se racializou, continuando a realizar discriminações com base em pressupostos racistas que, como lhe expliquei sem qualquer tipo de rotulagem política não têm qualquer sentido científico. As constituições dos países democráticos europeus assentam no princípio das revoluções francesas da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que eu defendo (etnocentricamente, como o senhor, aí até somos parecidos). Com base nestas Constituições é proibido realizar discriminações de cidadãos de um país com base no género, na origem geográfica, na orientação sexual ou em determinados pressupostos raciais. Se eu precisar de contratar um médico para o meu hospital vou contratar alguém que seja qualificado, competente, cumpridor, responsável, dedicado e profissional não acha? Porque existe muito preconceito na sociedade, os Estados modernos proibiram qualquer tipo de discriminação só pelo simples facto de o candidato ser homem ou mulher, branco ou negro, da cidade ou da aldeia, da esquerda ou da direita, homossexual ou heterossexual. Quando fala em crimes racistas refere-se exactamente a quê? Aos crimes que indivíduos como Adolph Hitler ou Milosevic foram responsáveis?

3- Em relação às vantagens do multiculturalismo não é tudo um mar de rosas, evidente, mas existem imensas, no campo da música e da arte em geral (através do exemplos de fusão), nas universidades e na investigação (se for a ver, existem óptimas universidades onde predomina a multiculturalidade: ex.: SOAS em Londres, Columbia em Nova Iorque, Sorbone em Paris). Os emigrantes, à partida, constituem pessoas com bastante iniciativa, com vontade de melhorar a vida, uma competência óptima para as economias modernas. Não estou com isto a defender calorosamente a multiculturalidade, apenas a relativizar a forma tão reducionista como a encaram como a origem de todos os males. Ainda por cima trata-se de algo inevitável com a globalização. Vamos fechar as fronteiras e voltar ao “orgulhosamente sós”? Explique-me talvez quais são as suas sugestões…

4- Não percebo a razão de ser do comentário da “peçonhenta verborreia do todos diferentes, todos iguais”. Quer com isso dizer que se considera superior a outros povos?

5- Viu o “América Proibida”? O que se lhe oferece dizer sobre o filme?

Um abraço,

Paz

Comentar por Paz

Caro Arqueofuturista, desculpe incomodá-lo novamente.
Mas gostaria de saber a sua opinião sobre dois comentários recentes na nossa praça (o segundo trata-se apenas de humor, para desanuviar qualquer ressentimento que eu possa ter suscitado) :

1- Em O abrupto, José Pacheco Pereira escreveu: “Vendo as imagens da claque do Porto a ser pastoreada pela polícia por detrás das grades, cheia de indivíduos ululantes a dizer obscenidades e com dísticos elegantes e graciosos (“Carolina dá-me o teu soutien”, por exemplo), lembrei-me de como o cartaz do PNR era mais bem aplicado aqui. Eles não querem imigrantes ilegais, que vivem do rendimento mínimo, são violentos, não trabalham e pertencem a umas mafias criminosas. Enganaram-se certamente no destinatário do amável desejo de “boa viagem”. Vamos dar-lhes uma oportunidade de se corrigirem”.

2- No site TSF online pode-se ler a seguinte notícia:

“o quarteto de humoristas «Gato Fedorento» respondeu, esta quinta-feira, ao cartaz do Partido Nacional Renovador contra os imigrantes, com a colocação de um outro cartaz em que se mostra contra as ideias deste partido conotado com a extrema-direita.

Com um cartaz com as mesmas dimensões e cores de o do PNR e colocado mesmo ao lado do cartaz do partido, os humoristas mostram-se, nomeadamente, a favor de mais imigração, ao contrário do desejo do PNR.

«Nacionalismo é parvoíce» é outra das frases que se pode ler no cartaz dos «Gato Fedorento» e que contrasta com a que consta no cartaz do PNR, onde se pode ler «Nacionalismo é a solução».

Os humoristas ironizam ainda outras das frases que figura no cartaz do PNR considerando que «com portugueses não vamos lá», numa resposta à frase do partido que fala em «Portugal aos Portugueses».

