O mito do Al Andalus
Fevereiro 21, 2007, 12:18 pm
Filed under: Em foco

O Al Andalus designa o conjunto dos territórios Ibéricos sujeitos à dominação muçulmana, correspondendo à maior parte da Península após a conquista sarracena, sendo reduzido gradualmente, ao ponto de se limitar unicamente, a partir da segunda metade do século XIII, ao reino Nasride de Granada. De acordo com o credo progressista, que estabelece o politicamente – e historicamente – correcto, o Al Andalus simboliza uma Espanha muçulmana refinada, dinâmica e tolerante, que se opõe aos estados cristãos instigadores de cruzadas, da inquisição, do obscurantismo e da intolerância. Esta visão sumária e comprometida não tem infelizmente nada a ver com aquilo que foi realmente a luta que opôs durante nove séculos, se tivermos em conta que terminou-se com a expulsão de 300.000 mouriscos (muçulmanos superficialmente convertidos ao cristianismo) para o Magrebe em 1614, duas sociedades resolutamente antagónicas. Dois mundos enfrentaram-se de maneira permanente, durante séculos, não obstante os períodos de frágeis tréguas, as alianças pontuais e tácticas entre príncipes cristãos e muçulmanos e os conflitos entre cristãos. Mas o dado fundamental reside na guerra entre duas civilizações incompatíveis.  

Conquista, Reconquista  Esta luta vai conhecer três fases sucessivas :

1- Do século VIII ao século XI, a superioridade muçulmana parece esmagadora e os cristãos, empurrados paras as montanhas do País Basco, das regiões Cantábricas e Asturianas negligenciadas pelo invasor devido ao seu accesso difícil e fracas esperanças de saque, são condenados à defensiva. Os invasores cruzam os Pirinéus mas são travados em 732 na batalha de Poitiers; recuando para o Sul, fixam-se na Hispânia. Pouco mais de vinte anos serão suficiente para os Carolíngios repelirem os árabe-muçulmanos para lá dos Pirinéus, sendo que no início do século IX permite instalar na actual Catalunha uma das bases de partida da futura Reconquista. 

2- A decomposição do Califado de Córdova abre perspectivas novas, nomeadamente a Castela, à cabeça da qual o rei Alfonso VI consegue apoderar-se de Toledo em 1085; A Norte, os reinos cristãos organizam-se. Nesse momento, a irrupção de novos invasores, os Almorávidas, seguidos um meio século mais tarde, pelos Almóadas, procedentes, uns da Mauritânia, os outros do Atlas, restabelece durante um tempo, em proveito do campo muçulmano, um equilíbrio que parecia ameaçado.  

3- Mas os reinos berberes não duram muito e o Islão ibérico não teve a capacidade de travar no século XIII, a grande Reconquista cristã que sela o destino de Córdova, de Sevilha e de Valência. Último testemunho do Al Andalus, o pequeno reino de Granada aproveita as divisões e as crises ocorridas no campo cristão no século XIV e XV para sobreviver até 1492, ano da capitulação do rei Boabdil frente a Fernando e Isabel, os Reis Católicos, e que marca a restauração da unidade territorial Ibérica. 

Algumas  reflexões.O estatuto dos não-muçulmanos nas terras do Islão.

Até ao século X, os cristãos “moçárabes” (que falavam, vestiam e viviam à maneira dos muçulmanos) residem maioritariamente no conjunto do Al Andalus e a minoria dominante procedente dos conquistadores concede-lhes certa tolerância sujeita integralmente a uma série de discriminações e despesas fiscais específicas. É de bom evocar uma sociedade aberta e tolerante quando se fala do Al Andalus. Ora, se os cristãos e os judeus, considerados “protegidos” ou “dhimmis”, em território muçulmano conservavam efectivamente um certo número de direitos (autonomia civil e religiosa, organização do culto, liberdade de circulação), eles continuam a estar submetidos às autoridades muçulmanas: imposto (o não-cumprimento de pagamento é punido com a escravidão ou a morte), distinções vestimentárias, proibição de tocar num muçulmano, proibição de porte de arma, obrigação de conceder hospitalidade a qualquer viajante muçulmano, proibição de montar a cavalo, obrigação de levantar-se, se estiverem sentados, à passagem de muçulmanos, proibição de construir uma casa mais elevada que a de um vizinho muçulmano, proibição de construir novas igrejas, o som dos sinos das igrejas existentes tolerados mas o mais discreto possível…, as procissões proibidas, cemitérios separados, penalidades diferentes para um crime idêntico, etc. Para Philippe Conrad “a humilhação imposta aos cristãos tem por objectivo enfraquecer a sua comunidade e incentivar as conversões”. Esta situação que persistiu durante vários séculos será a origem de numerosas insurreições e revoltas às quais os muçulmanos responderão com execuções e deportações. A fuga, a emigração é também um recurso: numerosos cristãos fugiram para os reinos cristãos do norte, contribuindo para o desenvolvimento do ideal de Reconquista contra o Islão. Com efeito esta “tolerância” relativa dura apenas até ao século XI porque é um Islão de combate, estranho aos refinamentos da civilização andaluza, que impõem a partir dessa época os novos invasores Almorávidas e Almóadas saidos do deserto Mauritano e das montanhas do Atlas. 

