Considerações necessárias sobre o nacionalismo basco (euskaldun), 2ª parte
Março 23, 2007, 6:38 pm
Filed under: Em foco, Europa

Uma prévia clarificação é exigida após os comentários à primeira parte. O que aqui escrevo não veicula juízos de valor sobre a natureza do nacionalismo basco, para esse exercício reservo o último segmento da totalidade do texto. Esta minha reflexão corresponderá no futuro a uma obra mais completa, em livro, sobre a temática em questão: o nacionalismo basco.

—————————————————- Na segunda metade do século XX, a partir dos anos 60, o nacionalismo basco teve o registo radical e extremista do percurso da ETA, com as suas inevitáveis cisões e divergências internas, resultado dos debates e controvérsias ideológicas tão características daquela época. Criada em 31 de Julho de 1959 por José Manuel Agirre, Benito del Valle,Julen Madariaga e José Luis Alvarez Emparanza “Txillardegui“, este último notável escritor de língua euskera, apesar da sua formação nas áreas da engenharia. Todos eles estudantes em Bilbao, membros do grupo EKIN (agir, empreender,actuar), dissidentes do Partido Nacionalista Basco. A eles juntam-se, quase de imediato, os membros da juventude nacionalista (Eusko Gaztedi). Importa sublinhar que estes jovens não tinham ainda rompido com a herança ideológica de Sabino Arana, embora já manifestassem alguma distância em relação a alguns dos postulados de Sabino (xenofobia, ódio aos restantes espanhóis, apelidados de forma depreciativa de “maketos”). Mas ao mesmo tempo concebiam o corpo teórico do seu nacionalismo em torno da língua, o Euskera ou Euskara, e da cultura basca.   

A nota de originalidade em face do PNV ( Partido Nacionalista Basco) deve-se ao facto de pela primeira vez uma organização “abertzale” (neologismo criado por Sabino Arana que quer dizer amante ou amor pela pátria) se declarar abertamente aconfessional e laica, pois como se sabe o nacionalismo histórico tinha a marca do catolicismo. Aqui podemos constatar alguma coincidência com a primeira cisão no PNV, a da Acção Nacionalista Basca, e com a o grupo radical da revista “Yagi-Yagi”.Os primeiros anos limitaram-se a pinturas murais, a distribuição de panfletos, cursos de formação,etc. Só em 1961 é que se realizaram as primeiras acções de carácter militar, a que muitos designam, e não sem alguma razão, como de terroristas. Em 1962 inicia-se a publicação do boletim clandestino “ZutiK” (em pé, ou de pé). Na sua primeira assembleia, convocada e efectuada em Maio de 1962, a ETA esboça e define as suas primeiras bases programáticas, proclamando-se como movimento de libertação nacional, fruto da resistência patriotica, proponente da integração futura de Euzkadi ou Euskadi, numa federação Europeia,  construída e fundada segundo critérios etno-nacionais, recomendando a laicidade na futura constituição e recusando qualquer manifestação de racismo ou xenofobia, ainda que se pronuncie contra as migrações de trabalhadores chegados, em larga maioria, da Galiza e Andaluzia. Recorde-se que naquela época não existia o fenómeno de invasão e colonização de que é hoje objecto a Europa.Por fim, revelando alguma ambiguidade ideológica, sugere no plano da economia, a cooperação entre o trabalho e o capital, a cogestão nas empresas. No plano político todas as experiências totalitárias ou ditatoriais, fascistas ou comunistas, eram condenadas e repudiadas. A estrutura organizativa assentava no seguinte organograma: secretariado, gabinete federal, círculo de estudos, propaganda e acção legal e, finalmente, o departamento encarregado e responsável pelas acções militares. Os fundadores do grupo EKIN, atrás citados, eram os principais responsáveis e assumiam a liderança do movimento. 

Continua… 

Miguel Angelo jardim

 


10 comentários so far
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Bom trabalho, mas creio que seria curioso desenvolver a informação sobre a ligação dos irmãos Arana Goiti com os jesuitas !
Agur bero bat

Comentar por Antonio_Lugano

Muy interesante trabajo, estimado Jardim, especialmente por lo claro del resumen. No obstante llamo la atención de la deriva de ETA desde su primera asamblea hasta el día de hoy.
Saludos

Comentar por Anónimo

Muito obrigado pelo estímulo, caro Antonio Lugano, não abordei em pormenor as íntimas relações entre os irmãos Arana, Sabino e Luís, com os Jesuítas, e em geral com a Igreja Católica, por uma simples questão de metodologia, aliás a Igreja Católica, em particular o baixo clero Basco, foi decisivo na génese do nacionalismo Basco, estranho, ou talvez não, tendo em conta a natureza ideológica do franquismo, nacional-católica, e não me refiro à Falange e muito menos às JONS que acabaram por ser marginalizadas dos centros do poder, sobretudo nos derradeiros anos com a escensão da “Opus Dei” (Lopez Rodó) no seio do “Movimiento Nacional”.

Y agur bero bat!

Gracias, caro anónimo, por tus palabras, sí, confirmo que ETA tuve una deriva, sobretodo, ideológica, hoy en día, y en mi modesta opinión, sus actos y sus comportamientos son anacrónicos, están apartados de la realidad y cerrados en el dogmatismo absurdo!