Por baixo do avião, os «Gato Fedorento» colocaram a legenda «bem-vindos», numa resposta à frase do PNR «façam boa viagem», figurando ainda no cartaz dos humoristas a frase «a melhor maneira de chatear estrangeiros é obrigá-los a viver em Portugal».”

Um abraço cordial,

Paz

PS. Aproveito para me corrijir no post (postal, como lhe prefere chamar) anterior: onde escrevi “como explica que ajam europeus” queria naturalmente escrever “como explicar que hajam europeus”. Neste aspecto também acho que somos muito parecidos. As línguas de Fernando Pessoa, de Mia Couto, de Pepetela, de Jorge Amado ou de Ungulani Ba Ka Khosa devem ser respeitadas.

Comentar por Paz

Caro (JF) Paz (gosto desse conceito quando existe respeito mútuo),

“algumas teorias que são aqui defendidas não passam de um dogma, de uma crença, de uma fé, de algo que só pode ser imaginado e que está repleto de contradições. Parece-me que estão cheios de ideias e frases feitas e que querem acreditar nelas à força toda”.

Quando os argumentos não lhe convêm utiliza o manobra de diversão do “marxismo aplicado” (se for ler o Anthony Smith vai reparar que ele é bastante crítico em relação aos nacionalismos de carácter marxista) ou então dando exemplos infelizes de quem não se soube explicar (como foi o caso do indivíduo da UNESCO, aparentemente alguém que também quis “defender os seus argumentos à força toda”).

O sentimento é recíproco, pois dá-me a sensação que o JF recorre ad nauseum à mesma argumentação e lugares comuns, tão em voga nas universidades, quais fábricas de formatação do pensamento único.

Acha mesmo que há diferenças entre os Humanos, da mesma forma que existe entre um caniche e um pastor alemão?
Sim, acredito nessas diferenças, elas são bem patentes. Mais do que as diferenças entre fenotipos, essas fazem-se sentir ainda mais ao nível dos
Genotipos, isto é, nas características psicológicas e biológicas inatas. O não reconhecimento deste facto apenas se faz sentir nos países de raça Branca, dado que entre os outros povos do planeta tal facto é aceite com naturalidade.

O pessoal da biologia moderna e da genética também são todos marxistas?
Nem todos, mas como sabe existe uma censura tremenda para quem ousar dissentir da linha de pensamento prevalencente, o que tolda inevitavelmente qualquer estudo que vise ultrapassar as premissas igualitaristas.

Ao nível de capacidades cognitivas e motoras somos todos assim tão diferentes? Ou as diferenças assentam ao nível das diferentes oportunidades que cada um teve para desenvolver as suas competências? Como explica que ajam europeus, africanos ou asiáticos doutorados, honestos, pacíficos e activos e outros, também europeus, africanos ou asiáticos que são bastante ignorantes, corruptos, conflituosos e altamente preguiçosos?
Uma vez mais se comprova aqui a sua perspecitva marxizante da questão em causa, no sentido em que reduz ao nível do social e do económico esta problemática. Por seu turno, não obstante a sua tentativa de negar a existência de Raças ficou demonstrado que, paradoxalmente, exerceu uma racialização do discurso para combater um discurso de carácter racial.

Apesar de ser mais do que consensual que as raças não existem, um facto é que o ser humano se racializou, continuando a realizar discriminações com base em pressupostos racistas que, como lhe expliquei sem qualquer tipo de rotulagem política não têm qualquer sentido científico. As constituições dos países democráticos europeus assentam no princípio das revoluções francesas da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que eu defendo (etnocentricamente, como o senhor, aí até somos parecidos). Com base nestas Constituições é proibido realizar discriminações de cidadãos de um país com base no género, na origem geográfica, na orientação sexual ou em determinados pressupostos raciais. Se eu precisar de contratar um médico para o meu hospital vou contratar alguém que seja qualificado, competente, cumpridor, responsável, dedicado e profissional não acha?
O ódio racial por si só é um absurdo porque se recrimina alguém não pelos seus actos mas pelo que é. Contudo este ódio é resultado directo das sociedade multirraciais, as quais conduzem inevitavelmente a sociedades multiracistas, nas quais desaparece qualquer harmonia etno-cultural e impera a discriminação de parte a parte.