Uma Espanha pluralista?

Nove séculos forma necessários para apagar a presença muçulmana na Penísnula Ibérica. Nove séculos de confrontação quase permanente. Esta coexistência tumultuosa nada teve a ver com “a harmonia pluricultural” sonhada e promovida por alguns dos nossos contemporâneos. A Espanha do Al Andalus islamizada e fortemente arabizada fez plenamente parte durante oito séculos do mundo Islâmico. Quando se encontrou na defensiva perante o crescente poderio dos reinos cristãos, recorreu regularmente aos muçulmanos do norte de África e, à medida que a Reconquista se efectuava, contam-se por milhares os maometanos que escolheram o exílio para o reino de Granada ou para o norte de África. Apesar de todos os esforços dos soberanos cristãos que esperavam assimilá-los, os mouriscos manterão contra tudo e todos, na semi-clandestinidade, a sua fé religiosa e a sua identidade cultural, tornando qualquer assimilação impossível.   


28 comentários so far
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E o Islão, de novo está à nossa porta… ou pior, já está em nossa casa (Europa).
E desta vez, já não se fala de invasão, mas sim de imigração !
Porém, não nos deixemos enganar, o próposito corânico é o mesmo : subverter e dominar a Europa.
Com a Turquia por um lado, Marrocos e Argélia pelo outro, será que a Gallaecia Asturiana “produzirá” um novo Pelayo ?
Saudações

Comentar por Antonio Lugano

Um novo Pelayo… boa questão Caro António, mas, sem querer ser pessimistas (como se pudessemos ser optimistas!) não creio que veremos a breve prazo o ressurgir desse Pelayo. Pelo contrário, julgo que cabe a todos e a cada um de nós a tarefa de encarnarmos Pelayo, resistindo por todos os meios a esse rolo compressor que representa a globalização miscigenadora.

Melhores saudações.

Comentar por arqueofuturista

Mito em que sentido?

É que o Al-Andaluz foi bem real.

Não se pode também confundir o que se passou em Espanha com o que se passou no centro/sul do territorio portugues, onde essas expulsões em massa nunca existiram.

Quem escreveu o texto está mal informado, senão reparem:

“Do século VIII ao século XI, a superioridade muçulmana parece esmagadora e os cristãos, empurrados paras as montanhas do País Basco, das regiões Cantábricas e Asturianas”

Que eu saiba o Porto não fica no Cantabrico, e só com muito boa vontade podemos dizer que fica nas “Asturias”.
A linha de fronteira era o Douro desde tempos muito anteriores ao seculo XI, com alguns avanços e recuos é verdade, mas relativamente estavel durante varios seculos (repito muito antes do seculo XI).

A ideia com que se fica, é que quem escreveu este texto estava a falar de Espanha e não de Portugal.

“Apesar de todos os esforços dos soberanos cristãos que esperavam assimilá-los, os mouriscos manterão contra tudo e todos, na semi-clandestinidade, a sua fé religiosa e a sua identidade cultural, tornando qualquer assimilação impossível.”

É bom que se vão apercebendo que os soberanos cristãos fizeram tudo para assimila-los, e no caso portugues consiguiram-no.

Comentar por Suevo

Correcto, camarada Arqueofuturista. Não podemos estar à espera de D. Sebastiões. Cada militante tem de saber valer por si e dar o seu melhor. O líder será apenas um administrador, não alguém cujo «carisma» tenha na sua dependência todo um Movimento.

Comentar por Caturo

É de lembrar que também os Lusitanos lutaram vitoriosamente contra os Romanos enquanto tiveram Viriato – mas precisamente por dependerem em demasia do referido caudilho, foram-se abaixo quando este morreu.
Os Romanos, por seu turno, tivessem os azelhas que tivessem à frente das suas legiões, tinham sempre, contudo, um exército de soldados disciplinados.

Os líderes vão e vêm – os militantes ficam.

Comentar por Caturo

É bom que se vão apercebendo que os soberanos cristãos fizeram tudo para assimila-los, e no caso portugues consiguiram-no.

Tanto não o conseguiram que uns séculos mais tarde acabaram por expulsá-los.

