A chave etnopolítica
Março 14, 2007, 7:08 pm
Filed under: Em foco, Europa

Face a uma inusitada campanha propalada por um sector, felizmente ultra-minoritário e em vias de extinção e que parece esboçar uma derradeira tentativa de afirmação no chamado “movimento nacionalista”, nomeadamente em alguns fóruns e blogues, campanha essa que visa atingir o meio Identitário, particularmente pela componente etnicista deste, publico este muito oportuno texto do Prof. Pierre Vial, bem demonstrativo de que as opiniões versadas pelos bafientos patrioteiros do antanho são carentes de realismo e objectividade perante um mundo que caminha a passos largos para a construção de Blocos Continentais assentes, não somente mas também e principalmente, em princípios etno-culturais.  

Etnopolítica. Uma palavra complicada, inventada pelos intelectuais que não têm mais nada que fazer? Não, uma palavra muito simples para dizer que a política e o político, os dados políticos, os desafios políticos são determinados largamente pelas questões étnicas.

Sabemo-lo muito bem desde essa Grécia antiga que é “a nossa mãe”, de acordo com a bonita expressão de Thierry Maulnier. “Étnico” deriva de uma palavra grega, ethnos, que significa “o povo”, “comunidade do povo”. Platão, em A República, afirma que os Gregos “são unidos pelo parentesco e pela comunidade de origem” porque “os povos gregos diferem dos Bárbaros pela raça e pelo sangue”. Quanto a Aristóteles recorda, na sua Política, que “é factor de sedição a ausência de comunidade étnica (…) porque, tal como uma cidade não se forma a partir de uma massa de pessoas tomadas aleatoriamente, do mesmo modo ela não se forma em qualquer espaço de tempo. É por isso que entre os que, até agora, aceitaram estrangeiros para fundar uma cidade com eles ou para os agregar à cidade, a maior parte conheceu sedições”. Ilustração destes princípios: os Atenienses, inegavelmente reconhecidos como os pais da democracia, haviam tido o cuidado de se prevenir em relação aos que denominavam metécos – estrangeiros que residiam provisoriamente em Atenas devido às suas actividades económicas – um estatuto muito específico, não lhes atribuindo nenhum dos direitos políticos e civis dos quais beneficiavam os Atenienses.

 

Uma questão: a etnopolítica está em concorrência com a geopolítica? Certamente não. Completam-se. Mas precisando que a etnopolítica determina em grande parte a geopolítica. Simplesmente porque o povo é mais importante que a terra. Que a terra provisoriamente seja perdida não é insuperável. A Reconquista ibérica é a ilustração mais espectacular. Em contrapartida é insuperável a perda de um povo, a substância viva que ele representa. Esta condenação à morte pode fazer-se por genocídio. Pode também fazer-se pela mestiçagem. Esta solução final miraculosa com a qual sonham todos os que querem o fim dos povos, para desembocar num mundo paradisíaco que seria o de uma humanidade uniformizada, não diferenciada – essa massa tão fácil de robotizar, de dominar, de explorar.

É por isso que estamos em total desacordo – a palavra é fraca – com os que, como Douguine ou os seus associados na França, na Itália, na Espanha ou noutro lugar, consideram como uma solução de futuro a Eurásia, ou seja, um conjunto territorial que agrupa populações europeias e outros povos que não o são, sob o piedoso pretexto de que a terra russa fora habitada, durante a história, designadamente por pessoas que não eram Europeias. Esquece-se, ou antes quer-se esquecer, que os Russos, esses Europeus, não conheceram descanso enquanto não expulsaram ou submeteram à vassalagem esses hóspedes indesejáveis… Podemos colocar, de boa vontade e graciosamente, à disposição daqueles que tenham essa necessidade, um documento auxiliar de memória, sob a forma de cursos de história… Uma história que bem conhece o Presidente Putin e da qual ele tira as conclusões que o seu povo, incontestavelmente, aprova.

Quanto a nós, preconizando, como grande intenção e grande destino para todos os Europeus, a Eurosibéria, não colocamos senão em aplicação o princípio etnopolítico. Um princípio que, se for tido em conta em todos os continentes, permitirá encontrar soluções equilibradas e equitativas para todos os povos. Estes povos, todos os povos, cujo direito à identidade deve ser reconhecido. Se não… agucem os ouvidos. O galope dos cavaleiros do Apocalipse aproxima-se.

Pierre Vial

 


7 comentários so far
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Muito bom artigo, conciso e direito ao que interessa!

