Europa muçulmana; análise correcta, soluções erradas.
Agosto 20, 2006, 11:29 am
Filed under: Em foco, Europa, Resistência & Reconquista

Não obstante o óbvio que nos separa de Daniel Pipes, este não deixa de demostrar uma substancial coragem intelectual na denúncia da nova, mas recorrente, tentativa islâmica para invadir a Europa. No texto que ora apresentamos, o autor traça um diagnóstico correcto, embora incompleto, da actual crise, a maior e mais grave, da nossa civilização europeia. Contudo, Pipes avança com algumas sugestões que a nosso ver não poderiam senão acentuar o agravamento da presente situação, soluções essas que mais se assemelhariam a querer apagar um fogo com gasolina. É aí que vamos focalizar a nossa crítica.

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Europa muçulmana

Original em inglês: Muslim Europe

A Europa transforma-se cada vez mais numa província do Islão, numa colónia do Islão.” Assim escreve Oriana Fallaci no seu novo livro”A Força da Razão“. E a famosa jornalista italiana está certa: o antigo bastião da Cristandade que é a Europa está a ceder rapidamente ao Islão.

Dois factores principais contribuem para esse evento capaz de abalar o mundo.

·         O esvaziamento do Cristianismo. A Europa é cada vez mais uma sociedade pós-cristã, que expõe uma progressiva perda de vínculos com sua tradição e seus valores históricos. O número de cristãos fiéis e praticantes decaiu nas últimas duas gerações, a ponto de alguns observadores a designarem de o “novo continente negro“. Analistas já estimam que todas as semanas as mesquitas da Grã-Bretanha recebem mais crentes que as Igrejas na Inglaterra

.·         Uma taxa de natalidade anémica. Os europeus nativos encontram-se em vias de extinção. A manutenção da taxa populacional exige que cada mulher tenha em média 2,1 filhos; na União Européia, o índice total é um terço menor, de 1,5 filhos por mulher, e continua em queda. Um estudo mostra que, a continuar a tendência decrescente da população actual e a cessar a imigração, os 375 milhões de europeus serão 275 milhões em 2075. Para manter a mesma população activa de hoje, a U.E. precisa acolher 1,6 milhão de imigrantes por ano; para manter igual proporção de trabalhadores prestes a se aposentar, são necessários nada menos que 13,5 milhões de imigrantes por ano. (1)

Nesse vazio entram o Islão e os muçulmanos. Enquanto o Cristianismo cambaleia, o Islão mostra-se robusto, firme e ambicioso. Enquanto os europeus se reproduzem menos e em idade mais avançada, os muçulmanos fazem-no mais e ainda jovens.

Actualmente cerca de 5% da U.E., ou quase 20 milhões de pessoas, identificam-se como muçulmanos; mantida a tendência, o número chegará aos 10% antes de 2020. Se os não-muçulmanos fugirem da nova ordem islâmica, como parece provável, em décadas o continente poderá tornar-se de maioria muçulmana.

Quando isso acontecer, as grandiosas catedrais serão vistas como vestígios de uma civilização anterior — pelo menos até um regime do tipo saudita convertê-las em mesquistas ou alguém ao estilo Talibã as fizer explodir pelos ares. As grandes culturas nacionais — italiana, francesa, inglesa e outras — possivelmente cairão por terra, substituídas por uma nova identidade muçulmana transnacional que incorpora, entre outros, elementos norte-africanos, turcos e subcontinentais.

Essa previsão pouco tem de original. Em 1968, o político britânico Enoch Powell fez o famoso discurso “Rios de Sangue“, no qual advertia que o Reino Unido, ao permitir a imigração excessiva, estava “erguendo a pira do próprio funeral”. (As suas palavras enterraram uma carreira até então promissora.) Em 1973, o escritor francês Jean Raspail publicou “O campo dos Santos”, um romance que retrata a Europa sucumbindo à imigração maciça e descontrolada originária do subcontinente indiano. A passagem tranquila, ora em curso, de um território de uma grande civilização para o de outra não tem precedentes na história humana, arrastando ao descrédito fácil as vozes de alerta.

Existe ainda uma chance de que a transformação não se conclua, mas as expectativas diminuem com o passar do tempo. Aqui estão várias maneiras de se interromper o processo:

·         Mudanças na Europa que levem ao renascimento da fé cristã, ao aumento da natalidade ou à assimilação cultural dos imigrantes; em tese, tais resultados são possíveis, mas o que poderia provocá-los é difícil de imaginar. (2)

·         Modernização muçulmana. Por razões que ninguém consegue realmente entender (educação das mulheres? a demanda por abortos? adultos absorvidos demais em si mesmos para gerar filhos?), a modernidade causa uma drástica redução no número de nascimentos. Além disso, se o mundo muçulmano se modernizasse, a atração pela vida na Europa seria menor. (3) 

·         Outras fontes de imigração. Latino-americanos, por serem cristãos, permitiriam que a Europa conservasse de certa forma sua identidade histórica. Hindus e chineses ampliariam a diversidade cultural, tornando menos provável o domínio do Islão. (4)

As tendências actuais sugerem que a islamização ocorrerá com certeza, pois parece que os europeus consideram muito extenuante procriar, acabar com a imigração ilegal ou mesmo diversificar as fontes imigratórias. Preferem antes descambar tristemente para a senilidade civilizacional.