Comentar por Caturo

Caro Suevo, efectivamente o texto espelha melhor o que se passou no actual território espanhol do que no nosso território nacional.

Coloquei aqui este texto porque julgo ser imperioso combater um amplo conjunto de mitos históricos que visam incapacitar o homem europeu na sua luta de resistência face ao processo etnocída em curso. O mito de que a presença islâmica na Peninsúla Ibérica foi um período de prosperidade a todos os níveis e que o Al Andalus representava a cultura frente à barbárie eropeia é uma mentira descarada propalada por sectores esquerdistas que dominam a historiografia e a arqueologia.

Quanto a assimilações, enfim, essa é matéria fácil de rebater sem necessidade de argumentação erudita, já que, utilizando os argumentos dos manipuladores históricos, se os cristãos eram tão bárbaros e sempre tão ávidos a verter sangue de quem não fosse adorador do Nazareno, não me parece ser muito razoável que os islâmicos ficassem nas povoações por si ocupadas à espera desses sanguinários. Por certo terão rumado histericamente para sul, ou, por outras palavras, para o norte… de África.

De resto, se a assimilação existiu, deu-se numa escala microscópica, contudo, factual, e contradictório com a tese assimilacionista, é, por exemplo, o massacre dos mouros (e até de cristãos) após a tomada de Lisboa, ou também da população islâmica de Silves.

Saudações.

Comentar por arqueofuturista

“É bom que se vão apercebendo que os soberanos cristãos fizeram tudo para assimila-los, e no caso portugues consiguiram-no.
Tanto não o conseguiram que uns séculos mais tarde acabaram por expulsá-los.”
Tu deves estar a confundir “expulsa-los” com conversões forçadas, mudanças de nome,etc. Se acreditas que foram todos expulsos estás a ser mais ingénuo do que eu pensava. Já é típico que o faças, acredito que seja por desconhecimento e por não saberes o que são cristãos novos. Ou então é pela língua, para ti mouros ou judeus desde que falem portugues pertencem ao teu povo, são concepções diferentes.
Eu acho “engraçado” que pessoas que se denominam como identitarias desconheçam a identidade e a origem étnica das populações, mas vocês lá sabem a credibilidade que desejam ter.
Portugal quando passou a incorporar definitivamente os territórios a sul do Mondego passou a ser um pais multietnico.
Podia também falar nos moçarabes, culturalmente (e não só) extremamente arabizados, mas vou passar à frente e vou falar apenas de judeus e mouros.
Portugal não tinha tanta população como “Espanha”, ou se preferires não tinha população disponível para “colonizar” os territórios a sul do Mondego, assim sendo os mouros não foram expulsos, muito menos os judeus que andavam como é sabido de braço dado com Afonso Henriques e com os seus descendentes. Só tu é que não conheces a liberdade que Afonso Henriques concedeu aos mouros de Lisboa. Quanto aos judeus… a ligação de Afonso Henriques aos judeus era mais do que perigosa, ele protegeu sempre os judeus, e sabe-se que Santarém quando foi conquistada era já uma cidade com uma poderosa comunidade judaica.
Portugal era um pais multietnico onde a perseguição a mouros nunca teve nada a ver com o que se passou em “Espanha”, e a pouca que existia acontecia precisamente por influencia “espanhola”, porque muitos semitas procuravam refugio em Portugal.
Portugal atingiu o apogeu mundial com a existência dessas três comunidades (cristã, judaica e moura). Falo em termos religiosos, mas é obvio que não é a religião em si que me leva a referi-las.
A partir dai aconteceu o descalabro, e porque?
Porque passaram a existir os “cristãos-novos” que não eram mais que semitas (fossem mouros ou judeus) convertidos em portugueses à força, mudaram de religião, mudaram de nome, deixaram de escrever nas suas línguas semitas,etc.
E a decadência coincidiu, precisamente, com o “fim” deste ciclo de Portugal assumidamente multi-etnico para um Portugal pseudo-homogeneo à força de muitos séculos de persuasão.

Em Portugal a convivencia com arabes e judeus funcionou, os reis de Portugal apostaram nisso e conseguiram fazer um país com essas populações. Cristãos, Judeus e Mouros eram partes do mesmo Reino.
Os reis de Portugal (começando por Afonso Henriques) serviam interesses judaicos, ou alguém será tão ingénuo ao ponto de acreditar que os judeus não tentavam controlar o poder, quando eram eles que tinham a pasta das finanças e eram os unicos a poder exercer actividades “bancárias”? Aí já é ingenuidade a mais.
Não é à toa que muitos nobres se sentiam incomodados com essa influencia judaica em Portugal, que incomodava também alguns reis de Castela. Não espanta pois que a nobreza portuguesa/nortenha tomasse frequentemente o partido de Castela.
Portugal paga esses erros desde Afonso Henriques. O que nasce muito torto, tarde ou nunca se endireita.

