Face a isto, os povoamentos localizados nas zonas costeiras encontravam-se em permanente estado de alerta de maneira a prevenir o perigo. Por toda a costa foram erguidos numerosos postos de vigia. Desde o alto dessas torres observava-se o horizonte, sendo que ao se avistarem as velas dos navios mouriscos, o sentinela de turno gritava desesperadamente: “há mouro na costa!” Acto contínuo, acendiam-se as fogueiras de sinal e as populações – alertadas – preparavam-se para se defenderem ou abandonavam as aldeias e dirigiam-se para o interior, onde os corsários não se atreviam a penetrar.
Esta prática criminosa perdurou durante séculos, havendo relatos destas incursões ainda em pleno século XIX. O grito “há mouro na costa!” passou a ser expressão de uso popular para advertir a alguém sobre um eventual perigo.Em sentido inverso, a expresión antónima “Não há mouro na costa!”, serve para dar a entender que não existe perigo iminente para uma pessoa que procura realizar determinada tarefa.
Curiosamente, esta expressão reveste-se de actualidade, na medida em que tanto a Itália como a Espanha se vêem literalmente invadidas por embarcações pejadas de imigrantes clandestinos, que procuram entrar ilegalmente na Europa. Uma outra vez soam os alarmes, desta feita para alertar para o perigo já não de razias, mas antes de uma verdadeira invasão!