A propósito do filme Apocalypto e das observações do meu amigo Caturo
Janeiro 12, 2007, 12:35 am
Filed under: Em foco

Caturo, pseudónimo sobejamente conhecido pelos frequentadores de blogues, é o animador incansável do combativo blog Gladius, um espaço informativo e formativo que tem marcado a blogosfera nacionalista pela apresentação de um discurso inovador e sem concessões, vincando, desse modo, o seu carácter irreverente, avesso a qualquer tipo de seguidismos. Espírito crítico, sabe igualmente aceitar as críticas que lhe são dirigidas. No postal que ora torno público, irei contestar determinadas observações que ele publicou recentemente, não duvidando em momento algum, que este homem, meu amigo, saberá receber as minhas objecções, sem que isso entorpeça a nossa relação de camaradagem e amizade, objecçõe estas que, mais do que uma refutação da opinião veiculada pelo Caturo, pretende rechaçar uma ideia estabelecida e que cada vez mais urge combater, a auto-culpabilização europeia pelos problemas que afectam o planeta.   

 

Esta semana, o Caturo informou-nos que havia ido ao cinema visualizar a película de Mel Gibson “Apocalypto”, filme que agradou ao meu amigo, tal como o mesmo refere, particularmente pela qualidade imprimida pelo realizador começando no enredo, passando pelo argumento, terminando no guarda-roupa.  

Até aqui nada a obstar. Comungo integralmente da opinião versada. O caso muda de figura quando, altaneiro, o Caturo, pagão militante dos sete costados e sempre imbuído de uma irascibilidade acentuada no que concerne aos monoteísmo, e em particular ao Cristianismo, profere que esta obra cinematográfica mais não é que um exercício de puro revisionismo histórico cristão. 

Ora, não sendo eu crente, pelo contrário, assumindo a minha condição de ateu consciente, não me agrada, todavia, que se propalem injustas teses, denigrativas e de consequências mais profundas do que aquelas que o meu amigo Caturo imaginou quando, possuido por essa aversão anti-cristã, redigiu tal artigo, consequênncias essas que, mais do que atingirem e afectarem a instituição católica, auxiliam a cáfila esquerdista, sempre tão ávida de matéria que lhes permita colocar mais um tijolo na mítica construção da culpabilidade do homem europeu/branco, enquanto agente histórico, nos males do mundo.  

Caturo diz no seu texto “que já ia com ela fisgada”, o que não abona em nada à sua posterior análise, pois partiu de uma premissa preconceituosa e acrítica. Entre acusações de manipulação religiosa que disfere a Gibson, escreve o meu companheiro de luta que “a intenção parece ser a de denegrir a civilização pagã dos Maias, de maneira a tornar mais aceitável a conquista imperialista cristã da América central, feita por Castela, indefectível servidora da Igreja…”. Honestamente não creio que assim seja. Gibson, muito fiel aos factos históricos como é seu apanágio (quiçá herança paterna…), demonstrou, a cores e no grande ecrân, que muito antes dos europeus, nomeadamente os Espanhóis, terem desembarcado naquela região do planeta, os povos ali sediados eram portadores de civilizações e culturas científica e socialmente avançadas, mas particularmente sanguinárias, isto aliado ao facto, também comprovado, que se degladiavam barbaramente, numa luta de extermínio e pela hegemonia regional. A escrita pictográfica Asteca, os caracteres hieroglíficos Maias, as estelas existentes nos monumentos, os entalhes e relevos em estuque, bem como as pinturas e cerâmicas destes povos assim o atestam e de forma inequívoca, inegável, irrefutável, passo a tautologia.  

Historicamente é consabido que foram a guerra, o esgotamento das terras agrícolas e a seca as principais causas para a decadência da civilização Maia, a qual se viu, consequentemente, envolta num ambiente de revoltas das classes baixas contra as élites urbanas. Posteriormente, os Maias foram absorvidos durante o processo de expansão do império Asteca por volta do século XV. Torna-se assim evidente que os Espanhóis, chegados àquela região no século XVI, liderados por Hernán Cortez, não tiveram qualquer relação directa na decadência cultural e destruição da mencionada civilização, tendo sido, isso sim, mais uma peça do complicado jogo de xadrez que ali se desenrolava, sendo precisamente esta a mensagem que ilustra a imagem final da película de Mel Gibson. 

O furioso ataque disferido pelo Caturo à Igreja Católica, nomeadamente pelo seu pretenso papel na destruição dos Astecas, Maias e Incas, também me parece exagerado, para não dizer inverosímil. A empresa dos descobrimentos marítimos nunca teve como móbil uma eventual expansão da fé cristã. Esse argumento foi uma explicação circunstancial que procurava obviamente justificar interesses não declarados, digamos interesses “aos olhos de Deus” pecaminosos, na medida em que eram movidos por ambições territoriais com base em necessidades económicas. A matéria claramente sobreposta ao espírito. 