Comentar por Suevo

Suevo, é nítida a sua manipulação dos factos, a qual é movida pela sua expressa vontade em fazer uma distinção étnica no seio do povo português, o que a torna, em abstracto e em substância, inexacta e carente de factualidade. Como não me agrada esse género de discussão, não o alimentarei, aconselhando-o a frequentar outros espaços da rede onde se fomenta um separatismo ressentido e egoista e, mais ainda, desprovido de legitimidade histórica.

Mais grave é, porém, a sua argumentação ter o mesmo princípio daqueles que negam as especificidades dos povos, creendo-nos a todos como resultado de uma secular amálgama étnica. Atenção que é aceitar participar num jogo perigoso…

Comentar por arqueofuturista

Caro arqueofuturista

O texto era dirigido ao Caturo, não a ti, devia ter deixado isso claro, e eu próprio não gosto de discutir estes assuntos com o Caturo porque estou em total discordancia com ele.
Onde está a manipulação dos factos?
Eu não falei de nenhum separatismo ressentido
“Mais grave é, porém, a sua argumentação ter o mesmo princípio daqueles que negam as especificidades dos povos, creendo-nos a todos como resultado de uma secular amálgama étnica. Atenção que é aceitar participar num jogo perigoso…”
Não Arqueofuturista, a tua argumentação é que nega a especificidade dos povos, não é a minha. Em relação à amalgama étnica, isso mais uma vez está implícito naqueles que dizem que é “tudo igual” para mim não é tudo igual, a população do norte foi e continua a ser diferente da Algarvia ou da Madeirense, tal como o é da Catalã por muito que tenham existido cristãos novos em ambas.
O que é um jogo perigoso, ou até suicida ao nível das identidades é a negação constante de realidades históricas, étnicas e culturais em nome não se sabe muito bem de que. Da língua?

Comentar por Suevo

Camarada Suevo, uma vez que empregaste o plural, nomeadamente no termo “identitários”, corrente de pensamento com a qual me identifico, julguei ser necessário contestar de forma mais enérgica o que escreveste.

Pessoalmente creio haverem em Portugal questões bem mais prementes que propriamente fomentar o separatismo entre o norte e sul do nosso território. Compreendo e não poucas vezes denúncio o absoluto desprezo que Lisboa demonstra para com o interior, seja a norte, centro ou sul. Contudo, não creio que a solução passe por um acicatar de rivalidades fictícias, historicamente desprovidas de raizes.

Como reparaste com certeza, promovo o europeísmo consequente e consciente. Logo, tudo aquilo que considero ser nefasto para a unidade europeia não tem lugar neste blog. As eventuais disparidades entre o norte e sul de Portugal parecem-me não merecer atenção pois conduzem mais ao enfraquecer do combate de resistência de todos nós do que ao seu fortalecimento.

Procuro centrar o combate no essencial e evitar lateralizar o mesmo com assunto acessórios, que poderiam ser resolvidos numa outra fase da luta.

Comentar por arqueofuturista

Caro arqueofuturista

“Compreendo e não poucas vezes denúncio o absoluto desprezo que Lisboa demonstra para com o interior, seja a norte, centro ou sul.”

Não estamos a falar de questões económicas, muito menos de separatismos, nem sequer do modelo absolutamente desastroso que o estado portugues segue à séculos, mas sim de identidades.
Podemos falar disso, mas não é disso que trata este blogue.

A questão do interior serve apenas para atirar areia para os olhos, a divisão etno-cultural em Portugal não é entre litoral e interior, mas entre aquilo a que podes chamar um “norte” e um “sul”. O que não significa como é obvio que não existam diferenças entre o litoral e o interior, mas repito que não é de maneira alguma essa a divisão natural existente no estado portugues.

“Contudo, não creio que a solução passe por um acicatar de rivalidades fictícias, historicamente desprovidas de raizes.”

Estamos a falar de identidades, não de separatismos ou de questões económicas, a identidade do norte de Portugal nunca foi igual à do sul ao longo da historia, nunca pertenceram nem foram habitados pelo mesmo povo, e só formaram um país devido a uma expansão territorial fomentada por factores externos e que aproveitou as cruzadas.

Portugal não existe enquanto país por ser “um povo”, do ponto de vista étnico o país nunca foi homogéneo, tal como a Espanha e muitos outros estados também nunca o foram. Mesmo quando se fala de Iberismo, o projecto duma única coroa peninsular também foi portugues quando Portugal se sentiu suficientemente poderoso para tal, nomeadamente no tempo de D.Afonso V e de D. Manuel, num caso os portugueses perderam a batalha de Toro e no outro o filho de D. Manuel caiu do cavalo.

