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Passada a primeira noite instalamo-nos numa simpática unidade hoteleira a um preço módico de vinte euros por pessoa. Do terraço, onde tomávamos o pequeno-almoço, usufruíamos de uma perspectiva soberba sobre o Bósforo. Cerca do hotel, e para meu gáudio, um conjunto de editoras e livrarias, uma delas de cariz islâmica, radical e proselitista, espelho da qualidade da edição, de figurino germânico, e da rica variedade de títulos, originais ou traduzidos, do universo editorial Turco. Uma surpresa, pela positiva!
Em três dias e meio visitou-se e conheceu-se o que nos foi possível naquele limitado espaço de tempo. Devo salientar o maravilhoso templo de Santa Sofia, hoje transformado em Museu por iniciativa e intervenção de Mustafa Kemal AtaturK (pai dos turcos). Durante o período do império Otomano foi sempre uma mesquita. Uma nota curiosa: na Turquia e por pressão do nacionalismo laicista, não se utiliza o termo mesquita, de origem árabe, mas antes a palavra turca, cami. 
Os arquitectos de Santa Sofia foram os Gregos Anthenius de Tralles, hoje a cidade turca de Aydin, era matemático e arquitecto, e Isidoros de Mileto. Mandada construir pelo Imperador Justiniano, os materiais, com realce para os magníficos mármores, foram trazidos de todos os países do Mediterrâneo e das famosas pedreiras do interior da Anatólia. Milhares de operários e centenas de mestres trabalharam na sua edificação. Na sua concepção arquitectónica é considerada e descrita como uma Basílica (enorme e imponente) de três naves com cúpula, a primeira no seu género. Os simbólicos e maravilhosos mosaicos, os que ficaram do rasto de destruição, representam a iconografia Bizantino-ortodoxa, com alusões à história do Cristianismo.
A Obra…Para visitar, contemplar e reflectir!
Visitámos as Mesquitas Azul e de Suleiman, a zona do antigo hipódromo, hoje praça do Sultão Ahmet, coração da zona velha da cidade, na parte Europeia, enriquecida de simbólicos e históricos monumentos: um obelisco egípcio e as colunas Serpentina e de Constantino, estas duas últimas de origem helénica. Percorremos os jardins e parques do palácio Topkai, infelizmente não entrámos no seu interior devido ao enorme afluxo de turistas (tantos espanhóis!!!). Lembre-se que neste mesmo palácio residiram e viveram centenas de raparigas Europeias, trazidas como escravas de todo o continente Europeu, para prazer sexual dos Sultões: o “harém”!
Um recado para quem, de uma forma tendenciosa e sectariamente ache ou pense que a escravatura só se aplicou a determinados e exclusivos destinatários! O vocábulo “harém” é uma deturpação de “haram” que na língua árabe significa o que e proibido, interdito. Recordo-me de uma conversa, há já alguns anos, com um teólogo islâmico, de nacionalidade Libanesa, em que este me dizia que os turcos, esses heréticos, haviam deturpado e prejudicado a imagem e o bom nome do Islão. E, como exemplo, citava o “harém. Segundo ele os turcos foram os responsáveis por esta, nas suas palavras, indecorosa e estranha forma de encarar a sexualidade!
Questiúnculas no seio de uma mesma família religiosa? Talvez…
Passámos pelo grande Bazar, um espectáculo de cor e luz! Fiquei-me pela área destinada aos alfarrabistas, onde pude apreciar obras editadas em diferentes idiomas, inclusive em Arménio!
As vésperas do meu aniversário, estávamos em Abril, e uma boa e sincera amizade de longa data, regalaram-me um magnífico dicionário comentado de Farsi (Persa) -Inglês, com direito, como é óbvio naquelas paragens, a obrigatório desconto. Como certamente retornarei decidi-me pela compra barata e regateada de uma gramática de turco. Mais duas para a minha listagem pessoal: a língua e a gramática. (continua)
17 Comentários até agora
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Olá a todos,
Miguel, é preciso documentação especial para entrar na Turquia?
Comentário por Vera Maio 6, 2007 @ 3:52 pmPreciso desta informação urgentemente, se alguém me conseguir ajudar, agradeço, tb.
Los españoles estamos en todos los lados…….¿Cuál plaga de “gafanhotos”?
Comentário por jibraltar español Maio 6, 2007 @ 7:41 pmAmiga Vera,so precisas de passaporte em dia,mas atencao nao pode expirar nos ultimos seis meses…
O visto podes pedir na embaixada,e mais barato,ou entao podes pedir quando entras no pais,custa 10 dolares e e imediato.
Nao precisas de mais nada….
Es verdad!!!Eheheh!
Comentário por Miazuria Maio 7, 2007 @ 7:26 amQuando entro no país? No aeroporto dá? lol
Comentário por Vera Maio 7, 2007 @ 8:40 pmPedir passaporte demora uns 10 dias, n? Tou tramada, já vejo a viagem por um canudo!
Turismo na Turquía…..? Nao gosto……!
Comentário por jibraltar español Maio 8, 2007 @ 10:43 amSim, no aeroporto da, mas tens que ter o passaporte em dia,seis meses antes de expirar….
Jibraltar tu eres muyyyyyyyyyy raro!!
Comentário por Miazuria Maio 8, 2007 @ 12:22 pmNão sou esquisita quanto a isso.