Porque existe muito preconceito na sociedade, os Estados modernos proibiram qualquer tipo de discriminação só pelo simples facto de o candidato ser homem ou mulher, branco ou negro, da cidade ou da aldeia, da esquerda ou da direita, homossexual ou heterossexual. Quando fala em crimes racistas refere-se exactamente a quê? Aos crimes que indivíduos como Adolph Hitler ou Milosevic foram responsáveis?
Por crimes racistas refiro-me particularmente ao processo de desenraizamento, de aculturação, de diluição das diferenças identitárias, da promoção da mestiçagem como último grito da moda, à xenofília forçada nas escolas e universidades, à fomentação por parte do aparelho de estado de um sentimento de auto-flagelação étnica, conducentes a um inevitável etnocídio ou suícidio étnico.

Em relação às vantagens do multiculturalismo não é tudo um mar de rosas, evidente, mas existem imensas, no campo da música e da arte em geral (através do exemplos de fusão), nas universidades e na investigação (se for a ver, existem óptimas universidades onde predomina a multiculturalidade: ex.: SOAS em Londres, Columbia em Nova Iorque, Sorbone em Paris). Os emigrantes, à partida, constituem pessoas com bastante iniciativa, com vontade de melhorar a vida, uma competência óptima para as economias modernas. Não estou com isto a defender calorosamente a multiculturalidade, apenas a relativizar a forma tão reducionista como a encaram como a origem de todos os males. Ainda por cima trata-se de algo inevitável com a globalização. Vamos fechar as fronteiras e voltar ao “orgulhosamente sós”? Explique-me talvez quais são as suas sugestões…
Para responder a esta sua questão apenas pretendo citar uns quantos exemplos: Islândia, Japão, Israel, Brasil, África do Sul, Afeganistão. Os três primeiros países, exemplos de sociedade etnicamente homogeneas são socialmente harmoniosas, economicamente estáveis e apresentam ao nível da educação um padrão inigualável. Os três últimos estados, exponentes do multiculturalismo, são socialmente conflituosos, economicamente instáveis e no campo da educação encontram-se amplamente destacados pela negativa…

Não percebo a razão de ser do comentário da “peçonhenta verborreia do todos diferentes, todos iguais”. Quer com isso dizer que se considera superior a outros povos?
Não, considero-me diferente. Aposto por uma comunidade etnicamente o mais homogenea possível, assente numa democracia meritocrática, logo, não-igualitarista.

Viu o “América Proibida”? O que se lhe oferece dizer sobre o filme?
Vi e não gostei, já que é um retrato simplista de algo muito complexo. O filme pretende captar uma realidade bem presente na sociedade norte-americana (uma sociedade multicultural); a questão do racismo. Porém, fê-lo objectivamente de forma manipuladora e maniqueísta. Fica, contudo, explícito que a raciofobia de alguns não consegue contornar esta incontornável realidade, a racialização das sociedades.

Um abraço também para si.strong>

Comentar por arqueofuturista

Caro JF/Paz, não incomoda nada.

Não obstante a minha admiração pelo JPP, pela sua verticalidade intelectual, creio que tal analogia teria sido melhor aplicada aos No Name Boys, pois ali sim, encontram-se facilmente todas as características enunciadas por JPP para que lhes possamos desejar uma “boa viagem” só de ida.

Aflorando a questão do cartaz dos pseudo humoristas «Gato fedorento», além de pouco original (prefiro de longe “Vai tudo abaixo”), parece-me demonstrativo de quão estúpido se consegue ser. Não sendo membro do PNR, não posso todavia ficar indiferente perante esta aviltante provocação, não somente a esse partido, mas particularmente a todos os portugueses, já que as frases nesse cartaz contidas reflectem um etnomasoquismo gritante e lesivo do orgulho e honra nacionais. Chegou-se a uma fase tal em que se confunde liberdade com libertinagem, livre opinião com livre insulto. Creio que este cartaz deveria ser objecto da atenção da Procuradoria Geral da República.