“As eventuais disparidades entre o norte e sul de Portugal parecem-me não merecer atenção pois conduzem mais ao enfraquecer do combate de resistência de todos nós do que ao seu fortalecimento.”

Para o “norte” são extremamente nefastas, e não estou a falar no ponto de vista económico.
Por exemplo, o Partido Comunista Portugues que eu saiba nunca conseguiu nenhuma autarquia a norte do Mondego, nem sequer andou lá perto, ao passo que na margem sul do Tejo ganha praticamente todas. Consequências disso? São obvias, devido à sua projecção no “centro-sul” esses valores são completamente alheios ao norte de Portugal mas são impostos como “nacionais”. Dando alguns exemplos concretos, a tourada…
O fado ser promovido como musica nacional… no norte a existir instrumento nacional teria que ser a gaita de foles ou algo de similar.

Ao nível das identidades o povo do Norte de Portugal sofre uma alienação extrema, que a meu ver é bastante grave. De certa forma podemos dizer que a nossa identidade está-nos a ser roubada há muitos séculos, e para a descobrirmos temos que procurar muito, mas muito bem.

Do ponto de vista identitario o povo do Norte de Portugal não sabe donde vem, e o que sabe foi severamente deturpado começando logo pelas referencias a “mouros”.

A defesa da nossa identidade de facto é mais do que secundaria para o povo, infelizmente é assim. Os argumentos economicos colhem mais adeptos.
Isso é para o povo, mas para identitarios a identidade não é, ou pelo menos não deveria ser um assunto acessorio.
Outra fase da luta? Não estarás a colocar a carroça à frente dos bois?

Comentar por Suevo

Não me quero meter onde não sou chamado mas, abusando da “abertura” permito-me duas reflexões :
1.
Com todo o respeito pelo europeismo do “arqueofuturista” creio que não devemos permitir que a árvore nos esconda a floresta.
Como bem diz G. Faye, “o nacionalismo é um reflexo popular”, o que me parece ser indicativo de que, na sua expressão básica, o nacionalismo fundamenta-se na tradição (cultura) de cada povo.
Creio que o europeismo não deverá manifestar-se como uma generalização abusiva, negadora de eventuais particularidades nacionais ou regionais.
Alguém pensa num nacionalismo belga ? Existe sim, um nacionalismo “valão” e outro “flamengo”, e ninguém pensa em “destruir” a Bélgica !
Existe um nacionalismo “basco”, “catalão”, “galego”… e a Espanha está aí ?
Sou defensor do europeismo como aglutinação natural das diversas expressões culturais dos povos europeus !
Atendendo a que a compreensão da realidade se fundamenta na independência do observador, se estabelecemos prioridade a um principio, evitando confrontar-nos com essa realidade, não arriscamos estar a tentar acertar os factos pela teoria ?
Compreendo a necessidade, e aceito o principio, de uma Europa, de um Hesperial verdadeiramente representativo das nossas tradições.
Mas, essas tradições, embora com denominador comum, têm as suas particularidades, e esse facto é uma riqueza culturalmente imperdível !
.
2. O “alegato” de Suevo não será merecedor de uma reflexão mais profunda ?
.
Sinceras Saudações

Comentar por Antonio Lugano

Estimado António Lugano, fez muito bem em intervir, afinal este espaço não é privado e os debates que se estabelecem podem e devem ser abertamente discutidos por todos aqueles que desejem.

O meu europeísmo é resultado maturado daquilo que considero ser prioritário para a defesa e preservação de todas as identidades bio-culturais europeias. Acredito que deveremos pensar globalmente e agir localmente, rechachando de forma resoluta todas as tentações nacional-patrioteiras de nos encerrarmos sobre nós mesmos. Apoio criticamente os nacionalismos Bretão, Corso, Basco, entre outros, porque, não somente estas expressões de vontade colectiva têm fundamentos enraizados, como também os encaro como vectores primordiais para a construção da comunidade popular europeia. A organização Bretã ADSAV é um bom reflexo disso.

No que à composição étnica dos portugueses concerne, não creio ser legítimo fazer-se uma comparação entre as ténues (quase inexistentes) disparidades presentes na nossa comunidade nacional com as óbvias diferenças existentes entre Bascos e Andaluzes ou entre Valões e Flamengos. Se estes povos expressam um nacionalismo com raizes históricas, culturais e étnicas, em Portugal não me parece razoável, por carecer das premissas supramencionadas, que se fale de um nacionalismo “nortenho” ou de um nacionalismo “sulista”…

Por conseguinte, alimentar um irredentismo artificial não me parece ser a via adequada no combate a um sistema que despreza as especificidades identitárias dos povos e que somente pode ser combatido através de uma luta bem alicerçada nas mais sinceras aspirações dos povos.

