Pierre Vial: Por um comunitarismo Europeu!
Fevereiro 12, 2007, 10:33 pm
Filed under: Europa

Actualmente uma constatação se impõe: afirmam-se sobre o nosso solo os comunitarismos reivindicados, entre outros, por magrebinos, judeus e negros (termo que nada tem de pejorativo, como o mostrou notavelmente Léopold Sedar Senghor, defendendo, a justo título, a “negritude”, enquanto exigência identitária). Estes diversos comunitarismos parecem-nos perfeitamente legítimos. Com a condição, naturalmente, de que seja reconhecido da mesma legitima maneira o comunitarismo europeu. E com a condição, também, de que os comunitarismos dos não-europeus se centrem, logicamente, no regresso ao país de origem dos interessados, quer eles sejam da primeira, segunda ou terceira geração. Em conformidade com o princípio, simples e evidente, de “Uma Terra, Um Povo”.   

 Apelamos, por conseguinte, aos Europeus preocupados em assim permanecerem para se agruparem, para se unirem, para se ajudarem mutuamente e, assim, encontrarem os meios para perpetuar a sua existência. Quanto aos Europeus que não têm este reflexo saudável, tanto pior para eles… que desapareçam.  

O comunitarismo europeu, veiculado por uma rede de resistência (é a única forma de organização que nos pareça adaptada às circunstâncias presentes), é a expressão de uma tomada de consciência identitária: diversos Europeus deram conta de que pertencem a um tipo de humanidade que não é o mesmo que a das pessoas de outros continentes. E daí retiraram as conclusões que daí advêm.                                  

Sejamos claros: isto não implica nenhuma hierarquização entre os grupos humanos, pelo contrário, exige simplesmente o reconhecimento de que a diferença, a diversidade, é fonte de riqueza para todos. Cada um deve poder estar à vontade num meio que é o seu, num âmbito de pertenças ligadas às origens pessoais. O que pode traduzir-se numa fórmula muito simples: cada um no seu território, com os seus, e tudo correrá bem.  

O comunitarismo europeu é, hoje, a última possibilidade dos Europeus. Devem, se querem sobreviver enquanto tais, afirmar a sua especificidade, a sua identidade. Nem mais e não menos que os outros.  

Como? Primeiramente aprendendo, descobrindo quem são. Qual é o património humano que trazem consigo, que encarnam. É a missão à qual estamos adstritos, à Terra e ao Povo: fazer descobrir, ou redescobrir, às nossas irmãs e aos nossos irmãos europeus quem eles são.  

A partir daqui, tudo se torna possível. E, em especial, a afirmação de uma necessária solidariedade que dá a cada uma e a cada um de entre nós o sentimento, a convicção, que a sua sorte, o seu destino está ligado ao das suas irmãs e irmãos de sangue. E, retirando as conclusões muito práticas, muito concretas, muito simples na vida quotidiana: ajudo os meus… porque são os meus… como os outros ajudam os seus. Sejamos capazes deste reflexo elementar: um Europeu está em dificuldades? Ajudo-o. Porquê? Porque é um Europeu. Faço pela minha comunidade o que os outros fazem pela deles. Espontaneamente. Naturalmente. Legitimamente.  

Sei que escrevendo isto atraio a ira das pessoas que detêm o poder. Mas qual o sentido da vida se ela não permitisse dizer a verdade? Nós, Europeus, temos em nós a religião da verdade. Então, tirem as conclusões que daí advêm. E não tenham medo de ser vós próprios. É por isto – e apenas por isto – que somos dignos de viver. Ou, se necessário for, de morrer. Convenientemente. Ou seja de pé. Combatendo.


9 comentários so far
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Texto brilhante! Abarca o essencial.

Subscrevo-o completamente.

Saudações

Comentar por Miazuria

Para alem do “brilho” do texto, cá tenho as minhas duvidas:
Sempre e possivel propor ideias “brilhantes” para acabar com isto ou aquilo.
Infelizmente, não vejo no texto do Pierre ideias viabilizadoras do seu pensamento, o que torna a sua proposta polémica, senão mesmo falaciosa.
Como poderá ele, por exemplo, viabilizar o regresso de milhares de portugueses que, apesar de terem antepassados em Cabo Verde, por exemplo, e já agora a Sara Tavares ou Marcelo Rebelo de Sousa-Moçambique?
Ao falarmos do “comunitarismo fechado”, no sentido de “cada um no seu território, com os seus”, estará Pierre a pensar nos portugueses há muito radicados em Macau ou África do Sul, com raízes em Portugal?
Como Pierre pensa em extirpar os que não concorda com as suas propostas? Matando-os, simplesmente?
Se calhar, debatendo essas questoes conseguiremos juntos, formular um plano bem mais lucido para o alcance desse tao esperado designio:
Um abraço

Comentar por Egidio Vaz

Caro Sr. Egídio Vaz, não creio que esteja nos planos do sr. Pierre Vial exterminar ou matar quem quer que seja.

