Breve resposta a Egídio Vaz
Fevereiro 6, 2007, 8:08 pm
Filed under: Em foco

Egídio Vaz, historiador moçambicano, decidiu presentear o Máquina Zero e este vosso blogueiro Arqueofuturista, com destacada menção no seu blog (desde já grato pela publicidade), asseverando que « a questão da imigração mexe com as sensibilidade de todos », mas que para o MZ e para a minha pessoa a mesma adquire « contornos para além de políticos ». Acrescenta Egídio Vaz, em jeito de resposta a um postal a ele dedicado, que se deve respeitar os imigrantes. Acto final,  este co-bloguista teve o cuidado de nos obsequiar com um video-propaganda anti-racista da tenebrosa Associação Amnistia Internacional. 

Não me sentindo minimamente beliscado ou ofendido, quero, todavia, contestar a subtil insinuação de que sou racista, pois em artigo algum deste blog o Egídio Vaz encontrou, nem encontrará, qualquer traço de racismo (entendendo este como a afirmação da suposta superioridade de uma raça sobre as demais, ou ódio em relação ao outro em função da sua raça), ou mesmo de xenofobia, aliás como ficou comprovado na troca de ideias que mantivemos num anterior artigo publicado neste blog ou o presente artigo que lhe dedico.  

Ora, parecendo-me demasiado extenuante referir quais os motivos que fazem de mim declarado opositor do fenómeno imigracionista, remeto-o para a leitura dos postais publicados aqui, ou aqui, e já agora também este, e este, e permita-me ainda sugerir este igualmente relevante para o caso. 

Posto isto, estou certo de que o Egídio Vaz, como pessoa inteligente que é, compreenderá a minha recusa em aceitar rótulos primários, carentes de conteúdo. Porém, não posso deixar de questionar e reflectir sobre o que move o Egídio Vaz no demonstrado interesse pelo movimento imigracionista, o qual adquire proporções inédiatas e que se assemelha a uma invasão e consequente colonização do continente europeu pelos povos anteriormente colonizados. Particularmente curioso torna-se esse facto quando tal interesse provêm de um homem que é cidadão de um país historicamente de recente independência e descolonização… 

Por fim, desejo somente sublinhar que o respeito e o diálogo entre os povos, entre os homens de raças diferentes, é sempre possível, desde que e quando se aceita a alteridade, quando se preservam as identidades específicas de cada povo, quando se reconhece aos outros o direito de disporem de si próprios e de viverem de acordo com os seus hábitos e costumes num determinado território ao qual têm um apego ancestral e no qual se sentem enraizados. Como dizem os franceses “Chacun chez soi!” e aí reside a solução para inumeros problemas deste nosso planeta. 

Melhores saudações e um abraço português.  


10 comentários so far
Deixe um comentário

Por fim, desejo somente sublinhar que o respeito e o diálogo entre os povos, entre os homens de raças diferentes, é sempre possível, desde que e quando se aceita a alteridade, quando se preservam as identidades específicas de cada povo, quando se reconhece aos outros o direito de disporem de si próprios e de viverem de acordo com os seus hábitos e costumes num determinado território ao qual têm um apego ancestral e no qual se sentem enraizados. Como dizem os franceses “Chacun chez soi!” e aí reside a solução para inumeros problemas deste nosso planeta.

Um texto esplêndido Arqueofuturista. Com efeito, a paz global e a justiça exigem um mundo constituído por nações autónomas, cada uma com o seu próprio carácter, história e destino.

Cumprimentos cordiais

Comentar por PP&I

Muito obrigado Arqueofuturista pela “breve” resposta. Ponho a palavra “breve” entre aspas pois considero-a exageradamente minimizadora, pois o que disse, e para um bom entendedor, meia palavra basta.
Quero pedir dsculpas, mesmo tarde, caso se sinta ofendido com a associação do seu nome ao vídeo-propaganda. Na verdade, admiro a si e ao MZ a capacidade de, mesmo discordando com certas posições, aceitam que estas sejam colocadas e exprimidas em vossos blogues.
Continuo aberto ao debate, não descurando no entanto, outras possibilidades para a solução do problema da imigração por outras vias.
Acho as vossas propostas demasiado drásticas, para um movimento que iniciou há séculos. Erguer bassreiras ao movimento livre de pessoas e bens, acho eu, não passa de um exercício que se afigura frustrante, porque impossível. Ora criar condições para que tanto no local de saída e de chegada existam condições para que este movimento tenha outra face e não pareça INVASÃO, essa, diria, é tarefa de todos. Pensemos em soluções ou propostas de soluções, menos ostracisação.
Um abraço.

Comentar por Egidio Vaz

Parece que alguns já esqueceram os milhares de brancos nascidos e criados em Africa que num abrir e fechar de olhos tiverem que abandonar tudo e “regressar” a uma terra donde nunca partiram. Felizmente não foi o meu caso.
Mas os chamados movimentos de libertação financiados por comunistas, capitalistas e toda a corja de traidores brancos e brancos traidores portugueses, não podem esquecer que esta situação iminvasora está fora de controlo. Da mesma forma que acharam natural e necessária a libertação dos povos (coitadinhos) africanos, para decidirem do seu destino, destino que pelos vistos tem sido a completa destruição de Africa e a invasão da Europa, não se admirem agora que os Europeus reajam…

Caro arqueofuturista, parabéns pela elevação que teve na resposta a esse senhor Egidio.
Elevação nas palavras e dedo no gatilho, sem ódio, porque a guerra do ódio não é a nossa!
Um Novo Soldado está a nascer!