Contudo, não querendo evitar a resposta ao argumento de que terão sido os conquistadores Espanhóis os directos culpados pela destruição dessas civilizações, está já  devidamente vincado que os Maias, ou mais correctamente a sua cultura e civilização, não foram vitimas dos conquistadores Europeus, mas sim dos seus vizinhos Astecas. Estes últimos, povo guerreiro e imperialista por excelência, haviam-se incompatibilizado com os demais povos da região. Com a chegada dos espanhóis no inicio do século XVI, rapidamente se estabeleceram relações diplomáticas entre indígenas e europeus. Em 1519 os Astecas aliam-se a Hernán Cortez, tendo o suserano Asteca Moctezuma II considerado Cortez como a personificação do deus Quetzalcóatl. No ano seguinte Moctezuma é assassinado aquando de uma revolta popular. No entramado jogo de bastidores os Espanhóis iam gerindo habilmente os ódios inter-étnicos existentes no seio da confederação liderada pelos Astecas. O rei Asteca, Cuauhtémoc,  apercebeu-se de que o o reino corria o risco de se desagregar e lançou-se contra o intruso europeu. Demasiado tarde, os Espanhóis haviam obtido o apoio dos povos submetidos, os quais se revoltaram e fizeram desmornar a civilização Asteca. Será justo então invectivar a Igreja Católica, ou mesmo os Espanhóis na pessoa de Hernán Cortez, quando estes, no máximo, apenas poderão ter contribuido, em curta medida, para a acelarada decomposição da civilização Asteca? Não creio e muito pelo contrário.  

No que se refere ao Império Inca, seria exaustivo assinalar todas as etapas que conduziram ao seu desaparecimento, aconselhando, todavia, a leitura do tópico sobre os Incas no Wikipédia, no qual se torna evidente que uma vez mais os Espanhóis, de forma involuntária, entraram num jogo que não haviam escolhido mas que souberam astutamente aproveitar, não se podendo imputar qualquer grau de culpa, no sentido em que fosse qual fosse o povo, comungando esta ou aquela religião, indubitavelmente agarraria a oportunidade. 

Perante o até aqui exposto, e sem pretender alongar muito mais esta contestação, desejo ainda tecer alguns comentários em relação à frase na qual o Caturo vislumbra uma artimanha que tende a atenuar a culpa cristã na pretensa obliteração das já referidas civilizações e que rezava assim; “Uma civilização não é destruída por fora, mas sim por dentro”. Acaso contém esta frase alguma inverdade?  Olvidando por momentos os Maias, Incas e Astecas, recordemos o que aconteceu ao Império Romano, só para citar um exemplo que se me afigura flagrante. Não foram os Romanos de Roma os principais responsáveis pela decadência e consequente queda do Império? As invasões bárbaras apenas foram o corolário de algo há muito anunciado e inevitável. Pode-se então censurar os povos germânicos por terem disferido o golpe de misericórdia num império decrépito? Assim como eu, não duvido que o Caturo responderá negativamente. Poderiamos de igual modo evocar o Egipto dos faraós, mas creio não ser necessário… 

Já sobre o papel da Igreja Católica nas Américas, não me atrevo a negar que se cometeram excessos. Qual a religião cujos os seguidores não procuram converter os demais? Não é o missionarismo expansionista uma das características comum a todas as religiões? No entanto, confundir deliberadamente aquilo que foi uma gesta aventureira, transformada gradual e posteriormente numa conquista político-económica, com um plano de envangelização cristã é, no minímo, contrariar descaradamente as evidências.A difusão da fé cristã nas Américas não foi pacífica, à semelhança da Europa, e não foge ao processo natural que os povos subjugados por incapacidade ou voluntariamente submissos sempre conheceram. Basta para tal recordar o que Jaime Cortesão dizia referido-se aos Lusitanos: “Língua, direito, religião, não esquecendo os aspectos da civilização material, tudo os povos indígenas acabam por tomar dos invasores.”     

Camarada Caturo, a crítica á religião do deserto denominada Cristianismo, deverá ser re-direccionada, particularmente para as altas hierarquias, acérrimas colaboracionistas da imINVASÃo e colonização da nossa Europa. Porém, esses goples deverão ser disferidos com precisão, uma precisão cirúrgica, e que não auxilie ou contribua, mesmo que involuntariamente, para a auto-flagelação étnica dos europeus pelo enfraquecimento da sua própria estima e orgulho nos seus antepassados e gloriosa história.


14 comentários so far
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” Não é o missionarismo expansionista uma das características comum a todas as religiões?”

Sim, com uma excepção (estou certo que o Caturo concorda): o Judaísmo, que sempre foi algo avesso ao proselitismo e a conversões.

Comentar por Amarna

O judaísmo, ainda que sendo uma religião de características étnicas, exclusivista, a verdade é que nem sempre assim aconteceu, pois muitos judeus, senão a maioria, resulta de uma conversão, os khazars, uma tribo não-semita. Poderiamos ainda citar o caso dos judeus etíopes, denominados falashas.

Comentar por arqueofuturista

Caro camarada Arqueofuturista, tendo tu formação em História, sabes tão bem como eu que, em matéria de civilizações antigas, os ciclos de (aparente) decadência foram bastas vezes seguidos de novas ascenções civilizacionais. Repare-se, desde já, no caso da Grécia – o brilhantismo de Micenas, surgido não depois de 2000 a.c., veio a cair e a ser quase por completo obliterado pelas invasões helénicas posteriores, eventualmente na época dos chamados «Povos do Mar», época esta que marca o início daquilo a que se convencionou chamar «Idade Média Grega» – mas, logo a seguir, aparecem as gloriosas cidades de Atenas e de Esparta, que, de facto, viriam a ser veículo para que o Génio Helénico atingissem os mais altos píncaros do brilhantismo intelectual, cultural e ético, constituindo até a própria matriz cultural do Ocidente (Platão, Aristóteles, Ésquilo, Sófocles, Péricles, Licurgo, Sólon, etc.).
Em Roma sucedeu algo de vagamente similar – as guerras civis entre Mário e Sula não obstaram a que, uma vez resolvido esse conflito, a civilização latina atingisse uma Idade de Ouro, a de Augusto e seguintes.
Outro tanto se passou entre os Iranianos, que, séculos após a queda dos Aqueménidas, viram ressurgir no seu sangue e no seu solo a glória árica, desta feita protagonizada pela dinastia dos Sassânidas.

