A erosão cultural das identidades na Europa – parte 5
Fevereiro 18, 2007, 12:30 pm
Filed under: Europa

Parte final do consciso artigo redigido por Miguel Jardim. Aconselhamos, como forma de enquadramento, a leitura da parte I, parte II, parte III e parte IV deste mesmo texto. 

 Na Europa, por exemplo, não se podem aplicar modelos que contradigam e violem os direitos historicamente conquistados pelas mulheres, ou seja, dever-se-á dar prioridade à nossa raiz cultural em detrimento do respeito por uma ideologia ou religião que agrida e viole o nosso modo de viver. Em resumo: não se pode entender e ler de uma forma absoluta os denominados “direitos humanos”, estes devem estar sempre subordinados ao direito à nossa identidade e segurança. Caso contrário a Europa estará a cometer um lento suicídio. A aliança entre a criminalidade (tráfico de droga e carne branca, terrorismo) e a alta finança internacional, e o discurso da culpabilização protegido por uma prática neo-liberal, revela-se mortífero para as identidades e culturas europeias. A consciência do nosso passado é uma das armas de resistência no combate do futuro pela nossa Identidade. Os novos bárbaros escalam as nossas fronteiras físicas e espirituais, deveremos estar preparados para o confronto. Esta é a questão fulcral. 

Fim 

Notas: 

1- A ideia de ocidente é simultaneamente geográfica, politica e cultural. Enquadra-se nos países da Europa ocidental de tradição católica e protestante, organizados em regimes de democracia-liberal, fundados no primado da lei e na separação de poderes (legislativo, executivo e judicial). Obviamente que esta definição peca por ser limitativa e redutora. A Grécia, por exemplo, não sendo geograficamente do ocidente, faz parte da esfera ocidental, ainda que seja ortodoxa do ponto de vista religioso. O Estado Novo, durante o consulado de Salazar, não sendo democrata-liberal, remetia-se para o conceito de raíz corporativista da democracia orgânica, tendo como bandeira a defesa do ocidente e dos seus valores.E, por último, nem todos os países e estados regidos pelos valores e registos da democracia-liberal possuem a mesma estrutura jurídico-política. Alguns são monárquicos, outros republicanos. Alguns são unitários no enquadramento jurídico-constitucional, caso de Portugal, outros são federalistas, casos da Alemanha, Bélgica e Suiça.. A França possui uma constituição escrita e é laica do ponto de vista religioso. O Reino Unido não tem constituição escrita e a Igreja Anglicana tem poderes, ainda que simbólicos, de carácter nacional e oficial. Contudo, podemos afirmar que todos estes países e estados garantem teoricamente as liberdades individuais e a primazia da lei. No campo económico é a economia de mercado, com maior ou menor intervenção social do estado, que predomina. 

2- Etno-masoquismo é o termo formulado pelo filósofo Francês Guillaume Faye, no seu livro “L’Archeofuturisme” (Arqueofuturismo) para designar a atitude dos Europeus em desprezar a sua própria cultura e valores em proveito ou favorecimento de culturas exóticas, como são, por exemplo, a africana e a asiática. Isto ocorre, nomeadamente, na música, na culinária e nos matrimónios com não-europeus. Significa, ao mesmo tempo, a fraqueza e a debilidade dos europeus perante outras civilizações. 

3- Na obra de Ferdinand Tonnies aparecem os conceitos de comunidade (gemeinschaft) e sociedade (geselschaft), no entanto, os mesmos já tinham sido aflorados por Henry Maine no seu livro “Ancient law”, publicado em 1861. Maine diz-nos que a organização social baseada no parentesco, no “status”, nos costumes comuns, e no direito colectivo à terra constitui uma comunidade. Pelo contrário, a ideia de sociedade  radica-se no contrato e nos direitos individuais. Segundo Tonnies, na comunidade predomina e funciona a vontade orgânica, natural, baseada nos hábitos e costumes comuns, numa cultura essencialmente idêntica (wesenwille). No caso da sociedade é a decisão contractual que é importante. A comunidade é solidária enquanto que a sociedade é competitiva. Mais tarde, o filósofo alemão Schmalenbach procurou superar esta dicotomia introduzindo os conceitos de aliança e “comunitariedade”, o mesmo é que dizer, vivência comunitária (gemeinschaftlischkeit), baseando-se esta na decisão voluntária e consciente dos seres humanos se unirem numa aliança orgânica, com fins e objectivos comuns no trabalho, na vida social, na produção e no consumo. 


4 comentários so far
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Texto muito interessante e na perspectiva cultural em que tanto insisto.
É esperançadora a sua publicação !
Será que conheço o Miguel Jardim ?
Saudações

Comentar por Antonio Lugano

Muito obrigado pelas suas amáveis palavras.
Faço o que penso saber fazer, nada mais.

Creio que não nos conhecemos, mas nunca é tarde para trocar impressões em viva voz.
Aliás, já li alguns dos seus textos em outros espaços da “blogosfera” e só posso dizer que os apreciei pela qualidade da escrita e pelo rigor, ainda que naturalmente não estivesse de acordo com tudo.

Também eu perfilho da ideia de que a cultura como veículo de informação e formação é uma pedra basilar do nosso combate.

As minhas melhores saudações,

Miguel Angelo Jardim

Comentar por Miazuria

Excelente texto de Miguel Jardim.

“(. . .) 2- Etno-masoquismo é o termo formulado pelo filósofo Francês Guillaume Faye, no seu livro “L’Archeofuturisme” (Arqueofuturismo) para designar a atitude dos Europeus em desprezar a sua própria cultura e valores em proveito ou favorecimento de culturas exóticas, como são, por exemplo, a africana e a asiática. Isto ocorre, nomeadamente, na música, na culinária e nos matrimónios com não-europeus. Significa, ao mesmo tempo, a fraqueza e a debilidade dos europeus perante outras civilizações. (. . .)”

O grande problema dos Europeus é, o de não conseguirem perspectivar, no ponto de vista geopolítico e civilizacional, os maus e atrasados instintos civis e militares que os outros povos ou civilizações detêm. Ou seja, para nós Europeus, desprezamos o facto de outorgar o conceito de “inimigo invasor” para com certos e determinados povos. A vida civil descorou o sentido de combate e de desconfiança, deixando os Europeus, adormecidos e amorfos perante o perigo eminente. Cá está o tal desprezo pela cultura e valores Europeus!!! Tudo isto era aceitável se as outras civilizações (se é que algumas se podem chamar de civilizações) tivessem o mesmo sentido pacífico que a civilização ocidental. Mas, infelizmente não é o caso. Os outros Povos, ainda têm no seu instinto, o conceito bárbaro de conquista, através da violência, através do “vale tudo”.

A Europa subserviente de subculturas estrangeiras, invés de as ensinar. A ausência de um instinto guerreiro, dá nestas coisas!

Cumprimentos guerreiros a todos.

O Sentinela.

Comentar por osentinela

por favor posso encotrar materia que fala das identidades culturais e erosao das identidades hoje

Comentar por arcenio nhampule




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