Comentário por Vera Maio 8, 2007 @ 1:09 pmTal como o Jibraltar, não sei porque é que se vai fazer turismo para a Turquia e dar dinheiro a esses filhos de mafoma? Tenho a certeza que há muitas coisas interesantes para visitar em Portugal e que saiem bem mais barato.
Comentário por Pedro Agostinho Maio 8, 2007 @ 1:22 pmVou para onde as viagens me aparecem. Se surge a Turquia, vou à Turquia, qd é Holanda, é para lá que vou. Não são férias “paradisíacas” a meio do ano, em que escolho a Turquia por vontade própria. É simples, ou vou e conheço qq coisa, ou não vou e continuo sem conhecer. Até uma viagem ao Irão ou ao Egipto agarraria, se surgisse. É claro que não as escolheria em primeiro lugar, mas se me dessem uma oportunidade, ia! Lá por não irmos à bola com islâmicos não quer dizer que não se visite o país deles. Aliás, essa é uma forma de os conhecermos melhor e fundamentar ainda mais a nossa opinião.
Comentário por Vera Maio 8, 2007 @ 2:52 pmEu não odeio os outros, eu gosto do que é meu, e é isso que muita gente tem dificuldade em compreender, quer dentro quer fora do movimento…
Vera, cada um é livre de pensar como desejar, logo nem precisas de justificar as tuas opções turísticas. Al señor Jibraltar no le gusta la Turquia, es su derecho. O Pedro Agostinho prefere ficar por Portugal, óptimo. Já no meu caso, não me importaria nada de visitar a Turquia, país que, por sinal, tem monumento fabulosos fruto de uma história milenar.
PS/ Já agora Vera, o que é isso de movimento? ;)
Comentário por arqueofuturista Maio 8, 2007 @ 3:21 pmMovimento nacionalista e identitário. Eu sei que este blog´não é nacionalista, mas tb sabemos que quem está de fora não o distingue, daí ter utilizado a palavra “movimento”. Muita gente, nacionalista ou não (no meio identitário julgo que toda a gente o compreende), tem dificuldade em perceber que o que se defende é a nossa cultura, e não o ódio à dos outros. Odiar e não querer conhecer novas coisas, não é nacionalismo, é desejo de permanecer na ignorância. Mesmo que seja mau, vamos lá ver que é mau e fundamentar ainda mais a nossa convicção. Se é diferente, que seja, e depois? Está lá no seu “habitat” natural, não está a “invadir” o nosso…
Comentário por Vera Maio 8, 2007 @ 4:27 pmLo sabroso (en materia de gastronomía) comienza en Vilar Formoso……
Comentário por jibraltar español Maio 8, 2007 @ 5:50 pmVera, a minha pergunta era uma clara provocação. Quiçá o termo mais correcto seja movimentos…
Compreendo o que escreves e concordo inteiramente. É tempo das pessoas actuarem pela positiva, afirmando o apego, o arraigo e enraizamento à sua terra e à sua cultura, sem que isso implique ódio a quem quer que seja, excepção feita àqueles que pelas suas actividades façam perigar exactamente o que acima referi.
Comentário por arqueofuturista Maio 8, 2007 @ 6:40 pmExacto.
Comentário por Vera Maio 8, 2007 @ 8:37 pmNem mais Vera e Joao!! Carradas de razao!
Comentário por Miazuria Maio 9, 2007 @ 8:28 amAlias, eu nao me considero xenofobo.
Nao gosto e que venham ao meu espaco com intuitos de ocupa-lo sob diferentes formas…Isso NAO!
Olá,estou a procura das raizes familiares,por isso estou escrevendo,gostaria de saber aquem procurar,meu sobre nome e Krelic,meu avô nasceu em Constantinopla,o que eu faço para saber dos familiares que ficaram ai,um abraço e aguardarei com muito anceio essa resposta.
Comentário por Luigi Krelic Netto Julho 23, 2008 @ 12:30 amOlá!
Krelic tem uma sonoridade balcânica, eventualmente sérvia ou croata. Mas parece que havia pelo mewnos uma família com esse apelido em Szczuczyn, Polónia.
Constantinopla era, e ainda é, uma cidade internacional e cosmopolita, onde viviam várias comunidades; nos anos 20 era um porto de abrigo para várias classes de refugiados, por ex. da Guerra civil Russa. É bem possível que o seu avô tenha nascido nessas circunstâncias.
Quanto a visitar a Turquia, já tive essa grata oportunidade e diga-se de passagem que a Turquia é um país fantástico e a sua Historia tem muito a ver com a nossa bela Europa. O povo é simpático, a comida é excelente, assim como as paisagens. É um bom país para se viver. Contudo, não é Europa. Eu sei disso porque estive lá e sou daqueles que viajam “de comboio”. E tornei-me mais europeu depois de lá estar.
Por isso aconselho a todos que visitem a Turquia (mas sem ser em excursões), e olhem para o país com olhos de ver. Apreciem o que há para apreciar, mas mantenham um olhar crítico sobre a realidade. E ao contemplarem a catedral de Santa Sofia ou o Anadolu Kavağı, meditem sobre a sorte do Império Romano do Oriente e os dias que correm.
Abraço,
Comentário por Pippo Julho 24, 2008 @ 4:47 pm