Comentar por Legionário

Caro Arqueofuturista, um bem-haja pelo seu artigo e pela elevação do debate com o Moçambicano Egídio Vaz.

A postura deve ser essa, a da lucidez e realismo das nossas propostas, estas devem configurar a defesa da nossa Identidade em lugar da negação ou o ódio ao outro.

TODOS os povos têm o direito a defender os seus costumes, os seus modos de vida, os seus territórios. Isso vale para Europeus, Africanos ou Asiáticos.

Quanto ao sr. Egídio Vaz, e em conformidade com o seu raciocínio, «Erguer bassreiras ao movimento livre de pessoas e bens, acho eu, não passa de um exercício que se afigura frustrante» , creio que também se refererá aos bens (muitos) que foram roubados, esbulhados a milhares de Portugueses em Moçambique…

Para já não mencionar as expulsões em massa de países africanos para outros, casos da Costa do Marfim, África do Sul,Angola, Ruanda,Burundi etc.
Ah! Mas isso não é “racismo”!

Parece-nos que até aqui o continente africano é a excepção: faz aquilo que os Europeus não podem fazer, ou seja, a protecção das suas fronteiras!

Ou agora os africanos têm um tratamento especial?

Haja coerência!

Saudações

Miguel Angelo Jardim

Comentar por Miazuria

Debate é isso,
Obrigado pelas lições de Historia, caro senhor
Miguel Ângelo Jardim.
Um abraço.

Comentar por Egidio Vaz

Caro Egídio, publiquei resposta no seu blog, e reparei que entretanto já replicou à mesma, a qual, diga-se, me deixou, não surpreendido, mas contente. Contente por verificar que entende correctamente aquilo que eu e outros procuramos transmitir, mas que persistentemente é refutado pelos desenvergonhados promotores do imigracionismo, os quais é bem sabido pouco se importam com a sorte dos imigrantes.

O que refere sobre a presente situação em Moçambique, nomeadamente sobre o facto dos quenianos estarem a dominar determinados negócios em detrimento e acentuado prejuizo da população moçambicana, ou ainda a hábil maneira dos alógenos se tornarem moçambicanos através de casamentos de conveniência é prática corrente na Europa há muito. Porém, atente nisto, aqui, no velho continente, quem expressar opinião semelhante a essa por si veiculada é imediatamente rotulado de racista, pois vive-se num clima de receio, de medo, onde o etnomasoquismo, ou seja, o ódio de si próprio impera, sentimento que se procura transmitir desde tenra idade, qual forma de expiação de pretensos pecados deste continente que tanto deu e dá ao mundo.

Em sentido inverso, as palavras do Egídio, não tenha dúvidas disso, são aqui encaradas como expressão de uma legitima inquietação e de um elevado sentido patriótico, o que na verdade efectivamente o são.

Dois pesos e duas medidas…

Agradeço o facto de ter proporcionado este esclarecedor debate e receba as minhas melhores saudações.

Comentar por arqueofuturista

Eu é que agradeço a oportunidade de poder ter uma conversa consigo. Do fundo do coração, quero assegurar-lhe que foi muito proveitosa.
Na verdade, vivemos nós, todos, o mesmo problema: o dos políticos, que fazem de contas que estão a resolver problemas enquanto agravam-nos.
Quando o MZ criticou o proposta educacional do Bloco de Esquerda, na altura, não tinha o percebido bem. Depois, fui ler toda ela, de ponta a outra, e vi que não passava daquilo que dizes ser “calculismo politico”, virado para objectivos meramente eleitoralistas. E isto é triste, porque em vez de ser um projecto humanizante como parece, trata-se, isso sim, de uma estratégia meramente politica.
Obrigado, mais uma vez, e estou atento a suas inquietações.
Sempre,
Egídio Vaz

Comentar por Egidio Vaz

Parabéns ao Arqueofuturista e ao sr. Egídio Vaz pela dignidade e honestidade colocadas no debate.

As minhas mlhores saudações a ambos

Miguel Angelo Jardim

Comentar por Miazuria

Caro Egídio, como bem analisou, a proposta educacional do Bloco de esquerda é falaciosa, e pior que isso assente num encapotado calculismo político, oportunisticamente manipulador daqueles que esse partido diz defender. Repare na atitude paternalista que alguns comentadores demonstraram no seu blog, bem típica da esquerda bem-pensante, que consideram os africanos negros incapazes de se governarem por si sós, sugerindo que o Egídio estava a deixar-se manipular pelo Miazuria e por mim. Enfim, uma atitude de menorização dos africanos negros que os esquerdistas têm por hábito de pôr em prática na Europa, mas que muita pessoas, por falta de análise, encaram como um acto humanitário…

É preciso que se diga claramente, os africanos negros são tão capazes quanto os demais povos que compôem a humanidade, têm a sua própria cosmogonia, a sua idiossincrasia e particularidades que os tornam únicos. A esquerda do hemisfério norte é que tem de compreender de uma vez por todas que o modelo ocidental que pretendem tornar universal é que pode não ser exportável, aplicável ou o mais adequado aos outros povos, incluindo os africanos negros.

Egídio Vaz, bem haja por ser um espírito livre, por ser uma voz independente e impermeável a influências funestas tão em voga na Europa.

Comentar por arqueofuturista

Mais uma vez, parabéns pelo texto,amigo Arqueofuturista.

Saudações

Comentar por Miazuria




Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s



%d bloggers like this: