Há mouro na costa!
Março 4, 2007, 2:22 pm
Filed under: Em foco, Europa, IMinvasão

Relata a história que durante vários séculos toda a costa norte do Mediterrâneo, a região do Algarve e a orla marítima Alentejana, as ilhas Britânicas e até mesmo a Escandinávia foram objecto de frequentes razias protagonizados por corsários e piratas mouriscos, na demanda de escravos europeus, os quais seriam consequentemente vendidos nos mercados esclavagistas de Argel, Marraqueche ou Tripoli. 

Face a isto, os povoamentos localizados nas zonas costeiras encontravam-se em permanente estado de alerta de maneira a prevenir o perigo. Por toda a costa foram erguidos numerosos postos de vigia. Desde o alto dessas torres observava-se o horizonte, sendo que ao se avistarem as velas dos navios mouriscos, o sentinela de turno gritava desesperadamente: “há mouro na costa!” Acto contínuo, acendiam-se as fogueiras de sinal e as populações – alertadas – preparavam-se para se defenderem ou abandonavam as aldeias e dirigiam-se para o interior, onde os corsários não se atreviam a penetrar. 

Esta prática criminosa perdurou durante séculos, havendo relatos destas incursões ainda em pleno século XIX. O grito “há mouro na costa!” passou a ser expressão de uso popular para advertir a alguém sobre um eventual perigo.Em sentido inverso, a expresión antónima “Não há mouro na costa!”, serve para dar a entender que não existe perigo iminente para uma pessoa que procura realizar determinada tarefa.  

Curiosamente, esta expressão reveste-se de actualidade, na medida em que tanto a Itália como a Espanha se vêem literalmente invadidas por embarcações pejadas de imigrantes clandestinos, que procuram entrar ilegalmente na Europa. Uma outra vez soam os alarmes, desta feita para alertar para o perigo já não de razias, mas antes de uma verdadeira invasão!


7 comentários so far
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El gran don Miguel de Cervantes y Saavedra preso en Argelia ( Los baños de Argel). Elogió la heroica decisión del Rey Felipe III de expulsar a los moriscos de España (quinta columna de los piratas berberiscos)

Comentar por calle jibraltar español

Gostaria de saber quais as fontes do artigo.
Fiquei deveras sensibilizado, mas não acredito que seja verdade.
Fico á espera de resposta.
Cumprimentos

Comentar por Camões

Camões, efectivamente não existem muitos documentos disponíveis para saber mais sobre este episódio oculto da nossa história. Posso dizer que li faz alguns anos um pequeno artigo no jornal “Público” onde referia isto, o que me despertou a curiosidade. Mais tarde li “White Gold: The Extraordinary Story of Thomas Pellow and Islam’s One Million White Slaves” por Giles Milton, obra que adquiri na FNAC. Sei que existem outras obras como “Christian Slaves, Muslim Masters: White Slavery in the Mediterranean, the Barbary Coast and Italy, 1500-1800” por Robert C. Davis ou ainda “White Slaves, African Masters: An Anthology of American Barbary Captivity Narratives” por Paul Baepler, “La désinformation autour de l’esclavage”, por Arnaud Raffard, tornando-se desde logo notório que a historiografia portuguesa não está interessada em abordar este tema dado que não existe uma obra sequer na nossa língua materna sobre o assunto.

Ainda assim, se pesquisar no Google, por exemplo, tente escrever Há mouro na costa ou em castelhano hay moros en la costa e certamente surgirão alguns resultados.

Devo-lhe dizer que não me treveria a publicar algo que não fosse indubitavelmente correcto ou verdadeiro.

Comentar por arqueofuturista

Obrigado pelo esclarecimento arqueofuturista. Estive a ler umas coisas e compreendo que isso foi uma verdade imutável, agora não compreendo é porque não se torna pública, temos de nos juntar, fazer algo grande. Nunca vingaremos só com blogs e um partido que aparenta ser de gangsters e de violentíssimos mata-negros.
Mudem a vossa imagem, porra! Pelo bem de Portugal!
Só por curiosidades, estive a pensar em fazer parte de algum movimento nacionalista mas acho que é um mundo “macho”.
Não há gajas nacionalistas com menos de 30 anos?

Comentar por Camões

Camões, não tem de agradecer nada, apenas faço aquilo que me compete ao abrir este espaço de debate que é o blog.

De facto é revoltante omitir-se propositadamente estes factos que tants vidas de portugueses destruiu nos mercados de escravos de Arel, Marraqueche, Rabat, etc. Em tempos escrevi um pequeno caderno sobre o flagelo da escravatura, algo que não foi exclusivo dos europeus, muito pelo contrário, um caderno que poderá encontrar na loja virtual da Causa Identitária.

Quanto à questão do tal mundo “macho”, bom, se por um lado existe alguma culpa nos homens que militam nas hostes nacionalistas, por outro também existem um tremendo conformismo e apatia das mulheres portuguesas. Existem já muitas mulheres que vão participando activamente nas actividades e projectos, e olhe que a maioria abaxo dos 30.

Comentar por arqueofuturista

Peço desculpa pela ignorancia mas, apesar de já ter ouvido falar de Causa Identitária, não sei o que é. Procurei no google e apareceu um site em que basicamente se vendiam t-shirts que já estavam esgotadas. Procurarei o site o mais rápido que puder, mas como estou convicto de que não vou encontrar nada gostaria que me explicassem que organização é essa, o que faz e quais são os seus objectivos.

Comentar por Camões

Parece-me que o/a camões não saiu da página principal, pois na barra lateral direita encontrará um conjunto de itens que lhe permitirão satisfazer todas as dúvidas aqui levantadas.

Uma coisa posso avançar, a CI é uma organização de novo tipo, uma novidade ão apenas em termos ideológicos, mas também ao nível da imagem e da postura, ou por outras palavras a derradeira novidade na praxis e na teoria.

Aceda ao fórum onde poderá verificar que alguém levantou essa mesma questão, a qual já obteve diversas respostas.

Comentar por arqueofuturista




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