Comentar por arqueofuturista

Caro Arqueofuturista,

Agradeço-lhe os seus comentários e espero não o maçar com a longa resposta que se segue. Felizmente vivemos num país democrático onde há liberdade de expressão e é deste confronto de ideias (feito de forma cordial, tenho que o elogiar) que crescemos como pessoas. Oferece-me então comentar o seguinte:

1- As universidades que conheci advogam o pensamento plural e crítico. Tive professores de esquerda e de direita e vou ser muito franco consigo: prefiro muito mais conversar com indivíduo de direita inteligente do que com um marxista ortodoxo (em relação aos segundos acho-os quase bolorentos). Portanto é isso que estou aqui a fazer e tome este comentário como um elogio (apesar de, como lhe disse, cai muitas vezes na contradição e tem muitos dogmas nos quais quer acreditar à força toda). Não é por acaso que nas provas de doutoramento existem vários arguentes, de áreas académicas distintas. Ninguém hoje em dia, cientificamente credível reproduz Marx ou Engels de forma acrítica numa prova académica. Tal seria motivo de reprovação (pelo menos nas universidades com credibilidade).

2- Gostava que me explicasse exactamente onde estão essas diferenças tão inatas entre os seres Humanos, da mesma forma que as encontramos entre um caniche e um pastor alemão. Ao nível da força? Da capacidade motora e cognitiva? Da concentração? Do humor? Exactamente onde? Pense bem porque, provavelmente haverão milhares de contra-exemplos gritantes. Se nos países ocidentais esse factor não é assumido trata-se, simplesmente, porque nestes países produz-se mais conhecimento científico (e logo o pensamento é mais refutado) e porque esses dogmas racialistas foram desmistificados.

3- Ao acusar a biologia moderna e a genética de praticarem censura em relação a ideias racistas está a realizar uma acusação muito séria e muito grave que, sem apresentar qualquer prova, qualquer fundamentação, cai no total descrédito. É assim que na ciência se demonstra: com evidências. Na propaganda não é preciso mostrar evidências, apenas repetir uma mentira muitas vezes que, às tantas, torna-se verdadeira.

4- Confunde perspectiva marxizante com perspectiva desracializante. Por outro lado, até pode ser que haja um paradoxo no meu discurso (não sou portador de um conhecimento acabado), mas de forma alguma o conseguiu demonstrar. Repare que foi num sentido culturalista que utilizei expressões como “europeus”, “africanos” ou “asiáticos” ao prenteder desmisticar o discurso racialista dos “brancos”, “pretos” e “amarelos”. E fi-lo de forma bastante generalista e redutora, negando a heterogeneidade das culturas de cada continente. Repare-se que em muitos aspectos os portugueses de uma aldeia do sul do país são menos parecidos com os finlandeses de Helsínquia do que com os africanos de uma aldeia do norte de África, que por sua vez têm mais em comum com esses portugueses do que com um empresário sul-africano de Joanesburgo da área das novas tecnologias da informação. Não acha? Repare-se que foi unicamente com o sentido de o desmistificar que tive que fazer esse paralelismo com o discurso racialista, inocente e ingenuamente utilizado pelo homem

