A Ordem dos Assassinos
Janeiro 30, 2007, 12:33 pm
Filed under: Em foco

O Islão, essa religião dita “da paz e da tolerância”, tem, no curso da História, deixado bem vincado, particularmente tingido a vermelho de sangue, que é uma concepção do mundo agressivamente totalitária. À semelhança do que acontece em todos as ideologias Universalistas, também no Islamismo pessoas houve e continuam a haver que se consideram portadoras de verdade supremas, perante as quais, todos sem excepção, se devem render, sob o peso de conhecerem a lâmina da espada de Alá. Um dos episódios da sanguinária História do islão que os seus prosélitos procuram recorrentemente mascarar, com o tácito apoio dos seus colaboracionistas europeus, como o Cláudio Torres, sempre tão solícito na evocação dos contributos islâmicos para a cultura europeia, dizia, um desses episódios refere-se à cruenta seita dos assassinos e que aqui apresento em muito resumida alusão. 

Ordem dos Assassinos 

Nada é verdade, tudo é permitido! Hassan Sabbah 

Durante 150 anos, entre os finais do século XI e a metade do XIII, uma terrível seita ismaelita, minoritária no universo do Islão, trouxe o temor e, por vezes, o pânico à região do Oriente Médio. Tratava-se da Ordem dos Assassinos, assim chamada porque os seus integrantes, antes de praticarm os atentados, inalavam um estupefaciente, o Hashishiyun, ou haxixe. Os seguidores da ordem caracterizavam-se pela entrega total à missão que lhes era atribuída pelos seus superiores e por não demonstrarem medo algum perante a morte que fatalmente os aguardava após terem praticado as suas ações terroristas.  

O anúncio da ressurreição  

No ano de 1166, na praça central da fortaleza de Alamut, no alto dos Montes Elburz, no norte do Irão, Hassan II, o grão-mestre dos nizarins (como a Ordem dos Assassinos se denominava oficialmente), uma seita dissidente no Islão, exultava frente aos companheiros e seguidores que ocupavam todo o espaço à sua frente. Ele convocara-os para um importante anúncio. Queria dizer-lhes que, por fim, aproximava-se o dia da Qiyamat al Qiyamat, a Ressurreição da Ressurreição, estando muito perto o momento em que, pondo fim àquela época, iniciada há muito tempo atrás por Adão, o Imam oculto finalmente viria liderá-los na renovação de tudo. Dali em diante, assegurou ele, não haveria mais litúrgia, pois a religião tornara-se puramente espíritual, sem templos ou culto. Que se preparassem, portanto, para os novos tempos, concentrando-se todos eles dentro da fortaleza de Alamut, um lugar inexpugnável para os seus inimigos, de onde só sairiam para realizar as suas operações de assassinatos selectivos.  

O profeta dos assassinos  

A seita, obediente aos extremos rigores do militarismo, havia sido fundada no ano de 1090, quando o missionário ismaelita Hassan Sabbah (1034-1124), encarnação de Deus na Terra, retornara do Egito para a sua Pérsia nativa (ele nascera em Qom). Envolvido nas lutas pelo poder entre a casa real egípcia e a de Bagdad, ele decidira fundar uma ordem secreta para enfrentar os seus adversários. Para tanto, inspirou-se nos antigos rituais de iniciação adoptados pelos gnósticos, com o seu gosto pela ciência esotérica – a batanya – e pelo culto dos sinais secretos, só alcançados depois de muita disciplina e dedicação ao estudo. Em pouco tempo, verificou-se que Hassan Sabbah, o xeque das montanhas, criara uma teologia totalitária, onde um só deus (Alá), se fazia representar por um só Imam (um líder espíritual), e por um só representante (o próprio Hassan), com autoridade de vida e morte sobre os seus seguidores. Tendo uma visão trágica do mundo, considerando-o perdidamente maculado pela heresia e pelo desacerto dos governantes, ele declarou guerra à religião oficial, o Islamismo sunita, e também às dinastias que reinavam na região, fossem as de raiz árabe ou turca seldjúcida. Líder de uma seita absolutamente minoritária, Hassan Sabbah percebeu que somente poderia impor-se naquelas circunstâncias por meio do terror. Em colocar os seus inimigos em permanente pavor de virem a ser assassinados. Ao apoiar um dos governantes, chamado Nizan, a sua ordem denominou-se os nizarins.  


5 comentários so far
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Porque será que essa religião da paz.
Provoca tanta miséria e desordem?
Coloca tanto ódio em tudo o que faz.
Abate os que lhes fazem frente e fogem?

Por isso, digo e repito.
Sem medo, pronto e ofensivo.
Pois esta luta não evito.
Porque sou eu sempre que decido.

Os nossos corações, não conseguem alterar!
Apenas alteram os nossos destinos.
Pois com esse Terror, nunca irei cooperar.
Renegando qualquer Ordem de Assassinos.

Parece que, hoje em dia, existem várias religiões. Mas no meio desta confusão toda, existem duas que me irritam especialmente, a Religião da Guerra(Islão) e a Religião do Dinheiro(Judeus).

Cumprimentos.

Comentar por osentinela

Muito grato por este extraordinário momento poético que o Sentinela nos proporcionou, enriquecendo este espaço arqueofuturista.

Comentar por arqueofuturista

Alamut – Um livro que gostei de ler

Já agora – Você já leu o Portas de Fogo, sobre os 300? Ia gostar

Comentar por Legionário

Prezado legionário, não li Alamut e irei inquirir sobre o mesmo.

Já quanto a Portas de Fogo de Steven Pressfield, adorei, delirei, uma obra notável. Mantenha-se atento, pois tenho um novo projecto blogosférico dedicado somente a essa gloriosa Esparta, e que irei tornar público em breve.

Quero comprar também a obra de Pressfield intitulada a Arte da Guerra, sobre as campanhas de Alexandre O Grande, a qual me parece estar igualmente fabulosa.

Comentar por arqueofuturista

porque eles eram destinados a matar e morrer? só pela simples ilusao de um paraiso esperando pela suas almas? acho que ainda faltam muitas outras coisas a serem descobertas a respeito dos assassinos. tambem haveria a possibilidade de eles não morrerem mas escaparem ou a possibilidade de realizarem seus assassinatos de forma escondida,do mesmo jeito que eles deixaram a adaga na alcova do poderoso Sutão Saladino como os historiadores dizem. ja venho estudando essas antigas ordens e percebo que todas tem fins territorias com desculpas religiosas para simplesmente iludir seus integrantes. a pergunta mais importante e que todos desejam saber: Será mesmo que essa ordem acabou? Ou ela so anda escondida como antigamente? essa pergunta é a que todos nós desejamos saber.

Comentar por estudante




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