A identidade europeia
Dezembro 8, 2006, 6:18 pm
Filed under: Europa, Raízes

A identidade europeia não nasceu na Grécia. Não se pode entender por “identidade europeia” a fusão final de elementos diversos e heterogéneos que tomaram forma ao longo de todo o processo histórico. A identidade europeia não é a soma do passado greco-latino, por um lado, e o passado celto-germânico, por outro, ao qual ter-se-ia acrescentado o cristianismo da Europa medieval, que poderiamos chamar “euro-católico”… A identidade europeia é bem mais antiga, ela é pré-existente a todas as realidades que acabamos de enumerar. Ela é que deu forma sucessivamente ao mundo greco-latino, ao passado celta, germânico e eslavo, sendo que todos estes são simples adaptações históricas do espírito europeu sobre um espaço geográfico concreto e em condições determinadas. Ela é também a força que transformou o judeo-cristianismo numa forma religiosa mais elevada: o cristianismo medieval, mistura de elementos cristãos e pagãos que, durante numerosos séculos, foi a referência espiritual dos Europeus. Hoje, infelizmente, devemos constatar que as instituições das diferentes confissões cristãs na Europa têm a firme intenção de eliminar os elementos correctamente europeus desta síntese e de transformar o cristianismo numa religião igualitária e universalista, conservando fidelidade únicamente à mentalidade religiosa dos povos do deserto, do qual o cristianismo é procedente.

A identidade europeia não está em vias “de formar-se”, hoje, nos sobressaltos da actualidade e através das palavras eurocráticas. Ela nasceu, há milénios, na aurora da pré-história, quase ao mesmo tempo que apareceu sobre o nosso planeta o homem tal como o conhecemos hoje. Os Europeus são reconhecíveis, como “diferentes” em relação à outras populações, desde há numerosos milénios. As culturas norte-europeias de Ertebølle e de Ellerberck indicam o nascimento daquilo que os historiadores chamaram o “mundo indo-europeu”, um mundo indo-europeu que reconhece-se ter tido uma língua comum, um tipo humano comum. A existência de um habitat primordial claramente limitado está inequivocamente comprovado e, sobretudo também, a existência, a partir dos primeiros tempos, de um sistema de valores determinado, acompanhado de uma visão do mundo precisa: esta língua, este povo e esta “cosmovisão” estenderam-se a toda a Europa, dando forma e origem a tudo aquilo que englobamos actualmente no conceito da Europa. 

“Para além da importância primordial que revestem as migrações sucessivas dos povos indo-europeus, a identidade europeia, nos períodos protohistóricos, reforça-se incessantemente porque conhece o contributo de uma nova raça, fecundada por um povo dotado de grandes qualidades físicas e espirituais, que perfilar-se-á de maneira excelsa nos impérios e nas culturas da alta antiguidade;” estes impérios atingirão o seu desenvolvimento máximo nas civilizações gregas, romanas e medo-persas “. 

A cosmovisão dos nossos antepassados indo-europeus engloba todos os aspectos da realidade e da vida: da vida social à metafísica, da organização política à filosofia, esta cosmovisão determina tudo o que este “homo europeus” inscreve no real pela mediação dos seus actos, ao longo de toda a sua aventura histórica. Todos os sistemas de pensamento decorrem desta cosmovisão, no sentido em que o entendia Carl Gustav Jung, quando evocava os grandes protótipos colectivos. 

Para os Indo-europeus, os do passado como os de hoje, a célula base da sociedade é a família patrilinear, entendida no sentido da ascendência como no da descendência. Na Alta Antiguidade, a família patrilinear concebia-se como “gentílica”, ou seja, como “gens”, ou um “clã” no sentido velho-romano ou céltico do termo [ ndt: os Germanos nomeavam “Sippe” este tipo de família alargada ]. A pertença a uma “gens” indicava um passado comum, cuja lembrança mantinha-se. O sistema de governo das sociedades gentílicas descansa sobre as assembleias guerreiras, dispondo do poder de decisão. Este sistema é extremamente afastado dos modelos tirânicos ou despóticos de governo, comuns no Oriente. Os exemplos históricos deste sistema são numerosos: pensem simplesmente no Senado romano ou nas “Cortes” da Espanha medieval. 

No plano religioso, os nossos antepassados indo-europeus desenvolveram um sentido do sagrado que se situa nos antipodas das concepções universalistas e igualitárias. Tinham em conta as diferenças entre os homens e não consideravam que se tratava de um simples acidente conjuntural, mas admitiam, mais precisamente, que essas diferenças reflectiam as diferenças presentes na ordem cósmica. Por conseguinte, dividiam a sociedade em três categorias, e definiam os indivíduos de acordo com a sua natureza pessoal. Este modelo social e religioso repetiu-se durante todo o período pagão, mas sobreviveu igualmente na nossa Idade média católica, que manteve a divisão social entre “oratores”, “bellatores” (ou “pugnatores”) e “laboratores”. 

