Considerações necessárias sobre o nacionalismo basco (euskaldun), 3ª parte
Março 26, 2007, 10:20 pm
Filed under: Em foco, Europa

Em 1963 surgem duas personalidade carismáticas que alteram o rumo ideológico da organização: Federico Krutwig e José Echevarrieta. O primeiro, de origem alemã por parte do pai, e basca pela da mãe, nascido em Guecho (Getxo), escritor multifacetado em euskera, conhecedor profundo da cultura clássica Helénica, marxista heterodoxo, vindo do anarquismo. Introduz o conceito da guerra revolucionária e das técnicas de guerrilha. O segundo, estudante de  Medicina, recém-chegado de Paris, dá a conhecer o pensamento de Mao Tsé Tung (Mao-Zedong), tão em voga naquele tempo. Ambos são importantes para a compreensão das derivas e atribulações ideológicas da ETA.

Na sua obra fundamental intitulada “Vascónia”, Krutwig demarca-se radicalmente do nacionalismo de Sabino Arana, denunciando a xenofobia, afirmando-se pagão e anti-clerical, evocando o Euskera como factor incontornável da unidade nacional. Recorde-se que Krutwig publicou vários estudos sobre o Euskera, defendendo o dialecto Labourdino como padrão unificador dos restantes dialectos.

 

Embora marcado pelo esquerdismo não-ortodoxo, Krutwig imagina um País Basco idílico, harmonioso, sem classes, fraternal, cooperativo,isto antes da chegada dos “invasores” espanhóis! É óbvio que esta visão é muito mais um desejo de Krutwig do que a realidade histórica, ainda que se saiba do espírito comunitário e de entre-ajuda, muito comum entre os Bascos. Segundo ele, a esquerda espanhola e francesa enfermava do mesmo jacobinismo inerente aos partidos de direita.

Entre as várias contribuições teóricas de Krutwig saliente-se os escritos sobre táctica de guerrilha, influenciada pela experiência da FLN Argelina, baseada no combate urbano e no”maquis”, mas em permanente osmose com o tecido social, sendo que no primeiro caso, a guerrilha urbana, as células de combate deveriam ser compostas por comandos de três elementos, denominados de “hirurkos”,(grupos de três).

Por outro lado, José Echevarrieta, ou Etxevarieta, e por mais que isso hoje nos pareça estranho e descabido, introduz no combate etarra a metodogia de libertação nacional, inspirada pelo maoísmo, articulando-a com a luta de classes, no fim de contas nada de original para quem se confessava maoísta. Uma reflexão teórica, com correspondente prática no terreno, que devia muito mais a um voluntarismo idealista do que a uma leitura objectiva da realidade social da sociedade basca.

No final do ano de 1962 a organização já esboçava três tendências, a culturalista ou etno-linguística (Txillardegui), a nacional-revolucionária (terceiro-mundista) de Krutwig e a nascente marxista ou obreirista(Patxi Iturrioz). O início de um cortejo de cisões e divisões que serão o registo de todo o percurso histórico do nacionalismo basco independentista e radical, tão diferente das posturas mais comedidas e possibilistas do PNV. Importa salientar a produção, de forte pendor ideológico, de todos os documentos, programas e textos relacionados com a história abertzale, ainda hoje essa riqueza, algumas vezes “gongórica”, é manifesta nos debates e discussões internas, reveladores das tensões e diferenças existentes no “abertzalismo”.

Entretanto, o País Basco Francês (Iparralde), os do norte, representava o santuário e refúgio para os miltantes exilados e foragidos, é nesse contexto que é fundada, em 1969, a associação “Anai -Artea”, entre irmãos, com o objectivo de auxiliar todos os refugiados, de todas as tendências políticas. Até aos anos 80 Iparralde permaneceu como território de retaguarda. 

Continua…  

Miguel Angelo Jardim


6 comentários so far
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Patada en “los tomates” a don Antonio Aguirre, del Foro de Ermua del Profesor Don Mikel Buesa……….

Comentar por calle jibraltar español

“Riqueza Gongórica”: Góngora y Argote…..¿ Arriano pelirrojo navarro?

Comentar por calle jibraltar español

Muy buena la reseña histórica que haces, por la claridad de lo expuesto como por las vinculaciones a las tendencias del momento

Comentar por Pepin

Cada vez que leio algo escrito pelo Miazuria, sinto-me um inbecil de 1ª ordem. eheh! ;)

Parabéns!!

Comentar por Afonso Lima

Obrigado, amigo Afonso Lima, e contigo também aprendo a escutar os ventos da promissora nova geração!

Muchas gracias, Pepin. Intento hacerlo, hablo de la claridad y de la posible objectividad de los eventos, todavia la historia de ETA es la prueba de los labirintos en los cuales los nacionalistas bascos de la actualidad están involucrados…

Mis cordiales saludos

Comentar por Miazuria

Se sospecha del peneuvista Alejandro Aramburu Corral…….en el tema de la patada en los cataplines…….

Comentar por calle jibraltar español




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