Ora o mesmo se passou na América Central – a civilização dessa região já tinha atingido o (um…) auge do seu desenvolvimento séculos antes de os Castelhanos chegarem, para depois decaírem e a seguir começarem novamente a ascender – tudo isto, note-se, antes dos Espanhóis surgirem.

Ora o testemunho civilizacional Maia passaria, segundo o que disseste, para a civilização asteca – e aí continuava-se entre Ameríndios pagãos, próximos entre si em todos os casos, talvez até mais do que Gregos e Romanos. Agora pense-se – o que teria acontecido no Ocidente se os Gregos tivessem sido submergidos pelos Persas? O que seria de Roma, por exemplo – teria sido palco de um progresso civilizacional e cultural único, fertilizado pela cultura helénica?

Não o sabemos. O que sabemos é que a Cristandade, agindo por intermédio dos Espanhóis, apagou três grandes civilizações. E fê-lo porque os nossos irmãos Castelhanos, astutos, souberam portar-se com os Incas, Maias e Astecas do mesmo modo que os seus antecessores Romanos se portaram com os povos bárbaros do Ocidente, quando, em querendo tomar conta da Europa Ocidental, entabularam uma política de alianças com líderes locais, incitando-os ou auxiliando-os contra outros líderes, deste modo aproveitando com sucesso as divisões entre Germanos, , Britões, Gauleses e Indo-Europeus Hispânicos (Lusitanos, Calaicos, Celtiberos e afins).

Quanto a fornecer armas aos nossos inimigos antirras, caro camarada… esta é uma arma que eles já possuem há muito. Até aqui não trouxe eu qualquer novidade.
O que eu entretanto fiz, mas, atenção, sem qualquer intuito político nacionalista, foi separar em termos conceptuais a Cristandade do Ocidente propriamente europeu. Não foi por uma causa racial ou étnica que os nossos ancestrais em má hora se lançaram à conquista e absorção de outras civilizações, mas sim por interesses económicos e políticos (os motivos mais universais de todos) e também religiosos – é sabido que, em Portugal, se falava constantemente em «dilatar a Fé e o Império».

Ora nós, Europeus no dealbar do ameaçador século XXI, aprovavamos o Imperialismo?

De modo algum, falo por mim. Nem tinha abordado esta questão no meu artigo do Gladius, mas, já que falas nisso, é preciso dizê-lo: os Impérios Europeus além-mar nunca deveriam ter sido erigidos. Constituíram, sem dúvida, obras de grande magnitude civilizacional, falando em termos de conquistas e manutenção das ditas, mas, em termos éticos, nunca deveriam ter tido lugar – não é correcto que um Povo domine outro, e isto, caro camarada, é uma das bases do Nacionalismo.

Não é por isso, ao contrário do que tu e muitos esquerdistas pensam, que os Europeus se devem sentir culpados – pelo contrário.

E não se devem sentir culpados porque, noutros tempos, todo e qualquer povo do planeta que tivesse mais força do que o vizinho, não deixava de aproveitar tal vantagem para se impor na sua área, e, se possível, também em zonas mais remotas, tanto mais longínquas quanto comprida fosse a sua lança e o seu braço vencedor, saqueador e civilizador. Até as tribos negras africanas se guerreavam e conquistavam entre si… e, claro, os Ameríndios faziam outro tanto na América. Não foram os Europeus que lhes ensinaram a construir impérios, aos Incas, Maias e Astecas.

Ora num tempo em que toda a gente só não conquistava se não pudesse, os Europeus foram melhores do que os outros, porque mais fortes. Sem apelo nem agravo.

Sucedeu entretanto que os Europeus, evoluindo de acordo com o seu próprio génio amante da Liberdade, acabaram por começar a perceber que os impérios e as escravaturas não tinham real razão de ser. E foi a partir daqui que se gerou a ideologia anti-colonialista, que não haja dúvidas sobre isso.

Os Europeus foram assim os melhores em todos os aspectos – primeiro, os mais fortes; depois, os mais justos.
E é talvez isso que mais dói a anti-colonialistas do mundo inteiro.

Mas voltando ao que eu quis realmente dizer com o artigo – infelizmente, os Espanhóis, e também os Portugueses, foram peões, fantoches, nas mãos do primeiro universalismo imperialista ideológico, o da Cristandade. É aí que está a raiz dos maiores males que enfrentamos hoje em dia. E, hoje em dia, é triste constatar que muitos Europeus continuam a ser fantoches do universalismo imperialista ideológico, pois quem é que põe mais em prática a globalização, quem é que fomenta a imigração em mais alta escala, não são os Europeus (des)educados por séculos e séculos de humanismo cristão?

Saudações Nacionalistas

Comentar por Caturo

Quanto a confessar que já ia com ela fisgada, caro Arqueofuturista, trata-se duma questão de sinceridade – eu digo à partida que já ia predisposto a ver sinais de fundamentalismo cristão na película de Gibson, para que se perceba que reconheço a minha própria parcialidade. Já se sabe que, em História, nenhum historiador consegue ser totalmente imparcial – é por isso mester que quem conta a História, sabendo-se humano, saiba por isso mesmo reconhecer os seus próprios pontos de partida ideológicos, e, se possível, os exponha até ao seu leitor, para que se possa pôr a sua propensão ideológica num dos pratos da balança e a sua capacidade de avaliar as situações no outro.