A mulher, embora inscrita numa sociedade de tipo patriarcal, era tida em elevada consideração, contrariamente ao estatuto da mulher e à condição feminina nas civilizações procedentes das religiões do deserto, onde é assimilada no estatuto de objecto sexual e considerada como a fonte do pecado, onde é obrigada prostituir-se pelo menos uma vez na sua vida, onde se a obriga também a cobrir o corpo com um véu ou um burel. A antiguidade indo-europeia não conhece esta desvalorização da mulher a qual, pelo contrário, é tida em elevada consideração e honrada. Se o pai, na sociedade gentílica indo-europeia, exerce funções cívicas e militares, a mulher tem por tarefa a administração económica do domínio. As mulheres tinham por tarefa a gestão económica da sociedade. A consequência actual desta posição da mulher, perceptível a partir dos sistemas sociais gentílicos da proto-história dos nossos povos, é precisamente o lugar privilegiado que ocupa nas nossas sociedades europeias, em relação a outras sociedades no mundo. 

No plano pessoal, a cosmovisão indo-europeia atribui um valor cardeal ao espírito heróico e à fidelidade à palavra livremente dada; nos mundos latinos e medievais, esta atitude gerou o conceito de “fides”. Em geral, este conceito é subentendido por um gosto da sobriedade, no querer relações francas, honestas e directas, a considerar o dever como o complemento necessário desta concepção activista da vida, que postula a auto-realização, a actualização no mundo das forças que se possui em si mesmo. Esta vontade de auto-realização reencontra-se como característica essencial em todos os indo-europeus. “Nada em excesso”, “Conhece-o ti próprio”, “Torna-te aquilo que és”: aqui estão as máximas anunciados nos frontões dos templos gregos; se os meditarmos, se se aceder ao seu significado mais profundo, constata-se que contêm, apesar da sua aparente simplicidade, uma concepção do mundo sublime. Esta concepção foi, é e permanecerá a nossa. 

 

Esta origem comum e a identidade, bem como a cosmovisão, que decorrem, não devem tornar-se para nós, contemporâneos, simples objectos de especulação intelectual, objectos de museu, certamente veneráveis mas ultrapassados, nem uma matéria para eruditos isolados e sós, nem um leque de conhecimentos a meio caminho entre o academismo e o romantismo. Pelo contrário, devemos fazer destes valores e desta cosmovisão, os pilares básicos e o mito mobilizador no processo de construção da grande Europa que ocorrerá no nosso futuro imediato. O século XXI será o século do grande combate identitário, em que se ultrapassará a fase do Estado-nação e a era dos blocos ideológicos nascidos da segunda guerra mundial. Vemos já que o planeta está a organizar-se em redor de grandes espaços determinados pelas comunidades de identidade. O destino coloca hoje os Europeus perante uma alternativa: ou mostrar-nos-emos capazes de interpretar o sentido da nossa história plurimilenar e, consequentemente, capazes de criar uma Europa que, por um lado, estenderá as capacidades prometaicas da nossa civilização, e que, por outro lado, será capaz de extrair forças na sua longa memória para construir-se, não sobre abstracções administrativas ou quantitativas, mas sobre a herança plurimilenar dos seus povos. Ou, a próxima geração de Europeus será a última de uma longa história, uma última geração que foi de antemão fagocitada pelos dois inimigos que ameaçam a liberdade do nosso continente-nação: o Mundialismo uniformizador e igualitarista, cuja capital é Nova Iorque, e o Islamismo que agirá para com o nosso passado como age em relação às suas mulheres: cobri-lo-á com um véu ou com uma burka de intolerância e obscurantismo, duas atitudes fundamentalmente estranhas à alma europeia. A DECISÃO ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS. 


8 comentários so far
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Muito bom artigo!

Abraço

Comentar por Miazuria

Excelente artículo. Vale la pena leerlo con detenimiento, pero realmente entristece ver lo poco que conocemos nuestras raices, y por consiguiente, lo poco que nos apreciamos a nosotros mismos.
Ahora, que la pregunta del millón es: ¿que podemos? ¿por donde empezamos? ¿como nos organizamos, puesto que este combate no va a ser para librarlo solo?

Saludos
Pepin

Comentar por Pepin

Essa é a eterna questão; Que fazer?

Parece-me que está em marcha a estruturação da resistência organizada, se bem que, com os altos e baixos inerentes a qualquer movimento portador de uma cosmovisão própria. Essa resistência passa principalmente pela nossa actitude diária, seja no trabalho, na universidade, no café, junto dos amigos e da família, isto é, através de um trabalho de activismo autónomo. As organizações políticas e culturais vêm consequentemente reforçar esse activismo autónomo.

Abraço

Comentar por arqueofuturista

Espero que así sea. Gracias por tu comentario.

Un fuerte abrazo
Pepin

Comentar por Pepin

Gostei muito!

Comentar por wildfaun

uma boa esse texto! vai ajudar em meus trabalhos!

Comentar por Lyles

Abraço. Vou reler.

Comentar por Acção Directa

muito bom!!!
bjs.

Comentar por ana stephanie




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