5- Muito honestamente, apraz-me que considere o ódio racial um absurdo. Estamos inteiramente de acordo. Repare-se que o ódio não é exclusivo das sociedades multiculturais (multi-raciais como muitas vezes se chama, por confusão dos conceitos). Dois irmãos educados da mesma forma (que como o senhor diria têm o mesmo sangue) podem-se odiar verdadeiramente. Normalmente esse ódio tem como origens a inveja e a competição pelo acesso aos recursos de poder (amor e reconhecimento dos pais, estatuto social, acesso a heranças, etc.). Em inúmeras famílias pelo Mundo fora não existe qualquer tipo de harmonia e não o assumir é cair numa ingenuidade assustadora. Quero com isto dizer que os problemas “étnicos” que refere têm em si uma raiz social e económica. Acha que alguém estaria a falar dos imigrantes se a taxa de desemprego no nosso país fosse nula, se os nossos salários fossem como os dos suíços (onde existe muita imigração, repare-se) e se tivéssemos uma taxa de crescimento anual de 10%? Não acha que os imigrantes funcionam aqui como um bode expiatório? Por esse motivo, de certa forma, concordo consigo. Em períodos de crise, em contextos multiculturais existem condições para aparecerem mais conflitos entre diferentes culturas. Por esse motivo a imigração é um problema social em qualquer país porque, em contextos de crise económica tende a gerar sentimentos de xenofobia e de instabilidade social. Negar isso seria uma grande ingenuidade e eu sou demasiado crítico para isso. O problema terá que passar também, quanto a mim (e acho que estará de acordo), por se investir nos países de origem desses imigrantes de forma a criar empregos e condições atractivas para os mesmos se fixarem nesses locais. Trata-se de um problema global, que é com diálogo que se terá que resolver. Mas por outro lado não se pode simplesmente expulsar os imigrantes do país porque, quer se goste da ideia quer não se goste, precisamos deles. O que aconteceria aos sectores da construção civil e da hotelaria sem a mão-de-obra estrangeira existente no país, em muitos casos bem mais profissional que a portuguesa? A origem do problema tem um simples nome: globalização. Que tem vantagens e vantagens.

6- Se reflectirmos de forma crítica sobre identidades concluimos que cada um desenvolve a sua identidade, de acordo com o seu percurso de vida único, de acordo com os seus múltiplos modelos de referência, muitas vezes contraditórios ou sem qualquer tipo de coerência. Se calhar posso estar a ser ofensivo na forma como procuro desmistificar a identidade que o Arqueofuturista afirma e procura defender. Para ser franco sinto-me como se estivesse a convencer um católico ou muçulmano que Deus não existe. De certa forma parece-me uma ofensa (e desde já endereço-lhe as minhas mais sinceras desculpas se for o caso). Para mim cada qual com o seu dogma e eu cá ficou com o meu niilismo. Mas faço-o apenas porque o vejo a utilizar um discurso identitário tão radical (que na essência me recorda o islamismo fanático, embora sob um nova forma). Se assim for sugiro-lhe um compromisso: não o voltarei a incomodar a relativizar as suas crenças identitárias se o senhor também aceitar a curiosidade inter-cultural alheia (da mesma forma que a demonstraram, cada um à sua maneira, alguns portugueses mais universalistas como por exemplo Fernando Pessoa ou D. João II). Estaria a pedir demais? É que, como escreve Mia Couto “preciso ser um Outro para ser eu próprio” e, como escrevia Fernando Pessoa “quando falo com sinceridade, não sei com que sinceridade falo. Sou invariavelmente Outro”. Aliás é célebre a frase (de Pessoa) “tudo pela pátria, nada contra a Humanidade”. Ao se aceitar a multiculturalidade ninguém obriga ninguém a se “auto-flagelar”, ou a cometer um “suicídio étnico”. Cada qual é livre de escolher. Vá lá, não seja tão radical.

7- De facto, no Japão e na Islândia (devido sobretudo à sua insularidade) constituem comunidades menos conflituosas do que as da África do Sul e do Brasil, o que não invalida que existam sérios conflitos no seio das primeiras comunidades. No entanto, cá vai a refutação: Portugal foi durante séculos uma comunidade culturalmente homogénea (pelo menos sempre falámos a mesma língua, tivemos a mesma religião oficial e fronteiras relativamente estáveis) e tivemos longas guerras civis e nunca fomos economicamente um exemplo. No campo da educação também não o fomos (no tempo das descobertas estávamos bastante à frente de outros no campo do conhecimento geográfico e científico, com a preciosa ajuda de emigrantes judeus expulsos de Espanha e de outros estrangeiros, entre os quais muçulmanos). Por outro lado, repare-se que há universidades na África do Sul (um país multicultural onde também vivem milhares de portugueses) bem melhores que em Portugal (que aliás ficam a um canto). Por outro lado, o ensino e a economia do Brasil é bem melhor do que em Madagáscar, um país culturalmente bem menos heterogéneo. Com estes exemplos apenas pretendo demonstrar que o seu raciocínio é demasiado reducionista e que a realidade é bastante mais complexa. Na sociedade não existem verdades nem certezas irrefutáveis. O Homem é assim mesmo: incerto, plural, heterogéneo e imprevisível, inclusivamente nas sociedades mais homogéneas.