Depois, o leitor que decida.

Tentei fazer o mesmo com o artigo que escrevi sobre o filme «Apocalypto» – sabendo-se quem sou eu, e o que penso deste caso, avalie-se então aquilo que eu digo para ver até que ponto fui tendencioso. Assim, as cartas estão todas na mesa.

Pessoalmente, uma das coisas que mais me irrita é ver gente tendenciosa a armar em neutral e a querer fazer-se passar por árbitro, mas em causa própria. E é muitas vezes isso que enfrentamos, caro camarada, nas atitudes me(r)diáticas de demasiada imprensa que, pretendendo-se isenta, tudo tenta, «subtilmente», para queimar o Nacionalismo.

Comentar por Caturo

“Não é o missionarismo expansionista uma das características comum a todas as religiões?”

Repito o que disse incontáveis vezes: isso não se aplica às religiões pagãs: nem a dos Gregos, nem a dos Romanos, nem as dos outros Europeus, nem a dos Hindus, nem a dos Japoneses, etc..

Ao fim de contas, só se aplica ao Cristianismo e ao seu irmão mais novo, o Islão. Outras religiões tiveram também os seus missionários (o Budismo entre elas), mas nunca pela lei da espada e do fogo.

Comentar por Caturo

Prezado camarada Caturo, não sendo crente que a História se repete, não julgando que esta se move em círculos, mas antes em zig zagues, bem sei que as civilizações conhecem períodos de decadência e que em dado momento poderão reerguer-se, se bem que a História careça de exemplos em abundância nesse sentido. Como acertadamente se refere no ínicio do filme de Mel Gibson, as grandes civilizações são primeiramente destruídas por dentro antes de serem destruídas por fora. Esparta estava ferida de morte internamente quando desapareceu, e não podemos dizer que a Grécia actual seja propriamente a continuidade da civilização espartana. Roma desmornou-se aquando das invasões bárbaras, sendo que há muito estava perdida pelo veneno interno. Contudo, não podemos também afirmar que o Renascimento é a continuidade de Roma.

“Ora o mesmo se passou na América Central – a civilização dessa região já tinha atingido o (um…) auge do seu desenvolvimento séculos antes de os Castelhanos chegarem, para depois decaírem e a seguir começarem novamente a ascender – tudo isto, note-se, antes dos Espanhóis surgirem.”

Não caro amigo, os Maias não estavam a ascender novamente aquando da chegada dos Espanhóis, já que haviam sido esmagados pelo rolo compressor Asteca muito antes. Além disso, o povo Maia continua a existir, porém nunca mais foi capaz de sair das trevas em que mergulhou

“sabemos é que a Cristandade, agindo por intermédio dos Espanhóis, apagou três grandes civilizações”

Este é o ponto que mais críticas me merece, ainda que a custo, já que me é díficil, como bem sabes, ser advogado do Cristianismo e do seu “contributo” para a humanidade. Porém, se por um lado não me arvoro em campeão da isenção, o que não sou, muito pelo contrário, pois não tenho pejo algum em colocar tendenciosamente os meus/nossos primeiro que os outros, por outro lado não posso aceitar a tese por ti veiculada de que o Cristianismo foi o directo culpado pela obliteração das três civilizações (Maia, Asteca e Inca), na exacta medida em que a mesma peca por ser historicamente imprecisa.

“Não foi por uma causa racial ou étnica que os nossos ancestrais em má hora se lançaram à conquista e absorção de outras civilizações, mas sim por interesses económicos e políticos (os motivos mais universais de todos) e também religiosos”

Esta tua frase contém uma verdade incontestável e uma inverdade. Como é amplamente sabido e estudado, o móbil da expansão marítima, essa gesta fantástica que foram os Descobrimentos encetada por Espanhóis e Portugueses, não foi outro que uma imposição do interesse economicista, sendo que a política já naquela altura estva subordinada à economia. A Religião, na pessoa da Igreja Católica tinha como papel reservado a de transmitir a ideia de que toda aquela aventura, dispendiosa em dinheiro e em vidas humanas, estva abençoada por Deus e que tudo se produzia para sua glória.

Ora, se não podemos negar os inumeros abusos cometidos em nome do Nazareno, denunciados inclusive por um membro da Santa igreja, Bartolomeu De Las Casas, sobre as populações autóctones, não posso ainda assim considerar que o Cristianismo tenha tido qualquer influência no ocaso das referidas civilizações. Torna-se imperioso referir que por uma incrível coincidência (é isto que torna a História tão fascinante) a entrada em cena dos Espanhóis dá-se no preciso momento em que Astecas e Incas (os Maias já haviam sido postos fora de jogo pelos seus vizinhos Astecas) vivem um momento crucial das suas existências enquanto civilizações únicas, enfrentando convulsões políticas, sociais e económicas tremendas, aliadas a terríveis secas e, em consequência disso, a colheitas miseráveis. Tal como espelha com comprovada exactidão, as doenças proliferavam, o fosso entre ricos e pobres era profundo, os campos estavam secos e como forma de tentar apaziguar tudo isto ofereciam-se corações e cabeças aos deuses, algo que deixou horrorizados os espanhóis espante-se.

Tendo-se habilmente aproveitado da situação, atitude que, não tenhamos dúvidas disso, qualquer povo teria tido, os Espanhóis foram gradualmente impondo-se, tendo obviamente por fim a rentabilidade económica. A Igreja Católica foi implantando-se, mas mais como instrumento político, do que religioso, já que era necessário manter enquadrar teologicamente a rapina posta em marcha. É, todavia, importante referir que o Cristianismo teve a vida facilitada neste canto do planeta, não tendo encontrado grande resistência por parte das populações índias, precisamente pelo facto que estas estavam saturadas por séculos de terror religioso, banhado sempre pelo sangue de indescrítiveis sacríficios humanos. Logo a adesão ao crucifixo não foi senão encarada com alívio pela maioria.