Saudações amigas.

Comentar por arqueofuturista

Tu deves estar a confundir “expulsa-los” com conversões forçadas, mudanças de nome,etc. Se acreditas que foram todos expulsos estás a ser mais ingénuo do que eu pensava. Já é típico que o faças, acredito que seja por desconhecimento e por não saberes o que são cristãos novos.

Sei o que são cristãos-novos sei. Tu é que talvez não saibas que houve uma grande perseguição aos cristãos-novos e aos mouros que por cá viviam. Não sabes que se deu uma grande expulsão de Mouros já no século XVI.

Portugal quando passou a incorporar definitivamente os territórios a sul do Mondego passou a ser um pais multietnico.

Isso é completamente falso. A etnicidade do território actualmente português era fundamentalmente similar de norte a sul – hispano-romana, maioritariamente lusitana.

Podia também falar nos moçarabes, culturalmente (e não só) extremamente arabizados, mas vou passar à frente e vou falar apenas de judeus e mouros.

Ainda bem que assim o fazes, já que os Moçárabes não eram «mestiços de árabe», mas sim hispano-romanos dominados politicamente por Mouros.

Só tu é que não conheces a liberdade que Afonso Henriques concedeu aos mouros de Lisboa

Em contrapartida, tu tens a companhia da Esquerda anti-racista no acto de exagerar essas liberdades. Andas em boas companhias.

Quanto aos judeus… a ligação de Afonso Henriques aos judeus era mais do que perigosa, ele protegeu sempre os judeus, e sabe-se que Santarém quando foi conquistada era já uma cidade com uma poderosa comunidade judaica.

O que não tem qualquer significado, num país em que os Judeus estiveram sempre à margem e nunca foram bem tratados nem pela população nem pela nobreza, a qual se divertia a magoá-los nas naus das Descobertas.

Portugal era um pais multietnico

Não era um país multi-étnico coisa nenhuma – era uma nação europeia em que alguns mouros e judeus eram tolerados.

os reis de Portugal (começando por Afonso Henriques) serviam interesses judaicos,

Não serviam interesses judaicos, isso não tem qualquer sentido. Os Judeus é que serviam os interesses dos reis portugueses, e dos outros monarcas europeus – faziam as cobranças e ficavam como os grandes maus da fita. E vários monarcas europeus os protegeram.

actividades “bancárias”? Aí já é ingenuidade a mais.

E é anacronismo pensar que quem se encarregava das «actividades bancárias» tinha nessa altura tanta influência como tem hoje.

Comentar por Caturo

Al Andalus tuvo su Degolladero de los Cristianos (Sevilla)

Comentar por s. pedro

Caro Arqueofuturista, não é possivel debater-se estas questões, pelo menos com o Caturo pelo meio.

“Não sabes que se deu uma grande expulsão de Mouros já no século XVI.”

Que muitos deles judeus convertidos à força acabaram por sair é verdade, (mesmo assim ficaram muitos, mais do que deveriam), em que fonte te baseias quando dizes que foram expulsos mouros do actual território português no século XVI. No século XVI creio que os mouros já se tinham “transformado” praticamente todos em cristãos-novos.
Cita os documentos da época, creio que este assunto é do interesse de todos os que se interessam por identidades.

“Portugal quando passou a incorporar definitivamente os territórios a sul do Mondego passou a ser um pais multietnico.
Isso é completamente falso. A etnicidade do território actualmente português era fundamentalmente similar de norte a sul – hispano-romana, maioritariamente lusitana.”
Isso que dizes é uma asneira sem sentido. Portugal surgiu nos territórios que eram da Gallaecia Romana, quando muito seriam galaico-romanos e não lusitano-romanos, mas quando Portugal surgiu os romanos já tinham desaparecido há muito, e a elite guerreira era germânica (e de descendência germânica) de suevos e visigodos, de luso romana não tinha absolutamente nada, quando muito os poucos “luso-romanos” que existiam nos territórios portucalenses eram um ou outro moçarabe que se tenha recusado a submeter aos mouros migrando para norte, mas na área de Entre Douro e Minho não há registo que tenham sido tantos como isso. E a sul da Gallaecia romana tiveste até ao século XII e XIII o Al-Andaluz, mas essas populações só ficaram portuguesas por conquista, não porque fossem etnicamente portugueses. Os luso-romanos conquistados no lado Leonês/Castelhano são hoje espanhóis, os luso-romanos conquistados do lado portugues são hoje portugueses.

“Em contrapartida, tu tens a companhia da Esquerda anti-racista no acto de exagerar essas liberdades. Andas em boas companhias.”