8- Em relação ao “todos diferentes todos iguais” e à sua questão da defesa de uma “democracia meritocrática, logo, não-igualitarista” não vou discutir consigo porque, em relação a essa questão tenho muitas dúvidas. Mas tenho uma certeza: o filho de um professor universitário de Lisboa tem melhores condições sociais para se tornar licenciado e, à partida, arranjar um emprego mais bem pago, do que o filho de um lavrador analfabeto de uma aldeia isolada em Trás-os-Montes. Isso é por demais evidente, agora quanto ao resto importa discutir e refutar e é apenas isso que estou aqui a fazer.

9- Sem qualquer tipo de ofensa: O filme América Proibida foca, de facto, a sociedade norte-america de uma “forma manipuladora e maniqueísta”, mas precisamente da mesma forma que os seus discursos redutores abordam os conceitos de nação, de cultura, de raça, e de identidade, de “forma manipuladora e maniqueísta”.

10 – Em relação ao seu comentário ao comentário do JPP não o percebi bem. É que na sua retórica discursiva utiliza por vezes a táctica de explicar de forma vaga e insinuadora. Vai-me desculpar mas trata-se de uma estratégica típica do discurso propagandístico e, logo, altamente refutável e cientificamente pouco credível. No entanto pelo que já li de si suponho que se refira ao facto de na claque dos No Name Boys existirem muitos adeptos de origem estrangeira (muitos dos quais portugueses que manifestam uma identidade benfiquista, seja lá o que isso for, logo portuguesa, seja lá o que isso for, o que a muitos puristas e racialistas incomoda) que juntamente com outros descendentes de portugueses provocaram distúrbios em jogos de futebol. É claro que esses indivíduos problemáticos (descendentes de portugueses e de imigrantes estrangeiros) não são, de forma alguma, qualquer exemplo para a sociedade em termos de civismo. Mas é incompreensível como, um indivíduo como o Arqueofurista, que já evidenciou por diversas vezes uma postura cívica respeitável (digo-o, atenção, com todo o respeito e sem qualquer tipo de cinismo ofensivo) comente e critique não os desacatos cometidos por elementos da claque dos super-dragões (que constituíram a notícia), que sofrem de hiper-identidade, altamente boçais, violentos e agressivos e que “poupariam muito dinheiro à polícia e ao erário público se fugissem para o meio do oceano ou para o deserto” (como já se escreveu em relação a estrangeiros), lançando antes uma insinuação à claque dos No Name Boys. Precisamente porque, desculpe a sinceridade, o Arqueofuturista só vê o que quer ver (como todo o Homem o faz e admito que eu não sou excepção, apesar de nos debates que tenho mantido consigo vir lançando mais questões – para nos por a pensar e refutar as nossas ideias feitas – do que a dar respostas). Se os indivíduos que cometeram os desacatos de Domingo – entenda-se fazer explodir sucessivos morteiros (só eu contei pelo menos 6) colocando em risco a integridade física de cidadãos inocentes e lançar cadeiras e canivetes abertos para zonas onde crianças assistiam inocentemente ao jogo, simplesmente porque são simpatizantes de um clube adversário) fossem de descendência estrangeira então aí sim, provavelmente até teria criado um post dedicado a esse assunto. Caro Arqueofuturista, em todos os cestos existem maçãs podres e, não condenar a postura cívica e moral dos «portugueses de gema» da claque dos super-dragões é cair num laxismo que nem parece seu. É por demais evidente que existem aqui dois pesos e duas medidas.