Mas tem inteira razão em afirmar que podemos debater esta questão de uma forma lúcida e corajosa.

Na minha modesta opinião a primeira decisão política a fazer é demarcar e esclarecer os conceitos de cidadania e da nacionalidade.

Por exemplo: os imigrantes residentes poderão ter direitos sociais e económicos, mas ao mesmo tempo não usufruir de direitos políticos capazes de alterar a relação demográfica e de poder na sociedade/comunidade de acolhimento. Isso acontece,por exemplo, na Suiça e em Israel….
Porque é que outros países não poderão seguir aquele modelo?

Esta solução partiria do pressuposto de que os fenómenos migratórios seriam severamente controlados e de que a nacionalidade seria baseada no “jus sanguinis”, salvaguardando sempre os casos excepcionais.
Estes confirmariam a regra.

Receba os meus melhores cumprimentos,

Miguel Angelo Jardim

Comentar por Miazuria

De facto concordaria com a sua proposta; a de “esclarecer os conceitos de cidadania e da nacionalidade”, com todas suas consequências. Todavia, agradecia se me provesse de alguns esclarecimentos, nomeadamente:
1.Os direitos políticos e casamentos inter-raciais: quererá dizer que aos imigrantes e nacionais, ser-lhes-a proibido casar-se entre si?
Bem, seja a sua resposta SIM ou NÃO, sou indiferente a ela.
Mas, observe uma coisa:
Há bem pouco tempo, Portugal e Brasil tentaram propor aos países africanos + Timor e Macau, falantes de língua portuguesa, um projecto que criasse o conceito de CIDADANIA LUSÓFONA. Esse projecto falhou porque Mocambique e Angola recusaram assinar. Mas cabo Verde, Sao Tome e Principe e Guine Bissau, aceitaram num trago.
Não sei como e que os portugueses reagiram a esse projecto no âmbito da CPLP.
Se fosse aprovada, sabe o que iria acontecer?
Portugueses ou Brasileiros ou Moçambicanos que tivessem, por exemplo, vivido fora dos seus países por mais de 10 anos, seriam elegíveis a cargos públicos, a titulo de exemplo, Presidentes da Câmara Municipal. As implicações desta medida levaria inexoravelmente a portugalizaçao e ou brasileirizaçao de todos países africanos falantes da língua portuuesa, criando um novo espectro neocoloniazdor. Foi por isso que Moçambique recusou-se a assinar.
Virando o prisma, o mesmo nunca aconteceria em Portugal, por razoes óbvias.
2. Vendo o assunto de outra forma:
A Europa, principalmente a dos 15, está em stress permanente do ponto de vista populacional. Há cada vez menos nascimentos. A preocupação dos seus cidadãos com o trabalho e bem estar põe-os frequentemente relutantes em fazer filhos. Contrariamente, verifica-se uma grande demanda de mão de obra bruta, para os grandes empreendimentos que por la se controem: prédios, autoestradas, etc, etc. A par disto, a população esta a ficar cada vez mais velha. Torna-se necessário repovoar o velho continente! Não e por acaso, que países há, que fazem vista grossa ao movimento migratório e facilitam casamentos inter raciais bem como fomentam a natalidade! Questões ligadas a soberania e segurança do Estado (necessidade de militares) as vezes pesam mais nesses casos.
Falei bastante, e em certos casos, fugi do assunto mas, se não for demais, leia este ultimo paragrafo:
-VOCÊS EUROPEUS PRECISAM DE EDUCAR BEM OS VOSSOS POLÍTICOS. PODEM ESTAR A VOS ENCAMINHAR PARA O ABISMO.
-POLITICAS DE NATALIDADE
-AS RELAÇÕES EXTERNAS COM OS PAÍSES POBRES
-A INDUSTRIA ARMAMENTISTA, fomentadora da instabilidade nos em certos países africanos e asiáticos
-O CINISMO NA AJUDA PUBLICA AO DESENVOLVIMENTO, são alguns dos debates que deveriam ter lugar em meios como esses.
Há, para alem da migração, aspectos basilares, fundamentais a debater. Se calhar, devíamos começar por ai: pelos motivos causadores do fenómeno da “iminvasao”. Sem receio e com cada lado a assumir a sua responsabilidade.