Quem exagerou essas liberdades foi Afonso Henriques não fui eu.
Tu é que gostas de ter uma visão deturpada da historia, pouco compatível com quem pretensamente defende a identidade do povo.
Tu é que tens a companhia da Esquerda anti-racista ao venerares Afonso Henriques, eu não tenho a companhia da esquerda anti-racista porque a esquerda anti-racista acha que Afonso Henriques agiu bem ao fazer desses mouros portugueses, eu não acho.

“O que não tem qualquer significado, num país em que os Judeus estiveram sempre à margem e nunca foram bem tratados nem pela população nem pela nobreza, a qual se divertia a magoá-los nas naus das Descobertas.”

Estão à margem… se consideras que controlar as finanças do reino é estar à margem…. eu continuo a estranhar tanta ingenuidade.

“Não era um país multi-étnico coisa nenhuma”
Em qualquer cidade do sul do país tinhas uma mouraria e uma judiaria, e depois de Aljubarrota até no Porto meteram uma judiaria.
Se consideras que uma cidade com mouros, judeus e moçarabes não é uma cidade multi-etnica, então o teu conceito de etnia é um tanto ou quanto estranho.

“Os Judeus é que serviam os interesses dos reis portugueses”

Realmente para ti os judeus são uma espécie de povo eleito, os judeus serviam os interesses dos reis portugueses… tão bons e ingénuos como os judeus são… serviam o interesse dos reis de Portugal sem que os Reis de Portugal defendessem os interesses dos judeus… tão altruístas e desinteressados esses judeus…

“E é anacronismo pensar que quem se encarregava das «actividades bancárias» tinha nessa altura tanta influência como tem hoje.”

Tanta ingenuidade… Os judeus não tinham tanta influencia como têm hoje, tinham muito mais.

Comentar por Suevo

Caro Arqueofuturista, não é possivel debater-se estas questões, pelo menos com o Caturo pelo meio.

É possível discutir estando eu presente sim. Desde que, bem entendido, tenhas argumentos sólidos e não meras insinuações ou lugares-comuns.

“Não sabes que se deu uma grande expulsão de Mouros já no século XVI.”

Que muitos deles judeus convertidos à força acabaram por sair é verdade, (mesmo assim ficaram muitos, mais do que deveriam), em que fonte te baseias quando dizes que foram expulsos mouros do actual território português no século XVI.

Em Oliveira Marques, in «História de Portugal», I volume, penso eu.

“Portugal quando passou a incorporar definitivamente os territórios a sul do Mondego passou a ser um pais multietnico.
Isso é completamente falso. A etnicidade do território actualmente português era fundamentalmente similar de norte a sul – hispano-romana, maioritariamente lusitana.”

Isso que dizes é uma asneira sem sentido. Portugal surgiu nos territórios que eram da Gallaecia Romana, quando muito seriam galaico-romanos e não lusitano-romanos,

Tu não percebes, mas uma coisa e outra são essencialmente a mesma.

mas quando Portugal surgiu os romanos já tinham desaparecido há muito, e a elite guerreira era germânica

Péssimo argumento, porque os Romanos não desapareceram por fugirem ou por morrerem de todos de tifo, mas sim porque se integraram em território ibérico, aí firmando a sua cultura, nomeadamente a sua língua, a qual nunca mais deixou de ser falada em toda a Ibéria, excepto Euskadi, mesmo apesar as invasões mourisca e germânica. Foram os guerreiros germânicos que aprenderam a falar o Latim medieval, não foram os Hispânicos que passaram a falar uma ou mais línguas germânicas.

Por isso, tem paciência, mas tudo indica que és menos suevo do que romano.

quando muito os poucos “luso-romanos” que existiam nos territórios portucalenses eram um ou outro moçarabe que se tenha recusado a submeter aos mouros migrando para norte,

E não só. O grosso dos Moçárabes permaneceu no sul e no centro. Tanto assim é que em praticamente todo o País persistem nomes de terras de origem pré-islâmica. De terras, de aldeias, de localidades. E até os costumes remontam pelo menos à época romana, senão mesmo pré-romana.

Os luso-romanos conquistados no lado Leonês/Castelhano são hoje espanhóis, os luso-romanos conquistados do lado portugues são hoje portugueses.

Os Luso-Romanos do lado espanhol são residuas – o grosso da população para lá da actual fronteira portuguesa, não era lusitana mas sim vetã e vaqueia.

A menos, claro, que queiras incluir os Vetões e os Vaqueus na Lusitânia. Mas, nesse caso, tens de fazer o mesmo para os Galaicos.

“Em contrapartida, tu tens a companhia da Esquerda anti-racista no acto de exagerar essas liberdades. Andas em boas companhias.”