No que se refere à crítica ao Imperialismo por ti esgrimida, se bem que desde um princípio ideológico a aceite, no entanto, vejo-me impelido a escrever que não devemos julgar os actos, os acontecimentos e os personagens históricos, precisamente pelo facto de termos por obrigação enquadrá-los no tempo e no espaço, compreendendo o pensamento e as mentalidades que imperavam em cada época que se analisa. Não acredito em culpas retroactivas, tal como não aceito que em meu nome e dos meus se peçam desculpas a estes e aqueles por determinados actos cometidos, que para os padrões mentais actuais são inaceitáveis, mas que no lugar e na época eram perfeitamente aceitáveis e encarados com normalidade. O imperialismo, hoje e desde a perspectiva identitária não tem mais lugar como prática política, mas compreendo-o se o observar desde a perspectiva histórica.

“hoje em dia, é triste constatar que muitos Europeus continuam a ser fantoches do universalismo imperialista ideológico, pois quem é que põe mais em prática a globalização, quem é que fomenta a imigração em mais alta escala, não são os Europeus (des)educados por séculos e séculos de humanismo cristão?”

Infelizmente não é assim tão linear. O Cristianismo tem agido indubitavelmente como um agente objectivo no enfraquecimento de ethos europeu, e desde o Concílio Vaticano II tornou-se um inimigo declarado da nossa estirpe e da nossa sobrevivência enquanto entidade civilizacional. Contudo caro amigo, também é verdade que nós europeus, na esmagadora maioria, temos sido demasiado permeáveis às influências exteriores, ao encanto pelo outro, essa maldita alterofília, tão tentadora quanto nefasta. O Império Romano, não obstante o paganismo vigente, era propenso a adoptar usos e costumes de outros povos, e no campo religioso isso é patente historicamente. Portanto, não creio que se possa atrubuir somente a esta religião do deserto a culpa pelo estado de acentuada decadência e degradação a que chegamos presentemente, ainda que essa tenha em muito contribuido para tal.

Melhores saudações Identitárias.

Comentar por arqueofuturista

Não caro amigo, os Maias não estavam a ascender novamente aquando da chegada dos Espanhóis,

Caro camarada, eles já tinha re-ascendido quando os Espanhóis chegaram, como podes ver aqui:
http://en.wikipedia.org/wiki/Maya_civilization#Collapse_and_Postclassic_Period

Além disso, o povo Maia continua a existir, porém nunca mais foi capaz de sair das trevas em que mergulhou

Que estranha coincidência, caro camarada – antes, tinham os seus altos e baixos; após a chegada e imposição do colonialismo cristão, nunca mais se levantaram.

Como é amplamente sabido e estudado, o móbil da expansão marítima, essa gesta fantástica que foram os Descobrimentos encetada por Espanhóis e Portugueses, não foi outro que uma imposição do interesse economicista,

Caro camarada, cuidado com a infiltração de dogmas marxistas, apresentados como se factos consumados se tratassem. A verdade é que o interesse economicista nunca foi declarado como único ou principal.

Ora, se não podemos negar os inumeros abusos cometidos em nome do Nazareno, denunciados inclusive por um membro da Santa igreja, Bartolomeu De Las Casas, sobre as populações autóctones, não posso ainda assim considerar que o Cristianismo tenha tido qualquer influência no ocaso das referidas civilizações

Quando as matanças acontecem em nome do Cristianismo, há poucas dúvidas de que esta doutrina desempenhou papel determinante na aniquilação dessas civilizações. Repara por exemplo nisto, que me abstenho de traduzir por uma questão de comodidade e facilidade:
http://www.truthbeknown.com/victims.htm

On every island he set foot on, Columbus planted a cross, “making the declarations that are required” – the requerimiento – to claim the ownership for his Catholic patrons in Spain. And “nobody objected.” If the Indians refused or delayed their acceptance (or understanding), the requerimiento continued:
I certify to you that, with the help of God, we shall powerfully enter in your country and shall make war against you … and shall subject you to the yoke and obedience of the Church … and shall do you all mischief that we can, as to vassals who do not obey and refuse to receive their lord and resist and contradict him.” [SH66]

Significativo, parece-me. Quase tão significativo como os massacres que se seguiram, não apenas contra poderosos exércitos locais, mas até contra pequenas povoações inofensivas, sempre em nome da Cristandade, a tal ponto que foi preciso importar escravos negros em alta escala, para compensar a desertificação populacional criada pelos métodos da Cristandade.

Torna-se imperioso referir que por uma incrível coincidência (é isto que torna a História tão fascinante) a entrada em cena dos Espanhóis dá-se no preciso momento em que Astecas e Incas (os Maias já haviam sido postos fora de jogo pelos seus vizinhos Astecas) vivem um momento crucial das suas existências enquanto civilizações únicas, enfrentando convulsões políticas, sociais e económicas tremendas,

O mesmo diriam os Persas se tivessem chegado à Itália naquele período de «trevas» entre a decadência de Micenas e o surgimento de Atenas e de Esparta.

É, todavia, importante referir que o Cristianismo teve a vida facilitada neste canto do planeta, não tendo encontrado grande resistência por parte das populações índias,

Tanto encontrou, camarada, que até teve de proceder a vastos massacres para impor a fé no seu Judeu Morto.

