Na segunda sessão da VI Assembleia, realizada em 1973,verifica-se mais uma cisão, originada, em parte, pelo atentado cometido contra o primeiro-ministro Carrero Blanco, operação efectuada unilateramente pelos “milis”. O grupo obreirista abandona e funda o Partido Revolucionário dos Trabalhadores Bascos. O resultado de toda esta polémica ideológica, com repercursões na estratégia, foi o surgimento da ETA-Militar e da ETA Político-Militar. A transição para o regime de democracia-liberal, nos Anos 76, 77, 78, vem encontrar duas estruturas da ETA. A político-militar apoia a fundação de um partido político legal com o nome de “Euskal Iraultzarako Alderdia” (Partido para a Revolução Basca) e a outra, a militar, permanece irredutível nas suas posições extremistas e radicais.
Durante a VII Assembleia, organizada pela ETA político-militar, decidiu-se pelo abandono da luta armada, optando-se pela integração ou formação de partidos de esquerda (Euskadiko Ezkerra). Os que não esiveram de acordo com a decisão histórica da VII Assembleia retornam à ETA-Militar, que se passou a chamar até hoje como ETA, sem adjectivos. Os anos 80 e 90 caracterizam-se por uma deriva, com atentados e assassinatos, o surgimento dos Grupos Antiterrorista de Libertação (GAL) organizados pelos serviços secretos espanhóis introduziu no combate à ETA o conceito de guerra suja, o que, em última instância, acabou por levar à prisão o ministro socialista José Barrionuevo.
Entretanto organizam-se na sociedade civil Basca, organizações, partidos (Herri Batasuna, Euskal Herritarrok, Batasuna, Sozialista Abertzaleak, sindicatos (Euskal Langileen Alkartasuna-Solidariedade dos Trabalhadores Bascos, ligado ao PNV/EAJ e Langile Abertzaleen Batzordeak com ligações à esquerda “abertzale”, cooperativas, movimentos culturais e etnográficos, Herrikos-tabernas ligadas aos abertzales, etc. Constituem-se quase como uma sociedade paralela no coração do País Basco, no entanto o bárbaro assassinato do conselheiro municipaldo PP, em Ermua, Miguel Angel Blanco, representou um duro golpe mediático e social para as aspirações da nebulosa abertzale.
As sucessivas prisões de muitos dos seus líderes políticos e operacionais (Mikel Antza), os cessares-fogo, seguidos de negociações sem qualquer resultado positivo, o último atentado no aeroporto de Madrid, as crescentes e audíveis opinões de dissonância na esfera dos que tacitamente apoiam a ETA, a situação dos presos bascos, o impasse nas relações com o estado espanhol, a tensão surda entre os sectores da esquerda abertzale e o aparelho poderoso e tentacular do PNB/EAJ, a mudança sociológica do tecido social basco com a chegada de alógenos, situação não tão grave como no resto de Espanha, o surgimento do partido Aralar (nome de uma serra de Navarra), herdeiro dos sectores mais moderados da ETA histórica, tudo isto são elementos que introduzem novéis contingências e circunstâncias que irão inevitavelmente obrigar a face legal, Herri Batasuna, e todo o KAS (Movimento de Libertação Nacional Basco) a rever a estratégia e metodologia de acção se quiserem, porventura, continuar a desempenhar um papel relevante no País Basco.
A história o dirá!
Continua