Comentar por Egidio Vaz

Caro sr. Egídio Vaz, o seu texto levanta uma série de questões pertinentes que a devido tempo irei responder.

Os meus melhores cumprimentos,

Miguel Angelo Jardim

Comentar por Miazuria

Aguardo serenamente pela resposta.
Abraços

Comentar por Egidio Vaz

Estimado sr.Egídio Vaz, como o prometido é devido, passo a responder, dentro do possível, a algumas das questões levantadas por si.

1. Pessoalmente sou contra matrimónios inter-raciais, considero que da mestiçagem resulta a perda das Identidades de cada um dos intervenientes. Dito isto convirá sempre esclarecer que qualquer medida administrativa coerciva terá como consequência prática a ineficácia.
Perfilho a tese de que uma comunidade, entendida esta como uma entidade consciente e orgânica (étnica, cultural, linguística e religiosa) não se diluirá num qualquer “melting-pot”. Prefiro, sem sombra de dúvida, o modelo do mosaico.
À mestiçagem e à assimilação proponho o diálogo, sempre dentro do respeito mútuo,recomendo a troca de informações culturais, as relações económicas, etc.
A título de exemplo veja-se o caso de Angola, onde uma “elite”(!!!) cleptocrática, crioula, com ligações, mais que dúbias, com os sectores capitalistas de Portugal e do Brasil exercem a função de intermediários, às vezes arrogantes, na exploração económica e social de Angola e das suas populações autóctones,(leia-se negros) para utilizar uma expressão tão cara ao jornal Angolano Folha 8 , porta-voz da autenticidade negro-africana.
O mais escandaloso é que o fazem, os tais crioulos, em nome de uma verborreia pseudo-socialista, manipulando uma fraseologia do mais barato marxismo(!!).
Mal grado alguns erros cometidos, Jonas Malheiro Savimbi tinha muita razão em atacar as ditas “elites” crioulas de Luanda e Benguela/Lobito…
É claro que as vozes do políticamente correcto rapidamente se apressaram a apelidá-lo de “racista” e tribalista, quando ele procurava defender a autenticidade africana (negritude) e o respeito pelo seu povo Ovimbundo.

2.Eu também sou contra o conceito da cidadania lusófona, folgo em saber que Moçambique foi contra tal disparate.
Aqui em Portugal trava-se uma batalha de ideias, com contornos ideológicos e geracionais, contra sectores nacionalistas da velha guarda, herdeiros do Estado Novo e do conceito sócio-filosófico denominado luso-tropicalismo, formulado pelo sociólogo Brasileiro Gilberto Freyre.Esta corrente pretende, de novo,a coberto de um discurso ideológico bem estruturado a tomada dos territórios, ainda que com novos métodos, do ex-império Português, esse novo arremeço seria levado a cabo pelos vectores culturais e económicos.Com essa estratégia o Brasil parece estar ter êxito em Angola. Vamos ver como é que a mesma ( a estratégia) vai teminar.

De novo remeto-me para soluções que passem por boas relações nas áreas da economia,cultura, turismo,mas sempre sem devaneios de ordem “saudosista” ou assimiladoras.Os limites dessa cooperação seriam sempre os políticos, bem expressos no conceito de que em cada casa mandam os que há muito lá vivem:os autóctones.
Em suma: estou plenamente de acordo com o que foi escrito por si quando aborda o tópico da cidadania lusófona.

Irei continuar, entretanto receba os meus melhores cumprimentos,

Miguel Angelo Jardim

Ps/ Já leu o livro “Pensatempos” do Mia Couto?
É interessante, em alguns dos seus artigos aborda polemicamente as questões levantadas pela busca e definição das identidades.

Comentar por Miazuria

Excelente texto, caro ArqueoFuturista.

E estou a gostar muito da discussão entre “Miazuria” e “Egidio Vaz”.

A Paixão é audaz e forte.
Viva o combate “identitário”!
Aqui, luta-se pela nossa sorte.
Assim, serei sempre solidário.

Cumprimentos Guerreiros.

O Sentinela.

Ps: Depois de vários problemas no meu computador e com o WordPress.com, lá consegui comentar. Saaaafa!!! :-)

Comentar por osentinela

Obrigado pelas suas palavras, caro O Sentinela.

E parabéns pela quadra!

Saudações

Comentar por Miazuria




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