Não acredito em culpas retroactivas, tal como não aceito que em meu nome e dos meus se peçam desculpas a estes e aqueles por determinados actos cometidos, que para os padrões mentais actuais são inaceitáveis, mas que no lugar e na época eram perfeitamente aceitáveis e encarados com normalidade.

Aqui estamos de acordo.

Infelizmente não é assim tão linear. O Cristianismo tem agido indubitavelmente como um agente objectivo no enfraquecimento de ethos europeu, e desde o Concílio Vaticano II tornou-se um inimigo declarado da nossa estirpe e da nossa sobrevivência enquanto entidade civilizacional. Contudo caro amigo, também é verdade que nós europeus, na esmagadora maioria, temos sido demasiado permeáveis às influências exteriores, ao encanto pelo outro, essa maldita alterofília, tão tentadora quanto nefasta. O Império Romano, não obstante o paganismo vigente, era propenso a adoptar usos e costumes de outros povos, e no campo religioso isso é patente historicamente. Portanto, não creio que se possa atrubuir somente a esta religião do deserto a culpa pelo estado de acentuada decadência e degradação a que chegamos presentemente,

Ora esse argumento é de facto bem pensado e dava pano para mangas. Todavia, há aqui uma ressalva a fazer – os Romanos aceitavam costumes de toda a parte, mas num espírito de tolerância natural e sem nunca porem em causa o seu domínio sobre a sua própria terra. Na verdade, os Deuses Romanos foram sempre de culto oficial e o rito romano foi escrupulosamente observado. E o que em Roma nunca houve, e isto é que interessa mais ter em mente, o que em Roma nunca houve, dizia, foi a demonização dos que não gostavam de estrangeiros. Na pior das hipóteses, os «xenófobos» eram rotulados como antiquados ou coisa similar, mas nunca como malignos, ao contrário do que hoje sucede.

E esta demonização de quem não ama o Outro, só por não amar o Outro, vem realmente do Cristianismo.

Cito entretanto as palavras de Justino o Mártir, um dos principais doutores da Igreja:
nós que antes matávamos e nos odiávamos e não compartilharíamos nosso lugar com pessoas de outra tribo devido a seus [diferentes] costumes, agora, depois da vinda de Cristo, vivemos juntos com eles.

Quem disse isto? Justino ou Francisco Louçã? Louçã não fala em Cristo… e fica por aí a diferença.

Saudações Nacionalistas

Comentar por Caturo

Camarada caturo, atenta na parte final desse texto que reza o seguinte: « by the time of the Spanish arrival in 1519 it is generally accepted that most of these centers had substantively declined from their Classical peak.»
Logo, como pode alguém imputar culpas aos Espanhóis pelo ocaso da civilização Maia?
Os ciclos decadência/renascimento da civilização Maia foram interrompidos para todo o sempre não pelos Espanhóis, mas pelos Astecas, seus vizinhos inimigos.

« Caro camarada, cuidado com a infiltração de dogmas marxistas, apresentados como se factos consumados se tratassem. A verdade é que o interesse economicista nunca foi declarado como único ou principal. »
Não se trata de uma interpretação marxista da História, mas de uma lógica conclusão, tendo por base o espírito da época, o que animava e fazia mover os povos Europeus de então. Os interesses políticos foram sempre íntimos das necessidades económicas.

« Quando as matanças acontecem em nome do Cristianismo, há poucas dúvidas de que esta doutrina desempenhou papel determinante na aniquilação dessas civilizações. »
O meu amigo Caturo sabe tão bem quanto eu que esse mapa peca por ser tendencioso e manipulador. O Cristianismo, que não foi, nem é, uma religião imaculada, isenta de crimes, à semelhança de todas as outras religiões, desempenhou um papel deveras útil na expansão e imperialismo Europeu, ou por outras palavras, sob a justificação de difundir a fé de Cristo, a envangelização dos povos idólatras, a Igreja serviu verdadeiramente como um instrumento que camuflava os verdadeiros propósitos, os quais não mais eram do que económicos. Caso assim não fosse, caso não se retirassem dividendos materiais da presença Europeia nessa região do globo, podemos nós crer que os Europeus ali se haviam sediado somente para que os misionários cristãos pudessem converter todos aqueles povos? Não creio. A colocação de cruzes em cada ilha por Colombo e o Requerimento apenas serviam de justificação para a sua presença e propósitos ocultos da Coroa Espanhola, sendo que essas cruzes permitiam um lavar de consciência, ou mesmo de temor em relação ao seu deus vingativo. Mais o comprova se tivermos em conta que Colombo fez-se ao mar com o intuito de chegar à Índia, subcontinente por demais conhecido na época, e que se encontrava no epicentro de uma intensa rivalidade económica entre Portugueses e Castelhanos.

Ora, posto isto, o que eu considero negativo e até, em certa medida perigoso, na tua exposição culpabilizadora do Cristianismo pelo ocaso das civilizações ameríndias, reside precisamente no facto de, involutariamente e inconsequentemente, teres utilizado como base argumentativa “o mito do nobre selvagem” Rousseauniano, esse mito que tanto tem contribuído para a demonização dos Europeus enquanto agentes destruidores de “civilzações que viviam em perfeita harmonia com a natureza, adorando os seus deuses e com eles em comunhão vivendo”, um mito que, hoje mais do que nunca, está em pleno fulgor e que é utilizado pelos promotores do pensamento único como combustível para a máquina de auto-flagelação étnica Europeia. Associar o Cristianismo à ruina dos povos pré-colombianos serve na perfeição aos inimigos do nosso povo, já que lhes permite perpétuar o referido “mito do nobre selvagem” e pior ainda “o mito da culpabilidade do Homem Branco pelos males ocorridos no Planeta, em todas as épocas e lugares”.

