—————————————————- Na segunda metade do século XX, a partir dos anos 60, o nacionalismo basco teve o registo radical e extremista do percurso da ETA, com as suas inevitáveis cisões e divergências internas, resultado dos debates e controvérsias ideológicas tão características daquela época. Criada em 31 de Julho de 1959 por José Manuel Agirre, Benito del Valle,Julen Madariaga e José Luis Alvarez Emparanza “Txillardegui“, este último notável escritor de língua euskera, apesar da sua formação nas áreas da engenharia. Todos eles estudantes em Bilbao, membros do grupo EKIN (agir, empreender,actuar), dissidentes do Partido Nacionalista Basco. A eles juntam-se, quase de imediato, os membros da juventude nacionalista (Eusko Gaztedi). Importa sublinhar que estes jovens não tinham ainda rompido com a herança ideológica de Sabino Arana, embora já manifestassem alguma distância em relação a alguns dos postulados de Sabino (xenofobia, ódio aos restantes espanhóis, apelidados de forma depreciativa de “maketos”). Mas ao mesmo tempo concebiam o corpo teórico do seu nacionalismo em torno da língua, o Euskera ou Euskara, e da cultura basca.
A nota de originalidade em face do PNV ( Partido Nacionalista Basco) deve-se ao facto de pela primeira vez uma organização “abertzale” (neologismo criado por Sabino Arana que quer dizer amante ou amor pela pátria) se declarar abertamente aconfessional e laica, pois como se sabe o nacionalismo histórico tinha a marca do catolicismo. Aqui podemos constatar alguma coincidência com a primeira cisão no PNV, a da Acção Nacionalista Basca, e com a o grupo radical da revista “Yagi-Yagi”.Os primeiros anos limitaram-se a pinturas murais, a distribuição de panfletos, cursos de formação,etc. Só em 1961 é que se realizaram as primeiras acções de carácter militar, a que muitos designam, e não sem alguma razão, como de terroristas. Em 1962 inicia-se a publicação do boletim clandestino “ZutiK” (em pé, ou de pé). Na sua primeira assembleia, convocada e efectuada em Maio de 1962, a ETA esboça e define as suas primeiras bases programáticas, proclamando-se como movimento de libertação nacional, fruto da resistência patriotica, proponente da integração futura de Euzkadi ou Euskadi, numa federação Europeia, construída e fundada segundo critérios etno-nacionais, recomendando a laicidade na futura constituição e recusando qualquer manifestação de racismo ou xenofobia, ainda que se pronuncie contra as migrações de trabalhadores chegados, em larga maioria, da Galiza e Andaluzia. Recorde-se que naquela época não existia o fenómeno de invasão e colonização de que é hoje objecto a Europa.Por fim, revelando alguma ambiguidade ideológica, sugere no plano da economia, a cooperação entre o trabalho e o capital, a cogestão nas empresas. No plano político todas as experiências totalitárias ou ditatoriais, fascistas ou comunistas, eram condenadas e repudiadas. A estrutura organizativa assentava no seguinte organograma: secretariado, gabinete federal, círculo de estudos, propaganda e acção legal e, finalmente, o departamento encarregado e responsável pelas acções militares. Os fundadores do grupo EKIN, atrás citados, eram os principais responsáveis e assumiam a liderança do movimento.
Continua…
Miguel Angelo jardim