11- Quanto ao humor do Gato Fedorento tratou-se de uma sátira política. Mas como diz o povo: gostos não se discutem. Portanto só uma questão (ou um conjunto delas): quando fala em “livre insulto” acha que esse “livre insulto” também se aplica ao cartaz do PNR em relação aos imigrantes legais que vivem no nosso país, que cumprem com profissionalismo os seus deveres laborais e que pagam honestamente os seus impostos e que gostam de viver neste país e o respeitam (como naturalmente existem em toda a parte e o senhor conhecerá)? Esses poderão ter ficado ofendidos? Os milhões de portugueses que trabalham no estrangeiro (e que nos últimos séculos vêm enviando as suas remessas equilibrando as contas do nosso país) achariam que se trata de um “livre insulto” ler num cartaz “Façam boa viagem” ou “França aos Franceses”? Já agora deixo-o com um facto meramente informativo (que não procura provar rigorosamente nada): a CML vai retirar o cartaz por não ter licença para ali estar e os Gatos Fedorentos acataram serenamente essa decisão. Certamente que já teve acesso a essa informação.

Agradeço-lhe a atenção demonstrada e peço-lhe mais uma vez desculpa por o ter macei com tão longo comentário. Desejo-lhe uma feliz Páscoa a si e à sua família.

Paz

Comentar por Paz

Uma identidade constitui uma página em branco, onde cada qual vai desenhando o seu próprio percurso.

Mentira. Já nascemos com património genético que nos indica aonde e a que pertencemos.

Comentar por Sara

Viu o “América Proibida”?

vi

O que se lhe oferece dizer sobre o filme?

o Edward Norton é podre de bom :-D

Comentar por Sara

Na propaganda não é preciso mostrar evidências, apenas repetir uma mentira muitas vezes que, às tantas, torna-se verdadeira.

Pode-se dizer o mesmo em relação à sua posição. Qualquer criança de 2 anos pode ver que existem seres humanos diferentes entre si, devido à cor da pele, etc. Depois quando cresce é que lhe é martelado que tem de fazer de conta que essas diferenças não existem, e repete até à exaustão ‘as raças não existem as raças não existem’, como se por causa disso as diferenças magicamente desaparecessem.

Comentar por Sara

Caro Paz, agradeço os seus comentários e realço o seu interesse em debater matéria para alguns à partida proíbida dada a sua fidelidade canina à nova religião do anti-racismo.

Face à extensão da sua resposta, que me merece toda a atenção, opto porém em responder de forma sucinta, para dizer que o JF/Paz demonstra ser movido por uma extraordinária, e até louvável, boa vontade, diria mesmo uma crença messiânica de que o mundo não mais é que uma harmoniosa aldeia, ao estilo das imagens na “Sentinela”, onde surgem amplos espaços verdes nos quais convivem criancinhas com tigres e coelhinhos, em que os povos do globo se amam mutuamente, entre outras utopias. Enfim, bonitas imagens, é verdade, da revista das Testemunhas de Jeová…

O seu radical quixotismo impele-o para a negação das mais elementares realidades e verdades científicas, mergulhando num vazio niilista. Repare que coloca em causa inclusive a existência das identidades. Além do que respondeu a Sara, é consabido que a identidade é o conjunto de elementos que permitem saber quem uma pessoa é. Esses elementos são por demais conhecidos. Ora, negar tamanha evidência, partindo de um preconceito e juízo prévio de que “as Raças não existem” tolda imediatamente qualquer possibilidade de debate.

Atente noutro ponto demonstrativo da fragilidade do seu discurso que visa a aceitação e promoção do multiculturalismo: «O que aconteceria aos sectores da construção civil e da hotelaria sem a mão-de-obra estrangeira existente no país, em muitos casos bem mais profissional que a portuguesa?»
Será que me quer fazer acreditar que antes da entrada maciça e descontrolada de alógenos em Portugal não se construiam habitações e não existiam, por exemplo, restaurantes? Será que já parou por algum momento para perceber quão falaciosa é a frase que refere que “os imigrantes fazem o que os portugueses não querem fazer”? Porque será que esses trabalhos que hoje são ocupados por alógenos em Portugal são exercidos por portugueses noutros países? Pois é, afinal o mito de que os portugueses não querem trabalhar não passa disso, de um mito e de uma mentira desenvergonhada.

Outro argumento pantanoso que menciona para justificar o êxito de países etno-culturalmente homogéneos como o Japão e a Islândia é o da insularidade destes. Mas porque será que países como a Jamaica ou o Haiti,também eles insulares, não alcançam os padrões de vida dos países supra mencionados?