Quanto ao teu comentário final, mais precisamente sobre o sentido Romano para convivência e tolerância inter-religiosa, nada tenho a obstar.

Grande Abraço!

Comentar por arqueofuturista

Camarada Arqueofuturista, repara que há ali um padrão de subidas e descidas. Havia convulsão constante, mas nem por isso o cerne da cultura maia se perdia, como podes atestar na seguinte passagem:
«Postclassic Maya states also continued to survive in the southern highlands. One of the Maya kingdoms in this area, the Quiché, is responsible for the best-known Maya work of historiography and mythology, the Popol Vuh.»

Ora os Quichés resistiram duramente aos Espanhóis, como podes verificar aqui:
http://en.wikipedia.org/wiki/Quich%C3%A9
De notar que é desta gente, Quiché, que vem o principal documento para o estudo das tradições maias, o Popol Vuh.

Quanto aos Astecas, o caso foi ainda mais flagrante – também esta civilização tinha o seu brilhantismo, e também ela caiu perante as forças de ocupação cristãs.

Não se trata de uma interpretação marxista da História, mas de uma lógica conclusão, tendo por base o espírito da época,

Caro camarada, o espírito da época era notoriamente religioso. Lembrar por exemplo o modo temerário como D. Sebastião se atirou para o norte de África, ou a coragem com que os missionários se faziam ao mar nas naus que iam navegando pelo ignoto, em direcção ora a terras estranhas, eventualmente hostis, ora ao fundo dos oceanos, por trágico naufrágio.
A economia era seguramente um móbil, nesta época, como de resto o fora sempre, mas de modo algum o único, e talvez nem mesmo o principal.

« Quando as matanças acontecem em nome do Cristianismo, há poucas dúvidas de que esta doutrina desempenhou papel determinante na aniquilação dessas civilizações. »

O meu amigo Caturo sabe tão bem quanto eu que esse mapa peca por ser tendencioso e manipulador.

Trata-se tão somente duma verdade revelada de imediato pela análise dos factos. Aliás, a intenção, declarada, foi mesmo essa.

O Cristianismo, que não foi, nem é, uma religião imaculada, isenta de crimes, à semelhança de todas as outras religiões, desempenhou um papel deveras útil na expansão e imperialismo Europeu,

O que só agrava o seu aspecto negativo. Concordas, decerto…

ou por outras palavras, sob a justificação de difundir a fé de Cristo, a envangelização dos povos idólatras, a Igreja serviu verdadeiramente como um instrumento que camuflava os verdadeiros propósitos,

Não se tratava de camuflar propósitos, mas sim de se aproveitar dos propósitos alheios para servir os seus próprios. Atenção, camarada, que atribuir à Igreja o papel de mero peão, ou de instituição de interesses fundamentalmente económicos, é realmente historiografia marxista, desmentida entretanto pela análise das mentalidades coevas.

caso não se retirassem dividendos materiais da presença Europeia nessa região do globo, podemos nós crer que os Europeus ali se haviam sediado somente para que os misionários cristãos pudessem converter todos aqueles povos?

Uma coisa ajudava outra, naturalmente.

Quanto à descoberta do caminho marítimo para a Índia, que era esse o propósito declarado de Colombo, convém lembrar que um dos motivos que incitava a tal empresa era precisamente o da crença de que na Índia houvesse um rei cristão mítico que ajudasse a Cristandade ocidental a combater o Islão.

Ora, posto isto, o que eu considero negativo e até, em certa medida perigoso, na tua exposição culpabilizadora do Cristianismo pelo ocaso das civilizações ameríndias, reside precisamente no facto de, involutariamente e inconsequentemente, teres utilizado como base argumentativa “o mito do nobre selvagem”

Longe de mim tal ideia, caro camarada. Limitei-me a julgar o caso com um sentido de justiça – o nosso sentido de justiça, nacionalista. Não admitiríamos de maneira nenhuma que por exemplo a Moirama invadisse a Europa para impor o que os muçulmanos julgam ser um modo de vida superior; nem sequer lamentamos o sucesso da Reconquista, por mais que os muçulmanos e seus simpatizantes se obstinem em dizer que o nível civilizacional do Al-Andaluz era em tudo superior ao dos nossos ancestrais Gótico-Hispano-Romanos.
Estou convencido de que concordas comigo…

No que toca ao imperialismo levado a cabo pelas Nações Europeias, já exprimi o meu ponto de vista e de modo algum se pode colocá-lo no mesmo saco em que está a culpabilização do Europeu, muito e completamente pelo contrário.
O colonialismo aconteceu de facto e nunca devia ter acontecido.
Mas:
– aconteceu quando toda a gente o fazia;
– foram os Europeus quem criou a ideia de condenar o colonialismo;
– e, neste caso concreto, é de notar que o colonialismo tornou-se especialmente destrutivo, não pela atitude da conquista em si, mas sim pelo cunho espiritualmente opressivo que o Cristianismo lhe imprimiu. Os colonialismos anteriores ao advento da Cristandade cometiam decerto crimes, por vezes irreparáveis, mas pelo menos não chegavam, quase nunca, a atingir intencionalmente o cerne das nações conquistadas, a saber, a sua espiritualidade. Romanos, Gregos (de Alexandre), Persas, Assírios, etc., conquistavam povos mais pequenos, mas não chegavam ao povo de lhes querer destruir a religião nacional. O Cristianismo é que trouxe essa novidade ao mundo e é por isso que escrevo o que escrevo sobre o filme de Gibson.