A Europa, ao mesmo tempo que alcançou níveis sem precedentes de paz e de prosperidade, demonstrou uma incapacidade ímpar para se sustentar. Um demógrafo, Wolfgang Lutz, afirma que “nunca um momento negativo foi experimentado em tão larga escala na história mundial”.

É efectivamente inevitável que a mais brilhante e bem sucedida sociedade seja também a primeira em risco de entrar em colapso devido à falta de confiança cultural e de descendência? Por ironia, criar um lugar muitíssimo agradável para se viver parece também ser uma receita para o suicídio. A comédia humana continua.

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(1) Daniel Pipes refere-se aos números avançados pela ONU, organização internacional cujos os interesses em forma alguma são coincidentes com os da Europa. Tais cifras inserem-se apenas e somente num prisma economicista, reveladando uma desfaçatez insultuosa para com as populações europeias, a quem jamais se perguntou se desejam e se aceitam a invasão do seu território e consequente colonização do mesmo, e mesmo para com os imigrantes, aqui encarados como meras peças de mercadoria ao serviço da lógica do mercado. 

(2) Pipes demonstra estar ciente de que a Europa necessita urgentemente de mudanças radicais em todas as vertentes da vida societária, desde o campo religioso às próprias mentalidades, todavia, não avança com a solução, a qual passa inevitavelmente pela superação do niilismo corrente imposto pelo igualitarismo individualista e desenraizador, o qual conduziu à “Decadência do Ocidente” (Spengler), sendo forçoso um retorno no tempo até ao Princípio, ao Começo, (Arche) para assim melhor enfrentarmos os desafios do Futuro.

(3) Modernização do islamismo. Pipes demonstra não perceber que o crescimento do islamismo é reflexo do mundo moderno, enquanto produto da mesma, expressão reagente face à acção posta em prática pelo “Sistema de assassinar os povos”.O actual islamismo é o islamismo da modernidade e quaisquer veleidades na existência de um eventual islamismo moderado´são reveladores de uma tremenda ingenuidade. 

(4) Neste ponto Daniel Pipes comete dois erros clamorosos; Desde o Concílio Vaticano II o mundo cristão conheceu uma profunda transformação. O outrora espírito aguerrido da Cristandade foi varrido das mentes dos fieis, criando um vácuo espíritual que conduziu a uma debandada geral nas hostes cristãs. As diferentes igrejas de confissão cristã não conseguem encontrar uma adequada resposta para colmatar esta crise. A fuga para a frente tem sido a tónica, nomeadamente através de um pretenso regresso às raízes universalistas, com incidência na implementação do eucumenismo e de uma demanda suicida pelo chamado diálogo inter-religioso. Tais posturas colocaram o Cristianismo, e em particular a Igreja Católica, objectivamente no campo do adversário, uma vez que este afigura-se deseperado com a perda de crentes, em grande parte para o islamismo rompante.

O segundo erro expresso por Pipes reside no facto de este apresentar como solução para travar o crescimento do islão na Europa a “importação” de imigrantes da América Latina, da China e da Índia, criando desse modo uma sociedade europeia multicultural e pretensamente tolerante, logo impermeável ao fundamentalismo muçulmano. Que ingenuidade! Mais, Pipes, fiel aos seus princípios cosmopolitas de feição universalista, pretende curar com sal esta ferida aberta no espaço Europeu. Uma sociedade multirracial é, comprovadamente, uma sociedade multirracista. A mistura explosiva de povos de origens distintas e portadores de cosmovisões absolutamente antagónicas não pode senão conduzir a conflitos sociais, étncios e culturais. Em última instância, o paríso multiculturalista de Pipes, além de revelador de uma xenofilia doentia, não é mais do que uma bomba relógio de consequências inimagináveis.         

Face ao islão conquistador a Europa somente tem uma solução; a recuperação da consciência étnica grande-europeia, assente nos valores da coragem, da solidariedade comunitária, da fidelidade à estirpe, no respeito selectivo da vida – e não de toda a “vida”. Em suma, nos princípios da Resistência e da Reconquista 


2 comentários so far
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Deus salve a Europa!

Comentar por Ricardo

Ricardo,

Está salvando, está salvando…

Comentar por Mario




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