Quem exagerou essas liberdades foi Afonso Henriques não fui eu.
Tu é que gostas de ter uma visão deturpada da historia, pouco compatível com quem pretensamente defende a identidade do povo.
Tu é que tens a companhia da Esquerda anti-racista ao venerares Afonso Henriques,

Não venero D. Afonso Henriques – apenas digo que a sua política não foi anti-racista como a Esquerda e tu querem fazer crer, cada qual com os seus interesses, mas com um objectivo comum: acabar com Portugal.

Queres pois ser como os abutres que se vão banquetear com os cadáveres depois dos chacais (Esquerda) terem neles satisfeito a sua fome.

“Não era um país multi-étnico coisa nenhuma”

Em qualquer cidade do sul do país tinhas uma mouraria e uma judiaria, e depois de Aljubarrota até no Porto meteram uma judiaria.
Se consideras que uma cidade com mouros, judeus e moçarabes não é uma cidade multi-etnica,

Claro que não, porque Portugueses a sério, e de chamado «sangue limpo», não incluíam nem Mouros nem Judeus. Os Mouros e os Judeus eram tolerados, nunca vistos como iguais.

“Os Judeus é que serviam os interesses dos reis portugueses”

Realmente para ti os judeus são uma espécie de povo eleito, os judeus serviam os interesses dos reis portugueses… tão bons e ingénuos como os judeus são…

Estás a fazer uma interpretação infantil dos factos. Não se trata de serem ou não bonzinhos – trata-se de não terem poder para se impor, num tempo que a força política se afirmava pela Espada antes de mais nada. Nessa altura, os mercadores, os médicos, os banqueiros, eram parte frágil.

“E é anacronismo pensar que quem se encarregava das «actividades bancárias» tinha nessa altura tanta influência como tem hoje.”

Tanta ingenuidade… Os judeus não tinham tanta influencia como têm hoje, tinham muito mais.

Demonstra-o com provas, sem insinuações.

Comentar por Caturo

imposible multiculturalismo

Comentar por sancho panza

Quem tiver apenas uma herança “branca” e crista ponha o dedo no arcu.

Comentar por Anónimo

é giro ver os argumentos destes pretensiosos nacionalistas, o que eu me ri, mas enfim, devem ser todos filhos do dom duarte piu…

ahahahaha

que risada, como é que esta gente existe??

Comentar por luxithan

É completamente lamentável aturar o sr. suevo. Se não sabem do assunto, não há provas dos factos, porque é que têm de emitir, tão estupidamente, tantos disparates.
ODS

Comentar por ODS

Judeus e mouros foram expulsos na sua maioria de Portugal e também de Espanha, graças aos Reis católicos em 1492, e em Portugal em 1496, aliás na reconquista a maioria dos mouros foram logo esmagados peloas forças cruzadas europeias. E isto vê-se no nosso sangue português que é perdominantemente r1b celta e I Visigodo, a influência moura/semita é residual no nosso contexto genético.
Viva a D. Afonso Henriques! mata-mouros

Comentar por Portugal_Gott_Mit_Uns

Só os ignorantes ou os manipuladores da História é que poderão negar o facto de que a população árabe ou berbére em Portugal era residual, e que não era ela própria dada a misturas com não-islâmicos, devido aos seus próprios preceitos religiosos.

Comentar por arqueofuturista

odiei

Comentar por Anónimo

O YDNA haplogrupo R1b,como sendo celta não é unanimidade entre os geneticistas,até mesmo porque
o R1b possui várias subclasses(R1b*,R1b1,R1b1b1,R1b1b2,R1b1b2a…),e muitas destas não tem nenhuma relação com origem celta,inclusive,alguns geneticistas atribuem uma origem,Médio-Oriental para alguns tipos de R1b.

Comentar por Claudimy Carneiro de Lima

Ignorancia nacionalista é o que chamo a estes atrasados retardados barbaros ke defendem ideias racistas cristãs.. infelizmente mesmo com informação continuam as superstições medievais.. Se a Europa não tivesse tido a presença de Mouros/arabes/berberes.. ainda estaria na idade das Trevas a queimar pessoal na fogueira ..kimikos ao kual xamavam de mágicos, a torturar gente que tinha e ainda tem conhecimentos cultura informação e muiito para nos ensinar etc etc.. Prefiro ser Mouro ke Vandalo, prefiro ser Berber ke barbaro, prefiro ser fenicio do ke celta ou godo, prefiro Xamar ao meu pais Algarve ..mas infelizmente tem sempre uns Alarves de mente fexada… open your ayes
Viva O REINO DO DAR AL-ANDALUZ, ALLAHU AKBAR .. ASALAMU ALEYKOM !

Comentar por Algharb United

Bom dia, pode-me dizer qual a obra que citou de Philippe Conrad?

Comentar por Vitor Costeira




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