Ora, e isto é essencial perceber-se, o Cristianismo tinha um padrão mental e moral em tudo similar ao do moderno Esquerdismo – universalismo, igualitarismo, queda de barreiras raciais, étnicas, nacionais, em prol da imposição dum único Império do Espírito, a fraternidade universal.
Assim, pode-se e deve-se dizer que, ontem, como hoje, as identidades nacionais são vítimas do universalismo apátrida. No passado, os fantoches de tal imperialismo espiritual foram os Europeus, em parte, há que reconhecê-lo; e, hoje, alguns ocidentais dão seguimento a esse modo de actuação (governos e suas instituições, tais como os ACIMES e os SOSracismos, etc.), mas contra a vontade dos verdadeiros Europeus, isto é, dos nacionalistas da Europa.

Saudações Nacionalistas e anti-universalistas

Comentar por Caturo

Camarada Caturo, eu não afirmo que os Espanhóis não tenham encontrado resistência por parte dos povos ameríndios, é natural que assim tivesse acontecido, e muito me espantaria se assim não fosse, porém, os Astecas e o seu imperialismo sanguinário levou que muitos povos não-Astecas se revoltassem contra os primeiros, encontrando nos Espanhóis um aliado de última hora, aliás como se pode comprovar aqui:
«Muitos povos não-astecas, submetidos à Confederação, se uniram aos conquistadores contra os Astecas.» http://pt.wikipedia.org/wiki/Asteca

«Não se tratava de camuflar propósitos, mas sim de se aproveitar dos propósitos alheios para servir os seus próprios. Atenção, camarada, que atribuir à Igreja o papel de mero peão, ou de instituição de interesses fundamentalmente económicos, é realmente historiografia marxista, desmentida entretanto pela análise das mentalidades coevas.»

Eu não atribuo à Instituição Católica um mero papel de peão, mas antes o papel de genuino instrumento posto em prática para legitimar outros interesses, fossem eles de cariz económico, político ou territorial. O Papado Romano apercebeu-se desta situação, mas considerou-a cómoda e até útil, já que também poderia tirar algum proveito, isso não o nego.

«Quanto à descoberta do caminho marítimo para a Índia, que era esse o propósito declarado de Colombo, convém lembrar que um dos motivos que incitava a tal empresa era precisamente o da crença de que na Índia houvesse um rei cristão mítico que ajudasse a Cristandade ocidental a combater o Islão.»

Não era na Índia que se localizava o mítico reino Cristão do Prestes João, mas antes na Etiópia. A empresa de Colombo era movida apenas por três impulsos; preocupação e conveniências económicas, rivalidade com o Reino de Portugal e desejo de notoriedade e auto-afirmação de Colombo.

Quanto ao demais por ti exposto, parece-me existir uma convergência de pensamento entre nós, logo, não necessita de ser debatida. Por fim, em jeito de curiosidade, deixa-me que te diga que foi lançado recentemente em França um livro que assevera que ideia de colonização/colonialismo nasce à esquerda, precisamente pela sua característica universalista, igualitarista e niveladora de povos e culturas.

Saudações identitárias e claro, profundamente anti-universalistas.

Comentar por arqueofuturista

Camarada Arqueofuturista, o teu primeiro parágrafo indica precisamente que os Espanhóis se souberam aproveitar dos conflitos entre os indígenas, que lutavam entre si sem perceberem que a sua sujeição e mesmo aniquilação cultural iria ser a consequência da sua má escolha em matéria de alianças político-militares. Algo de similar sucedeu na Ibéria, quando o conde Juliano trouxe aliados norte-africanos para lutar contra o rei Rodrigo…

A respeito da busca de cristãos além mar, é de notar que, antes de se localizar o Prestes João na Etiópia, pensou-se que o fulano residia na Índia.

Quanto ao último parágrafo, gostei de saber dessa publicação, que vai ao encontro daquilo que ando a dizer há que tempos e que antes de mim já tinha sido dito por outros (destaco Louis Rougier).

Saudações Nacionais e sempre anti-universalistas

Comentar por Caturo

Caturo, o que eu quis com isso dizer foi que, à semelhança do que surge no filme de Gibson, as grandes civilizações são primeiramente destruídas internamente e só depois externamente. Logo, os Espanhóis ali apenas vieram dar a “machadada final”, com o expresso apoio dos povos ameríndios, e repara que digo Espanhóis e não Cristianismo, já que esse teve outro papel, nomeadamente o de legitimar a presença e posterior subjugação dos índigenas pelo novo poder, a Coroa Espanhola.

O que aqui importa reter é a lição histórica, consubstanciada com o exemplo por ti evocado e que nos é tão familiar, de que a entrada de alógenos no seio de uma comunidade, que voluntariamente lhes abre as portas, acaba sempre esta última por sucumbir, e isto importa sublinhar, A EXTINÇÃO É PARA SEMPRE!

Saudações Identitárias, logo, anti-universalistas.

Comentar por arqueofuturista

A suposta revisão histórica da civilização Maya no filme Apocalypto nada mais é do que uma concepção eurocêntrica cristã ocidental, onde, o outro é aniquilado diante do pensamento Cartesiano e de uma suposta ética cristã. Esta última contaminada pelo materialismo eclesiástico e pela sede de poder.
http://www.jorgeschemes.blogspot.com

Comentar por Jorge Schemes

que legal achei

Comentar por marco




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