Comentar por Vanguardista

E muito oportuno, digo eu. Mas creio que devemos reagir de forma concertada e sem cedências e isso ainda não foi feito. Continuamos a fazer o papel dos bons rapazes, continuamos a divulgar certo lixo nas nossas ligações e nos sites que administramos enquanto do outro lado não há a mínima retribuição, para não dizer que existe manifesta sobranceria.

Comentar por Me ne frego

Eu acho que esta ideia da EuroSibéria é problemática. Quanto a mim a Rússia é só por si um bloco geoestratético e com interesses muito próprios.

Comentar por Rodrigo

Companheiro Vanguardista, este artigo de Vial, à semelhança doutro que ele escreveu, presente no Causa Nacional e recentemente publicado na NOVOPress, com o título de “Combatentes Identitários” espelham bem no que consiste o identitarismo e aquilo que nos diferencia desses “nacionalistas” bacocos, cristalizados num passado que já não retornará.

Caro Me ne frego, efectivamente tens razão, por vezes a cordialidade e a simpatia é entendida como uma cedência, um “baixar de calças”, não conhecendo esses gestos qualquer reciprocidade. São poucos os sítios ou blogues que estão presentes na lista de ligações deste blog com as quais não nos revemos integralmente. A título de exemplo a Alameda Digital representa uma linha de pensamento e orientação que poucas afinidades tem com o identitarismo, contudo, decidiu-se por a referenciar aqui porque apresenta textos bem redigidos e por vezes coincidentes com o que defendemos, como foi o caso do referendo sobre o aborto.
Todavia, creio que futuramente a situação tenderá a ficar mais definida no que às áreas ideológicas e estratégicas da nebulosa nacionalista concerne.

Prezado Rodrigo, percebo a tua observação e acredita que a mesma é alvo de intensas debates noutros países. No entanto, a Rússia, esse imenso país-continente, degladia-se internamente ora pela sua assunção enquanto nação histórica, étnica e culturalmente europeia, ora por uma deriva asiática.
Um amigo russo dizia-me recentemente, em tom desgostoso, que os russos se sentem desprezados pelos seus irmãos ocidentais, que não só desconhecem a sua história e rica cultura como também coninuam a olhá-los como um povo estranho e longínquo.
Infelizmente creio que é verdade e não tenho dúvidas de que muito trabalho está por fazer nesta ponta da Europa para que, consequentemente, possamos ver do outro lado uma atitude menos desconfiada.

Comentar por arqueofuturista

A Rússia é Europeia, pela etnia (Raça), pela cultura, pela língua e pela sua história!

Façamos ver aos restantes Europeus e aos Russos, que o entendimento e a aliança estratégica são indispensáveis à sobrevivência de ambos.

Abraço

Comentar por Miazuria

Neste dia (15 de Março) em que relembramos Drieu La Rochelle, constatamos que foi um consciente lutador pela Europa sem fronteiras !
Porém, tenhamos em atenção que a Europa da sua época era ainda étnicamente coesa e não estava submetida à manipulação cultural do “politicamente correcto”.
Actualmente, após o inicio da invasão imigracionista e da consequente dissolução dos valores culturais autóctones, da institucionalização da finalidade crematística e da avassaladora propaganda que pretende a substituição dos valores identitários nacionais por “modas alógenas”, o objectivo Europa (em qualquer formato que se apresente) deve ser considerado “não-prioritário”.

Entendemos que o prioritario é, a nivel de cada Nação, refazer a coesão identitária e, com base nos fundamentos que nos determinam étnica e culturalmente, lançarmos então as bases da Europa que queremos ser.
Obviamente, não deveremos lançar pela janela os contactos existentes a nivel Europeu… Haverá que preserva-los e continuar a intercambiar experiências, mas como anexo ao objectivo prioritário que consiste em, localmente (de Portugal à Bélgica e da Irlanda à Itália), refazer um consenso identitário !

Neste momento, o “povo” é cada vez mais “população”, e a “nação” é “pátria”…
E, com “pátrias” e “populações”, somente podemos conseguir uma Europa de gabinetes… uma espécie de Bruxelas “bis”.
A Europa que a Nova Ordem pretende !
.
Cordiais Saudações

Comentar por Antonio_Lugano

“Entendemos que o prioritario é, a nivel de cada Nação”

O António Lugano tem razão e eu tenho-me referido ao perigo desse desmembramento (…) Mas saibamos usar as armas do inimigo, com a actual situação estão abertos corredores que os EUROPEUS devem conhecer e usar. Haverá um sítio, um país, onde a intensidade da luta se irá fazer sentir, o conhecimento desses “corredores” irá ajudar. Não podemos é esquecer as idiossincrasias de cada povo…

Comentar por Legionário




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