Por uma solidariedade enraizada no real
Novembro 12, 2006, 1:59 pm
Filed under: Em foco

A solidariedade, essa ideia sublime, essa corda estendida entre a alma e o coração, tem sido ao longo do último século pouco a pouco esvaziada de todo o sentido concreto pelo facto de ser utilizada, como se de uma incantação mágica se tratasse, por todos os demagogos esquerdistas do planeta.

Pouco importa o desgaste, cada dia mais acentuado, do laço social, o afirmar do individualismo, a indiferença crescente para com os vizinhos, o medo de tudo e de todos, apenas interessa a proclamação de uma «solidariedade» de princípio com o conjunto da humanidade!

Como tal, a solidariedade não é em absoluto o incantamento desenraizado ao qual aderem voluntariamente e unanimemente as massas alegremente manipuladas pelos sectores do totem universalista dos «direitos do homem».

A solidariedade concreta, efectiva, aquela que não alinha pela ordem do discurso oficial mas que se verifica no quotidiano, não pode ser senão a conjungação de factores biológicos resultantes do instinto e de uma longa construção de laços culturais e étnicos baseados numa comunidade histórica e de valores.

A solidariedade  absoluta e universal não existe (ou pelo menos ela não poderia existir a não ser que, por exemplo, a humanidade na sua globalidade fosse confrontada com um Outro radicalmente diferente, transcendendo assim as diferenças inerentes à mesma …. É o caso da figura explorada pelos autores de ficção-científica quando fazem alusão a extra-terrestres …), ela não resiste em caso algum à prova dos factos, não passando de uma declaração de intenções sem realização efectiva.A solidariedade que não é movida pelo amor, ou seja, pela partilha de uma base identitária e de uma visão comum do mundo, não pode ser senão fictícia e interesseira, com o intuito de «ilustrar» ou de  «comprovar» um discurso ideológico mas, não obstante,  sem ser vivido nem sentido intimamente.

Não se trata evidentemente de afirmar estupidamente que é impossível, a título individual, sentir interesse, afecto, isto é, amor por uma pessoa radicalmente diferente desde um ponto de vista étnico-cultural, mas simplesmente de dizer que ao nível social, à dimensão das nações e dos povos, não se pode aspirar a uma harmonia viável se não existe préviamente uma certa «homogeneidade». Não se pode sentir realmente solidário com pessoas que não se conhecem pessoalmente, individualmente, se não se tem a consciência de ter com eles algo em comum, um passado partilhado, uma história, projectos colectivos, laços invisíveis lentamente forjados pelo tempo e pelos valores.

Esta desejável homogeneidade não é evidentemente um «absoluto» e não se confunde de modo algum com uma hipotética e obsessiva «pureza» que jamais existiu na história.

Amar primeiramente os seus ! Isto não é rejeitar ou odiar os outros, é simplesmente amar efectivamente, já que quando se pretende amar todo o mundo, geralmente não se ama ninguém verdadeiramente.


1 Comentário so far
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“Amar primeiramente os seus ! Isto não é rejeitar ou odiar os outros, é simplesmente amar efectivamente, já que quando se pretende amar todo o mundo, geralmente não se ama ninguém verdadeiramente.”

A isto se chama Realismo!

Bom texto!

Saudações

Comentar por WW




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