Mis cordiales saludos

Comentar por Miazuria

Estimado Miazuria:
Lamento que el mensaje previo fuese anonimo, posiblemente porque fue desde el trabajo (las guardias dan para mucho) Por cierto que tu referencia a la nfluencia de la Iglesia y más concretamente de la Compañía de Jesus en el nacionalismo vasco en general y en los inicios de ETA en particular me obligan a establecer un paralelismo entre la evolución ideológica de los Jesuitas y la de ETA, con posiciones hoy claramente marxista-leninista. Recomiendo lectura de Ricardo de la Cierva sobre la historia de la Iglesia, ya te daré la referencia (ahora nome acuerdo)
Saludos
P.D: Lo que te escribí el otro día sobre el “anschluss” del norte de Portugal era una reducción al absurdo respecto a la reivindicación de Navarra por Euskadi (pero muy al pelo,por cierto) . Tómalo sólo como una provocación divertida

Comentar por Pepin

Pepin

“Lo que te escribí el otro día sobre el “anschluss” del norte de Portugal era una reducción al absurdo respecto a la reivindicación de Navarra por Euskadi (pero muy al pelo,por cierto) . Tómalo sólo como una provocación divertida”

Falar-se em “anschluss” quando se fala duma eventual aproximação entre a Galiza e o Norte de Portugal é de facto absurdo, até porque o norte de Portugal tem tanta população como a Galiza e as Astúrias juntas, para além da dimensão da área metropolitana do Porto ser muito superior a qualquer outra do noroeste peninsular.
O termo “anschluss” não faz de facto qualquer sentido.

Também não é comparável a situação de Navarra e Pais Basco, à da Galiza e do norte de Portugal , já que Galiza e norte de Portugal estiveram sempre ligadas desde a pré-historia até Afonso Henriques formando uma nação ancestral da península desde a idade do ferro com a chamada “cultura castreja”. Navarra foi uma criação da mal chamada “reconquista”. Enquanto reino Navarra “nasceu” apenas no século IX.

A união entre Pais Basco e Navarra é por isso muito mais artificial que a do noroeste peninsular, nunca esquecendo que entre o norte de Portugal e a Galiza existe há mais de 800 anos uma fronteira politica.

Quanto à ETA, ainda bem que se dizem marxistas-leninistas, não podemos confundir esses comunistas com os restantes nacionalistas bascos.
A esmagadora maioria dos nacionalistas bascos não é de esquerda, muito pelo contrario.

Comentar por Suevo

Para que não existam duvidas, o termo “Anschluss” não faz sentido quando significa anexação, e pareceu-se ser essa a intenção do Pepin.
Mas se significar “conexão” já faz obviamente TODO o sentido.

Comentar por Suevo

Estimado Suevo:
Vale, se acepta pulpo como animal de compañía…ahora bien, ¿a qué nacionalistas vascos te refieres? A los de PNV, a los de HB, a los de Eusko Alkartasuna… posiblemente la mayoría de los vascos no son marxistas, pero los que más se oyen ( el entorno de HB) sí que lo son.
Por cierto, conozco perfectamente el término Anschlüss y sus implicaciones históricas, como el hecho de que bastante antes de 1938 fuese solicitado la unión a Alemania por Austria tras Versalles, y los aliados, llenos de los famosos “puntos de Wilson” se lo negaron. Su traducción más adecuada sería “reunión” al tratarse de dos países (y una nación o Volk)
Pepin

Comentar por pepin

“A los de PNV, a los de HB, a los de Eusko Alkartasuna… posiblemente la mayoría de los vascos no son marxistas, pero los que más se oyen ( el entorno de HB) sí que lo son.”

“Vocês” pretendem confundir a opinião publica, pretendem que a opinião publica pense que os “separatistas” são todos extremistas de esquerda ou comunistas, o que é totalmente falso.

O partido nacionalista basco mais votado é o PNV, fundado por Sabino Arana, que quando muito é um partido de cento-direita, o PNV nada tem de comunista e é muito mais conservador (ou de direita se preferir) que o governo espanhol do PSOE.

As origens do PNV são claramente “racistas” (neste blogue podemos dar o nome aos bois), claro que actualmente baseiam as suas reivindicações nacionalistas em aspectos culturais e linguísticos, ou seja actualmente deixam MUITO a desejar, mas não deixam mais a desejar que a “direita” “espanhola”.

A representatividade eleitoral (e não só) do HB é muito inferior à do PNV.

Comentar por Suevo

Es que “conexión” suena más a electrodoméstico, como conectar el dvd a la tele, pero no Alemania a Austria o viceversa

Comentar por Pepin

Me gustaría saber a quienes incluyes cuando dices “vocês”, porque para confundir la “opinión pública”, tendría que existir, en primer lugar, y no creo en la opinión pública, pero sí en la “opinión publicada”. Dicho esto, aclarar que me imagino que ni todos los separatistas son comunistas, ni todos los comunistas separatistas pero la política hace extraños compañeros de cama, y en el país vasco también. El PNV en su origen es racista, y de un nacionalismo trasnochado y decimonónico, de los que tanto daño han hecho a Europa. Por cierto, llamando a las cosas por su nombre, lo de “direita” y “espanhola”, me parece el típico topicazo bloqueiro… ¿A qué derecha te refieres, a la económica o a la política? Por que en la derecha económica, a día de hoy, puedes incluir en elmismo saco a PP y a PSOE, con leves diferencias de matiz en cuanto a folklore, como las bodas de los mariquitas (paneleiros en portugués), y la película de las cuotas femeninas, o por el otro lado la banderita española y la reivindicación de la constitución del 78 como panacea…. y un largo etc, pero en España, a día de hoy, no existe un partido que defienda los ideales de lo que yo entiendo por derecha, y que debería incluir mucho de identitario…
Y perdón por el rollo, pero los tópicos bloqueiros me sublevan!!!

Comentar por Pepin




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