Caro JF/Paz, estamos numa roda viva, onde me acusa de dogmatismo e onde eu demonstro o seu, logo, não me parece que me convença da veracidade ou plausibilidade do seu discurso, o qual indubitavelmente está em sintonia e consonância com o presente status quo, não duvidndo em momento algum que o JF/Paz poderá vingar na nossa sociedade, pois o seu discurso é uma garantia imprescindível para tal sucesso, qual passaporte do anti-racismo. Contudo, para o rechear deverá adoptar uma criancinha vietnamita ou do Burkina Faso, ou pelo menos declarar que assim pretende fazer. É uma pessoa inteligente, pena é que opte pelo mais cómodo, pelo mais fácil, sem com isso ter noção de que contribui para a catástrofe que se avizinha no horizonte.

Melhores saudações.

Comentar por arqueofuturista

Nos dias de hoje, nas Ciências Sociais já ninguém tem dúvidas que não existem raças

«Ninguém tem dúvidas», não, alto aí. Que o politicamente correcto quer impor essa ideia, é sabido. Mas, de facto, há raças e estas podem ser estudadas cientificamente.

pela ONU desde os anos 50

Interessantíssimo… afinal, não é o projecto do genoma que está na origem da negação da existência das raças… de facto, essa negação corresponde mais a uma agenda política anti-racista do que a uma conclusão desinteressadamente científica.

Aliás pode haver mais variabilidade genética entre dois portugueses do que entre um português e um africano

Não tem qualquer validade como argumento, visto que também pode haver mais variabilidade genética entre pessoas da mesma família do que entre pessoas da mesma família e um estranho, o que, evidentemente, não significa que não haja famílias, geneticamente falando. Na verdade, os genes não têm todos a mesma importância pelo que não se pode fazer uma contagem meramente numérica dos mesmos.

Os próprios estudos da genética vêm-no confirmar

Estudos da genética há muitos.

O conceito de raça constitui uma construção social, algo que é imaginado por determinadas pessoas

Isto é absolutamente ridículo e não tem ponta por onde se lhe pegue. Na verdade, não é a imaginação de determinadas pessoas que tem revelado a milhões de pessoas, desde sempre, o facto de que existem negros, amarelos e brancos. Não é a imaginação de determinadas pessoas que faz com que as raças apresentem um conjunto de características que caracterizam populações inteiras, mas sem apelo nem agravo:
– cor de pele;
– textura do cabelo;
– prognatismo vs. ortognatismo;
– grossura dos lábios;
– largura e proeminência do nariz;
entre outras.
E não é a imaginação de determinadas pessoas que faz com que até as crianças de dois e três anos reconheçam as diferenças entre as raças e dêm preferência à sua própria raça, isto muito antes de poderem ler livros nazis.

Portanto do ponto de vista científico, considerar que existe um sangue português

Mas quem é que disse que existe um sangue português?…

Por tudo isso, a utilização do conceito de “ancestralidade racial” na fundamentação de uma “identidade nacional” traduz uma grande confusão entre cultura (um conceito dinâmico e mutável) e raça (um conceito sem validade científica)

Primeiro – o conceito de raça tem validade científica e cultural em si próprio (ninguém imagina um viking com aspecto de zulu ou um aborrígene vestido de esquimó).
Segundo – a etnicidade é algo que se transmite de geração em geração, o que inclui a aprendizagem da língua nacional. Isto atravessa os tempos.

Portanto, a cultura nacional não é, ao contrário do que alguns pretendem, algo de meramente mutável, mas sim algo que tende a prolongar-se no tempo, para além das modas.

Algumas teorias que são aqui defendidas não passam de um dogma,

O único dogma baseado numa crença moralista que aqui se tem defendido é o do anti-racismo.

está repleto de contradições

Falta mostrar que contradições são essas. Aguardo resposta.

Sugiro o filme América Proibida

Estamos a falar de factos e vem-se usar como argumento uma obra de ficção e propaganda política anti-racista? Sintomático – isso é realmente a confirmação do que estou a dizer: a alienação politicamente correcta chega a tal ponto que já nem permite distinguir entre realidade e fantasia ideologicamente conveniente.

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